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quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Comendo em Paris - Dicas simplesmente imperdíveis!



É sempre uma honra receber contribuições de pessoas queridas. Estas dicas vem do meu primo, o mesmo que fez o post "Uma refeição quase perfeita em Carmel".

Sim, a França é o principal berço do vinho em todo mundo, mas sua culinária também é divina.

As dicas são fruto de 2 viagens fantásticas de meu primo a França, onde eles passaram boa parte do tempo em Paris, com escapadas a Borgonha e a região de Bordeaux. Lugares imperdíveis para quem aprecia os prazeres da boa comida e o mundo do vinho. Algumas das sugestões fogem do circuito mais obvio e outras são verdadeiros santuários desse País maravilhoso.

Vamos as dicas:


36 rue Mont Thabor 75001 Paris - 01 42 60 27 19

x Sufflê de todos os tipos. Excelente custo benefício.


9 carrefour de l'Odéon, St-Germain-des-Prés, Paris, 75006 - 01-44-27-07-50

x Um dos melhores Bistrots. Comi um boeuf bourguignon de chorar! Excelente tábua de queijos.


9 carrefour de l’Odéon, Sixth Arrondissement, Paris; 011-33-8-2610-1087.

x No reservations. Open daily. Bar de tapas ao lado do Comptoir. Enquanto espera uma das mesas, frios, queijos e vinhos em taça.


2 Rue Vivienne - 75002 Paris, France - 01 42 86 87 88

x Onde se passou uma das ultimas cenas do filme “Alguém tem que ceder”. Lindo restaurante. Vale jantar!


20 Rue Saint-Martin - 75004 Paris, France - 01 42 72 25 76

x Clássico Bistrot parisiense, comprado pelo Alain Ducasse há uns 10 anos. Casoulet é o destaque. Com vinho, gasta-se acima de 200 Euros.


129 Avenue Parmentier, 75011 Paris, France - 01 43 57 45 95 ‎

x Bistrot do chef Inaki Aizpitarte. Extremamente inovador. Lugar simples onde o destaque é a comida. Menu com preço fixo, com mais de 5 pratos, no jantar a 50 euros. Com mais 50 euros, vinhos para acompanhar. Imperdível.


7 Place de l'Alma - 75008 Paris, France - 01 47 20 86 83

x Tradicional Brasserie. Come-se olhando a torre Eiffel. Incrível. Vale a pena ir de noite, pedir mesa na janela.


2 Rue Sainte-Marthe - 75010 Paris, France - 09 51 31 33 34

x Só tem uma mesa para 5 lugares, com espera de 3 meses. Especializado em azeitonas.


2 Rue Cambon - 75001 Paris, France - 01 42 60 80 89

x Excelente custo beneficio, com comida da borgonha. Destaque um Aligot espetacular.


5 rue du Nil, Paris, 75002 - 01-40-39-96-19

x Chef Gregory Marchand, outro queridinho da mídia. Comida de Bistrot de alto niíel. Preco fixo de 33 euros, com 3 pratos.


75 Avenue des Champs Elysées - 75008 Paris, France - 01 40 75 08 75

x Do circuito turístico, mas não dá para evitar os macarrons. Vale o almoço, sempre alguns pratos com trufa (suffle, omeletes, etc).


terça-feira, 2 de agosto de 2011

A Língua do Vinho, por Júlio César Kuns



Caetano Veloso popularizou no Brasil a afirmação de Martin Heidegger de que só se pode filosofar em alemão, mesmo com parte da boa filosofia tendo sido escrita em outras línguas, inclusive por alemães. No mundo do vinho, algumas pessoas têm uma posição parecida. Acreditam que só se possa vinificar em francês, enquanto outros dizem que em italiano é admissível. Mas o mundo mudou. O mundo do vinho resiste, mas se modifica também.

Isso só não acontece entre a maioria dos produtores de uvas e vinhos franceses, que se recusam a ouvir outras opiniões que não as suas sobre o tema. Se é exagero dizer que os parisienses nem respondem a interpelações em inglês, não é quando se trata de vinho. Tive a oportunidade de vivenciar essa situação num congresso internacional em que dois franceses fizeram as suas apresentações em sua língua materna, apesar de não haver tradutores.

Todavia, mais do que se negar a falar em outra língua que não o francês, a questão é mais ampla. Meu ponto é sobre postura. Essa que recém citei é, no mínimo, arrogante: eles sabem sobre vinho e se alguém quiser ouvir tem de se adaptar a eles. E esta é a postura de boa parte dos produtores de uvas e vinhos do mundo. Organiza-se a oferta e colocam-se informações nos rótulos de acordo com o que os especialistas entendem. Azar de quem não for especialista. Aliás, os ignorantes que tomem cerveja. Ou cachaça, já que vinho é um "produto cultural". E quanta cultura tem de se ter para comprar uma garrafinha de vinho...

Com tal postura, os franceses dominaram o mundo do vinho por algumas centenas de anos. São também os maiores consumidores. Por enquanto. Mas o consumo cresce mesmo hoje em dia nos Estados Unidos, no Reino Unido e nos países nórdicos, tradicionais consumidores de cerveja. As vendas não crescem lá devido a um processo de educação em massa para o ensino de língua francesa, nem por causa da massificação do conhecimento das quatrocentas e tantas denominações de origem francesas. Esses mercados crescem porque os produtores de vinhos do dito Novo Mundo deixaram de tentar impor regras para buscar a compreensão das regras dos consumidores.

As duas cidades onde se encontra a maior variedade de vinhos do mundo são Nova Iorque (EUA) e Londres (Reino Unido). Nas duas cidades, uma das tarefas mais difíceis é encontrar nova- iorquinos e londrinos. São duas cidades de tendências. Nelas, as pessoas não seguem tendências, ditam-nas. Acreditam em si mesmas e vestem o que acharem melhor, comem o que for mais rápido e bebem o que gostam (os vinhos tradicionais assim perdem espaço para vinhos leves, frutados e com rótulos que parecem de refrigerantes).

Pude conferir de perto esse cenário numa das feiras mais importantes de vinhos do mundo, a London International Wine Fair. Lá, ficou claro que as marcas de vinhos que crescem nos mercados não são francesas: "Yellow Tail" (rabo amarelo), "Flip-Flops" (sandálias de tiras) e "Pink Elephant" (elefante cor-de-rosa) são bons exemplos. Em geral, vinhos frutados, com baixo teor alcoólico e, boa parte deles, meio doces.

Nesta mesma feira, a única marca de vinhos francesa que me chamou a atenção foi a Fat Bastard (bastardo gordo). Não é que os vinhos franceses começam a falar inglês? E só há uma razão para isso estar acontecendo: há espaço somente para quem fala a língua do consumidor, seja ela qual for. Deve-se compreender o que o consumidor quer e entregar isso, sem imposições. Trata-se de, humildemente, ouvir e aprender. Os conservadores não precisam se preocupar: o sotaque garantirá a diversidade.

Júlio César Kunz é diretor-executivo da Dunamis Vinhos e Vinhedos. Engenheiro de alimentos pela UFRGS e mestre em gestão e marketing do setor vitivinícola pela Universidade Paris-Ouest (Nanterre - La Défense).

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Uma refeição quase perfeita em Carmel

Este é o primeiro artigo de um "Correspondente" para o Enoleigos. Um de meus primos esteve, há pouco, na Califórnia. Pediu algumas dicas sobre o Napa Valley, etc e tal, e uma história deliciosa acabou acontecendo. Quer saber mais? Leia abaixo!

In Vino Veritas!

Gustavo Kauffman (GK)

Uma refeição quase perfeita em Carmel

Estava eu indo indo de avião de Houston para California na sexta à noite, onde terminaria minha série de reuniões de trabalho na semana seguinte. Como teria o sábado e domingo livres, tinha pedido ao meu primo blogueiro e apaixonado pelo mundo do vinho, que me indicasse algumas vinícolas para visitar no Napa Valley, aproximadamente 2 horas de viagem de carro de Palo Alto, onde eu estaria.

Como Deus escreve certo por linhas tortas, me sentei ao lado de um senhor americano muito gente boa, que faz negócios com o Brasil e vive na California. Mas precisamente em Carmel Valley, uma região do condado de Monterrey, ao sul de San Franscico. Começamos a conversar, e eu perguntei se ele conhecia o Nappa, e se valeria a pena a viagem curta. Muito gentilmente ele me perguntou se eu gostava de roteiros turísticos mais tradicionais ou se preferia explorar lugares menores e não tão conhecidos pelo grande público. Nao tive dúvida, e optei pela segunda opção, quando ele disse “entao vá a Carmel Valley!”.

Carmel Valley, fica a aproximadamente há umas 2 horas de San Francisco, ao sul, e 1:15 de onde eu estava em Palo Alto, cidade conhecida pela Universidade de Stanford e por ser a base do Vale do Silicio. Até esse dia só conhecia Carmel por ter tido o Clint Eastwood como prefeito e um dos moradores mais ilustres. É uma estrada ótima, e quando mais perto de Carmel, mais linda vai ficando. Após uma rápida olhada no google, decidi ir na Vinicola Chateu Julien, recomendada tambem pelo meu novo amigo americano, e almocar no Restaurante Casanova, que me chamou a atenção pelo ambiente rústico e charmoso.


Restaurante Casanova em Carmel

Saí de Palo Alto às 8:00 e às 9:15 ja estava entrando em Carmel. A melhor descrição da cidade ao chegar é de uma Campos do Jordão a beira mar. Aconchegante e linda. Ao chegar fui a Praia, e como bom carioca, dei uma bela andada. Lindo visual, agua do Pacífico muito fria, mas estava um dia lindo e valeu muito a pena.


A Praia em Carmel

As 11:00 em ponto estava na vinícola Chateu Julien que fica há 12 quilômetros do centro de Carmel, no vale que também tem a cidade de Santa Lucia, outra produtora de vinhos, principalmente Cabernet, Chardonay e Pinot Noir. Fui recebido pela dona, e por USD 10,00 estavam oferecendo uma degustacao com 6 vinhos, entre eles um Merlot 1999 espetacular. Vale a pena. Tinham outras vinícolas no vale, que não tive tempo de visitar, mas são tipicamente vinícolas pequenas, de “garagem”, onde voce fala diretamente com o dono. Me lembrou muito borgonha, guardando todas as devidas proporções.

E chegou a hora do almoco, e lá fui eu para o Casanova. É um restaurante simples, rústico e muito charmoso. O atendimento é espetacular, e nos fazem sentir em casa. Pedi de entrada um prato de champignons selvagens grelhados, que vieram no mesmo molho e prato tradicionais de escargots. Uma delícia. Acompanhou um chardonay 2008 de uma pequena vinicola do Napa (ja que Maome nao foi a montanha...), Miner servido em uma pequena jarra de 5 onces. Outro achado, muito frutado, amanteigado, delicioso.

Champignons Selvagens

Chardonnay do Napa!


Em seguida veio o prato principal, costeletas de cordeiro, com um molho de redução em vinho tindo, acompanhando verduras locais e uma gallete de batata. Divino, grelhado no ponto, saborosíssimo. Para acompanhar, um vinho do Carmel Valley, Georis Cabernet Sauvignon 2007. Esse, sem comentários. Um perfume delicioso, com baunilha na medida, taninos sob controle, e um excelente ao final. Um cabernet, com menos 13,5% de álcool, perfeito para acompanhar o prato. É importante lembrar que não sou muito fã dos vinhos “porrada”, aqueles que contam tudo no primeiro gole. Prefiro o velho mundo e as sutilizas e descobertas ao logo do caminho.


O Prato Principal

Georis CS, Vinhaço!

Para fechar, uma sobremesa de maçã grelhada, com bola de sorvete, muito interessante. E para essa, o garçon atenciosíssimo, me trouxe uma taça de Sauternes do Chateau de Malles 2006 grand cru, ma-ra-vi-lho-so, e em seguida um expresso com um chocolate Vahona que fechou com chave de ouro um almoço quase perfeito. Só faltou, como diz a frase de um filme que vi “happiness is only real when shared”, meu Amore, que estava no Brasil, parceira querida de viagem, para compartilhar desse momento fantastico. Mas nós voltaremos juntos em breve, com certeza!


Macã Grelhada com Bola de Sorvete

Sauternes

PS: ainda tive tempo de dar uma passada na Nielsen Bros Market para comprar vinhos. Eles vendem da região de Carmel, Napa, Sonoma e até velho mundo, com preços espetaculares. O que me chamou a atenção foi o slogan deles: “A NON super market”, ou seja tudo em Carmel é pequeno!


Nielsen Bros Market











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