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segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Rubizzo Chianti Colli Senesi 2013 - #CBE

E é chegado o dia de mais um post para a Confraria Brasileira dos Enoblogs! Depois de algum tempo eu consigo postar no dia correto! J.

O tema deste mês foi Chianti, escolhido pelo Confrade Jorge Alonso, do blog Contando Vinhos: "Um Chianti, valendo Classico, Riserva e qualquer sub região e sem limite de preço". Eu optei por um Chianti mais para o dia a dia, mesmo não tendo ocorrido um limite de preço e explico! Acho os Chianti mais “básicos”, sem passagem por madeira, um vinho realmente ideal para acompanhar nosso dia a dia, além de tipicamente serem mais refrescantes, delicados, harmozinando como ninguém com uma massa ou uma pizza mais leve.

Antes de seguirmos falando de nosso vinho, é importante falar um pouco sobre o Chianti. Afinal de contas, o que é este vinho, com qual uva é produzido, em qual região, etc? A região é o mais fácil, afinal com este nome só poderia ser da Itália! É produzido na região da Toscana, predominantemente com a uva Sangiovese e alguns deles são DOCG (Denominazione d'Origine Controlatta e Garantita, como nosso vinho deste post, porém isto não quer dizer lá muita coisa em relação a qualidade, somente a origem do vinho.

O Chianti ainda pode ser “Riserva”, indicando que passou por um período de envelhecimento de no mínimo de 2 anos, antes de ser comercializado, e “Superiore”, com uma graduação alcoólica maior que a versão normal. O vinho que eu escolhi é um Chianti Clássico DOCG e sem nenhuma passagem por madeira.

Como tudo no “Velho Mundo”, existem também lendas e várias histórias sobre este delicioso vinho. Este vinho é uma excelente opção para começar a conhecer um pouco sobre o velho mundo. Um pouco mais pesado no bolso, é verdade, mas vale a experiência e também o prazer.

Vamos então ao que eu achei do vinho:

Visual: Garrafa típica da região, sem aquele peso todo, citando o que para eles é mais importante: É um Chianti, DOCG e, claro, o nome da vinícola. A rolha é de compensado de cortiça. Na taça mostra uma coloração de um vinho bastante jovem, bem violáceo e translúcido.

Olfato: Ressalta sua jovialidade e refrescância. Muita frusca fresca, remetendo a frutas vermelhas do bosque, frutas vermelhas em compota e groselha. Um vinho fresco, franco, direto e sem muita complexidade.

Paladar: Aqui também a refrescância e a  jovialidade é palavra chave. Muita fruta também no palato. Corpo médio, boa acidez com taninos macios. Final com persistência média e gostoso retrogosto. Um vinho que agrada no conjunto.

O que diz a vinícola sobre seu vinho:

Curiosamente no site da vinícola o Rubizzo não aparece como um Chianti DOCG, vejam: http://www.roccadellemacie.com/vini-rossi.php?ids=5. Ele aparece sim como um Toscano IGT.

Acredito que o produto não seja vendido na Itália e seja apenas exportado para o Brasil. O que a vinícola fala sobre o “Rubizzo” vai de encontro as minhas percepções durante a degustação, vejamos:

At the end of the 1970s, Rubizzo was something of a revolution for Chianti drinkers, who were used to wines that based their vigor on a mostly acidic structure, were not suited to aging and were rather pale in color.

Italo wanted a wine with greater aromatic complexity, more smoothness and more coloring substances, but at the same time also an enjoyable drinkability that would make it suitable for any palate and situation.

In a certain sense, Rubizzo was a precursor for a taste that subsequently became very common amongst wineries and wine consumers. It is the wine that has accompanied Rocca delle Macìe throughout its history, changing and evolving in step with the winery. 

Os vinhos da Rocca delle Macìe são importados pela Decanter: http://www.decanter.com.br/rocca-delle-macie-rubizzo-2013-750ml/p00111113

Não existem críticas da Wine Advocate para este vinho.

Um vinho para quebrar paradigmas. Tenho certeza absoluta que se você harmonizar este vinho com uma massa ou pizza mais leve você irá se surpreender positivamente. Ainda temos uma cultura muito ligada a vinhos mais “porrada”, que também tem seu espaço, mas lembre que na gastronomia muitas vezes “menos é mais”, e é isto que destaco principalmente neste vinho.

In Vino Veritas!


Gustavo Kauffman (GK)

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Pizzato Legno Chardonnay 2013 - #CBE

Meu último post para a CBE (Confraria Brasileira dos Enoblogs) foi no início deste ano, com o Espumante Marco Luigi Brut 10 anos, relembre. Na ocasião também foi uma tentativa de retorno ao Blog, mas acabei me enrolando e não consegui seguir escrevendo.

Agora o retorno será definitivo. Como diz a música “Eu voltei e agora é pra ficar, pq aqui é que é o meu lugar”!. Escrever sobre vinhos é uma coisa que amo fazer. Não só pelo momento da degustação em si, mas é um momento de reflexão, estudo, aprendizado e magia!

Com este post estou seguindo a risca o ditado “Antes tarde do que nunca”. A escolha para o vinho do mês de Novembro coube a Ju Gonçalves do blog Vou de Vinho. A Ju escolheu o tema “Um vinho branco e brasileiro, sem exigências”. Veja aqui o post da Ju.

Também gosto de vinhos brancos. Veja uma degustação que promovi entre Brancos Brasileiros em 2012, na ocasião confrontamos 23 rótulos Brasucas.

Pelo que vi nos posts dos Confrades, o Legno não foi escolhido por ninguém. A Pizzato com certeza está entre as vinícolas mais conhecidas, e com maior qualidade, quando falamos de Brasil. Toda sua produção conta com vinhedos próprios totalizando 42 hectares distribuídos entre o Vale dos Vinhedos, em Bento Gonçalves e em Fausto de Castro, munício de Dois Lajeados, na região serrana.

Ah, o vinho faz parte da Denominação de Origem do Vale dos Vinhedos, uma iniciativa muito bacana. Se quiser saber mais sobre esta DO leia este post.

Vamos então ao que achei do Legno Chardonnay:

Visual: A garrafa é do estilo mais pesadona, imponente. A arte do rótulo é muito bonita. No lugar da cápula, o vinho é fechado com uma cera mais dura. É bonito e estiloso, mas confesso que dá trabalho na hora de abrir. Rs. A rolha, como é tradição na Pizzato, é de cortiça e contém o nome do vinho e a safra. Na taça a coloração é palha com reflexos dourados.

Olfato: Boa complexidade, destaque inicial para mel, um toque de amêndoa e baunilha. As notas de fruta remetem para abacaxi e pera. Um vinho de respeito já em sua análise olfativa.

Paladar: Pela análise olfativa eu esperava um vinho mais encorpado, mas ele é mais elegante, com corpo médio e boa acidez. A boca vai crescendo, com muita fruta e toques de especiarias. Um vinho elegante que, mesmo com passagem de 11 meses por madeira, está totalmente equilibrado. É também um vinho gastronômico, iria bem com carnes brancas, queijos mais suaves e até mesmo uma bela salsicha alemã que eu gosto tanto.

O que a Pizzato fala do seu vinho:

OS CHARDONNAY DO VALE DOS VINHEDOS PREZAM PELA DELICADEZA, FRANQUEZA E NITIDEZ DE AROMAS E SABORES. A PASSAGEM POR BARRIS DE CARVALHO (FERMENTAÇÃO ALCOOÓLICA, MALOLÁTICA E AMADURECIMENTO) ESPECIAIS, E DE MANEIRA PARCIMONIOSA, ENRIQUECE O CONJUNTO SEM SOBREPORSE À EXPRESSÃO DO LOCAL DE ORIGEM; ASSIM NASCE O PIZZATO LEGNO CHARDONNAY.

OS BARRIS UTILIZADOS, DENOMINADOS PERLE BLANCHE, SÃO FEITOS COM OS MELHORES CARVALHOS E PASSAM POR UM PROCESSO DE TOSTAGEM LONGO E SUTIL (COM REGULAÇÃO POR AR E UMIDADE).

O VINHO RESULTANTE APRESENTA TODA A RIQUEZA E PREDICADOS RELACIONADOS À DELICADEZA DOS CHARDONNAY DO VALE DOS VINHEDOS, ENRIQUECIDO PELOS TRAÇOS DE AMADURECIMENTO EM BARRIS DE CARVALHO QUE RESPEITAM A ORIGEM DO VINHO.

PROPOSTA DO PRODUTO: Pureza, frescor, nitidez, franqueza, corpo e complexidade Vinhedos próprios, conduzidos em espaldeiras. Das melhores parcelas da propr. de Sta Lúcia, Vale dos Vinhedos. Lotes limitados, com numeração das garrafas. Complexidade e riqueza, mas respeitando o frescor e a origem. DOVV : Denominação de Origem Vale dos Vinhedos (2011-atual).

NOTAS DE DEGUSTAÇÃO: Límpido e brilhante, de coloração amarelo palha dourado. No olfato apresenta aromas intensos de frutas tropicais maduras, abacaxi, manteiga, baunilha, especiarias doces e mel. Na boca, coplexo, equilibrado, com bom frescor, elegante e de boa persistência.

HARMONIZAÇÃO COM PRATOS: Carnes brancas, pescados, mariscos, queijos curados suaves, saladas e vegetais temperados.

SERVIÇO: Para melhor apreciar os pontos fortes deste vinho, sugere-se que a temperatura da bebida esteja entre 9 e 12 ºC.

DADOS DA COLHEITA: 2.800 garrafas de 750 ml, numeradas. Dados Técnicos Álcool (% vol.) : 13 Açúcar residual (g/l) : 1,8 Acidez total (g/l ác.tartárico): 5,7 pH: 3,4 Tempo de barril (meses): 11 meses, 1º, 2º e 3º usos

VINHEDO: Nome: Santa Lúcia, Vale dos Vinhedos Região: Vale dos Vinhedos, Denominação de Origem Localização: 29°10’17.91”S, 51°36’05.59”O, 495 m.a.n.m Arquitetura: Espaldeiras com orientação norte-sul. Guyot Solo: De origem basáltica, franco, com pedregulhos e argiloso Colheita: Totalmente manual, em Janeiro de 2013

ELABORAÇÃO: Desengace, moagem e prensagem em prensa pneumática com leve maceração. Fermentação em barris de carvalho Perle Blanche em baixas temperaturas, com adição de leveduras selecionadas. Fermentação malolática e amadurecimento sobre as borras finas em barris até o engarrafamento.

Não existem análises da Wine Advocate para este vinho. Um dia nossos vinhos chegam até lá! 

É mais um vinho de respeito sendo produzido em nosso país! Pena que sua produção seja tão reduzida, apenas 2.800 garrafas. A que degustei foi a 0985.

Normalmente não sabemos do tema do mês seguinte quando realizamos o post da CBE. Como estou MUITO atrasado, já fiquei sabendo que o tema será Chianti! Vamos entrar nesta viagem para Itália??

In Vino Veritas!


Gustavo Kauffman (GK)

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Marco Luigi Brut 10 anos - #CBE


Ano novo, vida nova e, pq não, vinho idoso? Rssss. Hoje orgulhosamente volto a escrever para a CBE, a Confraria Brasileira dos Enoblogs. Já foram muitos vinhos degustados para esta confraria e nada melhor do que começar o ano com um post para a mesma. Todos os meses um Enoblogueiro é o responsável pela escolha do tema. A escolha deste mês coube a Ale Esteves Macedo do blog Dama doVinho e segue abaixo:

o próximo post para 1/1/2014 poderia ser sobre champagne, cava, Prosecco, Franciacorta, qualquer espumante para brindar o novo ano. Mas, de preferência, que esse espumante seja fotografado em algum lugar especial onde você passará o ano novo. O meu já vai ser no novo país!

Minha escolha foi de um sensacional espumante Brasileiro. Um verdadeiro Tesouro com apenas 1.500 garrafas elaboradas. A Marco Luigi é uma charmosa vinícola de Bento Gonçalves. Recomendo fortemente a visita. No post “Desvendandoas Serras Gaúchas – Marco Luigi Vinhos Finos” você conhecerá um pouco mais sobre ela.

Escolhi este espumante pq é raro encontrar um exemplar que permaneceu 10 anos, isso mesmo, 10 ANOS em contato com as leveduras. A Marco Luigi produziu um Nature (zero à 3 gramas de açúcar por litro) e o vinho que escrevo, um Brut (6,1 a 15 gramas de açúcar por litro).

Vamos então ao que achei do vinho:

Visual: A garrafa traz um certo ar de história mas, particularmente, não gostei muito do rótulo. A rolha é de cortiça e personalizada para a Marco Luigi. Ao servir na taça começamos a ser brindados por deliciosas impressões. A evolução dos quase 12 anos é claramente percebida pela sua tonalidade amarelo quase ouro. Mesmo após os 12 aninhos forma uma belíssima coroa, mantendo uma perlage muito fina, constante e por toda a taça.

Olfato: Bem expressivo e complexo. 10 anos em contato com as leveduras realmente não é para qualquer um e traz camadas e mais camadas. A primeira impressão é que tudo está muito bem integrado, frutas e a evolução devido ao contato com as leveduras se integram. Até as frutas aqui são mais complexas, destaque para damasco. Sigo identificando frutas secas como nozes, brioche, fermento e um toque de amanteigado.

Paladar: A boca repete sua complexidade, com uma diversidade de sabores, assim como no olfato. Acidez correta. Perlage também explode no palato. Estrutura e corpo bem presentes. Retrogosto de frutas secas. Final longo, sem nenhum amargor, e muito saboroso, que me remeteu até a figo. Extremamente gastronômico.

O que a Marco Luigi fala sobre o seu espumante:

Este espumante foi elaborado através do metodo Champenoise (fermentação na garrafa) com uvas Chardonnay, Pinot Noir provenientes de um vinhedo minuciosamente planejado na encosta Norte de um terreno com ótima inclinação, pedregoso e de média idade, com raízes profundas que absorvem somente os melhores nutrientes para as uvas. O espumante foi cuidadosamente guardado em contato com as leveduras por um período de 10 anos nas caves de terra da vinícola, este período de repouso resultou em um espumante de perlage extremamente fina, numerosa, persistente e de aromas inigualáveis.

Região do Vinhedo: Vale dos Vinhedos

Variedade: Chardonnay, Pinot Noir.

Colheita: A colheita é feita de forma manual. As uvas são acondicionadas em caixas de 20kg e imediatamente transportadas até a vinícola, onde é feito o desengace. A colheita foi realizada no final de janeiro, onde a uva apresentou estágio avançado de maturação e melhor concentração de açúcar.

Desengace: As uvas são desengaçadas em prensa especial onde acontece a liberação do suco sem a trituração da casca.

Decantação: Após a retirada da casca o mosto é decantado a frio.

Primeira Fermentação (vinho base): O mosto é fermentado com controle rigoroso de temperatura em tanques de aço inox por aproximadamente 50 dias.

Decantação do Vinho Base: Após a fermentação alcoólica, o vinho base é submetido a um tratamento de frio a -3ºC para a decantação completa de sais tartáricos.

Engarrafamento: Depois de decantado, o vinho base é engarrafado com uma pequena quantidade de açúcar, que irão fermentar para proporcionar a espuma e a pressão.
Fermentação na Garrafa (2ª fermentação): A fermentação foi realizada em caves subterrâneas de terra natural com a terra por 10 anos.

Remauge (pupitres): Para decantar os resíduos da fermentação, as garrafas são colocadas em pupitres na forma de pirâmide, onde são girados manualmente ¼ de volta todos os dias, por um período de aproximadamente 3 meses, para que os resíduos cheguem até o gargalo.

Degorgement: Após a decantação nos pupitres, o gargalo é congelado em máquina especial (manualmente). É retirada a tampa da garrafa e saem os resíduos decorrentes da fermentação. Imediatamente é colocado o Licor de expedição (6 gramas por litro) a rolha de cortiça natural e a gaiola. Após 6 meses de estabilização, as garrafas são liberadas.

Produção: foram elaboradas 1.500 garrafas safradas

Graduação Alcoólica: 12% vol.

Com tempo em taça o espumante mostra outras camadas. Demonstra mais presença. Não é um espumante barato mas, ao mesmo tempo, por tudo que proporciona, é um belíssimo custo x benefício! Gostaria de vê-lo degustado às cegas com alguns milésimes franceses.

Aproveito o primeiro post do ano para desejar um Excelente 2014 para todos. 

In Vino Veritas!

GK

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

O Vinho e nossos Momentos Inesquecíveis – Chesini Gran Vin CS 2005 – O tema da #CBE deste mês




Amigos e amigas, é com muito prazer que volto a escrever minhas “mal traçadas linhas” neste momento mensal sempre cheio de belíssimos posts dos confrades blogueiros que participam da CBE (Confraria Brasileira dos Enoblogs).

Neste mês eu tive o privilégio de escolher o tema. Parece que foi ontem que comecei a participar da CBE e esta já é a terceira vez que escolho o tema, o tempo voa! Como andei saboreando alguns vinhos de sobremesa alemães simplesmente divinos, pensei inicialmente em falar sobre vinhos “Botritizados”, mas, como bem disse meu amigo Alexandre Frias, não é um tema do gosto de todos! Resolvi então inovar e trazer aspectos de nossas vidas pessoais para o tema deste mês, vejam minha escolha:

"Neste mês eu gostaria de diversificar e trazer a tona variáveis tão ou mais importantes que o vinho em si! Falemos de nossa lembrança, pessoas, lugares e momentos. O tema deste mês é falar de um vinho que tenha marcado muito você! Férias inesquecíveis, o nascimento de um filho, bodas, casamento, não importa, descreva, degustando novamente ou não, suas percepções sobre o vinho degustado neste momento tão especial!"

Aproveito e dou uma sugestão a todos que estão lendo meu post. Lembra daquele vinho delicioso que você tomou naquela viagem a França ou Espanha ou Buenos Aires? Não interessa o país! Pegue este mesmo vinho e abra a mesma garrafa, da mesma safra, num dia comum, sem toda a magia do momento que envolvia sua viagem. É claro que tecnicamente o vinho é o mesmo! Mas nada, acredite, nada irá reproduzir a magia de um momento e foi exatamente isto que eu quis trazer a tona com o tema deste mês.

Minha escolha? Bom, meu momento especial na verdade foi o meu primeiro grande encontro com o Vinho Brasileiro. Em 2011 tive a oportunidade de participar do Projeto Imagem, realizado pelo IBRAVIN, e fui conhecer diversas vinícolas nas Serras Gaúchas. Vocês poderão ler diversos posts e relatos meus desta e de outras viagens que fiz para lá depois. Confesso que ainda tinha certo pré conceito e me faltava ainda muito a conhecer sobre o vinho produzido em nosso país.

Em um dos dias da visita o tema era Espumante e Garibaldi. Neste dia tive o prazer de conhecer pessoalmente o sensacional Adolfo Lona, e conhecer também a CPEG, Cooperativa dos Produtores de Espumante de Garibaldi. Mas o que Garibaldi e os Espumantes tem em relação com o vinho que escolhi? Foi no dia que conheci o Ricardo Chesini, participante do CPEG, mas que tinha realizado um sonho de produzir um vinho premium. A proposta da Chesini era chegar a um verdadeiro exemplar dos melhores vinhos do mundo. Para tal, foram empregados investimentos na adaptação e manuseio do vinhedo, irrigação controlada e colheita cautelosa. Depois de lapidado na vinícola, foram engarrafadas 2.770 garrafas numeradas deste vinho, importadas da França especialmente para o Gran Vin. Ao design, que emoldura com altivez a bebida, se junta o rótulo desenvolvido com exclusividade, que lhe confere visual único. Trata-se, inclusive, de material premiado pela indústria gráfica. São esses valores agregados que, em conjunto, fazem do Chesini Gran Vin sucesso de crítica.

Sim, eu já falei dese vinho aqui, mas para mim esta viagem e, como marco da mesma, o Chesini Gran Vin, foram um marco e tanto no meu encontro com o Vinho Brasileiro. Meu post inicial sobre o Gran Vin foi em Maio de 2011, pouco mais de 1 ano atrás. Irei acompanhar este vinho pelo menos pelos próximos 10 anos e, claro, compartilhar com todos vocês a evolução deste grande vinho Brasileiro!

E como será que foi meu encontro com o Chesini Gran Vin desta vez? Leia abaixo!!

Visual: Mesmo com seus 7 aninhos de vida o vinho continua sem sinais evidentes de envelhecimento em sua cor. Ainda vivo e brilhante. Analisando o halo conseguimos perceber sinais sutis de sua idade. Lágrimas finas, de velocidade mediana e tingindo a taça.

Olfato: Desta vez não decantei o vinho como já fiz em experiências anteriores. Ainda fechado o que, em conjunto com seu visual, mostram que este vinho ainda vai longe. Vale uma nota. Há uns 6 ou 7 meses atrás eu abri uma garrafa deste vinho e deixei ele decantando por quase 4 horas e, ao final da experiência, o vinho estava sensacional. A complexidade no olfato mais uma vez me surpreende, principalmente se considerarmos a faixa de preço deste vinho. Frutas negras e vermelhas mas com as negras mais em evidência. Com tempo em taça foi abrindo outras camadas. Compotas, especiarias, um toque de tabaco tudo isto harmonizando com a madeira muito bem integrada.

Paladar: Minha primeira atenção foi em relação aos taninos e a acidez que continuam bastante presentes me dando agora a certeza que este vinho evoluirá muito bem pelo menos nos próximos 5 anosl Corpo médio, remetendo mais a um vinho do velho mundo do que aos nossos queridos argentinos e chilenos. Os aromas que senti no nariz se mostram na boca também em camadas e com um final que, mais um vez, me surpreendeu por sua persistência.

Vinhaço! Realmente um vinhaço que me agrada pacas.

In Vino Veritas!

Gustavo Kauffman

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Marichal Tannat Reserve Collection 2009 - #CBE



A correria anda grande meus amigos! E, como tudo na vida, sempre temos o lado bom e o lado não tão bom. O não tão bom é não conseguir escrever com a periodicidade que gostaria. Mas, mesmo atrasado, aqui estou com o primeiro post do mês de março, o da esperada Confraria Brasileira dos Enoblogs (CBE). Neste  mês a escolha coube ao querido Gil, o fundador da CBE, do excelente blog Vinho para Todos:

Vinho tindo do uruguai, com preço até R$100,00”.

Definitivamente o uruguai tem vinhos deliciosos.

Minha escolha, como podem ter no título deste post, coube a um Tannat que surpreendeu a todos na degustação que organizei e foi intitulada de “Copa América”. Na ocasião tivemos apenas dois representadas uruguaios, e este em especial me surpreendeu. Dos 21 vinhos degustados, o Marichal Reserve ficou na nona posição, surpreendendo por sua qualidade. Vejam mais detalhes da Copa América neste link .

Em 1910 Isabelino Marichal, um descendente de imigrantes das Ilhas Canárias (Espanha), se estabeleceu na região de Etcheverría, iniciando o cultivo das primeiras vinhas da variedade Tannat, que naquela época, era chamada de Harriague.

Em 1938 construiu uma pequena bodega composta de tanques subterrâneos em uma caverna, de modo a possibilitar as melhores condições para amadurecimento dos vinhos.

Por mais de 70 anos a Bodega Marichal une tradição a modernas técnicas de vinificação, produzindo vinhos uruguaios premium em uma localização privilegiada, a 25 km de distância do Atlântico, onde seus vinhedos são contemplados pela brisa marítima.

Hoje na quarta geração, Juan Andrés e Alejandro administram, juntamente com seus pais, essa vinícola que tem o desafio de projetar ao mundo o produto de sua terra e sua filosofia. Juan Andrés Marichal gosta sempre de salientar que para se fazer um grande vinho é preciso ter uvas de elevada qualidade. O processo de vinificação começa no vinhedo com pleno acompanhamento na bodega. Uma pequena jóia no Uruguai com 50 hectares de vinhedos próprios ao sul do país onde se destaca o cultivo das variedades: Tannat, Merlot, Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Pinot Noir, Chardonnay, Semillón e Sauvignon Blanc.

Vamos ao que eu achei deste vinho:

Visual: Garrafa sem muitos chamarizes mas elegante. Discreto mas bem feito e com bom gosto. Ao servir vemos a jovialidade do vinho. Coloração vermelho mais escuro, ainda com muitos reflexos violáceos.

Olfato: O vinho começou um pouco fechado. Fica a dica de deixá-lo respirar por pelo menos 30 minutos antes de seguir com a degustação. Após este período ele abriu bastante, dando especial destaque aos aromas frutados, muita fruta vermelha com gostosas notas adocicadas. Continuando com a análise percebo também notas de chocolate mais amargo e um toque de especiarias (pimenta seca).

Paladar: Preenche bem a boca, refletindo os aromas percebidos na análise olfativa. Os taninos, para minha surpresa, estão bem domados e macios. Um vinho de estrutura média. Final de boa persistência.

O que a vinícola fala sobre seu vinho:

Variedad: 100% Tannat

Características de la variedad: Tannat es una variedad originaria del sudoeste Francés, Madiran, que en Uruguay encontró excelentes condiciones de terruño para producir vinos de altísima expresión, con taninos a la vez que intensos, de textura amable.

Ubicación de los viñedos: Etchevarría, Canelones, Uruguay, a sólo 25 km del mar.

Suelo: Ondulaciones  franco arcillosas con zonas de calcáreos

Fecha de cosecha: Primera quincena de Marzo.

Tipo de cosecha: Recolección manual, en cajones de 18 kg.

Fermentación Maloláctica: Si.

Proporción de vino flor y prensa: 100% vino gota.

Crianza: 70 % 12 meses en roble francés y americano.

Potencial de guarda: 12 años desde el año de cosecha.

Color: rojo profundo, con reflejos violáceo  típicos del Tannat.

Nariz: Presenta notas de frutas rojas maduras,  con mermelada de ciruelas. Los aromas terciarios de tostado chocolate están perfectamente integrados.

Paladar: La entrada en boca es amable,  se desarrolla con un buen volumen en boca en donde  aparece nuevamente la fruta roja madura con una leve nota mineral que lo equilibra perfectamente. Los taninos están bien presentes pero son redondos y carnosos.

Temperatura de Servicio: 17-19ºC


Ainda não existem análises da Wine Spectator nem da Wine Advocate sobre este vinho.

Um vinhaço uruguaio para sua faixa de preço. Realmente uma bela surpresa que entra também pra lista de custo x benefício.

In Vino Veritas!

Gustavo Kauffman (GK)

segunda-feira, 12 de março de 2012

Casa Leoni Moscatel Demi-Sec #CBE




Amigos e amigas, na verdade este deveria ter sido meu post do dia 01/03. O corre corre do dia a dia não me permitiu, infelizmente, colocar meu post na data correta.

O tema este mês coube ao confrade Cláudio Werneck, do excelente blog Le Vin au Blog, e foi muito interessante, veja:

"Quanto mais diferente, incomum, curioso e pitoresco melhor."Quanto mais diferente, incomum, curioso e pitoresco melhor.Quando mais diferente, incomum, curioso e pitoresco melhor!”.

Sensacional o tema, não?

Alguns dias antes da sugestão do tema, eu tive a oportunidade de provar um espumante Moscatel que é produzido pelo método tradicional, o chamado “champenoise”. Os espumantes Moscatel são, em sua grande maioria, produzidos pelo método Asti. O método Asti é o usado para a produção de espumantes doces, na Itália. O nome vem de uma região demarcada (DOC) na Itália, onde é produzido com uva Moscato. Consiste de uma única fermentação em grandes recipientes, que é interrompida quando se atinge de 7% a 10% de álcool, deixando açúcares residuais da ordem de 80 gramas por litro (10 vezes mais que um espumante Brut). Confesso que eu nunca encontrei um espumante Moscatel produzido pelo método tradicional. Você pode estar se perguntando no que consiste este tal método tradicional. Diferente do ASTI, o método tradicional possui duas fermentações. O método tradicional consiste na realização da segunda fermentação do espumante na própria garrafa.Na primeira fermentação (alcoólica) o processo ocorre como em um vinho normal,  em tanques, resultando em um vinho de alta acidez e baixo teor alcoólico. Em seguida o vinho é engarrafado com o licor de tiragem, uma mistura do vinho-base com leveduras selecionadas e açúcar para servir de alimento para estas leveduras, que darão início à segunda fermentação. O vinho então passa pela segunda fermentação na garrafa que gera um aumento no teor alcoólico e a formação de CO2.

Em teoria, um espumante moscatel produzido pelo método tradicional, deveria ter um teor alcóolico maior e um teor de açúcar menor, que foi exatamente o que encontrei neste espumante produzido em Jundiaí pela Casa Leoni.

Vamos então ao que achei deste espumante “curioso”:

Visual: A garrafa é em simples, com um rótulo que deixa, e muito, a desejar. O trabalho visual não é nada bom. Ao tirar a cápsula percebo que não possui rolha de cortiça, e sim aquelas rolhas de plástico. As surpresas começam ao colocar na taça. A perlage é surpreendemente persistente, de tamanho pequeno a médio e formando uma bonita coroa mesmo em baixas temperaturas. Coloração amarelho palha.

Olfato: Aroma típico da moscatel mas sem trazer tanto doce, o que me agradou. Um pouco de floral e mel completam a análise.

Paladar: A mesma perlage que surpreendeu no visual surpreende também ao explodir na boca.

Foi uma experiência interessante. A moscato é uma uva muito aromática e refrescante e o fato deste espumante não ter um teor de açúcar tão alto me agradou bastante.

É minha gente, o mundo do vinho é um aprendizado constante!

In Vino Veritas!

Gustavo Kauffman


quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Herdade do Esporão Verdelho 2009, a FICHA TÉCNICA do Vinho do Mês da #CBE


Como comentei no no post "Herdade do Esporão Verdelho 2009 (Monocastas) – O 20º Vinho do Enoleigos na #CBE!", no momento em que escrevia eu não havia conseguido as notas técnicas deste vinho, informação que, sempre que possível, eu também disponibilizo em meus posts.

Contatei a Qualimpor, importadora exclusiva dos vinhos da Herdade do Esporão para o Brasil e eles gentilmente me enviaram esta informação que compartilho com todos.

In Vino Veritas!

Gustavo Kauffman (GK)

Herdade do Esporão Verdelho 2009 - Ficha Técnica




ADEGA: Herdade do Esporão

CASTAS: Verdelho

COLHEITA: 2009

REGIÃO: Alentejo 

PAÍS DE ORIGEM: Portugal

CERTIFICAÇÃO: Regional

ENÓLOGO: David Baverstock / Sandra Alves




NOTAS DE PROVA

Visual: Aspecto cristalino, cor citrina esverdeada. 

Olfactivo: Aroma intenso e complexo, com notas citrinas e tropicais, sugerindo manga e maracujá. 

Gustativo: Paladar fresco e equilibrado, elegante e harmonioso. 

Acompanhamento: Óptimo aperitivo, acompanha desde Ceviche variados até carnes brancas grelhadas, passando pelos legumes da dieta mediterrânica, oferecendo um intenso exotismo à refeição. 

Temperatura de Consumo: 10 – 12ºC.

Quantidade Produzida: 15.000 litros.

VITICULTURA

Geologia do Solo: Natureza granítica / xistosa, estrutura franco-argilosa. 

Condução: Cordão bilateral. 

Idade das Vinhas: 7 anos. 

Produção Média: 35 hl/ha.

VINIFICAÇÃO

Refrigeração das uvas, escolha manual dos cachos, prensagem dos cachos inteiros, decantação estática do mosto, fermentação com temperaturas controladas em cubas de inox, centrifugação, estabilização e filtração.

ANÁLISES

Álcool: 14% 

Acidez Total: 6,5 gr/l 

Acidez Volátil: 0,35 gr/l 

SO2 Total: 114,0 mg/l

pH: 3,18 

Extracto Seco: 20,28 gr/l 

Açúcar Redutor: 2,3 gr/l 

SO2 Livre: 39,0 mg/l

Herdade do Esporão Verdelho 2009 (Monocastas) – O 20º Vinho do Enoleigos na #CBE!


Hora de começar mais um mês e, como sempre, começamos homenageando a tradicional, e deliciosa, Confraria Brasileira dos Enoblogs. Esta já é a 65ª edição, é tempo pacas! O responsável pela escolha do tema neste mês foi o confrade Luiz Cola, do blog Vinhos e mais Vinhos. O tema que o Cola escolheu foi o seguinte:

Vinho branco, Português e de até R$150,00”.

Enquanto escrevia este post fui conferir há quantos meses eu participo da CBE, já que parece que foi ontem que tive minha primeira participação. Tomei um susto ao ver que este é o 20º post para a Confraria. Desde que eu entrei, em 04/2010, consegui estar presente em todos os meses, mesmo que com um pequeno atraso uma vez ou outra. Como recordar é viver, meu primeiro vinho na CBE foi também um vinho branco, só que chileno, foi o Canepa Reserva Privada.

E você? Já participa de alguma Confraria? Não?!?! Pois não sabe o que está perdendo! Sempre temos muito o que aprender, mesmo que seja, como a CBE, uma confraria virtual. Vale repetir o que já comentei em um outro post, ou seja, a origem das Confrarias!

Na Idade Média elas reuniam religiosos em torno de práticas místicas e proteção social. Possuíam sempre um símbolo ou escudo, um santo como devoção comum e princípios compartilhados em grupo, acima de qualquer questão pessoal. Sempre tiveram um sentido agregador, por vezes desafiando normas estabelecidas por suas religiões de origem.

No Brasil imperial congregavam negros e brancos e, não raro, administravam fundos para compra de cartas de alforria. Na Europa, essas entidades fazem parte da história de um continente que procurava proteção contra suas próprias práticas predatórias e desumanas, resgatando valores e crenças derrubados com os muros dos feudos.

Assim aconteceu com os pedreiros das grandes catedrais francesas que mantinham técnicas secretas de construção, preservavam e assistiam as famílias de seus pares. Com as próprias ferramentas como símbolos, fundaram a Maçonaria.

As confrarias são essas organizações que lutam pela identidade de um grupo, produzindo, preservando e difundindo conhecimento. O mundo do vinho se apropriou desse tipo de estrutura para fazer valer o que tem de melhor: sua capacidade de reunir e agregar. Do Velho para o Novo Mundo, elas funcionam como pára-raios de qualidade e tradição, contra a banalização e a futilidade que, por vezes, tentam tomar conta do mercado.

O primeiro passo para degustar vinhos é escolher um grupo. Vale selecionar pessoas que estejam no mesmo estágio que você. Deste modo todos poderão descobrir juntos o prazer dos vinhos, compartilhando idéias e impressões. O mesmo grupo, uma vez harmônico, pode evoluir, publicar suas opiniões na internet e trocar informações com outras turmas e confrarias.

Vamos voltar ao nosso vinho!!

Acredito que não preciso mais falar sobre a Herdade do Esporão, uma das vinícolas de maior qualidade em Portugal. Temos diversos rótulos da Herdade do Esporão já comentados aqui no Enoleigos. Você pode conferir todos eles em nossa “Série Vinhos Herdadedo Esporão”.

A Verdelho é uma cepa mais utlizada em vinhos da Ilha da Madeira. Em Portugal a uva também se desenvolve no vale do rio Douro, onde é confundido com o "Gouveio" e é muito utilizada na fabricação de vinho do porto branco. Já em vinhos tranquilos, a região que mais de destaca na produção da Verdelho é o Alentejo.

Vamos então ao que achei deste vinho:

Visual: A Esporão tem um trabalho visual de tirar o chapéu! A linha monocastas traz sempre a primeira letra da cepa em seu rótulo. Rolha de cortiça personalizada para a vinícola. Coloração amarelo claro com pequenos reflexos mais fortes.

Olfato:  Essencialmente frutado, com fortes traços cítricos e notas também de frutas tropicais como maracujá e manga. Analisando um pouco mais percebo também notas de mamão papaia. Um vinho bastante agradável e, ao menos no exame olfativo, que passa refrescância.

Paladar: Preenche bem a boca, se confirmando um vinho bem refrescante. As frutas aqui também continuam presentes e traz boa acidez. Volume médio. Traz também alguma mineralidade e com um final de boca comprido, persistente e delicioso. 

A ficha técnica deste vinho não está disponível no site da Herdade do Esporão. Solicitei a importadora no Brasil e, assim que receber, divulgarei para todos.

O que diz a Wine Spectator sobre este vinho:

Pontos: 89

Review

This shows fine concentration and focus to the lush flavors of Golden Delicious apple, peach and apricot, accented by plenty of spicy notes. Crisp, creamy finish. Drink now through 2014. 1,600 cases made. –KM

O que a Wine Advocate, de Robert Parker, fala sobre este vinho:

OBS: Não existe resenha sobre a safra de 2009. As informações abaixo se referem a safra de 2010.

Degustador: Mark Squires
Pontos: 88
Maturidade: Beber entre 2011 e 2013

Review:

The 2010 Verdelho "V" is quite green and exquisitely fresh, chock full of juicy fruit and nice acidity. Not everyone will love the herbaceous qualities, but no doubt this is intended to be this way, invigorating and refreshing, with a succulent finish that leaves your mouth watering. I tend to think these can hold a bit, but without question its best feature is its freshness. You will make the most of what it has to offer if you drink it at its young-and-fresh best. It will be at peak this summer. Of the winery's monovarietal offerings reviewed this issue, my pick would be this white rather than any of the reds, and it comes in at quite a nice price. Drink now-2013. 

This iconic Southern Portuguese winery has a lot of new labels this year, which generally look pretty good. The labels for the Reserva and Private Selection, of course, feature art by Portuguese artists - see all the back labels for details. The monovarietal wines now come with just a big letter or two on the front - like "S" for Syrah or "V" for Verdelho. The details are on the label in smaller print.



Definitivamente um vinho que agradou bastante e que passará novamente por aqui. E que venha a próxima CBE!

In Vino Veritas!

Gustavo Kauffman (GK)
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