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quarta-feira, 16 de abril de 2014

Curso de Mestre em vinhos do Porto inicia no Brasil


Vinho do Porto é considerado por muitos o REI DOS VINHOS. Região do Douro, berço que dá origem a este precioso néctar, oferece a este vinho uma história de vida inigualável ou comparável a outro vinho do mundo. Vinho do Porto é um vinho do mundo, no entanto sua história, cultura e tradição são ainda desconhecidas por muitos apreciadores de vinho espalhados pelo Brasil.

Eu sou um apaixonado por este estilo de vinho e tenham certeza que é um mundo fascinante e diferente de tudo que já puderam experimentar

A Wine Senses dá início ao 1º Curso de vinhos “Mestre em Vinhos do Porto” “Master of Port”. Este Curso é o mais abrangente e completo curso para quem se deseja especializar, neste que é considerado para muitos o néctar dos Deuses. O 1º Curso será realizado nos dias 28, 29 e 30 de Abril de 2014, na cidade de São Paulo. O reconhecido Escanção José Santanita e Carlos Cabral, a maior entidade no Brasil no que respeita ao tema vinho do Porto apoiam e participam na Iniciativa.

Os participantes terão a possibilidade de participar em degustações únicas deste majestoso vinho. Irão aprender sobre a história, os aromas e as sensações, aprender a provar, a diferenciar e harmonizar os diferentes estilos de um vinho do Porto. Irão ser degustados todos os estilos de vinho do Porto além de provas comparativas entre diferentes estilos.

Curso será realizado na sala de educação do restaurante AVEK em São Paulo. No seguimento deste curso, a Wine Senses Brasil irá organizar o primeiro Road Show educativo com vinho do Porto no Brasil. Cidades como Rio de Janeiro, Curitiba, Florianópolis, Maceió, Cuiabá, Belo Horizonte e Santos são algumas das cidades privilegiadas com este curso de vinhos.

Quem puder vale a pena participar!!
Informações e inscrições: 
E-mail: reservas@winesenses.com.br 
Telefone:  +55 11 32947156
Joelma Rodrigues 

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Entendendo melhor o Vinho do Porto


Será que você realmente sabe o que é o Vinho do Porto? A maioria das pessoas responde que é uma bebida doce feita em Portugal e para por aí! Isto sem falar na sopa de letrinhas que as garrafas trazem. Tawny, Ruby, LBV, e por aí vai. Qual o motivo de tanta variação de preços? Para comprar com segurança, sabendo o que vai levar, é preciso antes conhecer um pouco desse vinho e principalmente entender seus rótulos e siglas. 

O Porto é um vinho produzido apenas na região do Douro, em Portugal. Isto significa que não existe Vinho do Porto em nenhuma outra região do planeta? Sim, exatamente isto!!!


Apesar de produzida com uvas do Douro e armazenada nas caves de Vila Nova de Gaia, esta bebida alcoólica ficou conhecida como "vinho do Porto" a partir da segunda metade do século XVII por ser exportada para todo o mundo a partir desta cidade. Vila Nova de Gaia é o local com maior concentração de álcool por metro quadrado do mundo.

A "descoberta" do vinho do Porto é polêmica. Uma das versões, defendida pelos produtores da Inglaterra, refere que a origem data do século XVII, quando os mercadores britânicos adicionaram brandy ao vinho da região do Douro para evitar que ele azedasse. Mas o processo que caracteriza a obtenção do precioso néctar era já conhecido bem antes do início do comércio com os ingleses. Já na época dos Descobrimentos o vinho era armazenado desta forma para se conservar um máximo de tempo durante as viagens. A diferença fundamental reside na zona de produção e nas castas utilizadas, hoje protegidas. A empresa Croft foi das primeiras a exportar vinho do Porto, seguida por outras empresas inglesas eescocesas.

Como sabemos, os vinhos sofrem o processo de fermentação, ou seja, transformação do açúcar existente no suco de uva em álcool. Você deve estar se perguntando como que o Porto é doce, certo? Durante a fermentação do vinho do Porto é adicionado um aguardente vínico. Com a elevação alcoólica, a fermentação é interrompida e o vinho fica doce devido ao açúcar residual (existem também vinhos secos, menos comuns). Em seguida o vinho precisa envelhecer em madeira e na garrafa. O método de envelhecimento e a idade do vinho determinam categorias (também chamadas estilos ou tipos), todas identificadas nos rótulos através de nomes específicos. Conhecer o significado desses nomes é fundamental para esclarecer todas as dúvidas.

As principais uvas para a produção do Vinho do Porto são:

Tintas - Touriga Nacional, Touriga Francesa. Tinta Roriz, Tinto Cão, Tinta Barroca;

Brancas - Viosinho, Rabigato, Arinto e Códega.

Tipos de Vinho do Porto

White - é o único produzido com uvas brancas e envelhecido em madeira de 2 a 3 anos, podendo ser doce ou seco. No seco (dry), a adição de aguardente é feita no final da fermentação. Nenhum dos dois melhora depois de engarrafado.

Ruby - produzido com uvas tintas, é também engarrafado após 2 a 3 anos de idade e não melhora na garrafa. O nome é também uma referência à sua cor. 

Tawny - mesmo não ostentando nenhuma data no rótulo, é um vinho mais velho (acima de 3 anos) e mais elegante que o Ruby. Possui uma tonalidade de topázio queimado. 

Tawny Envelhecido - com prolongado estágio em carvalho, o vinho apresenta uma cor de mogno ou “aloirada”. A idade mencionada no rótulo - 10, 20, 30 ou 40 anos - é uma média das idades dos vinhos de vários anos que compõe o lote. O ano do engarrafamento também é indicado no rótulo. 

Tawny Colheita - vinho de uma só colheita e envelhecido em madeira no mínimo por 7 anos. Os anos da colheita e do engarrafamento são mencionados no rótulo. Pode ser consumido logo após a compra, pois a exemplo de todos os outros Tawnys, não envelhecem na garrafa.


Crusted - vinhos de várias colheitas, envelhecido 3 a 4 anos em madeira e depois engarrafado. Quando não filtrado, tende a formar depósito. 

LBV (Late Bottled Vintage) - vinho de uma só colheita, normalmente de boa qualidade, indicada no rótulo junto com o ano do engarrafamento. Envelhecido em madeira durante 4 a 6 anos, é filtrado antes do engarrafamento para evitar a criação de depósito. 

Vintage Character - engarrafado após o envelhecimento de 4 a 5 anos em madeira, tem a data da colheita indicada no rótulo. Não se beneficia com estágio prolongado em garrafa. 

Vintage de Quinta (Single Quinta Vintage) - vinho de uma só colheita indicada no rótulo e proveniente de uma determinada quinta e produzido somente em anos excepcionais. Engarrafados com 2 anos de idade, normalmente permanecem no estoque do produtor por até 10 anos. Vendido quando pronto para consumir, podem envelhecer ainda mais tempo em garrafa. 

Vintage - vinho de uma só colheita indicada no rótulo e de inigualável qualidade. É o vinho mais fino e raro, pois representa apenas 2% de toda a produção. Produzido com uma seleção dos melhores vinhos de um ano excepcional, representa apenas uma pequena parte da colheita. As suas opulentas características organolépticas correspondem a vinhos que dificilmente se conseguem em mais de 3 anos em cada década.



Nota: Parte do texto foi extraído de um artigo da ACAV.

In Vino Veritas!

GK

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Portugal nos 100 melhores vinhos tintos do mundo



O Principal Tinto Grande Reserva 2009 é também apresentado pela Spirito diVino na classificação do TopOutsider, como o Outsider dos Outsiders, uma revelação absoluta, atribuindo-lhe o 1º lugar, e antecipa que para os próximos anos será um vinho que surpreenderá ainda mais.

O Charmain do Grupo Idealtower a que pertence a Idealdrinks, Carlos Dias, refere: "trata-se de um reconhecimento que me orgulha e que partilho antes de mais, com todos os colaboradores das Colinas de São Lourenço e em particular com Pascal Chatonnet, assim como com os viticultores da Região da Bairrada. Fico consciente, que é uma responsabilidade acrescida, e que o esforço que devemos desenvolver para sustentar e manter a qualidade dos nossos vinhos é importante."

Pascal Chatonnet, "o Francês de Bordéus" mundialmente conhecido como um dos melhores enólogos da actualidade, consultor que assina grandes vinhos a nível mundial, e responsável pela enologia do grupo Idealdrinks. É a ele que se deve a elaboração deste vinho, hoje eleito entre os 10 melhores vinhos tintos do mundo. 

Para o CEO da Idealdrinks Carlos Lucas "o nosso consumidor não fica admirado porque conhece a enorme qualidade dos nossos vinhos, mas é sempre gratificante sermos reconhecidos mundialmente e podermos dar estas notícias aos nossos clientes. Temos bons vinhos e teremos com certeza grandes surpresas, com o lançamento de novas colheitas. Para quem ainda não provou o Principal Tinto Grande Reserva 2009, aconselho-o vivamente a fazê-lo". 

A Spirito diVino e Spirito diVino-Ásia são das mais prestigiadas revistas internacionais de vinhos. Pertencem ao Sawn Group e têm uma edição em língua Italiana e uma edição em Inglês, esta ultima tem uma tiragem de 250 mil cópias.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Cortes de Cima 2007


Este é um clássico português, um vinícola que se você ainda não conhece, não sabe o que estás a perder.

As Cortes de Cima são uma propriedade de 365 hectares, uma dimensão média para o Alentejo. 140 hectares estão plantados com vinha, 50 hectares com oliveiras e 70 foram reflorestados com sobreiros, azinheiras, pinheiros e alfarrobeiras.

Terroir = solo, localização, clima

Nesta região, o solo é argiloso e o subsolo calcário, permitindo uma boa drenagem. Este é um aspecto importante para as vinhas. As nossas estão aninhadas na encosta da Serra do Meandro, com 400 metros de altura, que delimita o baixo Alentejo.

A região alentejana da Vidigueira usufrui de uma excelente exposição solar, com temperaturas quentes e secas no Verão e temperadas pelas frescas brisas atlânticas. A precipitação média é de cerca 500-600 mm e concentra-se maioritariamente nos meses de Inverno, em que se regista pouca ou nenhuma geada.

Como outros portugueses, este também traz o código AVIN AVIN0292755246691.

Vamos então ao que achei deste vinho:

Visual: Tradicional garrafa deste clássico do Alentejo. Conheço o rótulo de longe. Ao abrir a cápsula me deparo com uma característica que me agrada bastante. A rolha também vem safrada. A rolha é de compensado de cortiça o que eu não esperava para um vinho português. Coloração ainda viva, escura e intensa, mas já sem tantos sinais de violáceo. Lágrimas gordas, rápidas, por toda a taça e com leve coloração.

Olfato: Intenso, complexo e explodindo em aromas diversos. São cinco castas que compõem este blend Alentejano. Nas frutas destaco as vermelhas, com especial presença de cereja. Em harmonia temos também nuances florais, provavelmente provenientes da Touriga. Leve tostado da madeira e especiarias finanlizam a análise olfativa.

Paladar: O ataque inicial na boca, assim como no nariz, também é itenso e ocupa cada pedacinho da boca. Os taninos estão presentes, mas já bem macios. Acidez super presente e se destacando. O sabor em boca é essencialmente frutado, com leve dose de mineralidade. Boa textura em boca, chegando a ser um vinho guloso. Final de boa persistência.

O que a Cortes de Cima fala sobre seu vinho:
  
Castas: 56% Syrah, 20% Aragonez, 11% Cabernet Sauvignon, 8% Petit Verdot, 5% Touriga Nacional

Ácidos Totais: 5.2

pH Final: 3.58

Açúcares Residuais: 2,9

Álcool: 14%

Estágio em Barrica: 12 meses em Carvalho Francês (80%)/Carvalho Americano (20%)

Filtrado e engarrafado em: Maio 2009

Lançamento: Julho 2009

Produção total: 136.691 garrafa

Vindima 2007

Este ano o período de maturação das uvas foi retardado, originando bagos com baixo baumé e vinhos com menos álcool mas mais elegantes. Tanto no início como no fim da vindima, o tempo esplêndido, com dias quentes e solarengos alternados por noites frias, foi interrompido por períodos de severas trovoadas. Um Setembro pouco usual, bastante húmido, destruiu as nossas esperanças e o ano que se apresentava como potencialmente excelente acabou por se revelar num ano de qualidade acima da média.

Vinificação

Este vinho foi produzido a partir de uvas rigorosamente seleccionadas pelo que estavam num óptimo estado de maturação. Foram fermentadas sem engaço, a temperaturas controladas, e regulares delestage, com um alargado período de maceração  das películas para melhorar o aroma a frutos e conseguir um bom equilíbrio e estrutura de taninos. Envelhecido durante 12 meses em barricas de carvalho francês (80%) e americano (20%), obtendo um vinho com componentes de fruta e carvalho equilibrados. Engarrafado, sem colagem e com filtração em Maio de 2009.

Notas de Prova

Vibrante, de cor vermelha profunda. Aromas a frutos de bagos vermelhos, a sugerir cerejas e ameixas, com menta, chocolate e alguma complexidade da madeira. Suave, com um equilíbrio perfeito, elegante no paladar, com fruta e taninos sedosos. Tem um equilíbrio cativante e um fim de boca muito persistente,  mostrando-se um óptimo vinho jovem, mas com intensidade e estrutura para melhorar por vários anos em garrafa. Um exemplo muito bom da excelente vindima de 2007, com boa pureza de fruta e elegância no estilo.

O que diz a Wine Spectator:

Pontos: 89

Review:

Offers the essence of blueberry and raspberry, supported by a firm structure, with mineral and smoke. Medium-grained tannins fill the long, firm finish, with notes of black olive. Syrah, Aragonês, Cabernet Sauvignon, Petit Verdot and Touriga Nacional. Drink now through 2014. 11,390 cases made. –KM

O que diz a Wine Advocate, de Robert Parker:


Pontos: 88
Degustador: Mark Squires
Maturidade: Beber entre 2009 e 2016

Review:

The 2007 TINTO, merely labeled “Cortes de Cima,” is the mid-priced entrant in the lineup, a blend this year of Aragonez, Syrah, Cabernet Sauvignon, Touriga Nacional and Petit Verdot aged for 12 months in barrel. If you want to see what happens to the Chamine reviewed this issue with more depth, concentration and structure…voila. This is nicely focused, with some concentration and intensity of flavor and grip on the finish. It has a modern, New World style, but turns a little austere and crisp on the finish, too. If you like the style—fruit forward and flavorful—this is a very good vintage for this wine. The winery recommends drinking by 2014—that sounds about right, but I think it should hold a bit longer, even if not at peak. Drink now-2016.


Um vinho que não tem fama a toa! Já está pronto para ser bebido, com certeza aguenta mais uns 3 ou 4 anos em garrafa, ou até mais, mas não acredito que vá melhorar. Se tem uma garrafa por aí abra e se delicie. Pela sua qualidade e preço entra pra lista de custo x benefício.

In Vino Veritas!

Gustavo Kauffman (GK)


segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

A arte do Dão


Diz-se que o mundo está dividido entre consumidores de Cabernet Sauvignon e os que preferem Pinot Noir. Esta polaridade estilística é facilmente generalizada para incluir muitas outras castas tintas e regiões vinícolas: Bordéus vs. Borgonha; Syrah australiano vs. Syrah do Reno; Rioja vs. Ribera del Duero.


O verdadeiro cerne da questão é a preferência por vinhos de cor escura, encorpados, que cheiram e sabem a frutos negros (amoras, cassis, etc.), com uma estrutura firme de taninos – um estilo a que os franceses apelidam de “masculino”. Isto versus a preferência por vinhos mais delicadamente perfumados, mais leves, com notas de frutos vermelhos (cerejas e morangos), taninos finos e acidez refrescante – um estilo “feminino”, à falta de melhor nome. Após a minha primeira visita pela região do Dão fiquei impressionado como os vinhos tintos encaixaram tão bem no segmento dos Pinot Noir. Mais tarde, li que um perito do século XIX uma vez descreveu os vinhos do Dão como tendo um forte carácter de Borgonha, o que sugere que este traço estilístico está profundamente enraizado na região. E isso é bom, porque o Dão oferece claramente uma alternativa aos vinhos do Douro ou Alentejo que, obviamente, se inclinam para estilos mais fortes,masculinos. O que gosto no Dão é que muitas das castas não existem em mais nenhum lado no mundo e muitos produtores ainda utilizam antigos lagares de granito. Além disso, realço as vinhas antigas de plantações mistas que não foram arrancadas e replantadas como as vinhas na Califórnia ou na Austrália.

O Dão parece ter emergido de uma fase de transição e não está no meio de um período de experimentação, revitalização e redescoberta. O melhor é que permaneceu fiel às suas tradições, não perdeu a sua alma no processo.

A ELEGÂNCIA DO DÃO


Os estilos tintos do Dão são definidos pelas suas castas (Touriga Nacional, Roriz, Alfrocheiro, Jaen e Rufete), os solos de granito que fazem com que retenham a sua acidez natural e um clima que é mais fresco e chuvoso que no Douro e no Alentejo. Tudo isto faz com que preservem tanto a “frescura” como a longevidade pelas quais os tintos do Dão são famosos. As castas são muito interessantes. Ao contrário do que se costuma pensar, as pesquisas de ADN confirmaram que a Touriga Nacional teve origem no Dão e migrou depois para o Douro. Não contentes por roubarem um pouco da mística do Douro, as pesquisas também sugerem que a Baga teve origem no Dão antes de passar para a Bairrada. E, apesar de se poder assumir logicamente que a Roriz tem estado no Dão há muito tempo, parece que tal só aconteceu nos anos 90 do século XX. As castas mais tradicionais são a Touriga Nacional, Alfrocheiro, Jaen e Rufete. Destas, a Touriga é a que reina, com aromas mais pronunciados, fragrâncias florais de violeta e um carácter mais definido, elegante e linear do que o encontrado em regiões mais quentes. E, enquanto a Touriga permanece o factor dominante nos “blends” do Dão, são as outras castas que necessitam de maiores cuidados. Luís Lourenço, da Quinta dos Roques e da Quinta das Maias, começou por fazer monocastas de Alfrocheiro e Jaen “para perceber o carácter de cada casta”, porque “não aceitava que tal não se pudesse fazer” só porque não era prática comum. O resultado é que uma grande parte de produtores está agora a fazer vinhos monovarietais, destas e de outras castas, muito convincentes. A solução tem sido encontrar o solo e o clima correctos para cada casta, de maneira que possa mostrar o seu melhor e manter-se sozinha. Jorge Brites, o enólogo do Centro de Estudos Vitivinícolas em Nelas, explicou a situação da Jaen: “Muitas vezes tem sido plantada em sítios errados, por isso é que não era respeitada nem considerada como uma casta principal.” O problema é que no sul do Dão amadurece demasiado rápido, faltando-lhe cor e estrutura. Por lhe faltar acidez foi relegada para um segundo plano, para acrescentar aroma e álcool ao “blend”.

Mas, se for plantada no norte e a uma maior altitude, mais fresca, a Jaen amadurece duas semanas mais tarde e, por isso, desenvolve uma cor mais escura, aromas mais profundos, taninos finos e uma acidez mais firme. O amadurecimento mais lento é a chave para fazer um vinho mais completo. O desafio tem sido encontrar o local certo para dar ao Rufete e ao Alfrocheiro uma oportunidade para igualmente se “manterem sozinhos” como vinhos. Os vinhos 100% Jaen mais convincentes que tenho provado são produzidos por Terras de Tavares de Pina, Quinta das Maias, Quinta do Lemos e Quinta das Marias. Enquanto os actuais colheitas de 2007 são mais maduros, audaciosos e ricos, na maior parte dos casos prefiro os vinhos da colheita mais fresca de 2006, que são mais equilibrados, com mais fruta e mais sedosos. A colheita de 2008 que provei, e que ainda não saiu para o mercado, foi mais baixa e fresca. Os vinhos têm uma relação de estilo muito clara com a de 2006, mas têm aromas mais complexos e uma melhor concentração. De forma semelhante, os melhores produtores de Alfrocheiro que provei foram a Quinta das Marias, Quinta dos Carvalhais, Quinta dos Roques e Borges. Todos partilhavam maravilhosos aromas e sabores a cereja, texturas sedosas e acidez frutada – qualidades que recordam a Gamay do Beaujolais ou um bom Pinot Noir do Novo Mundo.


O melhor para mim foi a possibiliddae de provar colheitas de 1997 de Terras de Tavares de Pina, Quinta das Maias e Quinta dos Roques. Em todos os casos, notas de fruta vermelha e uma acidez brilhante tinham dado lugar a aromas saborosos e intrigantes, texturas cremosas e finais longos. Os vinhos lembravam-me Borgonhas bem feitos e Grandes Reservas da Rioja. Se eles envelheceram tão bem a partir destas versões iniciais, até onde chegarão os vinhos de hoje?



Fonte: Paul White p/ Wine a Essência do Vinho

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Herdade do Esporão Verdelho 2009, a FICHA TÉCNICA do Vinho do Mês da #CBE


Como comentei no no post "Herdade do Esporão Verdelho 2009 (Monocastas) – O 20º Vinho do Enoleigos na #CBE!", no momento em que escrevia eu não havia conseguido as notas técnicas deste vinho, informação que, sempre que possível, eu também disponibilizo em meus posts.

Contatei a Qualimpor, importadora exclusiva dos vinhos da Herdade do Esporão para o Brasil e eles gentilmente me enviaram esta informação que compartilho com todos.

In Vino Veritas!

Gustavo Kauffman (GK)

Herdade do Esporão Verdelho 2009 - Ficha Técnica




ADEGA: Herdade do Esporão

CASTAS: Verdelho

COLHEITA: 2009

REGIÃO: Alentejo 

PAÍS DE ORIGEM: Portugal

CERTIFICAÇÃO: Regional

ENÓLOGO: David Baverstock / Sandra Alves




NOTAS DE PROVA

Visual: Aspecto cristalino, cor citrina esverdeada. 

Olfactivo: Aroma intenso e complexo, com notas citrinas e tropicais, sugerindo manga e maracujá. 

Gustativo: Paladar fresco e equilibrado, elegante e harmonioso. 

Acompanhamento: Óptimo aperitivo, acompanha desde Ceviche variados até carnes brancas grelhadas, passando pelos legumes da dieta mediterrânica, oferecendo um intenso exotismo à refeição. 

Temperatura de Consumo: 10 – 12ºC.

Quantidade Produzida: 15.000 litros.

VITICULTURA

Geologia do Solo: Natureza granítica / xistosa, estrutura franco-argilosa. 

Condução: Cordão bilateral. 

Idade das Vinhas: 7 anos. 

Produção Média: 35 hl/ha.

VINIFICAÇÃO

Refrigeração das uvas, escolha manual dos cachos, prensagem dos cachos inteiros, decantação estática do mosto, fermentação com temperaturas controladas em cubas de inox, centrifugação, estabilização e filtração.

ANÁLISES

Álcool: 14% 

Acidez Total: 6,5 gr/l 

Acidez Volátil: 0,35 gr/l 

SO2 Total: 114,0 mg/l

pH: 3,18 

Extracto Seco: 20,28 gr/l 

Açúcar Redutor: 2,3 gr/l 

SO2 Livre: 39,0 mg/l

Herdade do Esporão Verdelho 2009 (Monocastas) – O 20º Vinho do Enoleigos na #CBE!


Hora de começar mais um mês e, como sempre, começamos homenageando a tradicional, e deliciosa, Confraria Brasileira dos Enoblogs. Esta já é a 65ª edição, é tempo pacas! O responsável pela escolha do tema neste mês foi o confrade Luiz Cola, do blog Vinhos e mais Vinhos. O tema que o Cola escolheu foi o seguinte:

Vinho branco, Português e de até R$150,00”.

Enquanto escrevia este post fui conferir há quantos meses eu participo da CBE, já que parece que foi ontem que tive minha primeira participação. Tomei um susto ao ver que este é o 20º post para a Confraria. Desde que eu entrei, em 04/2010, consegui estar presente em todos os meses, mesmo que com um pequeno atraso uma vez ou outra. Como recordar é viver, meu primeiro vinho na CBE foi também um vinho branco, só que chileno, foi o Canepa Reserva Privada.

E você? Já participa de alguma Confraria? Não?!?! Pois não sabe o que está perdendo! Sempre temos muito o que aprender, mesmo que seja, como a CBE, uma confraria virtual. Vale repetir o que já comentei em um outro post, ou seja, a origem das Confrarias!

Na Idade Média elas reuniam religiosos em torno de práticas místicas e proteção social. Possuíam sempre um símbolo ou escudo, um santo como devoção comum e princípios compartilhados em grupo, acima de qualquer questão pessoal. Sempre tiveram um sentido agregador, por vezes desafiando normas estabelecidas por suas religiões de origem.

No Brasil imperial congregavam negros e brancos e, não raro, administravam fundos para compra de cartas de alforria. Na Europa, essas entidades fazem parte da história de um continente que procurava proteção contra suas próprias práticas predatórias e desumanas, resgatando valores e crenças derrubados com os muros dos feudos.

Assim aconteceu com os pedreiros das grandes catedrais francesas que mantinham técnicas secretas de construção, preservavam e assistiam as famílias de seus pares. Com as próprias ferramentas como símbolos, fundaram a Maçonaria.

As confrarias são essas organizações que lutam pela identidade de um grupo, produzindo, preservando e difundindo conhecimento. O mundo do vinho se apropriou desse tipo de estrutura para fazer valer o que tem de melhor: sua capacidade de reunir e agregar. Do Velho para o Novo Mundo, elas funcionam como pára-raios de qualidade e tradição, contra a banalização e a futilidade que, por vezes, tentam tomar conta do mercado.

O primeiro passo para degustar vinhos é escolher um grupo. Vale selecionar pessoas que estejam no mesmo estágio que você. Deste modo todos poderão descobrir juntos o prazer dos vinhos, compartilhando idéias e impressões. O mesmo grupo, uma vez harmônico, pode evoluir, publicar suas opiniões na internet e trocar informações com outras turmas e confrarias.

Vamos voltar ao nosso vinho!!

Acredito que não preciso mais falar sobre a Herdade do Esporão, uma das vinícolas de maior qualidade em Portugal. Temos diversos rótulos da Herdade do Esporão já comentados aqui no Enoleigos. Você pode conferir todos eles em nossa “Série Vinhos Herdadedo Esporão”.

A Verdelho é uma cepa mais utlizada em vinhos da Ilha da Madeira. Em Portugal a uva também se desenvolve no vale do rio Douro, onde é confundido com o "Gouveio" e é muito utilizada na fabricação de vinho do porto branco. Já em vinhos tranquilos, a região que mais de destaca na produção da Verdelho é o Alentejo.

Vamos então ao que achei deste vinho:

Visual: A Esporão tem um trabalho visual de tirar o chapéu! A linha monocastas traz sempre a primeira letra da cepa em seu rótulo. Rolha de cortiça personalizada para a vinícola. Coloração amarelo claro com pequenos reflexos mais fortes.

Olfato:  Essencialmente frutado, com fortes traços cítricos e notas também de frutas tropicais como maracujá e manga. Analisando um pouco mais percebo também notas de mamão papaia. Um vinho bastante agradável e, ao menos no exame olfativo, que passa refrescância.

Paladar: Preenche bem a boca, se confirmando um vinho bem refrescante. As frutas aqui também continuam presentes e traz boa acidez. Volume médio. Traz também alguma mineralidade e com um final de boca comprido, persistente e delicioso. 

A ficha técnica deste vinho não está disponível no site da Herdade do Esporão. Solicitei a importadora no Brasil e, assim que receber, divulgarei para todos.

O que diz a Wine Spectator sobre este vinho:

Pontos: 89

Review

This shows fine concentration and focus to the lush flavors of Golden Delicious apple, peach and apricot, accented by plenty of spicy notes. Crisp, creamy finish. Drink now through 2014. 1,600 cases made. –KM

O que a Wine Advocate, de Robert Parker, fala sobre este vinho:

OBS: Não existe resenha sobre a safra de 2009. As informações abaixo se referem a safra de 2010.

Degustador: Mark Squires
Pontos: 88
Maturidade: Beber entre 2011 e 2013

Review:

The 2010 Verdelho "V" is quite green and exquisitely fresh, chock full of juicy fruit and nice acidity. Not everyone will love the herbaceous qualities, but no doubt this is intended to be this way, invigorating and refreshing, with a succulent finish that leaves your mouth watering. I tend to think these can hold a bit, but without question its best feature is its freshness. You will make the most of what it has to offer if you drink it at its young-and-fresh best. It will be at peak this summer. Of the winery's monovarietal offerings reviewed this issue, my pick would be this white rather than any of the reds, and it comes in at quite a nice price. Drink now-2013. 

This iconic Southern Portuguese winery has a lot of new labels this year, which generally look pretty good. The labels for the Reserva and Private Selection, of course, feature art by Portuguese artists - see all the back labels for details. The monovarietal wines now come with just a big letter or two on the front - like "S" for Syrah or "V" for Verdelho. The details are on the label in smaller print.



Definitivamente um vinho que agradou bastante e que passará novamente por aqui. E que venha a próxima CBE!

In Vino Veritas!

Gustavo Kauffman (GK)

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

O "Vinho Santo" Português está de volta!!



O Mosteiro de Santa Clara-a-Velha, em Coimbra, um dos ex-libris da cidade, acolheu recentemente as Jornadas Europeias do Patromónio e aproveitou a ocasião para lançar (ou relançar, mais propriamente) o “Vinho Santo”.


O “Vinho Santo” é um vinho com história bem antiga, que se conta em poucas palavras. As terras e o padroado de Sangalhos (Anadia) entraram na posse do Mosteiro por testamento de D. Isabel de Aragão, a Rainha Santa, mulher do rei D. Dinis, falecida em 1336. Seria através dela que o Mosteiro receberia as rendas dos viticultores de Sangalhos, e nomeadamente o vinho “à bica do lagar”. Para além de bebida litúrgica e de mesa, esse vinho tinha uso farmacêutico, sendo incluído na preparação de um “remédio” elaborado pela própria D. Isabel, para o alívio de inúmeras maleitas. Quando a “Rainha Santa” morreu, ao longo dos séculos que se seguiram o Mosteiro continuou a distribuir o vinho medicinal pelas populações locais, que o apelidaram de “Vinho Santo”. A prática e o nome mantiveram-se até ao século XIX, desaparecendo com extinção das ordens religiosas. O mosteiro foi entretanto recuperado pela Secretaria de Estado da Cultura, ao qual está tutelado. Reaberto há dois anos, os seus responsáveis decidiram reatar um conjunto de tradições ligadas ao seu passado secular, entre elas, é claro, o Vinho Santo.

E provavelmente, ninguém seria mais adequado para retomar a tradição deste vinho com “poderes curativos”, do que Francisco Batel Marques, professor catedrático de farmácia da Universidade de Coimbra e produtor de vinho em Anadia, na sua Quinta dos Abibes, integrada nas antigas terras do Mosteiro. É pois de sua lavra o vinho tinto de superior qualidade, denominado Vinho Santo e que é comercializado exclusivamente na loja do Mosteiro, onde pode ser adquirido por 20 euros. Mesmo que não tenha efeitos medicinais comprovados, garantimos que se bebe com muito prazer.

Fonte: Revista de Vinhos


sábado, 28 de janeiro de 2012

Brasil reforça a proteção do nome Porto



Mercado em crescimento quer em volume quer em valor, o Brasil tem vindo a ser um dos principais países compradores de vinho do Porto, fazendo parte do Top 10.

Pelos números de Outubro, apurados pelo Instituto dos Vinhos do Douro e Porto (IVDP), o Brasil foi o 10º maior mercado e o 9º destino de exportações, registando um crescimento de 3,4 por cento relativamente ao período de janeiro a novembro de 2010.  

Neste contexto, o registo no Brasil da denominação de origem Porto, agora conseguido pelo IVDP, surge como uma importante conquista para a garantia da qualidade do vinho do Porto, ou seja, não só o Brasil se obrigou a proteger, legalmente, no seu território o nome Porto, como o IVDP poderá agora agir contra qualquer violação daquela denominação de origem com maior eficácia.

Apesar da denominação de origem Porto já estar protegida ao abrigo de um Tratado Comercial entre Portugal e o Brasil de 1933, o IVDP, IP iniciou, em meados de 2009, o processo de registo daquela denominação de origem, de modo a obter níveis de proteção mais elevados, logo que a legislação brasileira permitiu o registo de denominações de origem. Assim, o uso denominação de origem Porto está limitado aos produtores da Região do Douro, exigindo-se «o atendimento de requisitos de qualidade» certificados pelo IVDP, IP. São, ainda, proibidas as falsas denominações de origem e qualquer utilização indevida.

De Janeiro a Novembro de 2011, e no que respeita a Porto, o mercado cresceu 3,4 % em valor e 4,4% em volume em relação ao período homólogo do ano anterior, situando-se no 10º lugar do ranking dos principais mercados para este vinho. No total de 2011, o mercado brasileiro de Porto deverá representar mais de 5 milhões de euros e um volume superior a 126 mil de caixas de 9 litros.

domingo, 22 de janeiro de 2012

Região demarcada do Dão: 100 anos produzindo belíssimos vinhos!




Quando foi publicado o primeiro Decreto do governo ditatorial de João Franco, em 10 de Maio de 1907, o que estava fundamentalmente em causa era o regresso ao regime protecionista que tinha beneficiado os vinhos do Douro desde o tempo do Marquês de Pombal. Todavia, na discussão parlamentar que deu origem a este diploma legal, abriu-se a possibilidade de estender algumas medidas proteccionistas a outras regiões, 18 no total, sendo 4 de vinhos licorosos e 14 de vinhos de pasto, como então se dizia. De todas as regiões previstas no referido Decreto, apenas foi regulamentado na altura a produção e comércio dos vinhos do Porto (1907), Madeira (1909), Dão (1910), Colares e Bucelas (1911). O Dão tornou-se, assim, a primeira região de vinhos não licorosos do país a ser demarcada e regulamentada, isto é, na terminologia actual, a primeira denominação de origem controlada (DOC) de vinhos tranquilos em Portugal.

E porquê? Porque se antecipou o Dão às extensas e produtivas regiões dos Verdes, Torres ou Cartaxo, ou aos vinhos de qualidade comprovada da Fuzeta, Carcavelos ou Moscatel de Setúbal?

Porque o Dão tinha vinho, tinha prestígio e tinha peso político. Tinha vinho, porque já na altura beneficiava de uma elevada concentração produtiva, abastecendo a importante cidade de Viseu, outras cidades do litoral, sobretudo o Porto, e até alguns mercados externos, como o Brasil e a França, no tempo da filoxera. Ainda antes da construção da linha de caminho de ferro da Beira Alta, por onde passou a sair da região, o vinho era já transportado por via fluvial através do Mondego, da Foz-Dão à Figueira da Foz, e daí para outros destinos por via marítima.

Tinha prestígio, pois tinha preços mais elevados que a média nacional, era uma região referenciada e elogiada pelos técnicos agrícolas da época e marcou presença nas grandes exposições nacionais e internacionais da altura. Os principais especialistas dos finais do século XIX teceram rasgados elogios à região e aos seus vinhos, como António Augusto de Aguiar ou Cincinato da Costa; os vinhos do Dão foram premiados em exposições nacionais e internacionais, como em Lisboa, Londres, Berlim e Paris; algumas quintas eram pioneiras e modelo a nível nacional, como a quinta da Ínsua; grandes produtores eram conhecidos a nível regional e nacional, como o Conde de Villar Secco, o Conde de Santar ou José Caetano dos Reis, para além de grandes nomes da política e do associativismo agrícola, a maioria deles grandes vinicultores da região.

Tinha peso político, porque era dirigido por homens com projecção nacional, respeitados pelo seu nível económico, social e político. No período que medeia entre 18 de Setembro de 1908, data da primeira delimitação da região, e a sua regulamentação em 25 de Maio de 1910, foi exercida uma intensa pressão social e política pelas forças sociais e políticas da região, nos jornais locais e nacionais, no Parlamento, em reuniões sectoriais, etc. Estas forças eram diversas. Instituições agrícolas importantes, como os sindicatos agrícolas de Nelas e Vila Nova de Tázem ou a Liga Regional dos Agricultores da Beira. Só o primeiro destes sindicatos contava na altura com 400 sócios e exportava vinhos para Santos (Brasil) e Colônias. Homens ligados ao associativismo agrícola, como Pedro Ferreira dos Santos, José Caetano dos Reis ou Joaquim Paes de Brito. Sobretudo o primeiro era um dirigente de projeção nacional, com obra publicada (“Guia Pratico das Associações Agrícolas em Portugal”, Ed. RACAP, 1904) e muito respeitado e influente na Real Associação Central da Agricultura Portuguesa. Autarcas, como Joaquim Paes da Cunha, presidente da Câmara de Nelas. Representantes regionais na Câmara dos Deputados, como Affonso de Mello, António Pereira Vitorino, José Vitorino, Cabral Metello ou José de Matos Cid.

E hoje, 100 anos depois? De entre os chamados vinhos maduros, o Douro mantém a sua hegemonia. Para além do vinho do Porto, que lhe deu pergaminhos, produz agora também vinhos tranquilos de qualidade. O Alentejo, outrora insignificante, é hoje uma região importante, graças à força da grande propriedade e às novas técnicas de produção que lhe permitiram contornar as temperaturas excessivas, típicas da região. Quanto ao Dão, depois de fazer a sua travessia do deserto, renasce agora rejuvenescido e em força.

Durante mais de 50 anos, o Dão foi confundido com outras produções indiferenciadas. A política vinícola do Estado Novo, muito pouco atenta aos vinhos de qualidade, privilegiou a regulação dos mercados e o abastecimento barato das grandes cidades do Continente e Colónias. Porém, a partir de meados dos anos 80, a adesão de Portugal à Comunidade Económica Europeia e o aumento do nível de vida da população portuguesa vieram dar novas oportunidades à produção de vinhos de qualidade.

E o Dão não se fez rogado: reconverteu as vinhas, mudou os sistemas de produção do vinho, criou uma nova elite empresarial. Hoje, como ontem, empresas líderes do mercado não abdicam de uma presença forte no Dão; antigas casas senhoriais tornaram-se marcas emblemáticas; novos capitais apostaram na viticultura regional; partiu-se à conquista do mercado internacional. Alicerçada num século de história, a Região Demarcada do Dão procura hoje aliar a maturidade já atingida a uma nova imagem de juventude e modernidade. Será esta a aposta do Dão, 100 anos depois.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

A História da Herdade do Esporão


 
A Herdade do Esporão localiza-se em pleno coração Alentejano, mais exatamente em Reguengos de Monsaraz, distrito de Évora.

Situa-se a 180kms a sul de Lisboa e foi adquirida pela Finagra (Sociedade Industrial e Agrícola S.A.) em 1973, com o principal objetivo de produzir vinhos de grande qualidade.

Em 1975, a Herdade é intervencionada pelo Estado e só em 1979 é devolvida, permitindo à Finagra prosseguir com a plantação de vinhas, esta era a primeira etapa do seu ambicioso projeto. A moderna adega é construída em 1987, cumpre-se uma nova etapa.

Em 1989 é lançado o primeiro vinho Esporão sendo considerado um dos melhores vinhos portugueses e três anos mais tarde em 1992 são lançados os vinhos Monte Velho.

Em 1995, depois dos vinhos já estarem entre os melhores de Portugal, novos investimentos são efetuados: planta-se uma nova área de vinho, renova-se a existente, instala-se um sistema de rega gota-a-gota em toda a vinha e constrói-se uma barragem com 100ha de área submersa.

A compra da Herdade dos Perdigões com 190ha de vinha, a construção da Casa do Enoturismo, a expansão da adega e a criação de um moderno lagar para a produção dos Azeites Virgens Herdade do Esporão são as mais recentes apostas de uma empresa dinâmica no desenvolvimento da Herdade, cujas raízes remontam ao Império Romano.

Cronologia

1973 – Com aquisição da Herdade do Esporão Joaquim Bandeiras e José Roquette constituem a Finagra e dão inicio ao projecto vitivinícola.

1974 – A Herdade do Esporão é nacionalizada.

1984 – Após 10 anos de pouca atividade a Herdade do Esporão é devolvida à Finagra.

1984 – 1986 – A Finagra produz uva e vende à Adega Cooperativa de Reguengos.

1987– Construção da primeira adega na Herdade do Esporão com o objetivo de produzir e comercializar grandes vinhos.

1992 – José Roquette lança uma oferta pública de aquisição sobre a totalidade do capital da sociedade e torna-se no seu único acionista. Inicia-se um novo ciclo de desenvolvimento na história da empresa.

1992 Até hoje – renovação da vinha existente, plantação de novas áreas de vinha.

1995 – Compra da Herdade dos Perdigões 200ha de vinha de grande qualidade.

1996 – Construção de uma barragem de 120ha no Esporão com capacidade para 4.000.000m3 de água.

1997 – Aquisição do SPAZA (lagar do Azeite) – início do projeto “Azeites Virgens Herdade do Esporão”. Instalação de rega gota-a-gota na totalidade da área de vinha. Construção de um edifício para Enoturismo.

1999 – Construção de dois armazéns de produto acabado e uma adega de lagares.

2000 – Ampliação da adega de vinhos tintos.

2002 – Construção de uma adega exclusivamente para vinhos brancos.

2003 – Novo aumento da capacidade de fermentação de vinhos tintos. Reabilitação da Torre do Esporão.

2004 – Quebra do contrato de distribuição com a Allied Domecs. Aquisição de uma nova linha de enchimento com capacidade.

2005 – Compra de 30% da distribuidora de vinhos e Spirits Prime Drinks.

2006 – Construção de um novo armazém de produto acabado com 5.000m2.

História do Vinho

A História do Vinho em Portugal vai para além da fundação da nacionalidade. Considera-se que a vinha foi plantada pela primeira vez na Península Ibérica mais propriamente no Vale do Tejo e no Vale do Sado cerca de 2000 A.C. pelos Tartessos. Os Fenícios introduziram novas castas de uvas e tomaram conta do comércio do vinho dos tartessos cerca do século X A.C. Os gregos instalaram-se na Península Ibérica no Século VI A.C. os Celtas introduziram novas castas de uvas na Península Ibérica.

Os Romenos chegaram à Península Ibérica cerca do século II A.C. e contribuíram para a modernização da cultura da vinha.

Com a queda do Império Romano, o vinho continuou a ser produzido pelas civilizações que se seguiram.

Com a fundação de Portugal, o vinho tornou-se no produto mais exportado. Um grande aumento das exportações de vinho começou a segunda metade do século XIV. Nos séculos XV e XVI com as descobertas portuguesas, as caravelas carregavam sempre vinho. Com o Tratado de Nethwen em 1703 abrindo o comércio entre Portugal e Inglaterra, estabelecendo condições especiais para a penetração do vinho português na Inglaterra, as exportações de vinho, tiveram um considerável aumento. Em 1756 o Vinho do Porto era já tão famoso que no sentido de regular o comércio e a produção da região foi criada a primeira região demarcada do mundo a região produtora do Vinho do Porto a região do Alto Douro. No século XIX a praga da filoxera dinamizou largas áreas de vinhas portuguesas. Nos finais do século XIX a produção de vinho começou uma lenta recuperação. No princípio do século XX várias regiões vinícolas foram demarcadas e em 1986 as regiões vinícolas foram redefinidas e as novas foram criadas depois da adesão portuguesa à União Europeia.

Vinhos da Herdade do Esporão

O Enoleigos teve o prazer de provar diversos rótulos desta fantástica vinícola. Confira na Série sobre os Vinhos da Herdade do Esporão! Ainda

In Vino Veritas!

Gustavo Kauffman (GK)
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