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quarta-feira, 26 de novembro de 2014

El Niño - Você sabe como ele pode afetar os Parreirais da Serra Gaúcha através do Míldio?



Recebi este artigo da Embrapa pedindo auxílio em sua divulgação. O objetivo é orientar aos nossos enólogos da Serra Gaúcha.

A videira pode ser afetada por diversas doenças e pragas durante o seu desenvolvimento vegetativo e reprodutivo. O produtor deve lançar mão de uma série de medidas de manejo, garantido, assim, a sanidade e evitando os danos econômicos na produção e os reflexos na safra seguinte.

Segundo a pesquisadora Maria Emilia Borges Alves, da Embrapa Uva e Vinho, com base nas previsões contidas na edição de outubro de 2014 do Boletim Climático para o RS elaborado pelo 8º Disme/Inmet e pelo Centro de Pesquisas e Previsões Meteorológicas da UFPel (http://www.inmet.gov.br/html/clima/cond_clima/bol_out2014.pdf), o prognóstico climático para a primavera e início de verão é de precipitações pouco acima da média para novembro e dezembro. Já para janeiro a previsão é que as chuvas fiquem dentro do normal. Espera-se que deva chover cerca de 25 milímetros a mais, e a probabilidade disto ocorrer é de 35%. As temperaturas mínimas deverão ficar acima das normais e as máximas um pouco abaixo até o final do ano, provocando uma pequena redução das amplitudes térmicas, o que pode afetar a coloração das bagas no início do período de maturação das videiras e, por sua vez, influenciar a qualidade das variedades viníferas. Estes pequenos desvios previstos na temperatura e na precipitação se devem ao fenômeno El Niño, que vem atuando com fraca intensidade no decorrer do ano.

Dentre as doenças da videira, o míldio, também conhecido por mufa, costuma ser a mais destrutiva, quando as condições climáticas tornam-se favoráveis ao patógeno, principalmente em vinhedos com cultivares suscetíveis.A incidência e a severidade do míldio variam de ano para ano e também durante a safra. Nos anos de El Niñomais intenso, caracterizados por um maior volume de chuvas na região sul e sudeste do Brasil, o controle da doença torna-se mais problemático, caso não seja realizado corretamente. A simples aplicação de um fungicida não garantirá o completo sucesso nessa batalha, muitas outras variáveis interferem nessa relação. O domínio da situação é fator-chave para a eficiência no controle, afirma o pesquisador da área de fitopatologia Lucas da R. Garrido, da Embrapa Uva e Vinho.

Os maiores prejuízos causados pelo míldio estão relacionados à destruição total ou parcial das inflorescências e/ou frutos e à queda prematura das folhas. O desfolhamento precoce, além dos danos na produção do ano, afetará também a produção dos anos seguintes. Portanto, a doença causa danos à qualidade e à quantidade da produção do ano e enfraquecimento da planta para as safras futuras.

O míldio é caracterizado pela presença de manchas de coloração verde-clara de aspecto oleoso na face superior das folhas, conhecidas como 'manchas de óleo'. Em condições de alta umidade, na face inferior da região correspondente a essas manchas surgirá uma eflorescência branca (mofo branco). As manchas tornam-se necrosadas na inflorescência até a subsequente queda. Quando o ataque ocorre na fase de floração, as inflorescências podem ficar deformadas, com aspecto de gancho, além de poderem secar e cair. Vale observar que nem todo abortamento de flores é devido ao míldio, pois chuvas na floração inviabilizam a polinização e as flores também abortam. Já nas bagas novas, o patógeno pode penetrar diretamente pelos estômatos ou pelo pedicelo (estruturas da baga). Com o desenvolvimento da doença, em condições de alta umidade, haverá, na superfície das bagas afetadas, a formação de um mofo branco (esporos do fungo) .

Fatores que contribuem para aumentar o teor de água no solo, no ar e na planta favorecem o desenvolvimento do míldio da videira. Portanto, a chuva é considerada o principal fator por propiciar tais condições. Locais sujeitos à cerração e o orvalho também contribuem para a infecção dos tecidos da planta pelo patógeno causador da doença. A temperatura exerce papel moderador, freando ou acelerando o desenvolvimento do míldio. Dificilmente ocorre infecção se a umidade do ar for inferior a 75%. De um modo geral, são necessárias cerca de duas a três horas de molhamento foliar para que se instale o processo infeccioso. O período de incubação pode variar de 4 a 18 dias, diminuindo com o aumento da umidade do ar e da temperatura até 25°C. Em condições ótimas de temperatura (22-25°C) o período de incubação dura de quatro a seis dias.

Todas as práticas culturais que aumentam o teor de umidade no dossel favorecem o desenvolvimento da doença, como plantios adensados, utilização de porta-enxertos vigorosos, altas doses de adubos nitrogenados, irrigação e podas incorretas. A instalação do vinhedo em baixadas propicia uma maior ocorrência de nevoeiros e solos mal drenados favorecem o aparecimento de focos primários.

A aplicação de fungicidas ainda é uma prática necessária para o controle da doença. Com o monitoramento, as aplicações podem ser iniciadas com a aparecimento dos primeiros sintomas (mancha de óleo) e repetidas sempre que houver condições favoráveis ou em intervalos de 7 a 10 dias. Até o estádio de grão ('ervilha') recomenda-se a aplicação de produtos sintéticos.Após esse estádio, podem ser empregados os fungicidas cúpricos. Durante a floração, momento de maior atenção pelo produtores, os fungicidas aplicados devem apresentar a mistura de princípios ativos de contato e sistêmicos, lembrando que muitas marcas comerciais de fungicidas já apresentam essa mistura de fábrica.

Além disso, a utilização de produtos indutores de resistência tem aumentado em diversas culturas. Na videira, os fosfitos de potássio têm desempenhado este papel, tornando a planta mais resistente ao ataque do agente causador do míldio e exercendo um excelente controle da doença, podendo serem utilizados em mistura com produtos de contato.

Além de seguir as informações contidas na bula dos produtos, é importante que os viticultores tenham o pulverizador calibrado e em boas condições de manutenção. Escutar o barulho da bomba do equipamento e a névoa formada durante a pulverização não assegura que o princípio ativo tenha chegado ao alvo. Gotas muito pequenas evaporam antes de chegar aos tecidos da planta e gotas grandes ocasionam maior escorrimento do produto. Logo, a regulagem deve situar-se entre estes dois extremos. O manômetro, os bicos e as mangueiras devem estar em boas condições de uso e sem vazamentos. Os tratamentos não devem ser realizados quando há presença de orvalho nos tecidos da planta e nem durante as horas mais quentes do dia, a fim de evitar a evaporação. “O controle não será eficiente só com a dose correta do produto, a tecnologia de aplicação é parte vital desse processo”, alerta Garrido.

Para um melhor resultado, o pesquisador orienta que os fungicidas sistêmicos devem ser aplicados pelo menos quatro horas antes de chuvas, para evitar que os mesmos sejam lavados antes da sua absorção. Já os produtos de contato são lavados após chuvas maiores que 25 mm. Por outro lado, a ocorrência de chuvas de menor intensidade (5 a 10 mm) contribuem para a distribuição do princípio ativo dos fungicidas de contato nos órgãos da planta.

Outro ponto importante é a dose do fungicida utilizada para a prevenção e o controle das doenças da videira. “Sempre existe a dúvida se o produtor deve utilizar a dose por hectare ou a dose para 100 litros. Embora este assunto seja bastante polêmico, a dose registrada no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) e recomendada é de kg ou L / ha, levando-se em conta o volume de calda de 800 a 1000L / ha”, reforça Garrido. Nos pulverizadores convencionais, utilizando baixos volumes de calda, por exemplo 200 a 300 L / ha e a dose do produto para 100 L, menos princípio ativo está sendo depositado sobre as plantas, ou seja, é uma subdosagem, o que contribui para o surgimento de novos focos de infecção pelo míldio, alerta o pesquisador.

Confira a lista dos produtos autorizados para a cultura da videira em: http://www.uvibra.com.br/pdf/agroquimicos.pdf.

Material informativo produzido com os pesquisadores Lucas  da R. Garrido e Maria Emília Borges Alves

Fonte: Embrapa

FotoLucas  da R. Garrido

sábado, 19 de março de 2011

Castas Portuguesas – Vamos conhecê-las um pouco?



Em Portugal, como na Europa, são usadas numerosas castas de Vitis vinifera. A vastíssima quantidade de castas nativas (cerca de 285) permite produzir uma grande diversidade de vinhos com personalidades muito distintas. O guia The Oxford Companion to Wine descreve o país como um verdadeiro “tesouro de castas locais”.

Algumas das castas tintas Portuguesas mais importantes são: Touriga Nacional, Baga, Castelão, Touriga Franca, e Trincadeira (ou Tinta Amarela). Entre as castas brancas Portuguesas destacam-se: Alvarinho, Loureiro, Arinto, Encruzado, Bical, Fernão Pires, Moscatel e Malvasia Fina. Tradicionalmente combinam-se diversas castas brancas.

Na sequência da devastação causada pela filoxera em finais do século XIX, passou a ser utilizada uma casta Americana como porta-enxerto das castas Portuguesas são enxertadas. Apesar de terem características próprias, há que considerar que a mesma casta de uva poderá produzir vinhos diferentes consoante as condições em que é cultivada.

Tem existido um debate em Portugal relativamente ao uso de castas de castas estrangeiras. O debate contínua uma vez que muitos mercados estrangeiros parecem preferir castas que já conhecem como Cabernet Sauvignon em relação às castas Portuguesas, menos conhecidas.

Descrição de algumas castas:

- Alicante Bouschet é uma casta de uva tinta da família da vitis vinifera resultante do cruzamento das uvas Grenache e Petit Bouchet.A Alicante Bouschet é de origem francesa (Languedoc), criada por Henry Bouschet, entre 1865 e 1885, a partir do cruzamento das uvas citadas. Atualmente é cultivada majoritariamente em Portugal, sendo assim, considerada uma casta portuguesa. Muito utilizada em processos de assemblage para melhorar o aporte de cor em alguns tintos.

- Trincadeira é uma casta de uva tinta da família das vitis vinifera, cultivada essencialmente no Alentejo, na região do Douro e no Ribatejo. É também é designada por Trincadeira Preta (Alentejo e Ribatejo), Tinta Amarela (Douro e Trás-os-Montes), Mortágua (Torres Vedras e Alenquer), Preto Martinho (Arruda e Bucelaa), Espadeiro ou Murteira (Setúbal), Crato Preto (Algarve) e Castiço (Aveiras de Cima). É uma casta de bago pequeno/médio e uniforme, de forma arredondada e de cor preta-azulada. Os vinhos produzidos por esta casta adquirem um sabor forte e um aroma a frutos e vegetais.

- Arinto Originaria de Bucelas “Capital do Arinto” Concelho de Loures, Distrito de Lisboa, (casta também designada por Pedernã na região norte de Portugal) é uma casta de uva branca da família das vitis vinifera cultivada, de maneira geral, em todas as regiões de Portugal, em especial nas encostas de Bucelas que formam um micro-clima com grandes variações diárias de temperatura, na epoca de maturação das bagas, e que lhes confere um especial sabor. É uma uva de sabor e aroma citrino. A sua cor é verde-amarelada, de bago pequeno/médio e arredondado.

- Touriga Nacional é uma casta de uva tinta da família das Vitis Viniferas originária de Portugal.

Entre as tintas é a casta mais nobre de Portugal. É a rainha das uvas portuguesas e que pelas suas qualidades para a vinificação, começa a ocupar cada vez mais espaço nas produções europeias, australianas e californianas. Em Portugal, é plantada desde o Douro até ao Alentejo, mas é no planalto do Dão que se revela em toda a sua plenitude.

O cacho, pequeno e alongado, possui bagos diminutos, arredondados, de tamanho não uniforme, com a epiderme negra-azul revestida de forte pruína; a polpa é rija, não corada, suculenta e de sabor peculiar.

Apresenta uma maturação média e a produção pode ser algo heterogénea. Normalmente apresenta volumes algo inferiores aos da casta Tinta Roriz/Aragonês e bastante inferiores às castas Jaen e Alfrocheiro, sendo estas as três castas a que normalmente é associada para a produção de vinhos multivarietais.

Quando usada numa percentagem conveniente, obtêm-se vinhos com bom teor alcoólico, com aromas intensos de elevada complexidade, encorpados, com taninos nobres e susceptíveis de longo envelhecimento. Casa particularmente bem com pequenas quantidades de Alfrocheiro para obter um bouquet ainda mais fino e uma longevidade superior.

- A Verdelho é uma variedade de uvas brancas, casta cultivada em todo o Portugal, vulgarmente associada à ilha da Madeira, mas que também dá o seu nome a um dos quatro principais tipos de vinho da Madeira. Ao final do século XX era uma das variedades mais cultivadas na Madeira.


domingo, 20 de fevereiro de 2011

Série Uvas – A Tinta Grenache

Já falamos aqui da Malbec que, apesar de ter origem na França, conquistou o mundo quando chegou ao Terroir Argentino.

Falamos também da Pinotage espécie amplamente encontrada na África do Sul que também traz em seu perfil o país que a mostrou para o mundo.

Outro caso muito semelhante é da Portuguesa Touriga Nacional.

Agora chegou a vez de falarmos de uma uva de origem espanhola, a segunda casta vinífera mais cultivada no mundo!

O mundo do vinho é realmente fascinante. Aproveite.

In Vino Veritas!

Gustavo Kauffman

Série Uvas – A Tinta Grenache



A Grenache (ou Grenache Noir) é a segunda casta vinífera mais cultivada no mundo. Ela não é famosa nem conhecida com a Merlot ou Cabernet Sauvignon e a maioria das pessoas nem imagina que já experimentou essa uva. Mas então, a grande pergunta que fica no ar é: Se pouca gente conhece essa uva, como pode ser tão cultivada? A resposta é fácil: Essa casta normalmente se apresenta em corte e não varietal. Alguns dos vinhos que nós conhecemos tão bem levam um percentual de Grenache. Apenas para exemplificar: Rioja, Châteauneuf-du-Pape e "GSM".

Sua origem está intimamente ligada ao Mediterrâneo. Sua terra natal é a Espanha, mais precisamente a região litorânea da Cataluña. Por conta disso, a Grenache também é conhecida pelo seu nome espanhol, Garnacha (ou Garnacha Tinta). Ainda recebe o nome de Cannonau na Córsega e na Sardenha.

Fácil de cultivar, pode ser encontrada em muitas regiões (mais quentes). É uma uva versátil, produz desde vinhos rosés, passando pelos tintos, chegando aos vinhos de sobremesa. Pode estagiar em madeira (velha, de preferência) ou não. Origina vinhos alcoólicos, aromáticos com poucos taninos e baixa acidez.

História

Grenache ou Garnacha (como é conhecido em Espanha) provavelmente se originou na região de Aragão, no norte da Espanha, de acordo com provas recentes. As plantações provavelmente estenderam-se do local de nascimento original para a Catalunha e outras terras sob a Coroa de Aragão , como Sardenha e Rousillon no sul da França. Um dos primeiros sinônimo para a videira foi Tinto Aragonés (vermelho de Aragão). A uva é conhecida como Cannonau na Sardenha, onde se afirma que ela se originou lá e se espalhou para outras terras do Mediterrâneo sob o governo de Aragão. A Grenache, sob seu sinônimo espanhol Garnacha, já estava bem estabelecida em ambos os lados do Pirenéus , quando a região de Roussillon foi anexada pela França . De lá a vinha fez o seu caminho através do Languedoc e do Sul Rhone, região onde foi muito bem estabelecida por volta do século 19. Apesar de sua predominância nas proximidades de Navarra e da Catalunha, a Garnacha não foi amplamente plantada na Rioja até o início do século 20 quando vinhas foram replantadas após a filoxera.

A Grenache foi uma das primeiras variedades a ser introduzida na Austrália no século 18 e acabou se tornando no país a variedade de uva tinta mais plantada até que foi ultrapassada por Shiraz, em meados dos anos 1960. No final do século 20, o movimento Rhone Rangers chamou a atenção para a produção de um varietal premium da Grenache e de Blends ao estilo do Rhone, com total domínio da Grenache, aonde se destaca o famoso Châteauneuf-du-Pape . No início do século 20, a Grenache foi uma dos primeiras uvas Vitis vinifera a ser vinificada com êxito durante o desenvolvimento inicial do vinho de Washington.

Vinificação

A Grenache é freqüentemente usada como um componente da mistura, acrescentando corpo e frutado doce para um vinho. A uva pode ser problemática para o produtor, devido à tendência em oxidar facilmente e perder sua cor. Para compensar naturalmente baixos taninos da uva e também baixos compostos fenólicos, alguns produtores vão usar uma prensa excessivamente dura uma fermentação quente para extrair a quantidade máxima de cor e fenóis das peles. Isso pode sair pela culatra já que pode ocorrer a produção de verde, aromas herbáceos e adstringente, deixando o vinho grosseiro e sem suas características vibrantes e frutadas! Para manter os traços característicos, a Grenache responde melhor a um período lento e longo durante sua fermentação em baixas temperaturas, seguido por uma maceração. Para prevenir a oxidação, o vinho deve ser montado o mínimo possível. A utilização de novos barris de carvalho podem ajudar a manter a cor e evitar a oxidação, mas muita influência também pode encobrir o sabor frutado de Grenache.

Os altos níveis de açúcares e ausência de taninos ásperos, torna a Grenache bem adaptadas à produção de vinhos fortificados, como o vin doux naturels (VDN) do Roussillon região e os "porta -estilo"dos vinhos da Austrália.

Características

A palavra chave para se ter um bom vinho (varietal ou cortado) feito a partir da Grenache é Baixo Rendimento como vimos no tópico anterior. Essa casta é muito vigorosa e, portanto, necessita ser domada no vinhedo com várias podas. Segundo alguns especialistas, o rendimento ideal da Grenache é de aproximadamente 35hl/ha. Porém, é comum encontrar apenas 06hl/ha nas vinhas velhas do Priorato e 15hl/ha em Châteauneuf-du-Pape. O descaso com o vinhedo compromete totalmente o resultado final, não sendo possível corrigir na cantina (adega). Outro cuidado que se deve tomar é com relação à possibilidade de ocorrência de oxidação prematura durante a fermentação.

A Grenache é possivelmente a casta mais "sociável" que existe, participando de vários cortes. Fácil de cultivar, a videira se adapta muito bem aos climas mais quentes com pouca água.

Os melhores solos são: calcário, arenoso e granítico (galets roulés e llicorella). Melhor ainda se forem secos com excelente drenagem e podres em nutrientes.

Possui brotamento precoce e longo período de crescimento até o completo amadurecimento. Sendo uma das últimas castas a ser colhida. Isso explica, em parte, a alta concentração de açúcar no bago, o que resulta em elevada graduação alcoólica, podendo passar dos 15º. Os bagos são pequenos, de pele fina e com pouco pigmento; originando vinhos com poucos taninos e cor.

Aromas

Devido a sua versatilidade em produzir vinhos de diferentes estilos, podemos dizer que são muitos os aromas e sabores da Grenache. Em linhas gerais, os aromas primários mais encontrados são: frutas vermelhas (morango, framboesa, ameixa), frutas pretas (groselha preta, amora), especiarias (pimenta do reino, gengibre, azeitonas pretas), amanteigados (mel), amadeirados (café, couro, tostado, castanha assada). Dependendo da região, ainda podemos encontrar aromas de amarone italiano ou tawny.

Na boca, a Grenache também pode se apresentar das mais variadas formas: rosé, tinto seco ou doce. Seus vinhos tendem a serem alcoólicos, vivos, intensos, potentes e gordos. Algumas vezes a acidez e o tanino podem decepcionar. O corpo pode variar entre baixo para médio (rosés), passando pelo corpo médio clássico (tintos de Rioja e Châteauneuf-du-Pape) até encorpados (Priorato e "GSM"). Além disso, no caso dos vinhos de sobremesa, a textura é envolvente, potente e complexa.

Assim como a maioria das castas, a Grenache pode ser apresentada sozinha (varietal) ou em corte (assemblages). Os vinhos em corte são mais frequentes. As associações mais comuns são com a Tempranillo (Rioja), Merlot, Cabernet Sauvignon, Syrah e Cariñena (Priorato) e Mourvèdre (Rhône e Austrália).

O fato de ser tão eclética nos permite degustá-la jovem ou não; tudo depende da região e do estilo do vinho. Somente os melhores vinhos merecem ser guardados. Nessa linha temos: até 05 anos (vinhos rosés e tintos mais simples), de 03 a 07 anos (Riojas crianza, Gigondas e Côtes Du Rhône), de 05 a 10 anos (Banyuls e Maury), de 05 a 15 anos (Priorato e Châteauneuf-du-Pape).

Principais Regiões

Espanha, Priorato – Tudo indica que aqui é a sua terra natal. As videiras são antigas. Existem dois estilos de vinhos aqui, o antigo que irá se apresentar ultra potente, concentrado, alcoólico e extremamente escuro que precisará de muitos anos para evoluir (cortada com Cariñena). O estilo moderno apresenta vinhos mais prontos, ainda potentes, com intenso aroma frutado (cortada com Syrah, Merlot ou Cabernet Sauvignon);

Espanha, Rioja – Já teve mais prestígio, hoje, seu cultivo está em declínio na região. Mesmo assim, ainda existem aproximadamente 9.000ha em atividade, principalmente em Rioja Baja, onde compõe cerca de 20% da mistura. Seus vinhos não são recomendados para guarda;

Espanha, Navarra – Aqui a palavra chave é Rosado. Navarra produz alguns dos melhores vinhos rosés da Espanha e a Garnacha tem papel fundamental nisso, fornecendo álcool, estrutura e aromas frutados;

França, Vale do Rhône (Região Sul) – A Grenache é uma das grandes estrelas da região. Muitos dizem que ela é a "carregadora de piano" dos vinhos cortados. Ela responde por, nada menos, que 40% dos vinhos denominados "Côtes du Rhône" e "Côtes du Rhône-Villages". O grande problema aqui é que a qualidade varia tanto quanto o número de rótulos a venda. É necessário conhecer bem a região e os produtores. Ainda valem a pena os vinhos da denominação Vacqueyras;

França, Châteauneuf-du-Pape – Nesta famosa denominação, a Grenache representa a espinha dorsal do vinho, originando exemplares suculentos, picantes, aromáticos e prontos para beber em 3 anos ou, se preferir, evoluir por mais 10. É preciso tomar muito cuidado com esta denominação, pois existe muito vinho sem graça, com excesso de álcool e pouca inspiração;

França, Gigondas – Outra denominação do sul do Vale do Rhône que é dominada pela Grenache (80%). Seus melhores vinhos podem ser elegantes com um toque de evolução, inclusive na cor. É comum na região, estagiar a Grenache em barricas grandes e velhas;

França, Tavel e Lirac – Aqui a vez é do vinho rosé. Origina vinhos surpreendentes, alcoólicos, estruturados e muitas vezes, espetaculares;

França, Roussillon – Mais precisamente nas sub-regiões de Banyuls e Maury. A especialidade são os vinhos de sobremesa, fantásticos. Para muitos, os únicos vinhos que harmonizam com chocolate;

Austrália – Começou a ser cultivada na região de South Austrália (Adelaide) no final do século 18 e, ainda hoje, muitos parreirais em produção têm mais de 80 anos. Uma sigla representa o que há de melhor por lá: "GSM", ou seja, um delicioso vinho tinto feito da mistura de Grenache, Syrah e Mourvèdre. As melhores sub-regiões são Barossa Valley e McLaren Vale.


segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Série Uvas - A Tinta Malbec

E chegamos a uma uva que tem se destacado demais mundo afora através dos vinhos que nossos hermanos vem fazendo.

Particularmente sou fã de carteirinha desta bela uva e dos deliciosos vinhos que ela produz. Mas, para quem não sabe, é mais uma cepa originária da França que veio fazer sucesso aqui na América Latina.

A Malbec é, sem dúvida, a uva mais bebida e comentada aqui no Enoleigos. Veja aqui no link todos os vinhos que já falamos desta deliciosa uva.

Que tal conhecermos um pouco mais sobre esta uva, sua origem e suas características?

In Vino Veritas!

Gustavo Kauffman

Série Uvas – A Tinta Malbec

História

Malbec é uma das uvas mais famosas da atualidade, mas já existe há muito tempo e tem uma história interessante.

Esta a cepa tem sua origem no sudoeste da França, numa região conhecida como Cahors e era chamada de "Cot" ou "Auxerrois". Após sua enorme fama na Argentina, os franceses passaram a chamá-la de Malbec.

Fala-se que o nome Malbec teve origem a partir de um produtor húngaro chamado Malbeck, que levava as uvas e plantas desta cepa para vendê-las em Bordeaux.

Nessa época o vinho originado da uva Malbec era chamado de "Vinho preto de Cahors", isso graças a cor intensa que a uva dá aos seus vinhos. Fatos históricos dizem, que durante o reinado de Napoléon, Pedro o Grande curou-se de uma úlcera de estômago bebendo o tal "Vinho preto de Cahors". Muito contente com isso, ele ordenou que essa uva fosse levada e plantada na península de Crimea, junto com outras variedades como Cabernet Sauvignon, Merlot e Cabernet Franc. Essa é uma das inúmeras histórias relacionadas a essa cepa.

Cahors é a região onde existe o centro de produção mais antigo dessa cepa e possui uma lei específica para produção de vinhos originados dela, conhecida como a lei de Cahors AOC, (Apelação de Origem Controlada). Nesta apelação, as vinícolas devem utilizar uma quantidade mínima de 70% de Malbec e os outros 30% de Merlot ou Tannat.

A Malbec Argentina

Sem sombra de dúvida, a cada dia que passa, a Argentina elabora grandes vinhos dessa tão saborosa uva, a malbec. Originária da região de Cahors no sudoeste da França, onde até hoje se produz vinho dessa cepa, mas com características mais rústicas e com a legislação de corte mínimo de 70%, foi trazida para a América do Sul, em meados do século XIX, e se adaptou perfeitamente aos solos mendoncinos e posteriormente por toda Argentina.

Após mais de 150 anos de existência na Argentina e com propostas diferentes de plantio, com baixos rendimentos por hectare, podemos notar que os vinhos provenientes dessa uva encantam por serem sempre muito macios e sedosos, com muita personalidade, boa complexidade (fruta – pimenta), além de terem força para suportar alguns anos de garrafa em guarda, para evoluírem.

É atualmente a principal uva do país e símbolo emblemático, responsável pelo crescimento da vitivinicultura por toda extensão nacional, além de representar muito bem o país por onde passa, como, por exemplo, ao redor do mundo em exposições. Prova disso é o mercado inglês, que se rendeu a essa uva e hoje é um dos principais investidores e consumidores no mundo da malbec.

Os vinhos da Malbec na Argentina vem também recebendo pontuações altíssimas pelos grandes críticos mundiais como a Wine Advocate, de Robert Parker, e a Wine Spectator, dentre outras. É cada vez mais comum ver vinhos produzidos com a Malbec nas listas TOP destes veículos.

Características

Seus vinhos costumam apresentar aromas de ameixa, cereja em compota e notas florais e, além do perfume, são densos e escuros. Com taninos menos potentes que os da Cabernet Sauvignon e Syrah, por exemplo, a uva tem boa acidez e pode ganhar complexidade se amadurecida em carvalho. Apesar de os melhores vinhos apresentarem potencial de envelhecimento por vários anos, o ponto ideal de consumo fica entre o segundo e o quinto ano de colheita.

Como destacado também sobre as outras uvas, a Malbec tem características distintas de país para país onde é cultivada:

Na Argentina, a Malbec tem a maior superfície entre as uvas finas tintas, ultrapassando a clássica Cabernet Sauvignon. Os vários Terroirs argentinos oferecem vários estilos e as principais áreas produtoras são Mendonza, Salta, San Juan e Patagônia. Em Mendonza, o vinho é estruturado e pleno, com sabor vivo e taninos maduros. Salta e San Juan originam vinhos de bom corpo, porém menos estruturados que os mendoncinos. Da região da Patagônia têm origem os vinhos mais moderados, de aromas condimentados, notas florais e de pimenta seca, embora o aroma de fruta madura seja o que mais se sobressai.

Na região Francesa de Cahors é denominada Cot. Os vinhos da região são encorpados e densos, com amadurecimento obrigatório em madeira. Com bom potencial de envelhecimento, podem evoluir por mais de 15 anos em garrafa.

No Chile, onde muitos acreditam não haver o cultivo da uva Malbec, ela origina vinhos mais encorpados, ácidos e taninosos que os argentinos. Os vinhos são geralmente loteados com Cabernet Sauvignon, Carménère ou Syrah.

As condições de clima e solo ideais para o cultivo da Malbec

O clima desértico continental da Argentina, com seus solos secos e pobres, suas intensas horas de sol, baixa umidade, terras de elevada altitude contribuíram para a fama da Malbec por lá, pois só nessas condições a uva atinge seu ápice. Em lugares com influência marítima como Chile e Califórnia podem até atrapalhar o desenvolvimento dessa cepa, porém cultivam bons exemplares.

Desde 2005, o Governo Nacional da Argentina aprovou a lei que cria a primeira Denominação de Origem Controlada da América do Sul para essa uva, trata-se do Lujan de Cuyo DOC (Denominação de Origem Controlada), com mais de 6,000 Has de Malbec. Essa iniciativa que já tinha sido criada em 1999, por algumas vinícolas famosas da Argentina, tais como Nieto Senetiner e Luigi Bosca.

Por essas e muitas outras, a Malbec se tornou a uva emblemática da Argentina, a uva mais plantada, valorizada e exportada do país, para todo o mundo.

Nomes e Variações da Malbec

Cot, Malbec, Malbeck, Auxerrois, Caours, Pressac, Luckens, Etranger, Grappe rouge, Noir Doux, Teinturier, Quercy, Pied rouge, Pied de perdrix, Pied noir, Gourdoux, Quillot, Jacobin, Cahors, Grifforin, Côte rouge, Plant du Roy, Beran, Beraou, Bérau, Bourguignon noir, Calarin, Calavu, Chalosse petite noire, Noir de Pressac, Nègre, Préchac, Préchat, Lutkens, Estrangey, Nègre doux, Balouzat, Parde, Teinturin, Doux same, Mourame, Moustère, Etaulier, Romieu, Cruchinet, Pied rouget, Oeil de perdrix,
Pied doux, Gourdaux, Fin Auxerrois, Périgord, plant houdée, Couissé, Prunelard musqué, Lou Salbaïre (Le Sauveur).


segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Série Uvas – A Branca Sauvignon Blanc

Depois de falarmos de algumas uvas não tão conhecidas do público de um modo geral como a Touriga Nacional, a Petit Verdot e a Sul Africana Pinotage, voltamos a uma uva muito conhecida até mesmo pelos mais leigos, a Sauvignon Blanc.

Depois da Chardonnay com absoluta certeza é a uva branca mais conhecida do mundo, muito plantada e vinificada no velho e também no novo mundo.

Nas próximas semanas falaremos das seguintes Uvas:

x Malbec;
x Grenache;
x Viognier;
x Gamay;
x Cabernet Franc.

Finalmente chegarei ao Post de uma das minhas cepas prediletas, a Malbec!

Vamos então conhecer melhor a Sauvignon Blanc.

In Vino Veritas!

Gustavo Kauffman (GK)

Série Uvas – A Branca Sauvignon Blanc

Com origem na região de Bordeaux, a Sauvignon Blanc é considerada uma das uvas finas mais nobres do mundo, ancestral da Cabernet Sauvignon. Tem colheita precoce, geralmente realizada logo no início do verão.

Suas características de leveza e frescor são melhores mantidas em climas frios e amenos, pois quando plantada em clima quente, pode ficar descaracterizada, perdendo a elegância e ganhando em excesso um aroma frutado, que pode ficar enjoativo.

Ao invés de carvalho, os enólogos indicam o estágio em tanques de inox, sobre as próprias borras, até para os mais nobres. Por não produzir vinhos para longos envelhecimentos, o consumo ideal dos rótulos fica entre o primeiro e o sexto ano de colheita. Quando jovem, o vinho apresenta coloração esverdeada, que evolui para o palha dourado em poucos anos.

Tem acidez aguda, fresco, aspectos minerais e bastante frutados no Novo Mundo. Mantém a limpidez pois raramente fica impregnada de carvalho. Na França, alcança melhores resultados em rótulos da região do Loire. É misturada com Sémillon em Bordeaux. Também é parte da composição dos vinhos doces de Sauternes e Barsac. Na Nova Zelândia, encontrou o solo ideal para produção de vinhos que colocaram o país no mapa do mundo do vinho.

Um bom Sauvignon Blanc normalmente oferece ao nariz aromas de frutas tropicais, como maracujá e abacaxi, ou ainda de melão e pêra.

História

As origens da uva Sauvignon Blanc possui vestígios na França ocidental no Vale do Loire e Regiões de Bordeaux. Em algum momento no século 18, a videira foi emparelhada com a Cabernet Franc e seu pai, a Cabernet Sauvignon vinha de Bordeux. No século 19, as plantações em Bordeaux eram muitas vezes intercaladas com a Vert Sauvignon (no Chile conhecida como Sauvignonasse). Antes da epidemia da filoxera, a praga que devastou os vinhedos franceses no século 19, esses cortes intercalados foram transportados para o Chile , onde a mistura de campo ainda são comuns hoje. Apesar da semelhança nos nomes, Sauvignon blanc não tem relação conhecida com o Sauvignon Rosé mutação encontrada no Vale do Loire na França.

As primeiras estacas de Sauvignon blanc foram levadas para a Califórnia por Charles Wetmore, fundador da Adega Cresta Blanca, na década de 1880. Estes cortes vieram do Sauternes. As plantações produziram muito bem no Vale Livermore. Ainda na Califórnia, eventualmente o vinho adquiriu o apelido de "Fumé Blanc", pela promoção de Robert Mondavi , em 1968. A uva foi introduzida pela primeira vez à Nova Zelândia na década de 1970 como uma plantação experimental de mistura com Müller-Thurgau.

Clima e Geografia

A Sauvignon Blanc amadurece cedo, o que permite um bom desempenho em climas quentes, quando não expostos ao calor avassalador. Em regiões quentes como África do Sul, Austrália e Califórnia, que floresceu a uva em denominações de clima mais frio, tais como a área do Vale Alexander. Em áreas onde a videira é submetida a altas temperaturas, a uva vai rapidamente tornar-se mais madura e produzir vinhos com sabores maçantes e acidez plana. O aquecimento global teve um efeito sobre a uva Sauvignon Blanc, com o aumento da temperatura global causando os agricultores a colheita das uvas mais cedo do que no passado.

A uva, como falamos anteriormente, é originária da França, nas regiões de Bordeaux e do Vale do Loire. Existem também extensas plantações na Califórnia, Austrália, Chile e África do Sul. A Sauvignon Blanc está constantemente aumentando sua popularidade entre os bebedores de vinho branco como uma alternativa para a Chardonnay. A uva também podem ser encontradas na Itália e Europa Oriental.

Características

Tem acidez aguda, fresco, aspectos minerais e bastante frutados no Novo Mundo. Mantém a limpidez pois raramente fica impregnada de carvalho.

A Sauvignon Blanc pode apresentar características diferentes de acordo com o local onde é cultivada. Confiram algumas delas:

- França: Em sua terra natal, Bordeaux, o vinho costuma apresentar corpo médio, aroma cítrico e mineral. Alcança melhores resultados em rótulos da região do Loire. É misturada com Sémillon em Bordeaux. Também é parte da composição dos vinhos doces de Sauternes e Barsac.

- Nova Zelândia: Aqui a SB encontrou o solo ideal para produção de vinhos que colocaram o país no mapa do mundo do vinho. O cima frio das ilhas do sul produz ótimos exemplares. Em geral são agudos, animados e com notas agradáveis de ervas frescas e groselha.

- Chile: A principal característica é o aroma de pêssego maduro. As regiões frias como o Vale de Leyda e Casabanca originam os melhores exemplares.

- Califórnia: No Napa Valley a uva é rica, pungente, de caráter frutado com notas minerais.

Fica como sugestão a todos a melhor parte deste mundo fascinante do vinho: Degustar!! Compre vinhos SB e os deguste para chegar a sua própria opinião!



segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Série Uvas – A Tinta Pinotage

Chegamos a mais uma tinta não tão conhecida. Uma uva que, salvo pequenas plantações na Nova Zelândia e nos Estados Unidos, é predominante na África do Sul. Já pensou se tivéssemos uma uva que só fosse plantada no Brasil? Pois é, este é o caso da Pinotage com a África do Sul.

A África do Sul vem crescendo absurdamente no mundo do vinho e, o que é melhor, com uma qualidade e tanto! Desde que o embargo comercial imposto aos produtos sul-africanos atingiu seu objetivo de acabar com o governo de apartheid em 1991, a África do Sul tem conseguido atrair interesse para seus vinhos. Enquanto a "onda" inicial com a série de grosseiros Pinotage, os "brutos" Cabernet Sauvignon e os fracos Chenin Blanc não era muito encorajadora, é muito interessante lembrar que no inicio dos anos 90 os winemakers sul-africanos ficaram alheios ao que acontecia pelo mundo durante décadas e foram considerados "fora-de-mercado".

Hoje a situação é muito mais positiva. Os recentes lançamentos são mais frescos, mais frutados e muito concentrados e os melhores produtores já competem à altura em concursos internacionais.

Vamos então conhecer um pouco mais esta uva?

As próximas 5 uvas que serão abordadas nesta série serão:

x Sauvignon Blanc;
x Malbec;
x Grenache;
x Viognier;
x Gamay.

In Vino Veritas!

Gustavo Kauffman (GK)

Série Uvas – A Tinta Pinotage

A Pinotage é um híbrido (que provém de duas espécies diferentes) de Pinot Noir e Cinsault, (conhecida na África do Sul com o nome de Hermitage), e tem seu nome proveniente da combinação das duas cepas. O responsável pelo cruzamento foi um investigador e professor de viticultura na Universidade de Stellenbosch, o Profesor A.I. Perold que em 1925 uniu as qualidades organolépticas da Pinot Noir com a notável produtividade e resistência da Cinsault. Para isso fecundou uma flor da casta Cinsault com pólen da Pinot Noir, originando a cepa que denominou “HermitagexPinot de Perold” . Os relatos da época dão conta o Profesor A.I. Perold, não demonstrou grande interesse em sua criação, só o fazendo 10 anos depois, quando a casta recebeu a denominação atual. Os primeiros vinhos elaborados com a Pinotage não foram bem aceitos, permanecendo no ostracismo até meados da década de cinqüenta, quando as degustações feitas com vinhos da casta começaram a mostrar suas possibilidades. O reconhecimento em âmbito internacional somente veio no principio dos anos noventa quando Beyers Truter, vinicultor apresentou os vinhos de Pinotage no concurso International Wine and Spirit Competition com tamanho êxito que foi eleito “Enólogo do Ano”, título concedido pela primeira vez a um sul-africano. A partir de então, a Pinotage foi anunciada como a possuidora do Santo Graal dos aromas da Pinot Noir da Borgonha bem como da elevada produtividade e fácil amadurecimento da Cinsault. Os anos seguintes vieram demonstrar que ela nunca se comportou nem como Pinot Noir nem tampouco como Cinsault. A Pinotage, na realidade, é uma uva de difícil trato, que pode originar vinhos de alta qualidade, porém que necessita de vinhas velhas, de baixa produtividade e de um manuseio cuidadoso na vinícola para conservar seus aromas mais selvagens e evitar os ésteres voláteis.

Os vinhos de Pinotage são de cor vermelho rubi intenso, profundos, límpidos e brilhantes. Os bons Pinotage têm aromas e sabores diferentes de qualquer outro tipo de vinho. Possuem delicioso caráter frutado de amoras, cassis e ameixas, além de notas florais muito características. Quando passam em barricas exibem notas de baunilha, chocolate ou especiarias. Os caldos de Pinotage têm dois problemas: o primeiro é que se torna extremamente difícil obter todos os aromas e ao mesmo tempo controlar seus taninos, sabidamente muito agressivos. O segundo, é que os aromas genuinamente individuais podem sofrer transformações importantes se a vinificação não for feita de forma correta.
Os vinhos de Pinotage, no entanto, podem mostram-se aveludados, sedosos, voluptuosos, luxuriantes e sedutores. E de forma contrária, também, podem ser rústicos, instigantes, controversos e muito pouco cativantes. Para melhor entendê-los é fundamental conhecê-los.

Críticas

Apesar da reputação de fácil cultivo, a uva Pinotage não escapou das críticas. Uma queixa comum é a tendência a desenvolver acetato de isoamila durante a vinificação que leva a uma pungência doce, que muitas vezes cheira a tinta. Um grupo inglês de “Master of Wines” foi visitar a África do Sul em 1976 e não se impressionaram com a Pinotage, chamando o exame olfativo de "quente e horrível" e comparando o gosto com "pregos enferrujados".

Ao longo de sua história, a uva tem visto suas plantações em ascensão e queda, devido à forma atual da indústria do vinho Sul-Africano. No início de 1990, com o término do Apartheid e o mercado do vinho do mundo em total ascensão, as vinícolas da África do Sul ignoraram um pouco as plantações de Pinotage em favor das variedades mais reconhecidas internacionalmente, como Shiraz e Cabernet Sauvignon. No final do século 20, a Pinotage começou a ser mais amplamente utilizada e a fazer fama em todo mundo.Em 1997 passou a ter preços mais elevados do que qualquer outra uva Sul Africana. Apesar disso, ainda há um segmento de enólogos Sul-Africano, como André van Rensburg de Vergelegen, que acreditam que Pinotage não tem lugar em um vinhedo.

Oz Clarke sugeriu que parte do desdém de alguns produtores Sul Africanos "para a Pinotage decorre do fato de que é distintamente um Novo Mundo do vinho, embora a tendência para o vinho Sul Africano é refletir influências e sabores mais europeus. Apesar de ser um cruzamento de uma uva de Borgonha e Rhône, a Pinotage não reflete nenhum dos sabores de um vinho francês. Embora não seja uma crítica em si, fora de pequenas plantações mais notadamente na Nova Zelândia e os Estados Unidos, a Pinotage ainda tem que desenvolver uma presença significativa em qualquer outra região vinícola do mundo. No início do século 21, vários dos maiores produtores da África do Sul voltaram a ter foco mais predominantemente na Pinotage.

 

domingo, 19 de setembro de 2010

Série Uvas – A Tinta Petit Verdot

Podemos dizer, sem sombra de dúvidas, que esta será a primeira uva que falaremos e que, salvo quem está no mundo do vinho, poucos conhecem! Apesar de ser uma das cepas de Bordeaux, a Petit Verdot é pouquíssimo conhecida mundo a fora e ainda muito pouco utilizada em vinhos monovarietais.

Por não ser uma uva tão conhecida, foi, até o momento, o artigo que me deu mais trabalho para encontrar informação.

As próximas 5 uvas que serão abordadas por aqui serão:

x Pinotage;
x Sauvignon Blanc;
x Malbec;
x Grenache;
x Viognier.

In Vino Veritas!

Gustavo Kauffman (GK)

Série Uvas – A Tinta Petit Verdot

A Petit Verdot é uma uva vermelha que pertence às clássicas Bordeaux. Serve para o corte (mistura) já que sozinha essa uva resulta em vinhos muito ácidos e tanínicos. São exemplos o Château Margaux e o Château Latour, que contêm pequena quantidade de Petit Verdot. Já o Sine Nomine de Domaine de Lauzières, possui um assemble maior de Petit Verdot e pequena quantidade de Grenache Noir. Até o século XIX, era muito comum na França. A espécie Gros Verdot (em alemão, grosser Grünling) possui menos caráter.

A Petit Verdot é, dentre todas as uvas bordalesas, a que mais tempo leva para chegar à maturação. Normalmente, ela é usada para dar estrutura e cor nos cortes de Bordeaux e tem sido, ultimamente, uma das maiores febres mundo a fora. Muitos países investiram nessa casta e, hoje, podemos encontrar deliciosos Petit Verdot na Argentina, Chile, Califórnia, Austrália e, principalmente, Espanha.

Seus vinhos costumam ser muito escuros, densos, com aromas de fruta negra madura e boa carga floral, com destaque para violetas. No palato, apresentam sempre muita força, personalidade e pungência. Nunca espere, por exemplo, de um Petit Verdot puro, elegância, mas, sim, sempre potência e força.

A Petit Verdot vem conquistando um merecido destaque internacional como um vinho varietal. Pertencente a clássica região de Bordeaux, na França, esta variedade surgiu muito tempo depois de outras variações de uvas na região.

Quando jovem, seus aromas têm sido comparados a banana e aparas de lápis. Os tons fortes de roxo e couro se desenvolvem a medida que amadurece.

História

A Petit Verdot provavelmente antecede a Cabernet Sauvignon de Bordeaux, mas suas origens são obscuras. Há registros de que surgiu no século XVIII, mas as suas características sugerem uma origem em climas muito mais quente do que o Gironde.

Uma de suas progenitoras é a Tressot, a outra é Duras, uma uva do Vale do Tarn superior perto de Toulouse. É possível que ambas foram levadas para a região pelos romanos como eles se mudaram do interior do Mediterrâneo.

O nome de Petit Verdot ("verde pequeno") refere-se a um dos problemas principais com a uva, que muitas vezes os frutos não se desenvolvem adequadamente sem o tempo certo, durante a floração. Ela também se refere ao amadurecimento tardio, que geralmente vem tarde demais para o clima de Bordeaux. A Petit Verdot também tem uma característica peculiar em que produz mais de dois cachos por broto.

A Petit Verdot no Mundo

Argentina

Existem alguns blocos de Petit Verdot, na Argentina, embora durante muitos anos ela foi rotulada como Fer.

Austrália

A Verdot foi incluída na coleção James Busby de 1832, e foi testada por Sir William MacArthur em 1840. Em 2000 havia 1.600 hectares na Austrália em Kingston Estate na Austrália do Sul com o maior plantio do mundo na atualidade, quatro vezes maior do que na França, seu país de origem.

Chile

Foi o país aonde experimentei pela primeira vez esta uva. Na época o vinho tomado foi o “Barrica Seleción” da Santa Carolina. Em 2003 o Chile tinha 140 hectares da Petit Verdot.

França

Quase todos as Petit Verdot na França estão plantadas em Bordeaux, na maior parte do Medoc, onde ele é usado em pequenas quantidades para dar estrutura aos Bordeaux mais clássicos. No entanto, a maturação tardia significa que em alguns anos toda a produção estará perdida e que só amadurece adequadamente uma vez a cada quatro anos, motivo pelo qual esta uva vem caindo em desuso, sobretudo com a tendência anterior de maturação do vinho.

Outros Países

A Petit Verdot é encontrada também na Itália (Maremma / Toscana), nos Estados Unidos e na Venezuela.


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