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quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Ciclos Icono 2010

Hoje falaremos novamente de outro vinho de nossos Hermanos. Este da região de Calchaquies, em Cafayate, Salta, mais ao norte da Argentina. Esta região ganhou sua notoriedade com a produção de excelentes vinhos brancos com a uva Torrontés, mas vem ganhando muito espaço também com excelentes vinhos tintos.

Salta é também um dos Estados argentinos com maior tradição vitivinícola: lá a videira foi introduzida pelos Jesuítas no século XVIII e várias das bodegas datam de princípios do século XIX. Na terra de todas as paisagens, popularmente conhecida como “a linda”, a região vitivinícola localiza-se nas alturas, em um lugar de enorme riqueza natural, histórica e cultural: os Vales Calchaquíes, local da origem das uvas do vinho de hoje. Lá, os vinhedos se estendem por mais de 3.200 hectares entre os departamentos de Cafayate, San Carlos, Angastaco, Molinos e Cachi. Em Cafayate é possível encontrar os mais grossos e antigos troncos arbóreos de videiras, e em Colomé e Payogasta vinhedos jovens imersos em uma paisagem montanhosa de grande altitude.

Além da Torrontés, hoje se destacam também as tintas como Cabernet Sauvignon, Malbec, Tannat, Bonarda, Syrah, Barbera e Tempranillo.

É uma região que vem se especializando, a cada dia, para receber o enoturismo. Com uma oferta de alojamento e gastronomia regional de alta qualidade, permitindo desfrutar do enoturismo em um entorno perfeito!

Nosso vinho é produzido pela Bodega El Esteco, que teve os irmãos David e Salvador Michel, de origem francesa, como fundadores. Em 1892, eles plantaram as primeiras vinhas e construíram a vinícola, que produz vinhos premium, sem participar nos segmentos de vinhos de entrada, lojas de vinho e varejistas de alto nível. Também cultivam uvas orgânicas que são elaboradas na El Transito e, recentemente, lançou a linha CUMA, somente de variedades orgânicas. Dentro da vinícola o Hotel & Spa Patios de Cafayate oferece 32 suítes para quem quer se esbaldar de vinho e sossego.

A garrafa que degustei foi adquirida no Duty Free de Buenos Aires, não me recordo bem o preço, mas foi barato. Aqui no Brasil custa na faixa dos R$80,00.

Vamos então ao que achei do Ciclos Icono:

Visual: A garrafa, como podemos ver nas imagens, é bonita, sem ser do estilo pesadona, e a lua e a estrela em alto relevo chamam a atenção. O Sol procura remeter a região de Salta, super ensolarada, e com excelente amplitude térmica. Na taça o vinho estava jovem, com coloração repleta de reflexos violáceos, escuro e sem deixar transparecer luminosidade.

Olfato: Sedutor, um vinho realmente sedutor e atraente. Harmônico, com destaques para frutas negras (cerejas escuras, toques de cassis), notas de especiarias como pimenta, completando com toques herbáceos e florais. Um vinho complexo e que, pelo nariz, mostra seu potencial para envelhecer. Madeira muito bem integrada ao conjunto.

Paladar: Muito legal ver como que a Malbec, mesmo em um assemblage com a Merlot, possui características distintas ao compararmos a região de Salta com a região de Mendoza. Um vinho elegante, de corpo médio, taninos já bem suaves e arredondados, acidez correta com final refinado e volumoso. Muita fruta em boca. Um vinho muito gostoso.

O que a vinícola fala do seu vinho:

VARIEDAD: 50% Malbec ; 50% Merlot

ORIGEN: Valles Calchaquíes, Argentina

TERRUÑO: Suelos pobres y pedregosos de alta montaña andina, gran amplitud térmica entre el día (cálido) y la noche (fresca). Alta exposición solar con 300 días al año. Clima seco y ventoso con 120mm de lluvia al año y un promedio de 15° C de humedad.

COSECHA: Malbec - última semana de marzo; Merlot - segunda semana de marzo.

DATOS ANALÍTICOS: Alcohol: 14 % Azúcares reductores: 2,94 grs / lt. Acidez Total: 5,95 grs. /lt. PH: 3.60

ELABORACIÓN: Los vinos Ciclos Varietales están orientados a tener una alta fineza y gran complejidad. Este objetivo se prepara desde los viñedos buscando uvas de gran concentración, granos pequeños, plantas equilibradas. La elección del día de cosecha es analizada cuidadosamente y una vez logrado su punto óptimo de madurez, cuidando todos los detalles se recolectan los frutos y comienzan los procesos de elaboración. Utilización de frío desde la llegada de la uva a la Bodega, (intercambiador de vendimia). Fermentaciones pre-fermentativas a 5ºC – Trabajos suaves durante la fermentación alcohólica - utilización de levaduras seleccionadas – temperaturas de fermentación entre 24ºC y 26ºC El 80% del vino es descubado a barricas nuevas y de segundo uso de roble Francés y Americano, donde realiza la fermentación maloláctica, finalizada esta y luego de un trasiego, retorna a las mismas barricas donde reposará y madurará durante 15 meses. El 20% restante se conserva en tanques de acero inoxidable.

Notas de Cata:

Rojo rubí, con tonos violáceos, profundo y fondo negro. Con muy buena intensidade

Aromas intensos y complejos. Se destaca la presencia de aromas a confituras de ciruelas y
leves notas especiadas y cassis. Aparecen la vainilla y el chocolate otorgados por su crianza en barricas de roble. Este aporte es fundamental para acomplejar los finos aromas que se logran durante la maduración del vino en botella. 

Los sabores son muy placenteros. Resaltan los sabores frutados de la uva Malbec conjugados con los especiados del Merlot, pasas de uvas, licor de chocolate. Entrada suave con taninos redondos y aterciopelados. Equilibrado, con una sensación final larga, agradable y untuosa.

O que a Wine Advocate, de Robert Parker, fala sobre este vinho:

Curiosamente a safra de 2010 não foi analisada. Destaco então as notas notas obtidas por este vinno. As safras de 2006 a 2008 foram analisadas por Jay Miller, a de 2009 por Neal Martin e a de 2011 por Luis Guitierrez.




Mais um vinho muito gostoso que, por sua faixa de preço, se mostrou até mesmo um belo Custo x Benefício.  O Altimvs, vinho top da vinícola, é excepcional e também recomendo. Não consegui escrever sobre ele ainda, mas com certeza estará entre os próximos posts.

In Vino Veritas!


Gustavo Kauffman (GK)

domingo, 16 de novembro de 2014

Obra Prima Gran Reserva Familiar Maximus 2008

Sim, sou um fã dos vinhos de nossos Hermanos. A Argentina vem conseguindo fazer grandes vinhos, cada vez mais elegantes, delicados, sem perder sua tipicidade. Este vinho que, desculpem o trocadilho, é realmente uma Obra Prima, é um exemplo vivo disto.

O vinho é produzido pela Familia Cassone, bodega não muito conhecida aqui no Brasil. É recente, foi criada em 1998 por Eduardo Cassone, sua esposa Florencia Ferreira Funes e seus 3 filhos. A bodega fica em Mendoza, mais precisamente em Luján de Cuyo, rodeada pela cordilheira dos andes, a 18 Km ao sul de Mendoza. A região de Luján de Cuyo, como muitos já sabem, é considerada a principal região vitivinícola da Argentina, com um clima, altitude e amplitude térmica muito propícios para a produção da uva.

O Maximus é o vinho ícone da linha “Obra Prima” da Familia Cassone. Nesta linha eles possuem ainda o Rosado, um CS e um Malbec e o Coleccion, este último um vinho também muito bem produzido, mas com maior presença da Malbec (80%) e partes iguais de CS e Merlot. Já o Maximus traz também a Malbec como uva principal, só que com 66%. O assemblage é completado também com partes iguais de outras duas uvas, mas aqui a Syrah e a Cabernet Franc.

Vamos então ao que eu achei deste vinho:

Visual: A garrafa faz o estilo “pesadona”, muito comum no novo mundo. Rótulo bonito, elegante e austero, pena que o da garrafa que degustamos acabou sendo rasgado dentro da adega de um amigo. Na taça, mesmo com 6 anos de vida, não mostrou sinais de evolução. Continua brilhoso, uma mistura de rubi com muito violáceo.

Olfato: Elegância é a palavra chave! Complexo, mas muito, muito elegante, o que surpreende. Confesso que eu esperava um vinho mais direto, mais “porrada”, mas fui surpreendido positivamente. No nariz já despertou também ser um vinho gastronômico. Predominância para frutas vermelhas como framboesa e amora. A madeira, francesa de primeiro uso, aonde o vinho calmamente amadurece por 18 meses, está muito bem integrada. No nariz traz também especiarias (noz moscada e pimenta) e um toque de mentolado.

Paladar: Ataque inicial também elegante e mostrando um corpo médio. Preenche bem a boca, trazendo boa acidez, taninos também muito elegantes e um final longo. O vinho está redondo, pronto para ser bebido. É claro que com certeza sobrevive mais alguns anos, mas não acredito que vá melhorar. É um vinho surpreendente que você precisa experimentar!

O que a Familia Cassone fala sobre seu vinho:

Variedad: 66% Malbec, 17% Cabernet Franc, 17% Syrah.

Viñedos: Luján de Cuyo, Mendoza, Argentina.

Cosecha: Manual en cajas plásticas de 18 kgs.

Elaboración: Tradicional con maceración fría en tanque de acero inoxidable.

Crianza: 18 meses en barricas nuevas de roble francés.

Alcohol: 14%.

Temperatura a servir: 18º C

Enologo: Mauricio Lorca / Federico Cassone

Notas de Cata: Obra Prima Maximus es nuestra mayor obra, nuestro más alto vino. Creado sobre la base de un corte de Malbec, Cabernet Franc y Syrah y habiendo sido añejado en barricas nuevas por 18 meses, dio como resultado este vino de muy buen cuerpo y estructura redonda. Presenta un color rojo rubí con suaves tonalidades violáceas; de aromas frutados a moras, grosellas y menta y final aterciopelado con dejos de eucaliptos y pimienta, con muy fino aporte de complejidad aportada por el roble.

O que a Wine Advocate, de Robert Parker, fala sobre o vinho:

Pontos: 90

Degustador: Jay S Miller

Maturidade: Beber até 2013

Review:

The 2008 Obra Prima Maximus is a blend of 66% Malbec, 17% Cabernet Franc, and 17% Syrah also aged in new French oak for 18 months. Its personality resembles the Malbec Collecion both aromatically and on the palate, but the wine is a bit leaner, without as much complexity. Nevertheless, this flavorful effort is an outstanding wine that will benefit from another 2-3 years of cellaring. 


Se você ainda acredita que a Argentina não produz vinhos elegantes, acredita que a Malbec em nossos vizinhos só produz vinhos pesados, você precisa provar este vinho. Realmente muito bem produzido. Um vinho caro por aqui, mas que com certeza fará sucesso.

In Vino Veritas!


Gustavo Kauffman (GK)

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Doña Paula Estate Malbec 2009 - CBE

E chegamos a última escolha da Confraria Brasileira dos Enoblogs. Neste mês de Dezembro a escolha foi do confrade Silvestre, do excelente blog Vivendo a Vida. O Silvestre escolheu o seguinte tema:

“Um Malbec argentino de até R$70,00”.

Quem me acompanha sabe que sou apaixonado pela Malbec. Com certeza é a cepa mais comentada aqui no blog.

Não foi uma escolha fácil, devo confessar. Mas quando me deparei com este Malbec, premiado como o melhor malbec argentino na faixa de preço de 10 a 20 dólares nos Estados Unidos, não pensei duas vezes! Vejamos um pouco da história da vinícola argentina Doña Paula:

En el año 1997 el Grupo Claro de Chile desembarcó en la Argentina para concretar el sueño de producir vinos de alta calidad en las generosas tierras de Mendoza. Ese es el año de la compra de la Finca Ugarteche, que aportaría más de 140 hectáreas (346 acres) de viñedos de Malbec y Chardonnay, indispensables para producir vinos profundos y balanceados en el corto plazo. Un año después la Finca Tupungato es adquirida. Esta tierra prometedora para variedades de ciclo corto, con gran potencial aromático y sorprendentes condiciones para entregar frescura y acidez, fue plantada en su totalidad en los años 1998 y 2000. Durante este año es que se concreta las construcción y reacondicionamiento de la bodega de 1 millón de litros de capacidad con tecnología de punta.

En 1999, Doña Paula realiza su primera vendimia: un fantástico comienzo que se convertiría en frustración en los años 2000 y 2001, cuando importantes tormentas de granizo hacen perder gran parte de la producción e imposibilitan la elaboración de vino a nuestros enólogos, como resultado se asegura una alta inversión en mallas anti-granizo que pueden verse hoy.Consecuentemente, el lanzamiento comercial de la bodega en los mercados internacionales es retrasado un año.

El año 2002 es una fecha fundamental en la corta historia de Doña Paula. Con el despacho de un pequeño numero de cajas hacia el Reino Unido, los Estados Unidos de América y los Países Bajos, nuestra bodega ingresa al negocio exportador.

Las exportaciones de Doña Paula rompieron sucesivos record de crecimiento en el 2003 y 2004, consolidando una posición seria ante los ojos de sus importadores de todo el mundo y colegas de Argentina. El “Estilo Doña Paula” de fruta fresca, concentración y complejidad fue reconocido por la prensa especializada de Europa y las Ameritas. Con solo dos años de mercado, Doña Paula fue premiada con el prestigioso “Marca más valiosa de año 2004” por la revista Wine & Spirits.

El año 2005 trajo una nueva ola de inversión, dado el éxito de la propuesta de la bodega ante los consumidores. La segunda etapa de la bodega (otro millón de litros de capacidad de bodega en acero inoxidable) fue finalizada.

Las inversiones sin embargo, no se detuvieron el año siguiente y junto a la nueva bodega en nuestra Finca Ugarteche que incremento la capacidad a mas de 7 millones de litros, Doña Paula se lanzó a la conquista de nuevas áreas plantables en las alturas de la montaña. Las fincas de Altamira y Gualtallary fueron adquiridas, y mientras la primera fue plantada en su totalidad de manera inmediata (80 ha- 198 ac), la segunda tuvo que esperar hasta el 2007 para ver cubierta la superficie de vides (130 ha – 297 ac). Estas nuevas plantaciones aseguraron el autoabastecimiento completo de uva para el 100% de nuestros vinos.
Vamos então ao que achei deste belo Malbec:

Visual: Garrafa discreta, mas elegante. Rolha de cortiça personalizada para a vinícola. Na taça, como um vinho jovem que é, mostra bastante violáceo. O vinho deixa transpassar um pouco de luz, se mostrando menos opaco do que eu imaginei que seria. Lágrimas relativamente gordas e lentas.

Olfato: O primeiro contato agrada e mostra muita fruta vermelha madura quase que como uma geléia. Continuando a análise podemos perceber claramente a presença de madeira, mas sem agredir e de forma integrada ao restante do vinho. Ao fundo leve dose de lácteo, eucalipto e um sutil toque de pimenta seca.

Paladar: Ataque inicial também muito agradável e fidedigno ao exame olfativo. Acidez média e taninos já domados e bem sutis. O vinho está pronto e deve ser degustado ainda jovem. Possui um corpo médio e invade todo o palato. O final é surpreendentemente longo.

O que a vinícola fala sobre seu vinho:

Notas del enólogo: Este Malbec presenta un estilo elegante y complejo, donde se destacan em nariz notas de frambuesa, arándano, violeta y especias que se integram armonio- samente a ciertos aromas minerales y de encina tostada. En boca es un vino muy equilibrado, de gran cuerpo, concentrado y aterciopelado con un persistente final que recuerdan su paso por la madera.

Variedad: Malbec 100%

Viñedos: Suelo de origen aluvional, textura franco arcillosa con sectores com canto rodado de diferentes magnitudes y ph básico.Espaldero alto de 4 alambres de 10 años de edad. El origen de las plantas es de selecciones locales de material ingresado a Mendoza desde Francia a fines del siglo pasado.Riegos moderados y un intenso trabajo de canopia en el ciclo vegetativo, han permitido a las plantas lograr un equilibrio entre la parte vegetativa y la producción de fruta. Con la supresión de brotes secundários y hojas internas se ha logrado tener una cuidada exposición de la fruta a la luz solar, logrando una adecuada madurez polifenólica.

Vinificación: La cosecha se realizo en forma manual con alta clasificación en campo, descartando cualquier racimo de calidad no satisfactoria. El transporte de la uva se hizo en contenedores plásticos. Posteriormente se realizo la molienda en forma inmediata refrigerando la uva por debajo de los 12°C y dejando en maceración en frío durante 48 hs. Luego se inoculo con levadura seleccionada, realizando suaves tratamentos durante este periodo controlando la temperatura entre 25 y 28°C, logrando así gran intensidad de frutas y evitando la sobre extracción. Cuando estuvo terminada la fermentación se mantuvo en maceración pelicular durante 5 días a temperatura inferior a 18°C. Se trasegó luego a barricas de roble francés para fermentación maloláctica durante um lapso de 20 días. Un 50% maduró durante 8 meses en barricas nuevas de roble francés.

O que diz a Wine Advocate, de Robert Parker:

A análise da Safra de 2009 ainda não saiu, mas achei interessante destacar a de 2008.

Pontos: 90

Degustador: Jay Miller

Maturidade: Beber entre 2009 e 2013

Review:

Dona Paula’s 2008 Estate Malbec is purple-colored with a pleasing bouquet of spice box, incense, and black cherry. This leads to a medium to full-bodied, plush wine with layered black cherry and blueberry flavors, light tannin, good concentration, and a fruit-filled finish. Drink this tasty effort over the next 4 years.

Até o momento deste post ainda não havia pontuação pela Wine Spectator.

Mais um vinho que me surpreende. Não é tão “porrada” com outros Malbecs argentinos. É daqueles vinhos versáteis que irá agradar ao paladar de muitas pessoas. É claro que não é um vinho cheio de complexidade, mas é um vinho que surpreende dentro da sua faixa de preço. Não é a toa que vem conquistando prêmios!

In Vino Veritas!

Gustavo Kauffman (GK)

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Sur de Los Andes Premium Malbec 2008

A Bodega Sur de Los Andes é bastante recente, foi criada em setembro de 2005 por Guillermo Banfi , com o objetivo de produzir vinhos argentinos premium, sempre focando em vinhos de excelente custo x benefício. A produção foi concentrada em três castas típicas da argentina: Malbec, Bonarda e Torrontés.

O primeiro objetivo da empresa foi o posicionamento de seus produtos no competitivo mercado americano em que conseguiu se classificar entre as adegas que mais crescem naquele mercado e, em seguida, entrar no mercado local, ou seja, o argentino e em uma próxima fase nos mercados mundiais como foco em Canadá, Reino Unido e Brasil. A última fase citada chegou e os vinhos da Sur de los Andes começam a chegar por aqui.

Os vinhos da Bodega Sur de los Andes são feitos com uvas provenientes principalmente de Mendoza, o coração dos vinhos argentinos, com mais de 70% da área plantada no país, totalizando 219.000 hectares. Só a Torrontés que não provém da região de Mendoza.

Novidade são sempre muito bem vindas por aqui!

Vamos então ao que achei do vinho:

Visual: Garrafa bastante elegante, do tipo bordalesa. Rótulo discreto e elegante. Ao abrir mostrou uma rolha produzida em compensado de madeira. Na taça a coloração é muito escura, praticamente negra, mostrando sua juventude nos reflexos violáceos de suas bordas. As lágrimas são finas, rápidas e tingem a taça, passando uma sensação de intensidade.

Olfato: Sugiro que o vinho respire por pelo menos 30 minutos. O vinho se abre mais e suas qualidades, desta forma, se tornam mais aparentes. O álcool, que no início também aparece um pouco acima do ideal, fica bem mais redondo. Boa intensidade aromática, com destaque maior para as frutas vermelhas maduras. Continuando nossa análise o vinho traz agradáveis aromas florais e, mais ao fundo, uma dose de tostado mostrando sua passagem por barricas.

Paladar: A intensidade que se percebe no exame aromático também aparece no palato, mas aqui com mais elegância. Taninos presentes, mas domesticados, mais discretos e macios. Acidez também já no ponto. No retrogosto mais umas vez as frutas vermelhas maduras se mostram presentes. O final surpreende pela grande persistência, não tão comum para vinhos desta faixa de preço.

O que a Bodega fala sobre seu Malbec:

Este malbec sabroso se realizó con las mejores uvas de Malbec de la bodega y de tres terruños distintos que permiten una mayor complejidad de aromas, color, fruta y estructura. De un color rojo intenso resaltan los aromas florales, minerales, terrosos, y a frutas rojas. Vino de gran estructura y fineza. Potencial de guarda entre 8 - 10 años

Cepa: 96% Malbec / 4% Cabernet Sauvignon

Añada: 2008

Viñedos: 50% De Agrelo, 20% La Consulta, 30% de Vistalba

Vinificación: Cosecha en cajas de 20 kilos. Doble cinta de selección. Enfriamiento de la uva y maceración en frío durante 6 días a 6 grados. Fermentación alcohólica a 27-31 Cº con levaduras indígenas por 25 días. 5 remontajes diarios. Descube a barricas francesas y americanas donde se realiza la fermentación maloláctica al 100%. El vino reposa 10 meses en barricas de 1er y 2do uso. Se estiba durante 6-9 meses antes de comercializarse.

Alcohol: 14,4%

PH y acidez total: 3,47 ; 6,53g/lt

Ainda não existem pontuações na Wine Spectator nem na Wine Advocate sobre este vinho.

Um vinho correto, equilibrado, mostrando toda a tipicidade da Malbec argentina. Para sua faixa de preço possui uma interessante complexidade. Com certeza harmonizará bem com carnes vermelhas, ou até carnes de caça, mas sem muito excesso de gordura ou molhos muito incrementados. Um cordeiro grelhado seria, sem sombra de dúvidas, sensacional!

In Vino Veritas!

Gustavo Kauffman (GK)

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Pulenta Estate Gran Malbec X

Os vinhos da Pulenta são uma verdadeira lenda na argentina, produzindo vinhos excepcionais.

A Familia Pulenta tem estado ligada à viticultura Argentina por três gerações. Pulenta Estate é a continuação desta tradição. Os filhos do vinicultor Antonio Pulenta e descendentes de imigrantes italianos, Eduardo e Hugo Pulenta, deram vida a esta vinícola em 2002, aportando experiência e a mais qualificada mão de obra.

Seu objetivo é atingir a máxima qualidade, mantendo uma produção exclusiva e o cuidado permanente da natureza.

“Fazer um grande vino é um ato de generosidade, de pensar sempre no outro que vai degustá-lo. A nossa missão é produzir series limitadas de grandes vinhos, elaborados com orgulho na Argentina.”

As vinhas estão localizadas na zona de Alto Agrelo, Luján de Cuyo, Mendoza, Argentina. Uma das zonas vitivinícolas mais prestigiosas da província de Mendoza.

135 hectáres de vinhedo próprio, a 980 metros acima do nivel do mar, gozam de um extraordinário clima com grandes amplitudes térmicas entre o dia e a noite, que permitem um perfeito amadurecimento dos cachos.

As variedades, plantadas pelo pai Antonio Pulenta e trazidas especialmente da França e da Itália, recebem as virtudes inerentes a estarem tão próximas da Cordilheira dos Andes. O imponente cenário natural deste vinhedo favorece, com suas águas de dsgelo, o risco desta zona de privilégio, cuja pureza se reflete em uvas mais intensas e frescas.

Abri esta garrafa no dia dos pais em 2011, afinal de contas eu mereço! Rs.

Vamos então ao que achei de mais este Malbec:

Visual: Garrafa imponente, do estilo que se utiliza muito nos vinhos mais TOPs do novo mundo. Ao abrir uma surpresa que sempre gosto! A rolha possui o ano da safra, é de cortiça e personalizada para a bodega. A coloração passa muito corpo. Ainda com muito violáceo e muito escuro, impedindo totalmente a passagem da luz. As lágrimas são rápidas e tingem a taça.

Olfato: Uma boa mescla de complexidade e potência, com muita elegância e personalidade. Bastante fruta vermelha, com destaque para amoras. Harmonioso e desafiador. Continuando a análise vemos notas de doce de leite, couro e sutis pitadas de especiarias. A madeira aparece muito bem integrada como o vinho.

Paladar: Um vinho redondo, chegando a ser guloso. Tudo na boca está muito bem integrado. Excelente acidez e taninos macios, redondos, dando aquela vontade de beber mais. O aroma que mais de destaca no palato são as frutas vermelhas maduras. Final de excelente persistência.

O que a Pulenta Estate fala sobre seu vinho:

Nossos vinhos são o resultado de um estilo de enología particular baseado na combinação da delicadeza do trabalho manual e a tecnología moderna.

Colhemos a uva em caixas de 18 kg. De manhã para manter temperaturas baixas. Depois na vinícola fazemos uma intensiva seleção de cachos e posteriormente escolhemos os melhores bagos.

Todos os vinhos são criados em barricas de carvalho francês. Deste jeito, conseguimos combinar em cada varietal a experiência e a sabedoría, obtendo um delicado equilibrio no resultado final.

Variedad: 100% Malbec

Fermentación tradicional com agregado de leveduras seleccionadas.

Fermentación maloláctica en barricas de roble francês, donde luego realizo su maduración durante 12 meses.

Notas de degustación: Es un vino de color rojo intenso con destellos violáceos. Ofrece aromas a frutos rojos, violetas y jalea de ciruela, combinados con delicados aromas a coco y tostado aportados por su paso por madera. En boca se presenta elegante y con personalidade, con buena estrutura y final prolongado.

O que diz a Wine Advocate, de Robert Parker:

Pontos: 90

Degustador: Jay Miller

Maturidade: Beber entre 2011 e 2022

Review:

The 2007 Pulenta Gran Malbec spent 16 months in 80% new French oak. A glass-coating opaque purple, it offers up an alluring nose of wood smoke, scorched earth, spice box, black cherry, and plum. Elegant on the palate with underlying structure, it has an attractive layering of black fruit, plenty of spice, good depth of flavor, and a lengthy, pure finish. It will benefit from 2-3 years of additional bottle age and offer prime drinking from 2011 to 2022.

Bodegas y Vinedos Hugo y Eduardo Pulenta began their venture in 1991. They still sell grapes to the likes of Catena, Cobos, and Chandon among others. In 2002, 2003, and 2005 they constructed three small winery buildings and current production is at 40-50,000 cases. They began selling in the USA market in 2008 with 20% of their production coming here.

Até o presente momento a Wine Spectator não comentou este vinho.

Um vinho delicioso, que me deixou fascinado por sua elegância e equilíbrio. É daqueles que não tem a fama que tem a toa! Está pronto para beber e vai ser difícil encontrar alguém que não goste deste vinho. Pena que o preço dele aqui no Brasil seja tão puxado, mas, se estiver passeando em Buenos Aires é uma pedida e tanto!

In Vino Veritas!

Gustavo Kauffman (GK)

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Olhares do Malbec World Day



Como noticiado aqui no Enoleigos no dia 17 de Abril de 2011 aconteceu o Malbec World Day, um evento que divulgou a Malbec em todo o mundo. Este evento ocorreu simultaneamente em 30 países.

Sou fã de carteirinha da Malbec e, após um pequeno problema com meus arquivos, consegui recuperar minhas fotos do evento e trago algumas para compartilhar com todos vocês. Ao todo foram degustados 36 rótulos escolhidos pessoalmente pelos 6 experts que apresentaram os vinhos.

Destaco, mas fotos abaixo, o meu predileto da noite, o Bramare 2006, um vinhaço!

In Vino Veritas!

Gustavo Kauffman (GK)











quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Vertical Mendel Malbec – Uma experiência inesquecível!!

Blogueiros Reunidos

Na última terça-feira, dia 22/02, tive a imensa oportunidade de participar de um evento inesquecível, uma Vertical do vinho Mendel Malbec.

Tudo começou quando o Cristiano Orlandi, do Blog Vivendo Vinhos, nos convidou para a degustação. O Cristiano, pacientemente, colecionou as Safras de 2004, 2005, 2006, 2007 e 2008 deste delicioso Malbec argentino. Comentou então com o Alexandre Frias, do blog Diário de Baco e criador do portal Enoblogs, que gostaria de fazer uma vertical e compartilhá-la conosco. O Alexandre teve a idéia de envolver a Expand, atual importadora do Mendel que prontamente se dispôs a patrocinar nosso evento.

A degustação foi no Bar des Arts do Itaim, dentro da loja da Expand que, por sinal, é belíssima! Quem ainda não conhece não sabe o que está perdendo. Ao chegar por lá fui recebido pelo pessoal da Expand com o belo Prosecco Fontini Treviso enquanto aguardávamos os outros chegarem. O grupo convidado era um time de peso, vejam só:

x Álvaro César Galvão (Divino Guia);
x Beto Duarte (Papo de Vinho);
x Daniel Perches (Vinhos de Corte);
x Déco Rossi (Enodeco);
x Jeriel Costa (Blog do Jeriel);
x João Filipe Clemente (Falando de Vinhos).

Além deste que vos escreve, o Cristiano e o Alexandre que já citei.

Enquanto aguardávamos o início da degustação tivemos uma bela surpresa. Fomos recebidos pelo Otávio Piva e seu filho. Qualquer texto, livro ou revista que fale da história do vinho do Brasil e não cite o Otávio estará cometendo um sacrilégio! O Otávio começou a importação de vinhos para o Brasil em 1974, quando iniciou a importação do Cousino Mansul. O Otávio comentou sobre como acertou na importação do Mendel, uma vinícola relativamente recente na Argentina, e que vem recebendo diversas premiações mundiais nos seus vinhos.

Falando um pouco da Mendel, a vinícola personifica a união de Roberto de la Mota, um dos mais respeitados e experientes enólogos da Argentina com uma família estabelecida na Argentina. Juntos, são dedicados à produção de vinhos de inquestionável qualidade ao expressar a qualidade e o caráter de antigas vinhas de Malbec e Cabernet Sauvignon em Lujan de Cuyo, Mendoza, Argentina.

Foram escolhidos os melhores lotes das vinhas de quase 80 anos de idade, prestando rigorosa atenção a cada detalhe do processo de vinificação artesanal, desde a triagem dos cachos a fermentação em pequenos tanques de carvalho francês. Vinhas antigas, pessoas apaixonadas, experiência e amizade se misturam para criar os notáveis vinhos da Mendel.

Inovando uma degustação Vertical, o Álvaro, primeiro a chegar, sugeriu que a degustação fosse feitas às cegas e assim foi feito!

Taças prontas para a degustação

 
O primeiro ponto que chamou a atenção de todos foi a coloração dos vinhos. Através da análise visual era impossível determinar qual vinho era mais novo ou mais velho o que demonstra como os vinhos são muito bem feitos. O segundo ponto, e este citado pelo João, foi em relação à graduação alcóolica. Todos em torno dos 14% o que, para um vinho Top argentino, é uma graduação, digamos, educada!

Os vinhos, em linhas gerais, eram todos muito elegantes. No nariz toda a tipicidade da Malbec, frutas vermelhas, cereja, ameixa. Trazia também café e couro. No paladar taninos redondos, boa acidez e excelente persistência.

Comecei minha análise e a “brincadeira” era tentar acertar a safra e dizer qual dos 5 vinhos você tinha gostado mais. Os dois mais antigos, Safras de 2004 e 2005, não foram tão difíceis de serem identificados, pelo menos eu tinha achado isto! A Ana Rita, Sommelier da Expand, conduziu com maestria a degustação. Chegou então a hora de cada um tentar descobrir as safras dos vinhos e dizer qual que tinha gostado. Só um dos presentes acertou os cinco! Parabéns ao Alexandre Frias, do blog Diário de Baco.

Fiquei feliz com meu desempenho! Hehe. Dos cinco vinhos eu acertei três, as safras mais antigas, de 2004 a 2006. Já o 2007 e o 2008 eu troquei um pelo outro.

No final da degustação fomos gentilmente presenteados pela Expand com Prosecco Fontini Valdobbiadene DOCG, o irmão mais velho do Prosecco que bebemos antes da degustação. É claro que em breve postarei minhas impressões sobre ele também aqui no Enoleigos.

Finalizada a degustação fomos, mais uma vez, presenteados com um delicioso jantar no Bar des Arts. Para harmonizar com o jantar, mais uma surpresa! A Expand nos serviu o Mendel Unus 2007, um vinho mais Premium que o Mendel Malbec, um blend de 70% de Malbec e 30% de Cabernet Sauvignon. O que achei do Unus? Hum, ele vai merecer um post só pra ele!

Foi ou não foi uma noite memorável? Pensei em colocar as fotos aqui no post, mas, como foram muitas, achei melhor compartilhar com todos no Picasa do Enoleigos.

Obrigado ao Cristiano pela paciência e pelo convite!

Obrigado ao Alexandre pela idéia!

Obrigado à Expand pela recepção primorosa!

In Vino Veritas!

Gustavo Kauffman (GK)

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Malbec continua quebrando recordes


A Malbec tornou-se a varietal líder nos 25 destinos de exportação da Argentina em 2010. A Torrontés foi a segunda variedade com maior crescimento relativo, com mais de 660 mil casos emblemáticos deste vinho branco exportados.

Esta notícia vem diretamente de nossos Hermanos argentinos que, temos que confessar, cada vez mais vem se aprimorando na nobre arte da Enologia! Em 2010, as exportações de vinho aumentaram para 864,5 milhões de dólares, um crescimento de 12,5% em relação a 2009, alcançando um novo recorde histórico de exportações em dólares. Esse caminho apontado pelo relatório realizado por Caucasia Wine Thinking para Wines of Argentina, considera o saldo total de exportações em 2010.

Em dezembro, 77,8 milhões de dólares foram exportados, 21,1% a mais que no mesmo mês em 2009. Quanto ao volume, o crescimento mensal foi de 6,7%. Mais uma vez, o vinho engarrafado foi a maior contribuição para o crescimento no último mês de 2010. No entanto, os espumantes também se destacaram, com sinais de recuperação pelo segundo mês consecutivo.

A Malbec representou 40,1% do volume das exportações de vinho engarrafados em 2010 (este percentual foi de 34% em 2009). Exceto nos Países Baixos (Chardonnay) e Paraguai (mistura de vinho tinto), a variedade Malbec foi líder nos 25 principais destinos, com elevados percentuais de participação no total, que na maioria dos casos é superior a 30%. Por exemplo, nos Estados Unidos, 60% do volume foi de Malbec, 48% na Suíça, 47% no México e 37% no Peru.

A Torrontés, que foi a variedade com maior crescimento em termos relativos, após a Malbec, teve um desempenho muito bom na Europa, América Latina (principalmente Brasil e México) e nos mercados do Canadá. Esta variedade aumentou 35% no Reino Unido, onde já é a segunda variedade mais exportada.

Particularmente sou fã confesso da Malbec em terroir argentino! Vinhos fabricados com esta cepa são, e continuarão sendo, presença marcante aqui no Enoleigos.

Parabéns a nossos hermanos pela continuidade e aprimoramento do seu padrão de qualidade!

In Vino Veritas!

Gustavo Kauffman (GK)

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