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quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Fruto Noble Crianza 2006

Hoje vamos falar de um vinho espanhol da denominação de origem de Alicante (http://www.vinosalicantedop.org/). Sim, você tem razão, não é uma DO muito conhecida assim como a região também não o é. Não são todos os vinhos de Alicante que pertencem a DO, somente as garrafas que possuem o logotipo da DO e possuem uma numeração exclusiva para a mesma é que são garantidos.

O site da DO diz que as uvas tintas amparadas são: Monastrell, Garnacha Tintorera o Alicante Bouschet, Garnacha tinta ( o Gironet), Bobal, Cabernet Sauvignon, Merlot, Pinot Noir, Petit Verdot, Syrah, Tempranillo. Citei isto pq, como veremos mais adiante, nosso vinho também leva a Cabarnet Franc em seu corte. Fui então ler o que está no regulamento da DO e descobri que é permitido a utilização de outras variedades desde que aprovadas pelo Conselho Regulador que, para tal, deverá verificar a qualidade do mosto. Curiosamente não existem regras como, por exemplo: Rendimento máximo por hectare, tempo de permanência em barrica, etc.

Outro fato curioso, já falado por aqui anteriormente, é em relação aos nomes dos vinhos espanhóis. Lá, para ser chamado de Crianza, um tinto precisa passar por um período mínimo de 24 meses antes de ser comercializado, sendo no mínimo 12 meses em barrica. O Fruto Noble passou 12 meses em barricas e 18 na garrafa antes de ser comercializado. Para confirmar que ele passou por este processo, a denominação é regulada pela ordem pública, através de autoridades legislativas que prezam a saúde pública e regulamentação econômica – inclusive do vinho. 

A Bodega também não é muito famosa por aqui. Além de vinhos, produz também azeites.

Vamos então ao que achei deste vinho:

Visual: O rótulo é bonito, mas se torna mais interessante pela foto da bodega em sua parte superior. A rolha é de cortiça, safrada e personalizada para a bodega. Na taça mostra ainda certo brilho, mas já apresenta cor alaranjada em seu halo demonstrando evolução. Cor escura e intensa. Lágrimas múltiplas e lentas.

Olfato: No nariz também são evidentes os sinais de evolução, mas percebe-se também que o vinho está inteiraço. Frutas vermelhas secas. Uvas passificadas, couro e especiarias (pimenta e noz moscada). O elevado álcool (14.5) não é perceptível. Sedutor!

Paladar: Corpo médio e vai abrindo na boca, trazendo refrescância e imediatamente pedindo um segundo gole. Acidez moderada. Taninos presentes, secantes, mas bem integrados ao conjunto. O final é longo e o retrogosto remete as frutas secas.

O que a Bodega Francisco Gomez diz sobre o seu vinho:

CRIANZA: 12 meses en barrica de roble francés y 18 meses en botella

VARIEDADES: Cabernet Franc, Monastrell y Syrah

CATA: Vino tinto. De intenso color rojo cereza brillante y limpio. En nariz nos recuerda a fruta roja madura y especies. En boca es de paso elegante, con una leve acidez de entrada pero sabroso, redondo y con un tanino amable muy pulido hasta su complejo y elegante final, pleno de matices.    

SERVICIO: Alrededor de 16º


Não existem críticas da Wine Advocate sobre este vinho.

Sempre que posso procuro dar dicas sobre como ter novas experiências prazerosas no mundo do vinho. Este rótulo é um bom exemplo. Comprei na Vinhos do Mundo em Porto Alegre por um excelente preço. Uma jóia. No mercado, sem promoção, custa na faixa dos R$70,00 que são muito bem pagos. O vinho é bem distinto, fora do padrão e delicioso. Isto sem falar que está em seu apogeu, com sinais de evolução, o que não é fácil de encontrar nesta faixa de preço.

Fica a sugestão: Se encontrar ele por aí não deixe de provar e depois me conta o que achou.

In Vino Veritas!
Gustavo Kauffman (GK)

domingo, 16 de novembro de 2014

Obra Prima Gran Reserva Familiar Maximus 2008

Sim, sou um fã dos vinhos de nossos Hermanos. A Argentina vem conseguindo fazer grandes vinhos, cada vez mais elegantes, delicados, sem perder sua tipicidade. Este vinho que, desculpem o trocadilho, é realmente uma Obra Prima, é um exemplo vivo disto.

O vinho é produzido pela Familia Cassone, bodega não muito conhecida aqui no Brasil. É recente, foi criada em 1998 por Eduardo Cassone, sua esposa Florencia Ferreira Funes e seus 3 filhos. A bodega fica em Mendoza, mais precisamente em Luján de Cuyo, rodeada pela cordilheira dos andes, a 18 Km ao sul de Mendoza. A região de Luján de Cuyo, como muitos já sabem, é considerada a principal região vitivinícola da Argentina, com um clima, altitude e amplitude térmica muito propícios para a produção da uva.

O Maximus é o vinho ícone da linha “Obra Prima” da Familia Cassone. Nesta linha eles possuem ainda o Rosado, um CS e um Malbec e o Coleccion, este último um vinho também muito bem produzido, mas com maior presença da Malbec (80%) e partes iguais de CS e Merlot. Já o Maximus traz também a Malbec como uva principal, só que com 66%. O assemblage é completado também com partes iguais de outras duas uvas, mas aqui a Syrah e a Cabernet Franc.

Vamos então ao que eu achei deste vinho:

Visual: A garrafa faz o estilo “pesadona”, muito comum no novo mundo. Rótulo bonito, elegante e austero, pena que o da garrafa que degustamos acabou sendo rasgado dentro da adega de um amigo. Na taça, mesmo com 6 anos de vida, não mostrou sinais de evolução. Continua brilhoso, uma mistura de rubi com muito violáceo.

Olfato: Elegância é a palavra chave! Complexo, mas muito, muito elegante, o que surpreende. Confesso que eu esperava um vinho mais direto, mais “porrada”, mas fui surpreendido positivamente. No nariz já despertou também ser um vinho gastronômico. Predominância para frutas vermelhas como framboesa e amora. A madeira, francesa de primeiro uso, aonde o vinho calmamente amadurece por 18 meses, está muito bem integrada. No nariz traz também especiarias (noz moscada e pimenta) e um toque de mentolado.

Paladar: Ataque inicial também elegante e mostrando um corpo médio. Preenche bem a boca, trazendo boa acidez, taninos também muito elegantes e um final longo. O vinho está redondo, pronto para ser bebido. É claro que com certeza sobrevive mais alguns anos, mas não acredito que vá melhorar. É um vinho surpreendente que você precisa experimentar!

O que a Familia Cassone fala sobre seu vinho:

Variedad: 66% Malbec, 17% Cabernet Franc, 17% Syrah.

Viñedos: Luján de Cuyo, Mendoza, Argentina.

Cosecha: Manual en cajas plásticas de 18 kgs.

Elaboración: Tradicional con maceración fría en tanque de acero inoxidable.

Crianza: 18 meses en barricas nuevas de roble francés.

Alcohol: 14%.

Temperatura a servir: 18º C

Enologo: Mauricio Lorca / Federico Cassone

Notas de Cata: Obra Prima Maximus es nuestra mayor obra, nuestro más alto vino. Creado sobre la base de un corte de Malbec, Cabernet Franc y Syrah y habiendo sido añejado en barricas nuevas por 18 meses, dio como resultado este vino de muy buen cuerpo y estructura redonda. Presenta un color rojo rubí con suaves tonalidades violáceas; de aromas frutados a moras, grosellas y menta y final aterciopelado con dejos de eucaliptos y pimienta, con muy fino aporte de complejidad aportada por el roble.

O que a Wine Advocate, de Robert Parker, fala sobre o vinho:

Pontos: 90

Degustador: Jay S Miller

Maturidade: Beber até 2013

Review:

The 2008 Obra Prima Maximus is a blend of 66% Malbec, 17% Cabernet Franc, and 17% Syrah also aged in new French oak for 18 months. Its personality resembles the Malbec Collecion both aromatically and on the palate, but the wine is a bit leaner, without as much complexity. Nevertheless, this flavorful effort is an outstanding wine that will benefit from another 2-3 years of cellaring. 


Se você ainda acredita que a Argentina não produz vinhos elegantes, acredita que a Malbec em nossos vizinhos só produz vinhos pesados, você precisa provar este vinho. Realmente muito bem produzido. Um vinho caro por aqui, mas que com certeza fará sucesso.

In Vino Veritas!


Gustavo Kauffman (GK)

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Tempus Syrah 2006

Que delícia poder voltar a escrever sobre um vinho degustado! O mês de Dezembro tem sido super atribulado e cheio de compromissos. No primeiro dia do mês postei o vinho da Confraria Brasileira dos Enoblogs, um delicioso Pinot Noir Chileno. No restante do mês continuei trazendo notícias e alguns artigos, mas, como gosto de sempre fazer posts completos sobre os vinhos que coloco aqui, confesso que me faltou tempo para isto!

A Tempus é uma bodega que me encanta por demais! Já falei por aqui sobre o Tempus Malbec 2007 e sobre o delicioso Tempus Pleno 2005.

As uvas que são utilizadas pela Tempus Alba provêem sempre de vinhas próprias, cultivadas nas fazendas "La Alborada", "O Retorno" e "San Antonio" totalizando mais de 110 hectares que estão localizados em áreas privilegiadas como Luján de Cuyo, Maipú e Tupungato. As alturas variam entre 800 e 1200 metros acima do nível do mar.

Os solos são aluviais, profundos a rasos, rochosos, bem drenados e moderadamente férteis.

O clima é temperado e seco, com dias ensolarados e noites frias, e uma ampla faixa de temperatura entre dia e noite para obter um rodada excelente de taninos e boa concentração de cor e aromas.

As videiras são conduzidas através da videira ou sistemas e são cultivadas em treliças tradicionais, executando tarefas de poda, raleio de gestão, copa e colheita à mão pelos profissionais qualificados para esta atividade.

A Syrah, em específico, vem da fazenda “La Alborada”, situada a 1040 metros de altitude.

Tive o prazer de conhecer o Leonardo Biondillo, da Bodega Tempus Alba, quando por aqui esteve para participar do excelente Encontro de Vinhos, organizado pelos Confrades Daniel Perches e Beto Duarte. Na ocasião tive também a oportunidade de degustar o fantástico Vero, um Malbec Super Premium simplesmente sensacional que ficou em quinto lugar na degustação às Cegas do Encontro. Abaixo uma foto minha com o Leonardo e a garrafa do Vero. Infelizmente não pude obter uma garrafa. Vai ficar para quando for visitar o Leo lá em Mendoza.


Vamos então ao que achei deste belo Syrah:

Visual: Garrafa da linha básica da Tempus, mas muito bonita! Rolha de material artificial, personalizada para a Tempus. Na taça trouxe uma bela coloração violeta puxando um pouco pro escuro, mas deixando passar um pouco de luminosidade. Gotas finas, lentas e incolores.

Olfato: Aroma muito interessante, apresentando complexidade incomum para a faixa de preço a que pertence. Nas frutas destaque para ameixa e cereja, com maior destaque para a cereja. Traz também fortes aromas de café e ao fundo toques de especiarias onde pude identificar o cravo mas existia algo mais. Conjunto muito interessante e marcante.

Paladar: Início de boca marcante e com muita presença. A boca é muito, mas muito fiel ao olfato, com destaque para as frutas e as especiarias. Corpo médio. Taninos macios, quase que doces. Retrogosto também mais para o adocicado. O final é longo, com forte sabor e presença.

O que a Tempus Alba diz sobre seu Syrah:

Resultado del riguroso control del proceso fermentativo, con una maceración de 25 días, y de su corto paso por barricas de roble durante seis meses, nace este Syrah de distinguida personalidad, propia de la complejidad de su conjunto aromático traducido en sabores. Nuestro enólogo destaca la presencia en su aroma de canela y clavo de olor, con notas de ciruelas maduras, cerezas y anís. Sus taninos son dulces y armónicos, destacándose su untuosidad, su final de boca muy largo con un grato recuerdo de sus descriptores. Las uvas que dieron origen a este varietal provienen de viñedos propios en Luján de Cuyo.

Variedad: 100% Syrah.

Viñedos: Finca La Alborada, Anchoris, Luján de Cuyo, Mendoza.

Edad del Viñedo: 16 años.

Cosecha: 28/Mar/2006.

Recolección: Manual en cajas plásticas de 18 kgs.

Elaboración: Maceración pre-fermentativa en frío durante 72hs. 100 % fermentado en tanques de acero inoxidable a temperatura controlada de 25 ºC con maceración de 25 días. Fermentación maloláctica natural.

Crianza: Seis meses en barricas de roble de 225 litros (70% francés y 30% americano).

Estiba de Botella: Mínimo de 6 meses.

Alcohol: 14.0%.

Azucar Residual: 1.42g/l.

Acidez Total: 5.10 g/l.

Quando escrevi este Post, este vinho ainda não havia sido avaliado pela Wine Advocate, de Robert Parker, nem pela Wine Spectator.

Mais um vinho da Tempus que me surpreende e muito. Entra pro custo x benefício e com certeza terei por aqui novamente! No Brasil pode ser facilmente encontrado nas lojas do Walmart e do Samsclub.

In Vino Veritas!

Gustavo Kauffman (GK)


quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Sonata Reserva Syrah 2008

Há algum tempo atrás eu comentei que o Wall Mart costuma acertar em suas importações. Outro dia, passeando em uma de suas lojas, me deparei com este rótulo de Syrah. Um vinho com belo rótulo e impressionantemente barato, algo em torno de R$12,00.

Como já tive excelentes experiências como esta, comprei a garrafa.

Infelizmente não encontrei o site da Vinícola, nem qualquer informação adicional sobre este vinho na Internet. Será o primeiro post do Enoleigos onde constarão somente as impressões que eu tive do vinho.


Vamos então ao que achei deste Syrah Chileno:

Visual: Garrafa elegante e bem trabalhada, deixando o vinho bem posicionado em seu segmento. Ao retirar a cápsula uma surpresa para vinhos desta faixa de preço. A rolha era de cortiça! Na taça mostrou uma bonita coloração vermelho escuro, brilhando bastante e mostrando também bastantes reflexos violáceos. Gotas gordas, rápidas e incolores.

Olfato: Primeira análise foi bastante positiva. Mostrou frutas negras, com destaque para amora, café tostado, notas sutis de chocolate e ao fundo baunilha. Os aromas se mostram com bastante evidência, sem denotar tanta complexidade. O álcool está bem integrado ao conjunto.

Paladar: Um vinho direto, mas equilibrado, sem defeitos e gostoso. Na boca as frutas se mostram no primeiro plano, quase não se percebe o café, mas o chocolate aqui está em maior evidência. Taninos sutilmente presentes. Já a acidez se faz um pouco mais presente e agrada. O retrogosto é adocidado e remete para as frutas. O final é de médio para longo e muito saboroso.

Em linhas gerais o vinho agradou e entrou para a fila de bons Custos x Benefícios. Vai levar um 3.5!

Também não existem degustações da Wine Spectator nem da Wine Advocate para este rótulo.

In Vino Veritas!

Gustavo Kauffman (GK)

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Zuccardi Série A Syrah 2008

Este rótulo não foi um dos degustados no Almoço que tivemos o prazer de ter com o Sr. José Alberto Zuccardi. Para poder compor esta tão rica série, degustamos este rótulo posteriormente.

Este Syrah é proveniente dos Vales de Santa Rosa e Vista Flores.

O vale de Vista Flores é Localizado no distrito de Tunuyan, é uma propriedade de 55 hectares, produzindo, principalmente as variedades Malbec, Chardonnay, Syrah e Cabernet Sauvignon. Parte das vinhas usa o sistema de condução vertical e o sistema de condução Parral Zuccardi também é utilizado. O último sistema eleva as vinhas, de modo a criar um arco verde que melhora o processo de fotossíntese, desenvolvendo perfeitas condições para o crescimento das uvas. Além disso, ela protege as uvas das horas de maior radiação, e também facilita a proteção contra geadas.

Já o vale Santa Rosa possui 475 hectares e é localizada no bairro de Santa Rosa, ao sudeste da capital de Mendoza. Nele também é utilizado o sistema “Zuccardi Parral”.

A Syrah está dentre minhas uvas prediletas! Abrimos em um churrasco aonde tínhamos carne de caça (pernil de cordeiro), picanha, lingüiça de pernil e bife de chouriço, ou seja, várias opções de harmonização. No mesmo dia abrimos também o Malbec, também da Série A, que será comentado na segunda-feira da semana que vem.

Vamos então ao que achamos deste, já adiantando, belo vinho:

Visual: Garrafa típica da Família Zuccardi. Na taça mostrou coloração violeta brilhante e um pouco translúcido, diferente de outros Syrah que muitas vezes vemos por aqui na América Latina. De cara lembrei de uma frase que encaixa com perfeição aos vinhos da Família Zuccardi: “Vinhos do Novo Mundo com características do Velho Mundo”. Ficou bonito demais na taça e mostrou gotas finas e rápidas.

Aroma: Frutado e muito sutil e elegante. Nas frutas o maior destaque fica para as frutas vermelhas (morando em compota). Curiosamente e deliciosamente delicado. Um Syrah bem interessante! Sinais de madeira ao fundo. Trouxe também pequenos nuances de café e, bem ao fundo, algum floral.

Paladar: Não é muito complexo, é direto, mas é muito saboroso. Também como em outros vinhos da série, o paladar se mostrou bastante fiel ao olfato, trazendo muita fruta. Taninos mais duros, mas perfeitamente integrados. Imagino que tenha potencial para envelhecer um pouco mais em garrafa. O retrogosto trouxe sinais de café e o final é longo.

O que diz a Zuccardi:

Composición: 100% de la variedad Syrah

Origen: Uvas provenientes de Santa Rosa y Vista Flores, Mendoza.

Acidez Total: 5.70 g/l

Azúcar Residual: 2.4 g/l

Alcohol: 14GL

Fermentación: Las uvas fueran descobajadas y molidas, luego se realizó una maceración prefermentativa fría para seguir con una vinificación clásica en tinto, con siembra de leveduras seleccionada y fermentación entre 25 – 27oC. Maceración de 20 días sobre los orujos, con remontajes y delestage periódicos, descube y fermentación maloláctica completa.

Crianza: El 30% del vino fue madurado en barricas de roble francés de primer, segundo y tercer uso, durante 10 meses.

Notas de Cata: Vino de color violeta brillante con los aromas frescos de la zarzamora, violetas y guinda. De excelente estructura, con sabores especiados y de frutas negras, final aterciopelado y largo.



O que fiz a Wine Spectator de Robert Parker:

Até o dia de hoje não existe uma avaliação deste vinho por eles.

No churrasco, a melhor harmonização foi muito boa. Casou bem com as carnes assadas, mas não tanto com o cordeiro, que é um pouco mais forte.

Mais um vinho muito bom da Zuccardi que vai levar um 4!

In Vino Veritas!

Gustavo Kauffman (GK)

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Terra Andina Syrah 2007

Chegamos em casa em uma sexta-feira e deu uma vontade danada de comer uma bela massa. A preguiça também era grande de ir para Cozinha. Decidimos então ir ao excelente La Pergoletta que fica aqui no Tatuapé. Quem mora na Zona Leste e ainda não conhece este restaurante não sabe o que está perdendo!

Há 20 anos atrás o Chef milanês Elia Seganti chegou ao Brasil a passeio, terminou se casando e ficando. Sua família tinha restaurantes na Toscana e no Piemonte, onde ele passava as férias ajudando na cozinha; de posse dessa experiência, abriu em São Paulo uma rosticceria. Depois foram três anos com um café italiano em Blumenau; e 15 anos atrás, o primeiro La Pergoletta em Florianópolis.

Em 2002 inaugurou o La Pergoletta paulistano, uma casa de massas que em 2005 começou a se estender dando origem ao restaurante.

O local é lindo e a comida deliciosa!

Lá chegando é claro que pedi a carta de vinhos e acabei escolhendo o Terra Andina, um belo vinho chileno, que para mim ainda era um desconhecido.

Os vinhos varietais da Terra Andina são produzidos com grande paixão para serem cheios de sabor, frutados, equilibrados e fáceis de beber. O objetivo desta linhda é produzir consistentemente excepcionais vinhos com valor acessível.

De majestade da Cordilheira dos Andes até as águas frias do Pacífico, o Terra Andina utiliza modernas e inovadoras técnicas de vinificação que produzem vinhos premium. Terra Andina é uma marca contemporânea, fresca e inovadora, livre de tabus e focada no desenvolvimento de vinhos de alta qualidade, que expressa o caráter de cada variedade, o que representa a nova imagem da indústria do vinho no Chile.

Vamos então ao que achei do vinho:

Visual: Cor rubi intensa, com alguns reflexos violáceos mostrando sua juventude.

Aroma: Bastante frutado, trazendo principalmente framboesas maduras. Percebi também notas de pimenta seca ao fundo.

Paladar: Redondo, direto, trazendo bastante fruta também no palato. Taninos discretos, final médio.

O que diz a vinícola:

Variedad: 85% Syrah + 15% Cabernet Sauvignon

Región: Valle del Maipo

Vinificación: La uva es despalillada y molida parcialmente de tal forma de preservar toda la intensidad de los aromas varietales. El proceso de molienda es reductivo, es decir, protegida de todo fenómeno de oxidación utilizando dióxido de azufre y gas carbónico. El mosto es enfriado inmediatamente después de molienda para conservar los aromas y sabores. Se realiza una maceración pre fermentativa en frío con el fin de extraer los aromas primarios y el color. Control de la temperatura de fermentación a 25ºC en cubas de acero inoxidable con chaquetas. Período total de maceración entre 15 y 25 días. Después del descube realiza la fermentación maloláctica en forma espontánea a 16ºC.

Color: Rojo rubí intenso y profundo.

Aroma: Maduro y Complejo con mezcla de aromas que recuerdan Arándanos, mermelada de Ciruelas y frutillas, frutos secos, con un tostado muy integrado y notas perimetrales a mocha y tocino.

Paladar: Gran volumen de boca, con un tanino muy sedoso y un final largo y sólido.

Crianza: 50 % del vino se mantuvo en barricas de Roble Frances (33% primer uso, 33% segundo uso y 33% tercer uso ). El 50% restante es conservado en contacto con duelas de roble francés y americano por un período de 5 meses.

O que fiz a Wine Spectator de Robert Parker:

Até o dia de hoje não existe uma avaliação deste vinho por eles.

Um vinho correto, gostoso e fácil de beber. Foi uma boa experiência e vai levar um 3.5!

In Vino Veritas!

(GK)

terça-feira, 20 de julho de 2010

Stellenzicht Golden Triangle Shiraz 2006

Este foi um rótulo que ganhamos de um amigo. Ele estava retornando de uma viagem internacional pouco antes do início da Copa do Mundo. Viu o rótulo sendo vendido, viu que era um vinho da África do Sul e este rótulo era um dos que estavam em promoção no momento. A promoção, segundo ele, eram de três garrafas e fui presenteado com uma delas.

A Stellenzicht possui uma reputação como uma das melhores fazendas na indústria vinícola do Cabo na África do Sul. Ganhou vários prêmios nacionais e internacionais que incluem prêmios de ouro, altamente cobiçados, no Concurso de Veritas, a competição vinícola de maior prestígio da África do Sul, bem como avaliações soberbas no Guia John Platter para os Vinhos Sul Africanos, com degustações conduzidas pela Revista Wine.

A Stellenzicht foi pioneira na revolução da varietal Shiraz na África do Sul. Em Stellenzicht Syrah 1994 foi premiado como o vinho top da mostra em 1996 na Sélection Mondiales em Montréal, no Canadá.

Em 1997, 1998 e 1999 seu vinho Syrah ganhou a medalha de ouro no Concurso International Wine Spirit em Londres. O lançamento mais recente, a safra de 2001, ganhou um prêmio Veritas de ouro em 2003.

Por três anos consecutivos o Stellenzicht Semillon Reserve (Safras de 1996, 1997 e 1998) foi premiado com o Cape Wine Academy Troféu para o melhor vinho sul-Africano Branco Seco no Concurso International Wine Spirit, em Londres. O vinho continua a fazer bonito nas competições internacionais.

Abrimos o vinho em um dia de semana, de forma totalmente descompromissada para acompanhar uma massa. Estava friozinho em São Paulo e nestes dias um vinhozinho cai como uma luva!

A ficha técnica que conseguimos deste vinho no site da Vinícola foi bem completa, e colocaremos a mesma na íntegra neste post. Um fato curioso é que os vinhedos são bem jovens, tendo sido plantados entre 1989 e 2001.

Um ponto que me impressiona nos vinhos Sul Africanos é o Marketing atrelado a eles. As garrafas são muito bem trabalhadas, os sites belíssimos e, pelo que já me comentaram, o Enoturismo por lá é também sensacional! Já recebi comentários de muitas pessoas dizendo que, dos países do Novo Mundo, a África do Sul é o mais promissor para o futuro. Se isto irá ou não ocorrer só o tempo nos dirá. Até lá, vamos degustando e formando, dia a dia, garrafa a garrafa, nossas próprias opiniões. Tem coisa melhor?

Aqui segue a minha sobre este vinho:

Visual: Como falei anteriormente a garrafa é belíssima! Na taça mostrou coloração rubi escuro opaco, sem muito brilho, típico da casta. Gotas lentas e constantes. Rolha possuía o número do lote.

Aroma: Álcool um pouco mais pronunciado do que o ideal. Bastante frutado com destaque especial para frutas negras. Ao fundo percebemos notas de tostado e chocolate. O chocolate é mais amargo, mostrando mais cacao do que açúcar.

Paladar: Taninos fortes e acidez perceptível. Com certeza consegue evoluir mais um pouco na garrafa. Os taninos e acidez não chegam a incomodar, mas tornam este um vinho bem culinário, casando bem com nossa massa. Um vinho equilibrado, voltando a mostrar o chocolate amargo na boca e as frutas mais ao final que se mostrou longo e saboroso.

O que diz q vinícola (Notas Técnicas)

Background

Flanked by the Helderberg and Stellenbosch Mountain, between Stellenbosch and the False Bay coast, lies an exceptional tract of land that benefits from terroirs eminently suited to the cultivation of the highest quality wine grapes. This jewel in the crown of the magnificent Stellenbosch winegrowing region is known as the Golden Triangle. At its core lies Stellenzicht. The award-winning Stellenzicht range reserves its Golden Triangle label for those wines which most eloquently demonstrate the unique terroir of this special part of the Helderberg, home to some of South Africa’s most exceptional wines.

Vineyard Location

Planted between 1989 and 2001, the vineyards are grown on slopes facing west and northwest in decomposed granite and Table Mountain sandstone soils. The yield average was 6.33 tons per hectare. The climatic conditions for this vintage were characterised by lower-than-normal summer temperatures except for the heat waves experienced in February, just before harvest. These hot February temperatures were thankfully offset by above average rains during this period and the fruit thus ripened very well. Viticulturist: Eben Archer and Johan Mong

The winemaking

The grapes were harvested both by hand and mechanically between 8 and 20 March at an average of 24.7° Balling. As fruit from five different individual vineyards was used, the fruit from each of these vineyards was picked, vinified and matured separately before being blended. The vinification processes was similar for each with maturation/oaking figures given below being an average for the blend. After destalking and crushing, the mash was fermented in stainless steel tanks before being removed from the skins after five days. Fermentation took place at between 26 and 28°C with pump-overs taking place around 8 times per day. Malolactic fermentation was spontaneous and took place in both tank and barrel, depending on the batch. At the completion of malolactic fermentation, the wines were each racked and returned/transferred to barrel for their maturation periods. Barrel maturation took place over 15 months in a combination of French (58%), American (30%) and Eastern European (12%) oaks with only 25% of these barrels being new. Bottling took place on 23 October 2007 with a total of 6372 cases being produced.

Winemaker’s comments

Colour: Rich, dark intensity with hues of ruby and garnet with faint tinges of purple around the edges.

Nose: Wonderful primary fruit flavours of plum,and raspberry with secondary nuances of cloves, mocha and white pepper.

Taste: Full-bodied and ripe with an abundance of red fruit flavours and sweet prunes. The ample ripe tannins are balanced by the fresh acidity at the end and the wine balances well its firm structure and elegant finesse.

Ageing process and potential: Very enjoyable while youthful but added cellaring will enhance the complexity further and round off the “teenage” arrogance. Suggested cellaring of five to eight years is recommended.

Food pairing: It will enhance most venison dishes (especially if combined with bacon) and pairs perfectly with wild mushroom risotto.

Como eu comentei as notas técnicas são bem completas, não? Interessante saber, por exemplo, que apenas 6372 garrafas foram produzidas.

Eu sei que presente é presente, mas, um dos categorizadores do Enoleigos é o preço. Este vinho custa uns USD15,00 no Duty Free. Encontrei na Internet o Pinotage, também da linha Golden Triangle, sendo vendido a R$78,00. Se alguém fez a conta rápida e ficou assustado, é isso aí!! Um vinho que custa na faixa dos R$27,00 no Duty Free, praticamente triplica de preço aqui no Brasil. Vale lembrar que o Duty Free não é uma zona apenas livre de impostos, e que é uma empresa COM fins lucrativos! Rs. Pequena a carga tributária de nosso país, não??

Vou dar uma nota 3.5 para o vinho. Imagino que com um pouco mais de tempo em garrafa ele evolua!

In Vino Veritas!

(GK)

sábado, 10 de julho de 2010

Casillero del Diablo Shiraz 2008

Desde que começamos a postar nossas impressões sobre os vinhos degustados aqui no Enoleigos, não tivemos a oportunidade de voltar a beber o famoso, e carro chefe da Concha y Toro, Casillero del Diablo! Já passaram outros rótulos, inclusive em teoria superiores, como o Trio CS, o Gran Reserva Série Ribeiras, o delicioso vinho de sobremesa Late Harvest e também o Palo Alto Reserva Sauvignon Blanc, uma vinícola que pertence a Concha y Toro, a maior vinícola da América Latina.

Há alguns anos atrás tive a oportunidade de participar de um evento da Concha y Toro nas Cavas do Teatro Municipal de São Paulo. Na época a importação da Concha y Toro não era feita pela própria empresa. Foi um evento super interessante para divulgaro aumento da importação que passou a ser de 7 castas, sendo 5 tintas (Carmenére, Merlot, Cabernet Sauvignon, Shiraz e Pinot Noir) e 2 brancas (Chardonnay e Sauvignon Blanc). O local não poderia ter sido melhor e o Casillero entrou de vez para minha vida e para o rol de boas lembranças!

A linha Casillero aumentou e hoje no Chile, além das castas citadas, a linha Reserva possui também as brancas Riesling, Pinot Grigio, Viognier e Gewürztraminer, o rose Shiraz e a tinta Malbec. Além da linha Reserva existe também a linha Reserva Privada (CS / Shiraz e Sauvignon Blanc) e um espumante. Aos poucos vamos comentar toda a linha!

Como diz a Concha y Toro:

Una Colección de vinos Premium confeccionada a partir de uvas seleccionadas de fértiles valles de Chile. Cada creación manifiesta la esencia y tipicidad de su cepa, en una mezcla de aromas, sabores y estilo finamente trabajados. Una magnífica variedad que consolida a Casillero del Diablo como la marca chilena con mayor range de vinos Premium.

Abri esta garrafa na véspera de um feriado aqui de São Paulo. Não existe programa melhor do que fazer uma comida bem gostosa e curtir momentos deliciosos ao lado de minha amada e de meus filhos! Vamos ao que achei deste campeão de vendas:

Visual: A garrafa, bem como tudo que envolve a marca Casillero del Diablo, é bonita, chamativa e super trabalhada pela equipe de Marketing da Concha y Toro. Rolha de cortiça e personalizada para a marca Casillero! As gotas na taça são bem lentas e por toda a taça e a coloração é púrpura escuro bem brilhante.

Olfato: Bouquet intenso e muito aromático. Além das frutas vermelhas, em especial framboesa, os aromas de café se destacam bastante. Percebi também toques de especiarias ao fundo. Agradou e muito!

Paladar: Um vinho sem segredos, direto, gostoso com intensidade média na boca. É também sedoso e de taninos bem suaves. Na boca as frutas se mostram mais fortes e o café aparece no retrogosto junto com a madeira. Acidez presente e em equilíbrio. O final se mostrou longo e persistente.

O que diz a vinícola:

Guarda: 100 % guardado en pequeñas barricas de roble americano durante 8 meses

Color: Bello color rojo profundo -casi negro- muy atractivo

Aroma: Fruta elegante y fresca –guindas negras y moras maduras- muy bien integrada con la madera. Notas de especias, cedro, chocolate y un suave tostado

Sabor: En boca es de buen cuerpo, redondo, equilibrado entre la fruta y el tostado de la madera. De taninos suaves y dulces, su exquisita acidez permite el perfecto balance de una intensa diversidad de sabores

Acompaña: Comidas especiadas, carnes y aves de caza grilladas o platos a base de cordero

A safra de 2007 recebeu alguns prêmios e boas pontuações como, por exemplo: 88 pontos pela Wine Enthusiast, 89 pontos do Guia Descorchados 2009 e 86 pontos da Wine Advocate.

É um vinho correto, gostoso e fácil de beber. Para a faixa de preço que se encontra (R$30,00) com certeza é um dos Best buy no mercado brasileiro. Este vinho foi comprado em promoção por R$23,80, um preço excelente!!

Recomendo e dou uma nota 3.5.

(GK)

 

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Trivento Colección Fincas Syrah 2006

Este é outro rótulo que foi enviado no primeiro mês do ClubeW. Já comentei por aqui o Colección Malbec. Como gostei bastante do primeiro rótulo, a expectativa para este Syrah aumentou. Já comentamos também um outro rótulo da Trivento, o Amado Sur que escolhi para ser o vinho do mês de Maio da Confraria dos Enoblogs.

O Trivento Golden Reserve Syrah 2006 foi premiado no Decanter Awards com a medalha de prata. A série coleção, como comentei no outro artigo, foi criada para mostrar as características das 8 Fincas que a Trivento possui em Mendoza. Este Syrah, da série Colección, também foi premiado no concuso Decanter Awards e levou a medalha de bronze. Vou transcrever aqui o que a Trivento comenta desta Série 2:

Colección Fincas, expresión de los mejores terruños de Mendoza. La Serie 2 corresponde a nuestra Fina Los Ponchos en Tupungato. Ubicada en el Valle de Uco, Los Ponchos posee una marcada amplitud térmica, escasas lluvias y dias de pleno sol. Este terruño es ideal para el desarollo de Syrah, permitiendo gran concentración de color y una equilibrada maduración. El resultado es un vino cantivante y armônico con notas especiadas.

Abri esta garrafa no aniversário de 12 anos de minha filha. Não houve uma harmonização, apenas alguns queijos como petisco. Este post está vindo direto da Cidade do México!!

Vamos então as minhas notas de degustação.

Visual: Cor escura, bem concentrado, lindo na taça. Gotas relativamente rápidas e grossas. Garrafa seguindo o mesmo estilo da Malbec, como se fosse uma ficha de colecionador. Rolha em compensado de cortiça, trazendo o nome da bodega, o símbolo da Trivento e seu país de origem. Possui também o número do lote.

Aroma: Álcool um pouco acima do que seria o ideal. Acabei não decantando este vinho, o que recomendo a todos. Uns 40 minutos estão de bom tamanho. Trouxe notas de ameixa com um pouco de café e chocolate, bem interessante. No final tem um toque de baunilha.

Paladar: Surpresa!!! Na boca se mostrou bem melhor que no exame olfativo. O café se pronuncia, vinho bastante encorpado, com taninos bem presentes mas em harmonia com o todo. Se mostrou bem mais encorpado do que o La Celia, também 100% Syrah, que postamos aqui. Apesar de ser bem encorpado, é um vinho muito gosto e fácil de beber. Retrogosto um pouco amargo. Final bem longo e gostoso, trazendo mais uma vez o café, um toque de pimenta e notas sutis de chocolate.

Não sei se por se tratar se uma série especial, mas não consegui encontrar no site da Trivento detalhes técnicos para este vinho. Vou deixar então as notas do Sommelier da Wine:

AROMAS: Aroma a framboesa e caramelo.

COMENTÁRIOS DO SOMMELIER: Vinho elaborado 100% de uva Syrah provenientes das vinhas em Tupungato, Mendoza. O resultado é um vinho tinto brilhante.

TEMPERATURA DE SERVIÇO: 16-18oC

ENVELHECIMENTO: 6 meses em barricas de carvalho americano e 6 meses em barricas de carvalho francês.

SABOR: Paladar intenso, boa acidez e sabor persistente e condimentado.


Vai levar um 3,5!! Abraços a todos e até o próximo!!

(GK)
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