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quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Don Giovanni Nature – Mais um belo espumante nacional!!

Com o verão e as festas de final de ano chegando, nada melhor do que um belo espumante. Como sabemos o Brasil vem, ano a ano, evoluindo com estes vinhos.

Hoje falaremos da Don Giovanni e de seu espumante Nature. Qual o motivo de se chamar “Nature”? Muitos sabem, outros não, sempre é bom recordar. Isto na verdade é uma classificação diretamente relacionada ao teor residual de açúcar no espumante. Falei em detalhes sobre isto neste post. O Nature permite de Zero a 3 gramas de açúcar residual por litro de espumante. Veremos adiante que o da Don Giovanni pozzui zero.

Distante 12 km do centro de Bento Gonçalves, no distrito de Pinto Bandeira, em altitude de 720m, a “granja” Don Giovanni, como é chamada pelos seus proprietários, tem uma história de elaboração de vinhos de mais de 40 anos. Antes de ser adquirida pelo casal Ayrton Giovannini e Beatriz Dreher Giovannini, a propriedade pertencia à Dreher S.A., indústria de bebidas estabelecida na região em meados do Século XX, e que pertencia aos avós paternos de Beatriz. A Dreher deixou fortes influências na história econômica e social do município de Bento Gonçalves.

Hoje a quarta geração da Família se dedica a produção de bebidas de alta qualidade. Prova que, por trás da marca Don Giovanni, existe tradição e conhecimento na elaboração de vinhos.

Atualmente, o “terror” da região de vinhos de montanha de Pinto Bandeira está certificado com a Indicação de Procedência de Pinto Bandeira. Para tal, estudos foram realizados pela Embrapa Uva e Vinho e a Universidade de Caxias do Sul (RS) afim de revelar as especificidades técnicas de solo, geologia, clima e relevo. Todas as vinícolas estão localizadas em meio a uma paisagem de topo de montanha, com mata nativa, parreirais se uvas viníferas e edificações construídas na época da Colonização Italiana.

Vamos ao que achei deste espumante:

Visual: Garrafa tradicional com elegante e moderno rótulo já indicando que o espumante permaneceu 24 meses em contato com as leveduras, o que lhe atribui mais complexidade. A Don Giovanni ainda possui um espumante que permanece 36 meses (Série Ouro Brut) e outro com 48 meses (Dona Bita Brut). Na taça o vinho estava jovem, limpo, uma coloração palha bem claro. O espumante não é safrado, mas pela coloração é de uma safra ou safras mais recentes. O perlage é bem fino e intenso, com boa formação de espuma.

Olfato: Primeira impressão é complexidade e jovialidade. Um vinho que mostra potencial gastronômico, sem perder uma cara jovial e refrescante como, por exemplo, beira de piscina. Frutas brancas (abacaxi, melão), um toque de lima da pérsia, agregados com aquele delicioso toque de brioche levemente amanteigado.

Paladar: Mesma primeira impressão do exame olfativo. Refrescante, bom volume, cremoso, boa acidez e estrutura, se mostrando um espumante versátil. Vai muito bem com entradas mas com certeza também encara um salmão mais gorduroso. O seu final mostra mais o lado cítrico e alguma mineralidade.

O que a vinícola fala sobre seu espumante:

Graduação alcoólica: 13% Vol.

Uvas: As uvas que compõem o vinho base são Chardonnay (60%) e Pinot Noir (40%), ambas cultivadas em vinhedos próprios na localidade de Pinto Bandeira pelo sistema de condução em Espaldeira com uma produção média de 2, 8 kg /planta. Os Vinhedos estão situados a altitude superior a 620 m, originando uvas de pronunciada frescura e acidez, condição excelente para elaboração de "vinho base". As uvas foram colhidas nas primeiras horas do dia, evitando as horas quentes, preservando assim os aromas típicos de cada variedade.

Vinificação: Ambas as variedades foram vinificadas separadamente mediante a adição de leveduras e sob rigoroso controle de temperatura. O Pinot Noir que é uma cepa tinta foi vinificado sem contato com as partes sólidas, originando dessa forma um vinho branco que após foi mesclado junto ao vinho chardonnay compondo assim o assemblage que denominamos de vinho base. Para esse espumante especial foi usado somente o mosto flor extraído de cada variedade em separado. Esse espumante é elaborado pelo processo champenoise onde são adicionadas leveduras selecionadas e a champanhização que leva em média 3 meses, foi realizado em câmaras com temperatura de 12ºC conferindo dessa forma excelente perlage. O envelhecimento onde acontece a autólise se deu em caves climatizadas a 16ºC. O diferencial desse produto é que não adicionamos licor de e expedição no processo de degourge sendo assim classificado como Nature, seja, um espumante obtido pelo processo champenoise onde não foi adicionado nem um tipo de Liqueur de Dosage, foi completado com o próprio espumante apresentando assim menos de uma grama/litro de açúcar.

Notas de degustação: De coloração amarelo palha com nuances douradas e excelente brilho. No olfato é complexo, expressando aromas de envelhecimento como torrefação, mel e toques de frutado com notas de frutas cítricas como abacaxi, maçã, melão e traços de pão tostado, mel, abacaxi maduro e bombom. No paladar apresenta grande volume de boca, refrescante, acidez marcante, realce dos gostos cítricos que se apresentam harmonizados com as notas de envelhecimento. Apresenta um final de boca muito agradável e grande cremosidade que aliado ao frescor torna-o muito elegante e atraente.

O vinho eu comprei na loja Sommelier Vinhos em Porto Alegre que, por sinal, recomendo a visita. Na ocasião paguei R$45,00 em uma promoção. O preço do vinho hoje está em R$55,00 e, acredite, ele vale mais!

In Vino Veritas!


Gustavo Kauffman (GK)

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Ciclos Icono 2010

Hoje falaremos novamente de outro vinho de nossos Hermanos. Este da região de Calchaquies, em Cafayate, Salta, mais ao norte da Argentina. Esta região ganhou sua notoriedade com a produção de excelentes vinhos brancos com a uva Torrontés, mas vem ganhando muito espaço também com excelentes vinhos tintos.

Salta é também um dos Estados argentinos com maior tradição vitivinícola: lá a videira foi introduzida pelos Jesuítas no século XVIII e várias das bodegas datam de princípios do século XIX. Na terra de todas as paisagens, popularmente conhecida como “a linda”, a região vitivinícola localiza-se nas alturas, em um lugar de enorme riqueza natural, histórica e cultural: os Vales Calchaquíes, local da origem das uvas do vinho de hoje. Lá, os vinhedos se estendem por mais de 3.200 hectares entre os departamentos de Cafayate, San Carlos, Angastaco, Molinos e Cachi. Em Cafayate é possível encontrar os mais grossos e antigos troncos arbóreos de videiras, e em Colomé e Payogasta vinhedos jovens imersos em uma paisagem montanhosa de grande altitude.

Além da Torrontés, hoje se destacam também as tintas como Cabernet Sauvignon, Malbec, Tannat, Bonarda, Syrah, Barbera e Tempranillo.

É uma região que vem se especializando, a cada dia, para receber o enoturismo. Com uma oferta de alojamento e gastronomia regional de alta qualidade, permitindo desfrutar do enoturismo em um entorno perfeito!

Nosso vinho é produzido pela Bodega El Esteco, que teve os irmãos David e Salvador Michel, de origem francesa, como fundadores. Em 1892, eles plantaram as primeiras vinhas e construíram a vinícola, que produz vinhos premium, sem participar nos segmentos de vinhos de entrada, lojas de vinho e varejistas de alto nível. Também cultivam uvas orgânicas que são elaboradas na El Transito e, recentemente, lançou a linha CUMA, somente de variedades orgânicas. Dentro da vinícola o Hotel & Spa Patios de Cafayate oferece 32 suítes para quem quer se esbaldar de vinho e sossego.

A garrafa que degustei foi adquirida no Duty Free de Buenos Aires, não me recordo bem o preço, mas foi barato. Aqui no Brasil custa na faixa dos R$80,00.

Vamos então ao que achei do Ciclos Icono:

Visual: A garrafa, como podemos ver nas imagens, é bonita, sem ser do estilo pesadona, e a lua e a estrela em alto relevo chamam a atenção. O Sol procura remeter a região de Salta, super ensolarada, e com excelente amplitude térmica. Na taça o vinho estava jovem, com coloração repleta de reflexos violáceos, escuro e sem deixar transparecer luminosidade.

Olfato: Sedutor, um vinho realmente sedutor e atraente. Harmônico, com destaques para frutas negras (cerejas escuras, toques de cassis), notas de especiarias como pimenta, completando com toques herbáceos e florais. Um vinho complexo e que, pelo nariz, mostra seu potencial para envelhecer. Madeira muito bem integrada ao conjunto.

Paladar: Muito legal ver como que a Malbec, mesmo em um assemblage com a Merlot, possui características distintas ao compararmos a região de Salta com a região de Mendoza. Um vinho elegante, de corpo médio, taninos já bem suaves e arredondados, acidez correta com final refinado e volumoso. Muita fruta em boca. Um vinho muito gostoso.

O que a vinícola fala do seu vinho:

VARIEDAD: 50% Malbec ; 50% Merlot

ORIGEN: Valles Calchaquíes, Argentina

TERRUÑO: Suelos pobres y pedregosos de alta montaña andina, gran amplitud térmica entre el día (cálido) y la noche (fresca). Alta exposición solar con 300 días al año. Clima seco y ventoso con 120mm de lluvia al año y un promedio de 15° C de humedad.

COSECHA: Malbec - última semana de marzo; Merlot - segunda semana de marzo.

DATOS ANALÍTICOS: Alcohol: 14 % Azúcares reductores: 2,94 grs / lt. Acidez Total: 5,95 grs. /lt. PH: 3.60

ELABORACIÓN: Los vinos Ciclos Varietales están orientados a tener una alta fineza y gran complejidad. Este objetivo se prepara desde los viñedos buscando uvas de gran concentración, granos pequeños, plantas equilibradas. La elección del día de cosecha es analizada cuidadosamente y una vez logrado su punto óptimo de madurez, cuidando todos los detalles se recolectan los frutos y comienzan los procesos de elaboración. Utilización de frío desde la llegada de la uva a la Bodega, (intercambiador de vendimia). Fermentaciones pre-fermentativas a 5ºC – Trabajos suaves durante la fermentación alcohólica - utilización de levaduras seleccionadas – temperaturas de fermentación entre 24ºC y 26ºC El 80% del vino es descubado a barricas nuevas y de segundo uso de roble Francés y Americano, donde realiza la fermentación maloláctica, finalizada esta y luego de un trasiego, retorna a las mismas barricas donde reposará y madurará durante 15 meses. El 20% restante se conserva en tanques de acero inoxidable.

Notas de Cata:

Rojo rubí, con tonos violáceos, profundo y fondo negro. Con muy buena intensidade

Aromas intensos y complejos. Se destaca la presencia de aromas a confituras de ciruelas y
leves notas especiadas y cassis. Aparecen la vainilla y el chocolate otorgados por su crianza en barricas de roble. Este aporte es fundamental para acomplejar los finos aromas que se logran durante la maduración del vino en botella. 

Los sabores son muy placenteros. Resaltan los sabores frutados de la uva Malbec conjugados con los especiados del Merlot, pasas de uvas, licor de chocolate. Entrada suave con taninos redondos y aterciopelados. Equilibrado, con una sensación final larga, agradable y untuosa.

O que a Wine Advocate, de Robert Parker, fala sobre este vinho:

Curiosamente a safra de 2010 não foi analisada. Destaco então as notas notas obtidas por este vinno. As safras de 2006 a 2008 foram analisadas por Jay Miller, a de 2009 por Neal Martin e a de 2011 por Luis Guitierrez.




Mais um vinho muito gostoso que, por sua faixa de preço, se mostrou até mesmo um belo Custo x Benefício.  O Altimvs, vinho top da vinícola, é excepcional e também recomendo. Não consegui escrever sobre ele ainda, mas com certeza estará entre os próximos posts.

In Vino Veritas!


Gustavo Kauffman (GK)

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Pizzato Legno Chardonnay 2013 - #CBE

Meu último post para a CBE (Confraria Brasileira dos Enoblogs) foi no início deste ano, com o Espumante Marco Luigi Brut 10 anos, relembre. Na ocasião também foi uma tentativa de retorno ao Blog, mas acabei me enrolando e não consegui seguir escrevendo.

Agora o retorno será definitivo. Como diz a música “Eu voltei e agora é pra ficar, pq aqui é que é o meu lugar”!. Escrever sobre vinhos é uma coisa que amo fazer. Não só pelo momento da degustação em si, mas é um momento de reflexão, estudo, aprendizado e magia!

Com este post estou seguindo a risca o ditado “Antes tarde do que nunca”. A escolha para o vinho do mês de Novembro coube a Ju Gonçalves do blog Vou de Vinho. A Ju escolheu o tema “Um vinho branco e brasileiro, sem exigências”. Veja aqui o post da Ju.

Também gosto de vinhos brancos. Veja uma degustação que promovi entre Brancos Brasileiros em 2012, na ocasião confrontamos 23 rótulos Brasucas.

Pelo que vi nos posts dos Confrades, o Legno não foi escolhido por ninguém. A Pizzato com certeza está entre as vinícolas mais conhecidas, e com maior qualidade, quando falamos de Brasil. Toda sua produção conta com vinhedos próprios totalizando 42 hectares distribuídos entre o Vale dos Vinhedos, em Bento Gonçalves e em Fausto de Castro, munício de Dois Lajeados, na região serrana.

Ah, o vinho faz parte da Denominação de Origem do Vale dos Vinhedos, uma iniciativa muito bacana. Se quiser saber mais sobre esta DO leia este post.

Vamos então ao que achei do Legno Chardonnay:

Visual: A garrafa é do estilo mais pesadona, imponente. A arte do rótulo é muito bonita. No lugar da cápula, o vinho é fechado com uma cera mais dura. É bonito e estiloso, mas confesso que dá trabalho na hora de abrir. Rs. A rolha, como é tradição na Pizzato, é de cortiça e contém o nome do vinho e a safra. Na taça a coloração é palha com reflexos dourados.

Olfato: Boa complexidade, destaque inicial para mel, um toque de amêndoa e baunilha. As notas de fruta remetem para abacaxi e pera. Um vinho de respeito já em sua análise olfativa.

Paladar: Pela análise olfativa eu esperava um vinho mais encorpado, mas ele é mais elegante, com corpo médio e boa acidez. A boca vai crescendo, com muita fruta e toques de especiarias. Um vinho elegante que, mesmo com passagem de 11 meses por madeira, está totalmente equilibrado. É também um vinho gastronômico, iria bem com carnes brancas, queijos mais suaves e até mesmo uma bela salsicha alemã que eu gosto tanto.

O que a Pizzato fala do seu vinho:

OS CHARDONNAY DO VALE DOS VINHEDOS PREZAM PELA DELICADEZA, FRANQUEZA E NITIDEZ DE AROMAS E SABORES. A PASSAGEM POR BARRIS DE CARVALHO (FERMENTAÇÃO ALCOOÓLICA, MALOLÁTICA E AMADURECIMENTO) ESPECIAIS, E DE MANEIRA PARCIMONIOSA, ENRIQUECE O CONJUNTO SEM SOBREPORSE À EXPRESSÃO DO LOCAL DE ORIGEM; ASSIM NASCE O PIZZATO LEGNO CHARDONNAY.

OS BARRIS UTILIZADOS, DENOMINADOS PERLE BLANCHE, SÃO FEITOS COM OS MELHORES CARVALHOS E PASSAM POR UM PROCESSO DE TOSTAGEM LONGO E SUTIL (COM REGULAÇÃO POR AR E UMIDADE).

O VINHO RESULTANTE APRESENTA TODA A RIQUEZA E PREDICADOS RELACIONADOS À DELICADEZA DOS CHARDONNAY DO VALE DOS VINHEDOS, ENRIQUECIDO PELOS TRAÇOS DE AMADURECIMENTO EM BARRIS DE CARVALHO QUE RESPEITAM A ORIGEM DO VINHO.

PROPOSTA DO PRODUTO: Pureza, frescor, nitidez, franqueza, corpo e complexidade Vinhedos próprios, conduzidos em espaldeiras. Das melhores parcelas da propr. de Sta Lúcia, Vale dos Vinhedos. Lotes limitados, com numeração das garrafas. Complexidade e riqueza, mas respeitando o frescor e a origem. DOVV : Denominação de Origem Vale dos Vinhedos (2011-atual).

NOTAS DE DEGUSTAÇÃO: Límpido e brilhante, de coloração amarelo palha dourado. No olfato apresenta aromas intensos de frutas tropicais maduras, abacaxi, manteiga, baunilha, especiarias doces e mel. Na boca, coplexo, equilibrado, com bom frescor, elegante e de boa persistência.

HARMONIZAÇÃO COM PRATOS: Carnes brancas, pescados, mariscos, queijos curados suaves, saladas e vegetais temperados.

SERVIÇO: Para melhor apreciar os pontos fortes deste vinho, sugere-se que a temperatura da bebida esteja entre 9 e 12 ºC.

DADOS DA COLHEITA: 2.800 garrafas de 750 ml, numeradas. Dados Técnicos Álcool (% vol.) : 13 Açúcar residual (g/l) : 1,8 Acidez total (g/l ác.tartárico): 5,7 pH: 3,4 Tempo de barril (meses): 11 meses, 1º, 2º e 3º usos

VINHEDO: Nome: Santa Lúcia, Vale dos Vinhedos Região: Vale dos Vinhedos, Denominação de Origem Localização: 29°10’17.91”S, 51°36’05.59”O, 495 m.a.n.m Arquitetura: Espaldeiras com orientação norte-sul. Guyot Solo: De origem basáltica, franco, com pedregulhos e argiloso Colheita: Totalmente manual, em Janeiro de 2013

ELABORAÇÃO: Desengace, moagem e prensagem em prensa pneumática com leve maceração. Fermentação em barris de carvalho Perle Blanche em baixas temperaturas, com adição de leveduras selecionadas. Fermentação malolática e amadurecimento sobre as borras finas em barris até o engarrafamento.

Não existem análises da Wine Advocate para este vinho. Um dia nossos vinhos chegam até lá! 

É mais um vinho de respeito sendo produzido em nosso país! Pena que sua produção seja tão reduzida, apenas 2.800 garrafas. A que degustei foi a 0985.

Normalmente não sabemos do tema do mês seguinte quando realizamos o post da CBE. Como estou MUITO atrasado, já fiquei sabendo que o tema será Chianti! Vamos entrar nesta viagem para Itália??

In Vino Veritas!


Gustavo Kauffman (GK)

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Cavalleri Pecato Merlot 2005 - Para homenagear Zumbi dos Palmares!!!

Abri este vinho inspirado pelo amigo Gil do blog Vinho Para Todos. Ele abriu um vinho da Miolo, o RAR, também da Safra de 2005, veja o post aqui. Por aqui também temos algumas garrafas deste ano fora de série para a produção de vinhos no Brasil.

Decidi então abrir esta para curtir o feriado em plena quinta-feira para celebrar Zumbi dos Palmares! Viva Zumbi, o grito forte de Palmares, que correu terras, céus e mares, influenciando a abolição! Sim, é um dia para ser comemorado por todos os Brasileiros!

Voltando a falar de nosso vinho, a Adega Cavalleri fica no Vale dos Vinhedos em Bento Gonçalves. Quando os primeiros Cavalleri chegaram à região de Bento Gonçalves, no final do século XIX, não imaginavam que sua paixão por vinhos tornaria o sobrenome tão conhecido entre os amantes da bebida. O talento para a vitivinicultura foi transmitido de pai para filho, culminando no surgimento de uma vinícola especializada na arte de elaborar bons vinhos e espumantes.

Com produção reduzida e de alta qualidade, a Adega Cavalleri é uma empresa familiar instalada no coração do Vale dos Vinhedos. Desde sua fundação, em 1987, os membros da família coordenam pessoalmente todos os processos da elaboração, desde o manejo dos vinhedos à rotulagem manual das garrafas. O mix reduzido de produtos colabora para que os vinhos atinjam excelência, destacando-se pela personalidade marcante.

Vamos então ao que eu achei do nosso Merlot:

Visual: O rótulo ainda estava novo. Para ser sincero não lembro quando adquiri esta garrafa, mas o vinho aparenta ter sido rotulado mais recentemente. A rolha, de cortiça e personalizada, estava perfeita! Na taça começam as surpresas. Na coloração até é possível identificar sinais de evolução, mas de forma ainda bastante sutil, sutil mesmo! O vinho nesta faixa de preço, com 9 anos de idade, normalmente apresentaria sinais de evolução evidentes já em sua cor. Coloração rubi ainda com muito violáceo. Lágrimas gordas, rápidas e tingindo levemente a taça.

Olfato: Totalmente vivo e mostrando seus aromas com exuberância. Muita fruta vermelha, framboesa, amora e morango em compota. Toques florais. Um pouco de mineralidade. No nariz traz a tipicidade do Vale dos Vinhedos. O álcool está um pouco acima do que deveria. Mesmo sendo de 2005, deixar respirar por 30 minutos é uma excelente pedida. Fechando a análise olfativa, o vinho traz também notas de baunilha e especiarias, oriundas de passagem por madeira. Como a ficha técnica desta safra não está disponível no site, não posso precisar em qual madeira e por quanto tempo, mas com certeza possui passagem por carvalho. Enquanto escrevia este post, recebi a ficha técnica da vinícola e realmente o vinho passa por madeira, veja mais abaixo. No nariz o vinho ainda está novo!

Paladar: Mais austero do que no nariz, acidez correta, taninos presentes, vivos e finos. Aqui mostra também algum sinal de evolução no retrogosto com frutas secas. Corpo médio. Final persistente. Sem sombra de dúvida um vinho gastronômico e que facilmente chegaria aos seus 10 anos de vida totalmente inteiro!

O que a vinícola fala do seu vinho:

Vinho encorpado, elaborado com uvas supermaturadas, de cor vermelho rubi intenso com traços violáceos, aromas de amora, framboesa, especiarias e baunilha; retrogosto persistente. Seu amadurecimento foi feito em uma mescla de barricas francesas e americanas. Envelhecimento de 08 meses nas caves.

O vinho não é mega complexo, mas é um vinho de qualidade, com estrutura, gastronômico e longevo. Este tipo de experiência é sempre muito prazerosa. Tentei, mas não consegui, encontrar este vinho a venda. No site da Vinícola existe um Merlot comemorativo aos 25 anos da mesma, mas da Safra de 2010. Este é vendido a R$180,00 (caixa com 6 garrafas). A Safra de 2005 foi superior a de 2010, mas fiquei curioso para provar este vinho mais novo pois já deve estar pronto ou quase pronto para ser consumido. As garrafas são numeradas. A que abri foi a 03136.

In Vino Veritas!


Gustavo Kauffman (GK)

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Fruto Noble Crianza 2006

Hoje vamos falar de um vinho espanhol da denominação de origem de Alicante (http://www.vinosalicantedop.org/). Sim, você tem razão, não é uma DO muito conhecida assim como a região também não o é. Não são todos os vinhos de Alicante que pertencem a DO, somente as garrafas que possuem o logotipo da DO e possuem uma numeração exclusiva para a mesma é que são garantidos.

O site da DO diz que as uvas tintas amparadas são: Monastrell, Garnacha Tintorera o Alicante Bouschet, Garnacha tinta ( o Gironet), Bobal, Cabernet Sauvignon, Merlot, Pinot Noir, Petit Verdot, Syrah, Tempranillo. Citei isto pq, como veremos mais adiante, nosso vinho também leva a Cabarnet Franc em seu corte. Fui então ler o que está no regulamento da DO e descobri que é permitido a utilização de outras variedades desde que aprovadas pelo Conselho Regulador que, para tal, deverá verificar a qualidade do mosto. Curiosamente não existem regras como, por exemplo: Rendimento máximo por hectare, tempo de permanência em barrica, etc.

Outro fato curioso, já falado por aqui anteriormente, é em relação aos nomes dos vinhos espanhóis. Lá, para ser chamado de Crianza, um tinto precisa passar por um período mínimo de 24 meses antes de ser comercializado, sendo no mínimo 12 meses em barrica. O Fruto Noble passou 12 meses em barricas e 18 na garrafa antes de ser comercializado. Para confirmar que ele passou por este processo, a denominação é regulada pela ordem pública, através de autoridades legislativas que prezam a saúde pública e regulamentação econômica – inclusive do vinho. 

A Bodega também não é muito famosa por aqui. Além de vinhos, produz também azeites.

Vamos então ao que achei deste vinho:

Visual: O rótulo é bonito, mas se torna mais interessante pela foto da bodega em sua parte superior. A rolha é de cortiça, safrada e personalizada para a bodega. Na taça mostra ainda certo brilho, mas já apresenta cor alaranjada em seu halo demonstrando evolução. Cor escura e intensa. Lágrimas múltiplas e lentas.

Olfato: No nariz também são evidentes os sinais de evolução, mas percebe-se também que o vinho está inteiraço. Frutas vermelhas secas. Uvas passificadas, couro e especiarias (pimenta e noz moscada). O elevado álcool (14.5) não é perceptível. Sedutor!

Paladar: Corpo médio e vai abrindo na boca, trazendo refrescância e imediatamente pedindo um segundo gole. Acidez moderada. Taninos presentes, secantes, mas bem integrados ao conjunto. O final é longo e o retrogosto remete as frutas secas.

O que a Bodega Francisco Gomez diz sobre o seu vinho:

CRIANZA: 12 meses en barrica de roble francés y 18 meses en botella

VARIEDADES: Cabernet Franc, Monastrell y Syrah

CATA: Vino tinto. De intenso color rojo cereza brillante y limpio. En nariz nos recuerda a fruta roja madura y especies. En boca es de paso elegante, con una leve acidez de entrada pero sabroso, redondo y con un tanino amable muy pulido hasta su complejo y elegante final, pleno de matices.    

SERVICIO: Alrededor de 16º


Não existem críticas da Wine Advocate sobre este vinho.

Sempre que posso procuro dar dicas sobre como ter novas experiências prazerosas no mundo do vinho. Este rótulo é um bom exemplo. Comprei na Vinhos do Mundo em Porto Alegre por um excelente preço. Uma jóia. No mercado, sem promoção, custa na faixa dos R$70,00 que são muito bem pagos. O vinho é bem distinto, fora do padrão e delicioso. Isto sem falar que está em seu apogeu, com sinais de evolução, o que não é fácil de encontrar nesta faixa de preço.

Fica a sugestão: Se encontrar ele por aí não deixe de provar e depois me conta o que achou.

In Vino Veritas!
Gustavo Kauffman (GK)

domingo, 16 de novembro de 2014

Obra Prima Gran Reserva Familiar Maximus 2008

Sim, sou um fã dos vinhos de nossos Hermanos. A Argentina vem conseguindo fazer grandes vinhos, cada vez mais elegantes, delicados, sem perder sua tipicidade. Este vinho que, desculpem o trocadilho, é realmente uma Obra Prima, é um exemplo vivo disto.

O vinho é produzido pela Familia Cassone, bodega não muito conhecida aqui no Brasil. É recente, foi criada em 1998 por Eduardo Cassone, sua esposa Florencia Ferreira Funes e seus 3 filhos. A bodega fica em Mendoza, mais precisamente em Luján de Cuyo, rodeada pela cordilheira dos andes, a 18 Km ao sul de Mendoza. A região de Luján de Cuyo, como muitos já sabem, é considerada a principal região vitivinícola da Argentina, com um clima, altitude e amplitude térmica muito propícios para a produção da uva.

O Maximus é o vinho ícone da linha “Obra Prima” da Familia Cassone. Nesta linha eles possuem ainda o Rosado, um CS e um Malbec e o Coleccion, este último um vinho também muito bem produzido, mas com maior presença da Malbec (80%) e partes iguais de CS e Merlot. Já o Maximus traz também a Malbec como uva principal, só que com 66%. O assemblage é completado também com partes iguais de outras duas uvas, mas aqui a Syrah e a Cabernet Franc.

Vamos então ao que eu achei deste vinho:

Visual: A garrafa faz o estilo “pesadona”, muito comum no novo mundo. Rótulo bonito, elegante e austero, pena que o da garrafa que degustamos acabou sendo rasgado dentro da adega de um amigo. Na taça, mesmo com 6 anos de vida, não mostrou sinais de evolução. Continua brilhoso, uma mistura de rubi com muito violáceo.

Olfato: Elegância é a palavra chave! Complexo, mas muito, muito elegante, o que surpreende. Confesso que eu esperava um vinho mais direto, mais “porrada”, mas fui surpreendido positivamente. No nariz já despertou também ser um vinho gastronômico. Predominância para frutas vermelhas como framboesa e amora. A madeira, francesa de primeiro uso, aonde o vinho calmamente amadurece por 18 meses, está muito bem integrada. No nariz traz também especiarias (noz moscada e pimenta) e um toque de mentolado.

Paladar: Ataque inicial também elegante e mostrando um corpo médio. Preenche bem a boca, trazendo boa acidez, taninos também muito elegantes e um final longo. O vinho está redondo, pronto para ser bebido. É claro que com certeza sobrevive mais alguns anos, mas não acredito que vá melhorar. É um vinho surpreendente que você precisa experimentar!

O que a Familia Cassone fala sobre seu vinho:

Variedad: 66% Malbec, 17% Cabernet Franc, 17% Syrah.

Viñedos: Luján de Cuyo, Mendoza, Argentina.

Cosecha: Manual en cajas plásticas de 18 kgs.

Elaboración: Tradicional con maceración fría en tanque de acero inoxidable.

Crianza: 18 meses en barricas nuevas de roble francés.

Alcohol: 14%.

Temperatura a servir: 18º C

Enologo: Mauricio Lorca / Federico Cassone

Notas de Cata: Obra Prima Maximus es nuestra mayor obra, nuestro más alto vino. Creado sobre la base de un corte de Malbec, Cabernet Franc y Syrah y habiendo sido añejado en barricas nuevas por 18 meses, dio como resultado este vino de muy buen cuerpo y estructura redonda. Presenta un color rojo rubí con suaves tonalidades violáceas; de aromas frutados a moras, grosellas y menta y final aterciopelado con dejos de eucaliptos y pimienta, con muy fino aporte de complejidad aportada por el roble.

O que a Wine Advocate, de Robert Parker, fala sobre o vinho:

Pontos: 90

Degustador: Jay S Miller

Maturidade: Beber até 2013

Review:

The 2008 Obra Prima Maximus is a blend of 66% Malbec, 17% Cabernet Franc, and 17% Syrah also aged in new French oak for 18 months. Its personality resembles the Malbec Collecion both aromatically and on the palate, but the wine is a bit leaner, without as much complexity. Nevertheless, this flavorful effort is an outstanding wine that will benefit from another 2-3 years of cellaring. 


Se você ainda acredita que a Argentina não produz vinhos elegantes, acredita que a Malbec em nossos vizinhos só produz vinhos pesados, você precisa provar este vinho. Realmente muito bem produzido. Um vinho caro por aqui, mas que com certeza fará sucesso.

In Vino Veritas!


Gustavo Kauffman (GK)

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Ricominciare Cabernet Franc / Cabernet Sauvignon 2006

Que bom poder voltar a escrever minhas mal traçadas linhas. É realmente um prazer imenso parar um pouco, degustar um belo vinho, escrever minhas impressões sobre ele e ainda poder compartilhar com todos! Tenho trabalhado intensamente, o que é muito bom, mas isto acabou me distanciando um pouco do Enoleigos. É claro que o excesso de trabalho não me afastou do vinho, muito pelo contrário, continuo um eterno apaixonado por esta bebida divina. Quando não escrevo, falo um pouco de minhas impressões no Instagram do ENOLEIGOS.

Hoje vou falar um pouco deste vinho que há tempos me encanta. Ainda tenho algumas garrafas dele em casa, e acompanho a evolução deste vinho na faixa dos R$100,00 que faz frente a muitos vinhos com custo superior. Não falei dele ainda no Blog, somente no Instagram.

Este vinho é produzido pela Bodega de mesmo nome, a Ricominciare, fundada por Jorge Catena irmão mais novo de Nicolás Catena e bisneto de Nicola Catena. Olha, já perdi a conta de quantas vinícolas oriundas da Catena existem na Argentina. Curiosamente todas não usam só o nome mas também produzem belos vinhos, como é o caso deste blend de Cabernet Franc com Cabernet Sauvignon.

A Ricominciare elegeu o Vale do Uco para o cultivo de seus vinhedos, destacando suas virtudes, como altitude, amplitude térmica, composição do solo e pureza de suas águas que contribuem para a personalidade do vinho. Em La Consulta, no Vale do Uco, se encontra a Finca San Vicente, que dá origem aos seus vinhos. 

Me interessei por este vinho pela Cabernet Franc, que contribui com 60% deste caldo. Ocupa aproximadamente 157 000 hectares de plantação no mundo todo, dentre os quais 211,13 ficam na França. O cabernet franc é mais leve que o cabernet sauvignon, possui taninos honestos ou sinceros conferindo firmeza e um corpo violão ao vinho, cor profunda e aromas de frutas tropicais e especiarias. É bastante utilizada para complementar outras uvas em cortes com cabernet sauvignon, tempranillosangiovese e ugni blanc. É uma das seis uvas permitidas nos cortes de Bordeaux, ao lado de cabernet sauvignonmerlot, malbeccarmenère e petit verdot. Também é relevante seu cultivo em regiões de clima tropical, como a Tanzânia e a Indonésia. Existem pequenas áreas de cultivo em países de menor importância enológica, como Paquistão e Turquia e, claro, na Argentina daonde saiu nosso vinho.

Vamos então ao que eu achei deste vinho:

Visual: Bonito rótulo, com uma sutil marca d´água. Daqueles que é bonito e, ao mesmo tempo, simples. A rolha cita a safra porém não traz nenhum dado da Bodega. Por ser um vinho já com 8 anos de vida, já apresenta reflexos em sua coloração que mostra nitidamente seu halo mais com cor de tijolo e com menos brilho. Um vinho não tão denso, deixando passar raios luminosos. Lágrimas finas, lentas e tingindo levemente a taça.

Olfato: Um vinho complexo e ainda muito vivo e expressivo. Percebe-se também leve evolução no nariz. Figo, ameixa seca, uva passa, nítidas notas de especiarias como pimenta, um sutil toque de tabaco e, ao fundo, uma mistura de balsâmico com mentolado. Logo após ser aberto mostrou um pouco de álcool em excesso, que com pouco tempo em taça desaparece. No nariz mostra estar inteiraço.

Paladar:  Um vinho com bom corpo, ataque inicial potente, excelente acidez, taninos ainda bastante presentes, mas já maduros. Sua potência se prolonga, se mostrando um vinho gastronômico e seguramente com ainda 2 a 3 anos de vida pela frente. O retrogosto traz especiarias e novamente o cacau.

O que a vinícola fala do seu vinho:

Origem dos Vinhedos: Propriedade San Vicente, La Consulta, Vale do Uco, Mendoza

Altitude: 900 mts.

Rendimento por hectare: Cabernet Franc 9.000 kg/ha; Cabernet Sauvignon 8.000 kg/há

Vindima: Manual, em caixas de 18 kg. Cabernet Franc (60%) 7 de abril de 2006. Cabernet Sauvignon (40%) 12 de abril de 2006. Cabernet Franc 7 de abril de 2006. Cabernet Sauvignon 12 de abril de 2006.

Fermentação Alcoólica: 26 dias em tanques de aço inoxidável a 28º C Maceração pré-fermentativa durante 72h a 12º C favorecendo a extração de precursores aromáticos.

Fermentação Maloláctica: 100%. Este vinho foi gentilmente filtrado preservando seu notável caráter e personalidade.

Álcool: 14º 

Acidez total: 5,13

Envasado: na vinícola em 21 de outubro de 2007.

Produção: 7.140 garrafas

Para poder apreciar plenamente as características deste vinho, recomendamos servi-lo a 16º C.  Buscamos vinhos com história e tradição.

O que a Wine Advocate, de Robert Parker, fala sobre o vinho:

Pontos: 88

Degustador: Jay S Miller

Maturidade: 2009 - 2015

Review:

The 2006 Cabernet Franc & Cabernet Sauvignon is a bit lighter in color, less dense on the palate, but a bit more elegant. It offers up attractive spice box and black fruit aromas and flavors, plenty of juicy fruit, good balance, and a fruit-filled finish. It, too, can be enjoyed over the next 6 years. 


É isto aí meus amigos. Um vinhaço que continua me encantando. Me restam 3 garrafas por aqui, daqui há 12 meses abro outra. Quem tiver pode abrir sem susto, o vinho está pronto, em seu apogeu e realmente delicioso. Sugestão é deixar respirar por 30 minutos. O meu permaneceu por este período na taça enquanto eu escrevia o post e abriu bastante.

Volto em breve!!

In Vino Veritas!


Gustavo Kauffman (GK)

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

O Vinho e nossos Momentos Inesquecíveis – Chesini Gran Vin CS 2005 – O tema da #CBE deste mês




Amigos e amigas, é com muito prazer que volto a escrever minhas “mal traçadas linhas” neste momento mensal sempre cheio de belíssimos posts dos confrades blogueiros que participam da CBE (Confraria Brasileira dos Enoblogs).

Neste mês eu tive o privilégio de escolher o tema. Parece que foi ontem que comecei a participar da CBE e esta já é a terceira vez que escolho o tema, o tempo voa! Como andei saboreando alguns vinhos de sobremesa alemães simplesmente divinos, pensei inicialmente em falar sobre vinhos “Botritizados”, mas, como bem disse meu amigo Alexandre Frias, não é um tema do gosto de todos! Resolvi então inovar e trazer aspectos de nossas vidas pessoais para o tema deste mês, vejam minha escolha:

"Neste mês eu gostaria de diversificar e trazer a tona variáveis tão ou mais importantes que o vinho em si! Falemos de nossa lembrança, pessoas, lugares e momentos. O tema deste mês é falar de um vinho que tenha marcado muito você! Férias inesquecíveis, o nascimento de um filho, bodas, casamento, não importa, descreva, degustando novamente ou não, suas percepções sobre o vinho degustado neste momento tão especial!"

Aproveito e dou uma sugestão a todos que estão lendo meu post. Lembra daquele vinho delicioso que você tomou naquela viagem a França ou Espanha ou Buenos Aires? Não interessa o país! Pegue este mesmo vinho e abra a mesma garrafa, da mesma safra, num dia comum, sem toda a magia do momento que envolvia sua viagem. É claro que tecnicamente o vinho é o mesmo! Mas nada, acredite, nada irá reproduzir a magia de um momento e foi exatamente isto que eu quis trazer a tona com o tema deste mês.

Minha escolha? Bom, meu momento especial na verdade foi o meu primeiro grande encontro com o Vinho Brasileiro. Em 2011 tive a oportunidade de participar do Projeto Imagem, realizado pelo IBRAVIN, e fui conhecer diversas vinícolas nas Serras Gaúchas. Vocês poderão ler diversos posts e relatos meus desta e de outras viagens que fiz para lá depois. Confesso que ainda tinha certo pré conceito e me faltava ainda muito a conhecer sobre o vinho produzido em nosso país.

Em um dos dias da visita o tema era Espumante e Garibaldi. Neste dia tive o prazer de conhecer pessoalmente o sensacional Adolfo Lona, e conhecer também a CPEG, Cooperativa dos Produtores de Espumante de Garibaldi. Mas o que Garibaldi e os Espumantes tem em relação com o vinho que escolhi? Foi no dia que conheci o Ricardo Chesini, participante do CPEG, mas que tinha realizado um sonho de produzir um vinho premium. A proposta da Chesini era chegar a um verdadeiro exemplar dos melhores vinhos do mundo. Para tal, foram empregados investimentos na adaptação e manuseio do vinhedo, irrigação controlada e colheita cautelosa. Depois de lapidado na vinícola, foram engarrafadas 2.770 garrafas numeradas deste vinho, importadas da França especialmente para o Gran Vin. Ao design, que emoldura com altivez a bebida, se junta o rótulo desenvolvido com exclusividade, que lhe confere visual único. Trata-se, inclusive, de material premiado pela indústria gráfica. São esses valores agregados que, em conjunto, fazem do Chesini Gran Vin sucesso de crítica.

Sim, eu já falei dese vinho aqui, mas para mim esta viagem e, como marco da mesma, o Chesini Gran Vin, foram um marco e tanto no meu encontro com o Vinho Brasileiro. Meu post inicial sobre o Gran Vin foi em Maio de 2011, pouco mais de 1 ano atrás. Irei acompanhar este vinho pelo menos pelos próximos 10 anos e, claro, compartilhar com todos vocês a evolução deste grande vinho Brasileiro!

E como será que foi meu encontro com o Chesini Gran Vin desta vez? Leia abaixo!!

Visual: Mesmo com seus 7 aninhos de vida o vinho continua sem sinais evidentes de envelhecimento em sua cor. Ainda vivo e brilhante. Analisando o halo conseguimos perceber sinais sutis de sua idade. Lágrimas finas, de velocidade mediana e tingindo a taça.

Olfato: Desta vez não decantei o vinho como já fiz em experiências anteriores. Ainda fechado o que, em conjunto com seu visual, mostram que este vinho ainda vai longe. Vale uma nota. Há uns 6 ou 7 meses atrás eu abri uma garrafa deste vinho e deixei ele decantando por quase 4 horas e, ao final da experiência, o vinho estava sensacional. A complexidade no olfato mais uma vez me surpreende, principalmente se considerarmos a faixa de preço deste vinho. Frutas negras e vermelhas mas com as negras mais em evidência. Com tempo em taça foi abrindo outras camadas. Compotas, especiarias, um toque de tabaco tudo isto harmonizando com a madeira muito bem integrada.

Paladar: Minha primeira atenção foi em relação aos taninos e a acidez que continuam bastante presentes me dando agora a certeza que este vinho evoluirá muito bem pelo menos nos próximos 5 anosl Corpo médio, remetendo mais a um vinho do velho mundo do que aos nossos queridos argentinos e chilenos. Os aromas que senti no nariz se mostram na boca também em camadas e com um final que, mais um vez, me surpreendeu por sua persistência.

Vinhaço! Realmente um vinhaço que me agrada pacas.

In Vino Veritas!

Gustavo Kauffman
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