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quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Ciclos Icono 2010

Hoje falaremos novamente de outro vinho de nossos Hermanos. Este da região de Calchaquies, em Cafayate, Salta, mais ao norte da Argentina. Esta região ganhou sua notoriedade com a produção de excelentes vinhos brancos com a uva Torrontés, mas vem ganhando muito espaço também com excelentes vinhos tintos.

Salta é também um dos Estados argentinos com maior tradição vitivinícola: lá a videira foi introduzida pelos Jesuítas no século XVIII e várias das bodegas datam de princípios do século XIX. Na terra de todas as paisagens, popularmente conhecida como “a linda”, a região vitivinícola localiza-se nas alturas, em um lugar de enorme riqueza natural, histórica e cultural: os Vales Calchaquíes, local da origem das uvas do vinho de hoje. Lá, os vinhedos se estendem por mais de 3.200 hectares entre os departamentos de Cafayate, San Carlos, Angastaco, Molinos e Cachi. Em Cafayate é possível encontrar os mais grossos e antigos troncos arbóreos de videiras, e em Colomé e Payogasta vinhedos jovens imersos em uma paisagem montanhosa de grande altitude.

Além da Torrontés, hoje se destacam também as tintas como Cabernet Sauvignon, Malbec, Tannat, Bonarda, Syrah, Barbera e Tempranillo.

É uma região que vem se especializando, a cada dia, para receber o enoturismo. Com uma oferta de alojamento e gastronomia regional de alta qualidade, permitindo desfrutar do enoturismo em um entorno perfeito!

Nosso vinho é produzido pela Bodega El Esteco, que teve os irmãos David e Salvador Michel, de origem francesa, como fundadores. Em 1892, eles plantaram as primeiras vinhas e construíram a vinícola, que produz vinhos premium, sem participar nos segmentos de vinhos de entrada, lojas de vinho e varejistas de alto nível. Também cultivam uvas orgânicas que são elaboradas na El Transito e, recentemente, lançou a linha CUMA, somente de variedades orgânicas. Dentro da vinícola o Hotel & Spa Patios de Cafayate oferece 32 suítes para quem quer se esbaldar de vinho e sossego.

A garrafa que degustei foi adquirida no Duty Free de Buenos Aires, não me recordo bem o preço, mas foi barato. Aqui no Brasil custa na faixa dos R$80,00.

Vamos então ao que achei do Ciclos Icono:

Visual: A garrafa, como podemos ver nas imagens, é bonita, sem ser do estilo pesadona, e a lua e a estrela em alto relevo chamam a atenção. O Sol procura remeter a região de Salta, super ensolarada, e com excelente amplitude térmica. Na taça o vinho estava jovem, com coloração repleta de reflexos violáceos, escuro e sem deixar transparecer luminosidade.

Olfato: Sedutor, um vinho realmente sedutor e atraente. Harmônico, com destaques para frutas negras (cerejas escuras, toques de cassis), notas de especiarias como pimenta, completando com toques herbáceos e florais. Um vinho complexo e que, pelo nariz, mostra seu potencial para envelhecer. Madeira muito bem integrada ao conjunto.

Paladar: Muito legal ver como que a Malbec, mesmo em um assemblage com a Merlot, possui características distintas ao compararmos a região de Salta com a região de Mendoza. Um vinho elegante, de corpo médio, taninos já bem suaves e arredondados, acidez correta com final refinado e volumoso. Muita fruta em boca. Um vinho muito gostoso.

O que a vinícola fala do seu vinho:

VARIEDAD: 50% Malbec ; 50% Merlot

ORIGEN: Valles Calchaquíes, Argentina

TERRUÑO: Suelos pobres y pedregosos de alta montaña andina, gran amplitud térmica entre el día (cálido) y la noche (fresca). Alta exposición solar con 300 días al año. Clima seco y ventoso con 120mm de lluvia al año y un promedio de 15° C de humedad.

COSECHA: Malbec - última semana de marzo; Merlot - segunda semana de marzo.

DATOS ANALÍTICOS: Alcohol: 14 % Azúcares reductores: 2,94 grs / lt. Acidez Total: 5,95 grs. /lt. PH: 3.60

ELABORACIÓN: Los vinos Ciclos Varietales están orientados a tener una alta fineza y gran complejidad. Este objetivo se prepara desde los viñedos buscando uvas de gran concentración, granos pequeños, plantas equilibradas. La elección del día de cosecha es analizada cuidadosamente y una vez logrado su punto óptimo de madurez, cuidando todos los detalles se recolectan los frutos y comienzan los procesos de elaboración. Utilización de frío desde la llegada de la uva a la Bodega, (intercambiador de vendimia). Fermentaciones pre-fermentativas a 5ºC – Trabajos suaves durante la fermentación alcohólica - utilización de levaduras seleccionadas – temperaturas de fermentación entre 24ºC y 26ºC El 80% del vino es descubado a barricas nuevas y de segundo uso de roble Francés y Americano, donde realiza la fermentación maloláctica, finalizada esta y luego de un trasiego, retorna a las mismas barricas donde reposará y madurará durante 15 meses. El 20% restante se conserva en tanques de acero inoxidable.

Notas de Cata:

Rojo rubí, con tonos violáceos, profundo y fondo negro. Con muy buena intensidade

Aromas intensos y complejos. Se destaca la presencia de aromas a confituras de ciruelas y
leves notas especiadas y cassis. Aparecen la vainilla y el chocolate otorgados por su crianza en barricas de roble. Este aporte es fundamental para acomplejar los finos aromas que se logran durante la maduración del vino en botella. 

Los sabores son muy placenteros. Resaltan los sabores frutados de la uva Malbec conjugados con los especiados del Merlot, pasas de uvas, licor de chocolate. Entrada suave con taninos redondos y aterciopelados. Equilibrado, con una sensación final larga, agradable y untuosa.

O que a Wine Advocate, de Robert Parker, fala sobre este vinho:

Curiosamente a safra de 2010 não foi analisada. Destaco então as notas notas obtidas por este vinno. As safras de 2006 a 2008 foram analisadas por Jay Miller, a de 2009 por Neal Martin e a de 2011 por Luis Guitierrez.




Mais um vinho muito gostoso que, por sua faixa de preço, se mostrou até mesmo um belo Custo x Benefício.  O Altimvs, vinho top da vinícola, é excepcional e também recomendo. Não consegui escrever sobre ele ainda, mas com certeza estará entre os próximos posts.

In Vino Veritas!


Gustavo Kauffman (GK)

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Peruzzo Cabernet Franc 2012

Nunca ouviu falar? Pois é, eu também não conhecia, e olha que conheço muitas pequenas vinícolas de nosso amado país. Conheci este vinho por acaso e, creia, não foi em degustações, feiras ou algo do gênero. Estava trabalhando em uma cidade próxima de Porto Alegre e, por este motivo, viajava para lá todas as semanas. Moro em Jundiaí e meu vôo era por Campinas. A companhia pela qual eu voava utiliza o terminal 2 de Porto Alegre, ou antigo aeroporto para alguns. Neste antigo aeroporto conheci uma pequena loja de vinhos que me encantou. A loja é especializada em Vinhos Brasileiros e também vende alguns produtos da região como Cachaças, Cervejas e Embutidos. O mais incrível é que eles não praticam “preços de aeroporto”!! Possue preços competitivos com as lojas de Porto Alegre e até mesmo em relação ao preço de varejo de algumas vinícolas da região! Se for passar por lá não deixe de visitar e procure pelo Nereu, o dono da loja, mega simpático e conhece muito de vinho Brasuca!

O Peruzzo CF foi indicação do Nereu para um dia em que meu vôo atrasou 3 horas... Eu não tinha jantado, pedi uma massa e fui conversar com o Nereu. Vi que era de uma vinícola na campanha (Bagé) e que o enólogo era ninguém mais, ninguém menos, que o Mestre Adolfo Lona pai, por exemplo, do Espumante Orus (http://www.enoleigos.com.br/2012/01/adolfo-lona-orus-pas-dose-rose-cbe.html) que me deixou de queixo caído. Pra completar o vinhos custava, no aeroporto, 35 reais a garrafa inteira. Não tive saída, até pq gosto muito da Cabernet Franc. O que seguiu depois foi minha surpresa por este vinho de excelente custo x benefício!

A Vinícola Peruzzo é muito recente. As primeiras videiras foram plantadas em 2003, provenientes de mudas importadas de renomados viveiristas da França, Itália e Portugal. A vinícola foi inaugurada em 2008 em um processo de elaboração que incorpora modernas tecnologias. Sua cave localizada no subsolo da cantina, garante que os espumantes e vinhos amadureçam sob temperaturas constantes próximas dos 18 a 20ºC.

Seu projeto teve início no mesmo ano de  2003, com a implantação dos vinhedos em 16 hectares da propriedade localizada em Bagé/RS. Partindo do princípio que a maior parte do sucesso de um grande vinho pode ser atribuídos a qualidade e diferenciação da uva produzida, temos um cuidado muito rigoroso para garantir uvas com maturação adequada, boa sanidade e segurança alimentar. Na contramão da lógica da agricultura que quanto maior a produtividade melhor o resultado final, no caso dos vinhos Peruzzo a redução da produtividade, limitando a 2,5Kg. por planta é extremamente positiva e reflete na excelência de qualidade dos vinhos e espumantes elaborados.

Os vinhedos são conduzidos no sistema de espaldeira, o que aumenta a exposição solar, melhora a aeração no vinhedo e reduz a produtividade por planta. As técnicas de poda, desbrote, desfolhe e colheita são feitas de forma manual garantindo assim maior cuidado e eficácia no processo. Preocupado em garantir uvas e consequentemente vinhos sem resíduos de agrotóxicos e contaminantes biológicos a Vinicola Peruzzo implantou as Boas Práticas Agrícolas nos vinhedos e instalações para assim controlar e reduzir todos os riscos envolvidos. 
É minha gente! Vinhos de excelente qualidade sendo produzidos em pouquíssimo tempo!!!

Vamos então ao que achei deste belo vinho:

Visual: Rótulo austero e bonito o que, diga-se de passagem, falta a muita vinícola Brasileira. Precisamos ter mais cuidado com a apresentação de nossos vinhos! Rolha de cortiça personalizada para a bodega. No exame visual, violáceo intenso, com brilho, bem vivo, escuro porém deixando transpassar um pouco de luminosidade. Lágrimas médias, lentas e sem tingir a taça.

Olfato: Jovem, fresco e muito frutado, mostrando frutas vermelhas e frutas secas como tamarindo e figo. Ao fundo um sutil toque mais apimentado. É um vinho mais descontraído, mas que também traz uma pequena dose de complexidade o que instiga e pede para ser bebido logo!

Paladar: Na boca o primeiro ataque também remete a um vinho fresco, frutado, com um pouco menos de complexidade do que no nariz. Corpo médio, acidez excelente, taninos presentes mas muito sutis e delicados e um final que me surpreendeu. Vinhos nesta faixa de preço costumam ser mais ligeiros, e aqui o final foi de médio para longo. No palato o destaque vai todos para as frutas com uma pitada mais “picante” no retrogosto.

O que a vinícola fala do seu Cabernet Franc:

Descrição: A vinícola Peruzzo se propôs a recuperar a variedade Cabernet Franc, introduzida no Brasil nos anos 70 e posteriormente abandonada, acreditando em toda sua capacidade de adaptação ao terroir da Campanha Gaúcha e sua potencialidade para elaborar vinhos tintos frescos, ligeiros, amáveis e envolventes. E essas características constituem o maior atributo deste vinho Cabernet Franc Peruzzo, saboroso e fácil de beber. A cor é vermelha rubi de boa intensidade, brilhante, seus aromas são refinados, intensos, lembram frutas frescas e o sabor é agradável, intenso e marcante. Esse vinho não passou por processo de filtragem visando manter seus atributos, portanto, pode conter depósitos no fundo da garrafa. 

Safra: 2012.

Temperatura para servir: 16 a 18oC.

Álcool: 13,9%.

Cepas: 100% Cabernet Franc.

Envelhecimento: Não passa por envelhecimento em barricas de carvalho.
  
É o Brasil produzindo vinhos de excelente qualidade por um preço competitivo. Muito bom ver isto. Um excelente custo x benefício, o que é fundamental para o consumo regular do vinho como alimento. A cultura do vinho precisa ser disseminada em nosso país. Nada melhor do que vinhos com qualidade e excelente faixa de preço para corroborar com isto! Como sempre, e este é outro problema que enfrentamos com os vinhos Brasucas, não é fácil de ser encontrado. Esta é a notícia ruim. A boa é que o site da vinícola vende o vinho diretamente para você!

In Vino Veritas!

Gustavo Kauffman (GK)


quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Marco Luigi Brut 10 anos - #CBE


Ano novo, vida nova e, pq não, vinho idoso? Rssss. Hoje orgulhosamente volto a escrever para a CBE, a Confraria Brasileira dos Enoblogs. Já foram muitos vinhos degustados para esta confraria e nada melhor do que começar o ano com um post para a mesma. Todos os meses um Enoblogueiro é o responsável pela escolha do tema. A escolha deste mês coube a Ale Esteves Macedo do blog Dama doVinho e segue abaixo:

o próximo post para 1/1/2014 poderia ser sobre champagne, cava, Prosecco, Franciacorta, qualquer espumante para brindar o novo ano. Mas, de preferência, que esse espumante seja fotografado em algum lugar especial onde você passará o ano novo. O meu já vai ser no novo país!

Minha escolha foi de um sensacional espumante Brasileiro. Um verdadeiro Tesouro com apenas 1.500 garrafas elaboradas. A Marco Luigi é uma charmosa vinícola de Bento Gonçalves. Recomendo fortemente a visita. No post “Desvendandoas Serras Gaúchas – Marco Luigi Vinhos Finos” você conhecerá um pouco mais sobre ela.

Escolhi este espumante pq é raro encontrar um exemplar que permaneceu 10 anos, isso mesmo, 10 ANOS em contato com as leveduras. A Marco Luigi produziu um Nature (zero à 3 gramas de açúcar por litro) e o vinho que escrevo, um Brut (6,1 a 15 gramas de açúcar por litro).

Vamos então ao que achei do vinho:

Visual: A garrafa traz um certo ar de história mas, particularmente, não gostei muito do rótulo. A rolha é de cortiça e personalizada para a Marco Luigi. Ao servir na taça começamos a ser brindados por deliciosas impressões. A evolução dos quase 12 anos é claramente percebida pela sua tonalidade amarelo quase ouro. Mesmo após os 12 aninhos forma uma belíssima coroa, mantendo uma perlage muito fina, constante e por toda a taça.

Olfato: Bem expressivo e complexo. 10 anos em contato com as leveduras realmente não é para qualquer um e traz camadas e mais camadas. A primeira impressão é que tudo está muito bem integrado, frutas e a evolução devido ao contato com as leveduras se integram. Até as frutas aqui são mais complexas, destaque para damasco. Sigo identificando frutas secas como nozes, brioche, fermento e um toque de amanteigado.

Paladar: A boca repete sua complexidade, com uma diversidade de sabores, assim como no olfato. Acidez correta. Perlage também explode no palato. Estrutura e corpo bem presentes. Retrogosto de frutas secas. Final longo, sem nenhum amargor, e muito saboroso, que me remeteu até a figo. Extremamente gastronômico.

O que a Marco Luigi fala sobre o seu espumante:

Este espumante foi elaborado através do metodo Champenoise (fermentação na garrafa) com uvas Chardonnay, Pinot Noir provenientes de um vinhedo minuciosamente planejado na encosta Norte de um terreno com ótima inclinação, pedregoso e de média idade, com raízes profundas que absorvem somente os melhores nutrientes para as uvas. O espumante foi cuidadosamente guardado em contato com as leveduras por um período de 10 anos nas caves de terra da vinícola, este período de repouso resultou em um espumante de perlage extremamente fina, numerosa, persistente e de aromas inigualáveis.

Região do Vinhedo: Vale dos Vinhedos

Variedade: Chardonnay, Pinot Noir.

Colheita: A colheita é feita de forma manual. As uvas são acondicionadas em caixas de 20kg e imediatamente transportadas até a vinícola, onde é feito o desengace. A colheita foi realizada no final de janeiro, onde a uva apresentou estágio avançado de maturação e melhor concentração de açúcar.

Desengace: As uvas são desengaçadas em prensa especial onde acontece a liberação do suco sem a trituração da casca.

Decantação: Após a retirada da casca o mosto é decantado a frio.

Primeira Fermentação (vinho base): O mosto é fermentado com controle rigoroso de temperatura em tanques de aço inox por aproximadamente 50 dias.

Decantação do Vinho Base: Após a fermentação alcoólica, o vinho base é submetido a um tratamento de frio a -3ºC para a decantação completa de sais tartáricos.

Engarrafamento: Depois de decantado, o vinho base é engarrafado com uma pequena quantidade de açúcar, que irão fermentar para proporcionar a espuma e a pressão.
Fermentação na Garrafa (2ª fermentação): A fermentação foi realizada em caves subterrâneas de terra natural com a terra por 10 anos.

Remauge (pupitres): Para decantar os resíduos da fermentação, as garrafas são colocadas em pupitres na forma de pirâmide, onde são girados manualmente ¼ de volta todos os dias, por um período de aproximadamente 3 meses, para que os resíduos cheguem até o gargalo.

Degorgement: Após a decantação nos pupitres, o gargalo é congelado em máquina especial (manualmente). É retirada a tampa da garrafa e saem os resíduos decorrentes da fermentação. Imediatamente é colocado o Licor de expedição (6 gramas por litro) a rolha de cortiça natural e a gaiola. Após 6 meses de estabilização, as garrafas são liberadas.

Produção: foram elaboradas 1.500 garrafas safradas

Graduação Alcoólica: 12% vol.

Com tempo em taça o espumante mostra outras camadas. Demonstra mais presença. Não é um espumante barato mas, ao mesmo tempo, por tudo que proporciona, é um belíssimo custo x benefício! Gostaria de vê-lo degustado às cegas com alguns milésimes franceses.

Aproveito o primeiro post do ano para desejar um Excelente 2014 para todos. 

In Vino Veritas!

GK

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Salton Évidence Brut

Particularmente sou fã de espumantes em qualquer época do ano. Existem os mais leves e refrescantes, bom para comemorações e beira de piscina, os um pouco mais complexos e gastronômicos, super versáteis em suas harmonizações e até mesmo as grandes lendas, que chegam a ser verdadeiras jóias.

Quem me acompanha sabe que sou, cada vez mais, um admirador dos vinhos que já estamos produzindo no Brasil, com especial atenção aos espumantes e tintos. Neste final de ano vou escrever um pouco sobre espumantes Brasucas que eu gosto muito e, dentro do possível, que sigam uma faixa de preço acessível a todos, procurando manter um teto de R$50,00.

Para começar nada melhor do que falarmos de um espumante da Salton, uma das maiores referências nas vinícolas Brasileiras, e referência na produção de espumantes.

A história da Salton começa na Itália, em 1878, quando Antonio Domenico Salton partiu da cidade de Cison di Valmarino, na região do Vêneto, à procura de oportunidades melhores no Brasil. Ele se instalou na colônia italiana de Vila Isabel, onde fica a cidade de Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul.

A empresa foi formalmente constituída em 1910, quando os irmãos Paulo, Ângelo, João, José, Cézar, Luiz e Antônio deram cunho empresarial aos negócios do pai, o imigrante Antonio Domenico Salton, que vinificava informalmente, como a maioria dos imigrantes italiano. Os irmãos passaram a se dedicar à cultura de uvas e à elaboração de vinhos, espumantes e vermutes, com a denominação "Paulo Salton & Irmãos", no centro de Bento Gonçalves.

Um século depois, a Salton é reconhecida como uma das principais vinícolas do país. Na extensa lista de conquistas destes maios de 100 anos de história comemora o fato de ser familiar e 100% brasileira. Com a terceira geração à frente da empresa, tanto na Unidade em Bento Gonçalves quanto em São Paulo, revela em seus quadros a quarta geração Salton, que promete o mesmo empenho e dedicação com que a empresa foi comandada até agora.


 A Salton categorizou seus produtos em linhas de produto. O espumante Evidência se encontra na categoria “Adega”, aonde também estão os famosos Talento, Desejo e Virtude.

Vamos então ao que achei deste espumante:

Visual: O rótulo não me agrada muito. Tem espaço para melhorar. Garrafa bem selada, mostrando o selo da vinícola na “grade”, e rolha personalizada para a Salton, um gigante quando falamos de espumante! Na taça mostrou coloração já com tonalidades de evolução. Amarelo ouro. Perlage persistente e fina.

Olfato: No nariz também traz notas mais evoluídas. Não é uma explosão de aromas, traz tudo de forma mais sutil e integrada. Brioche, manteiga, fermento, baunilha (provenientes da madeira) e frutas brancas, que percebi mais presentes na pera e maçã. Amêndoas ao fundo.

Paladar: Ao entrar no palato a perlage explode na boca que também comprova os sinais de evolução. 20 % do mosto é fermentado em barricas francesas e, posteriormente, o vinho fica 12 meses na garrafa em contato com as leveduras. Seria bacana se a Salton o transformasse em um “Miléssime”, ou seja, um espumante safrado! Excelente acidez e corpo. Na minha opinião se mostrou mais um espumante gastronômico do que um espumante de festa, refrescante.

O que a Salton fala sobre seu vinho?

Assemblage de 70% Chardonnay e 30% Pinot Noir. Vinho proveniente de mosto flor extraído em prensas pneumáticas, e fermentado à baixa temperatura com fermentos selecionados. 20% deste mosto foi fermentado e mantido com suas leveduras em barricas de carvalho francês por um período de 6 meses.

Os vinhos foram elaborados separadamente e assim conservados. Antes da toma da espuma foi realizado o corte observando-se seu aroma, estrutura para o envelhecimento e harmonia do sabor. 

Toma de Espuma: Refermentado na garrafa (Método Champenoise) a uma temperatura de 10°C e permanência com suas leveduras (lisis) por um período de 12 meses.


Características do Salton Évidence Brut: Cor amarelo palha com reflexos dourados. Aroma de pão torrado, delicadas fragrâncias de fermentos, frutas cítricas, maçãs, flores do campo e baunilha. Sabor elegante, harmônico, cremoso, de bom corpo, aveludado com notas de mel de acácia e feno maduro.

Acompanhamentos: Como aperitivo, frutos do mar, mariscos, aves trufadas.


Definitivamente achei um espumante muito interessante para sua faixa de preço. Na loja virtual da Salton sai por R$50,00. Eu paguei R$38,00 em uma loja virtual.

Aguardem que vem mais por aí!

In Vino Veritas!

GK


quinta-feira, 2 de agosto de 2012

O Vinho e nossos Momentos Inesquecíveis – Chesini Gran Vin CS 2005 – O tema da #CBE deste mês




Amigos e amigas, é com muito prazer que volto a escrever minhas “mal traçadas linhas” neste momento mensal sempre cheio de belíssimos posts dos confrades blogueiros que participam da CBE (Confraria Brasileira dos Enoblogs).

Neste mês eu tive o privilégio de escolher o tema. Parece que foi ontem que comecei a participar da CBE e esta já é a terceira vez que escolho o tema, o tempo voa! Como andei saboreando alguns vinhos de sobremesa alemães simplesmente divinos, pensei inicialmente em falar sobre vinhos “Botritizados”, mas, como bem disse meu amigo Alexandre Frias, não é um tema do gosto de todos! Resolvi então inovar e trazer aspectos de nossas vidas pessoais para o tema deste mês, vejam minha escolha:

"Neste mês eu gostaria de diversificar e trazer a tona variáveis tão ou mais importantes que o vinho em si! Falemos de nossa lembrança, pessoas, lugares e momentos. O tema deste mês é falar de um vinho que tenha marcado muito você! Férias inesquecíveis, o nascimento de um filho, bodas, casamento, não importa, descreva, degustando novamente ou não, suas percepções sobre o vinho degustado neste momento tão especial!"

Aproveito e dou uma sugestão a todos que estão lendo meu post. Lembra daquele vinho delicioso que você tomou naquela viagem a França ou Espanha ou Buenos Aires? Não interessa o país! Pegue este mesmo vinho e abra a mesma garrafa, da mesma safra, num dia comum, sem toda a magia do momento que envolvia sua viagem. É claro que tecnicamente o vinho é o mesmo! Mas nada, acredite, nada irá reproduzir a magia de um momento e foi exatamente isto que eu quis trazer a tona com o tema deste mês.

Minha escolha? Bom, meu momento especial na verdade foi o meu primeiro grande encontro com o Vinho Brasileiro. Em 2011 tive a oportunidade de participar do Projeto Imagem, realizado pelo IBRAVIN, e fui conhecer diversas vinícolas nas Serras Gaúchas. Vocês poderão ler diversos posts e relatos meus desta e de outras viagens que fiz para lá depois. Confesso que ainda tinha certo pré conceito e me faltava ainda muito a conhecer sobre o vinho produzido em nosso país.

Em um dos dias da visita o tema era Espumante e Garibaldi. Neste dia tive o prazer de conhecer pessoalmente o sensacional Adolfo Lona, e conhecer também a CPEG, Cooperativa dos Produtores de Espumante de Garibaldi. Mas o que Garibaldi e os Espumantes tem em relação com o vinho que escolhi? Foi no dia que conheci o Ricardo Chesini, participante do CPEG, mas que tinha realizado um sonho de produzir um vinho premium. A proposta da Chesini era chegar a um verdadeiro exemplar dos melhores vinhos do mundo. Para tal, foram empregados investimentos na adaptação e manuseio do vinhedo, irrigação controlada e colheita cautelosa. Depois de lapidado na vinícola, foram engarrafadas 2.770 garrafas numeradas deste vinho, importadas da França especialmente para o Gran Vin. Ao design, que emoldura com altivez a bebida, se junta o rótulo desenvolvido com exclusividade, que lhe confere visual único. Trata-se, inclusive, de material premiado pela indústria gráfica. São esses valores agregados que, em conjunto, fazem do Chesini Gran Vin sucesso de crítica.

Sim, eu já falei dese vinho aqui, mas para mim esta viagem e, como marco da mesma, o Chesini Gran Vin, foram um marco e tanto no meu encontro com o Vinho Brasileiro. Meu post inicial sobre o Gran Vin foi em Maio de 2011, pouco mais de 1 ano atrás. Irei acompanhar este vinho pelo menos pelos próximos 10 anos e, claro, compartilhar com todos vocês a evolução deste grande vinho Brasileiro!

E como será que foi meu encontro com o Chesini Gran Vin desta vez? Leia abaixo!!

Visual: Mesmo com seus 7 aninhos de vida o vinho continua sem sinais evidentes de envelhecimento em sua cor. Ainda vivo e brilhante. Analisando o halo conseguimos perceber sinais sutis de sua idade. Lágrimas finas, de velocidade mediana e tingindo a taça.

Olfato: Desta vez não decantei o vinho como já fiz em experiências anteriores. Ainda fechado o que, em conjunto com seu visual, mostram que este vinho ainda vai longe. Vale uma nota. Há uns 6 ou 7 meses atrás eu abri uma garrafa deste vinho e deixei ele decantando por quase 4 horas e, ao final da experiência, o vinho estava sensacional. A complexidade no olfato mais uma vez me surpreende, principalmente se considerarmos a faixa de preço deste vinho. Frutas negras e vermelhas mas com as negras mais em evidência. Com tempo em taça foi abrindo outras camadas. Compotas, especiarias, um toque de tabaco tudo isto harmonizando com a madeira muito bem integrada.

Paladar: Minha primeira atenção foi em relação aos taninos e a acidez que continuam bastante presentes me dando agora a certeza que este vinho evoluirá muito bem pelo menos nos próximos 5 anosl Corpo médio, remetendo mais a um vinho do velho mundo do que aos nossos queridos argentinos e chilenos. Os aromas que senti no nariz se mostram na boca também em camadas e com um final que, mais um vez, me surpreendeu por sua persistência.

Vinhaço! Realmente um vinhaço que me agrada pacas.

In Vino Veritas!

Gustavo Kauffman

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Marichal Tannat Reserve Collection 2009 - #CBE



A correria anda grande meus amigos! E, como tudo na vida, sempre temos o lado bom e o lado não tão bom. O não tão bom é não conseguir escrever com a periodicidade que gostaria. Mas, mesmo atrasado, aqui estou com o primeiro post do mês de março, o da esperada Confraria Brasileira dos Enoblogs (CBE). Neste  mês a escolha coube ao querido Gil, o fundador da CBE, do excelente blog Vinho para Todos:

Vinho tindo do uruguai, com preço até R$100,00”.

Definitivamente o uruguai tem vinhos deliciosos.

Minha escolha, como podem ter no título deste post, coube a um Tannat que surpreendeu a todos na degustação que organizei e foi intitulada de “Copa América”. Na ocasião tivemos apenas dois representadas uruguaios, e este em especial me surpreendeu. Dos 21 vinhos degustados, o Marichal Reserve ficou na nona posição, surpreendendo por sua qualidade. Vejam mais detalhes da Copa América neste link .

Em 1910 Isabelino Marichal, um descendente de imigrantes das Ilhas Canárias (Espanha), se estabeleceu na região de Etcheverría, iniciando o cultivo das primeiras vinhas da variedade Tannat, que naquela época, era chamada de Harriague.

Em 1938 construiu uma pequena bodega composta de tanques subterrâneos em uma caverna, de modo a possibilitar as melhores condições para amadurecimento dos vinhos.

Por mais de 70 anos a Bodega Marichal une tradição a modernas técnicas de vinificação, produzindo vinhos uruguaios premium em uma localização privilegiada, a 25 km de distância do Atlântico, onde seus vinhedos são contemplados pela brisa marítima.

Hoje na quarta geração, Juan Andrés e Alejandro administram, juntamente com seus pais, essa vinícola que tem o desafio de projetar ao mundo o produto de sua terra e sua filosofia. Juan Andrés Marichal gosta sempre de salientar que para se fazer um grande vinho é preciso ter uvas de elevada qualidade. O processo de vinificação começa no vinhedo com pleno acompanhamento na bodega. Uma pequena jóia no Uruguai com 50 hectares de vinhedos próprios ao sul do país onde se destaca o cultivo das variedades: Tannat, Merlot, Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Pinot Noir, Chardonnay, Semillón e Sauvignon Blanc.

Vamos ao que eu achei deste vinho:

Visual: Garrafa sem muitos chamarizes mas elegante. Discreto mas bem feito e com bom gosto. Ao servir vemos a jovialidade do vinho. Coloração vermelho mais escuro, ainda com muitos reflexos violáceos.

Olfato: O vinho começou um pouco fechado. Fica a dica de deixá-lo respirar por pelo menos 30 minutos antes de seguir com a degustação. Após este período ele abriu bastante, dando especial destaque aos aromas frutados, muita fruta vermelha com gostosas notas adocicadas. Continuando com a análise percebo também notas de chocolate mais amargo e um toque de especiarias (pimenta seca).

Paladar: Preenche bem a boca, refletindo os aromas percebidos na análise olfativa. Os taninos, para minha surpresa, estão bem domados e macios. Um vinho de estrutura média. Final de boa persistência.

O que a vinícola fala sobre seu vinho:

Variedad: 100% Tannat

Características de la variedad: Tannat es una variedad originaria del sudoeste Francés, Madiran, que en Uruguay encontró excelentes condiciones de terruño para producir vinos de altísima expresión, con taninos a la vez que intensos, de textura amable.

Ubicación de los viñedos: Etchevarría, Canelones, Uruguay, a sólo 25 km del mar.

Suelo: Ondulaciones  franco arcillosas con zonas de calcáreos

Fecha de cosecha: Primera quincena de Marzo.

Tipo de cosecha: Recolección manual, en cajones de 18 kg.

Fermentación Maloláctica: Si.

Proporción de vino flor y prensa: 100% vino gota.

Crianza: 70 % 12 meses en roble francés y americano.

Potencial de guarda: 12 años desde el año de cosecha.

Color: rojo profundo, con reflejos violáceo  típicos del Tannat.

Nariz: Presenta notas de frutas rojas maduras,  con mermelada de ciruelas. Los aromas terciarios de tostado chocolate están perfectamente integrados.

Paladar: La entrada en boca es amable,  se desarrolla con un buen volumen en boca en donde  aparece nuevamente la fruta roja madura con una leve nota mineral que lo equilibra perfectamente. Los taninos están bien presentes pero son redondos y carnosos.

Temperatura de Servicio: 17-19ºC


Ainda não existem análises da Wine Spectator nem da Wine Advocate sobre este vinho.

Um vinhaço uruguaio para sua faixa de preço. Realmente uma bela surpresa que entra também pra lista de custo x benefício.

In Vino Veritas!

Gustavo Kauffman (GK)

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Casa Perini Marselan 2005



Tive a oportunidade de visitar a Perini em Maio de 2011 no Projeto Imagem promovido pelo IBRAVIN. Sem sombra de dúvidas uma das vinícolas mais promissoras de nosso país.

Há mais de 130 anos, os imigrantes Antonio e Giuseppe Perini chegavam ao Brasil trazendo da Itália a arte de transformar a uva em vinho, junto com a imagem do Santo Anjo da Guarda para abençoar o Vale onde a Família Perini iria viver. Acreditavam que seu amor pela terra, unido à benção do  Santo, daria um sabor especial às uvas que cultivavam. Lenda  ou não, há quatro gerações os Perini seguem produzindo  vinhos de excelente qualidade.

No entanto, a produção vinícola teve início mais tarde, com João Perini em 1928, quando a partir daí começou a expansão e, gradativamente, a aprimoração do processo de elaboração em todos os aspectos, desde o cultivo de novas variedades viníferas até o produto final.

Em 2005, a Perini adquire a Vinícola De Lantier em Garibaldi ( unidade da Bacardi – Martini Brasil), ampliando sua capacidade física total de 7,5 para 16 milhões de litros, além de verticalizar a elaboração dos Espumantes Casa Perini e aprimorar seus equipamentos tecnológicos utilizados para vinificação.

Atualmente, a Vinícola Perini conta com 12 hectares de vinhedos localizados em Garibaldi e 80 hectares em Farroupilha, agregando uma área total de 92 hectares, sendo que parte desta área possui o diferencial de ser produzida com uvas de videiras européias certificadas. Neste sistema, as parreiras são sustentadas por estruturas em forma de "Y" que garantem a elaboração própria dos Espumantes Premium, Licoroso e Suco Perini, Vinhos e Espumantes Casa Perini, Vinhos e Suco Jota Pe, Vinhos Santos Anjos e Licor de Grappa Pretinha.

Em minha visita a cepa que mais me agradou foi esta, a Marselan, uma uva pouco conhecida pela grande maioria dos enófilos. É uma cepa que vem tido excelentes resultados no solo gaúcho, não só na Perini como também em outras vinícolas. Esta uva é um cruzamento entre Cabernet Sauvignon e a Grenache. Foi criada no ano de 1961 perto da cidade francesa de Marseillan . A cepa é cultivada principalmente no Languedoc região com algumas plantações na Costa Norte da Califórnia. Produz um vinho tinto de médio corpo.

Vamos então ao que eu achei deste vinho:

Visual: Garrafa sem maiores chamarizes, rótulo simples mas elegante. Rolha de compensado de cortiça personalizada para a vinícola. Ao servir na taça vemos uma coloração muito escura e opaca. O halo apresenta sutis sinais de evolução, bem sutis. Lágrimas lentas, gordas e tingindo levemente a taça.

Olfato: Impressiona pela intensidade e tipicidade. Um aroma bastante intenso, que agrada bastante mas que não estamos habituados a sentir. Sim, apresenta frutas, aqui em especial as vermelhas já maduras. A diferença aparenta estar em notas defumadas perfeitamente integradas ao vinho. Aparecem também notas de chocolate amargo e, ao final, pitadas de especiaria para temperar. Uma complexidade muito interessante.

Paladar: Na boca também surpreende. Essencialmente frutado com corpo leve para médio. Os taninos ainda se mostram presentes, mas de excelente qualidade. Acidez também marcando presença. Final de boa persistência.

O que a Perini diz sobre seu vinho:

Uva de origem francesa, resultante do cruzamento entre Cabernet Sauvignon e Grenache-noir. Vinho de coloração intensa, boa estrutura, com taninos macios e aroma delicado de frutos vermelhos.”

Safra: 2008
Graduação Alcoólica: 12,0%
Apresentação: 750ml

Características Organolépticas: Elaborado com uvas selecionadas de variedade Marselan, cor vermelho-rubi intenso. Aromas complexos que lembram framboesa, cacau e damasco. Textura aveludada e sabor que remete a frutas em compota.


O que impressiona neste vinho não é só sua qualidade, mas também o seu preço, na casa dos R$30,00. Um vinho que encaixa perfeitamente com o Brasil. Aromático, com boa complexidade e, podemos dizer, com um toque refrescante e, claro, gastronômico. Não provei, mas este vinho com um galeto deve ficar delicioso.

In Vino Veritas!

Gustavo Kauffman (GK)

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Rispollo Rosso 2010


Uma das coisas que mais me fascina no mundo dos vinhos é a imensidão que ele nos traz, seja qual for o assunto em pauta! A quantidade de rótulos e produtores aumenta a cada dia e, com isto, sempre estamos descobrindo novidades.

Este rótulo Italiano me foi indicado pelo amigo Alexandre Frias, do blog Diário de Baco, quando juntos participávamos de uma degustação na Rosso Bianco em Jundiaí. Um vinho Italiano, de Montalcino, na faixa dos R$50,00? Não pensei duas vezes e levei o vinho pra casa!

O vinho é produzido pela Talenti. Não muito longe da pequena cidade medieval de Sant'Angelo in Colle, situa-se Pian di Conte , um belo edifício de origem antiga, com vista para o vale suave do Rio Orcia, sede da Talenti. 

A Empresa foi fundada em 1980, quando Pierluigi Talenti decidiu adquirir a propriedade e a terra que tanto o fascinou e que ele havia se apaixonado desde os anos cinquenta, um período em que ele mudou-se das montanhas do Romagna para as doces colinas ensolaradas de Montalcino. A experiência e pesquisas intensas realizadas em todo o Montalcino fez com que a empresa tenha sido capaz de se elevar aos mais altos níveis de qualidade e combiná-lo com respeito aos ensinamentos da tradição.

Atualmente a empresa possui uma área total de 40 hectares , dos quais 20 hectares de vinhas (Brunello, Rosso di Montalcino e IGT), 4 hectares de olival especializado e o restante pomar, terra arável e florestas.

Vamos ao que achei deste vinho:

Visual: Garrafa que, pelo rótulo, de longe já percebemos que é Italiana. A safra não está no rótulo principal, aparece no contra rótulo. Rolha de compensado de cortiça personalizada para a vinícola. Na taça, além de deixar claro toda sua jovialidade com muito brilho e tons violáceos, é bastante escuro e possui lágrimas finas, incolores e bem lentas.

Olfato: Logo que abri a garrafa ainda estava muito fechado. Deixei respirar na taça por uns 40 minutos e os aromas foram aparecendo. Mesmo depois de abrir não é daqueles vinhos que explode em aromas. Boa complexidade. Frutas vermelhas e negras mescladas e já maduras. Mostra também nuances de café e um pouco de especiaria, mas tudo bastante sutil. Continuando a análise, percebo um toque de floral aportado pela Petit Verdot.

Paladar: É por isto que gosto dos vinhos Italianos. Sutil, mas ao mesmo tempo intenso. Pode paracer contraditório mas não é. O que tento dizer é que não é aquela explosão na boca como muitos do novo mundo, mas os sutis sabores são sentidos com bastante intensidade. Acidez excelente. Taninos macios. Final longo.

O que diz a Talenti sobre seu vinho:



No momento deste post  não haviam resenhas da Wine Advocate nem da Wine Spectator.

Um vinho que realmente é uma surpresa. Entra para a lista de Custo x Benefício e comprova que é possível sim experimentar bons vinhos do velho mundo pelo preço do novo.

In Vino Veritas!

Gustavo Kauffman (GK)

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Cava Chatel Brut Reserva #CBE

É hora de falarmos de mais um tema da Confraria Brasileira dos Enoblogs (CBE). Neste mês o tema coube ao Confrade Daniel Perches, do blog Vinhos de Corte. O tema escolhido pelo Daniel foi:

"Aproveitando que o calor está chegando de novo, proponho bebermos um espumante Cava, de qualquer valor."

E cá estamos então neste momento tão especial do mês! Meu post atrasou um pouco por total falta de tempo!

Não conhece ainda o termo Cava? Leia então o texto abaixo:

Cava is the official name for sparkling wine produced in designated areas in various parts of northern Spain. The use of the word cava came about as a result of legal conflicts with France over the use of champán, Spain's word for champagne. The word cava (Catalan for "cellar") was chosen for Spain's sparkling wines because almost all such wines are made in the Catalan region. The Cava DO was established in 1986 and, unlike other Spanish dos, it has multiple geographic areas. In fact, eight specified regions have been authorized for sparkling wine production. Three of the provinces-Barcelona, Girona, and Tarragona (in the catalonia region around Barcelona)-make over 95 percent of the country's cava. The other regions are Álava, Aragón, Extremadura, Navarra, and Rioja. To qualify for Cava DO status, wines must be made by the méthode champenoise. The grapes used for most Cava DO wines are Macabeo, Parellada and Xarel-lo. However, Chardonnay is allowed in the cuvée (some producers use it extensively), and the companies using it as a major component include Codorníu, Raimat (owned by Codorníu), and Segura Viudas (owned by Freixenet). Additionally, some rosado (rosé) cava is produced using Garnacha (grenache), Monastrell (mourvèdre), and Pinot Moir. Cava DO rules require a minimum aging of 9 months. Top producers here are now producing crisp, fruity sparkling wines, which was not always the case. Still, they differ from the French models because they're more earthy and have less acidity.

Já postei aqui no Enoleigos outras duas delícias que foram a Codorniu Raventós e a Codorniu Pinot Noir Brut.

Vamos então ao que achei do vinho do mês:

Visual: Garrafa chama a atenção por sua elegância. Ao abrir vemos a cápsula que protege a rolha personalizada. Rolha em cortiça! Ao servir mostrou uma coloração palha um pouco mais escurecido, me aparentando que não é tão jovem. A perlage não é tão fina, mas é bem intensa e duradoura.

Olfato: De cara senti aromas mais adocicados, uma uva passa branca e uma dose de mel. Continuando a análise abriu um floral muito gostoso. Senti rosas brancas. Não é uma análise complexa, mas o vinho passa uma sensação gostosa e também de refrescância.

Paladar: A primeira coisa que me veio a cabeça foi que esta Cava entrega muito, mas muito mais do que custou! A boca traz uma complexidade interessante, um ataque de aromas com boa intensidade. Muito seca, mas trazendo aquele leve toque de adocicado no retrogosto. Intensidade também interessante e final de média intensidade. Ah, importante citar que a perlage envolve toda a língua.

Não consegui encontrar as notas técnicas do produtos e o vinho ainda não foi pontuado pelo Robert Parker e pela Wine Spectator.

É minha gente, mais uma vez apostei em um vinho mais barato e acertei na mosca! Esta cava é uma belíssima opção para quem ainda não conhece a “Champagne Espanhola”. Parabéns ao Carrefour pelo achado e pelo preço praticado! Não preciso nem comentar que entra para o time de custo x benefício do Enoleigos!

In Vino Veritas!

Gustavo Kauffman

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