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quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Fruto Noble Crianza 2006

Hoje vamos falar de um vinho espanhol da denominação de origem de Alicante (http://www.vinosalicantedop.org/). Sim, você tem razão, não é uma DO muito conhecida assim como a região também não o é. Não são todos os vinhos de Alicante que pertencem a DO, somente as garrafas que possuem o logotipo da DO e possuem uma numeração exclusiva para a mesma é que são garantidos.

O site da DO diz que as uvas tintas amparadas são: Monastrell, Garnacha Tintorera o Alicante Bouschet, Garnacha tinta ( o Gironet), Bobal, Cabernet Sauvignon, Merlot, Pinot Noir, Petit Verdot, Syrah, Tempranillo. Citei isto pq, como veremos mais adiante, nosso vinho também leva a Cabarnet Franc em seu corte. Fui então ler o que está no regulamento da DO e descobri que é permitido a utilização de outras variedades desde que aprovadas pelo Conselho Regulador que, para tal, deverá verificar a qualidade do mosto. Curiosamente não existem regras como, por exemplo: Rendimento máximo por hectare, tempo de permanência em barrica, etc.

Outro fato curioso, já falado por aqui anteriormente, é em relação aos nomes dos vinhos espanhóis. Lá, para ser chamado de Crianza, um tinto precisa passar por um período mínimo de 24 meses antes de ser comercializado, sendo no mínimo 12 meses em barrica. O Fruto Noble passou 12 meses em barricas e 18 na garrafa antes de ser comercializado. Para confirmar que ele passou por este processo, a denominação é regulada pela ordem pública, através de autoridades legislativas que prezam a saúde pública e regulamentação econômica – inclusive do vinho. 

A Bodega também não é muito famosa por aqui. Além de vinhos, produz também azeites.

Vamos então ao que achei deste vinho:

Visual: O rótulo é bonito, mas se torna mais interessante pela foto da bodega em sua parte superior. A rolha é de cortiça, safrada e personalizada para a bodega. Na taça mostra ainda certo brilho, mas já apresenta cor alaranjada em seu halo demonstrando evolução. Cor escura e intensa. Lágrimas múltiplas e lentas.

Olfato: No nariz também são evidentes os sinais de evolução, mas percebe-se também que o vinho está inteiraço. Frutas vermelhas secas. Uvas passificadas, couro e especiarias (pimenta e noz moscada). O elevado álcool (14.5) não é perceptível. Sedutor!

Paladar: Corpo médio e vai abrindo na boca, trazendo refrescância e imediatamente pedindo um segundo gole. Acidez moderada. Taninos presentes, secantes, mas bem integrados ao conjunto. O final é longo e o retrogosto remete as frutas secas.

O que a Bodega Francisco Gomez diz sobre o seu vinho:

CRIANZA: 12 meses en barrica de roble francés y 18 meses en botella

VARIEDADES: Cabernet Franc, Monastrell y Syrah

CATA: Vino tinto. De intenso color rojo cereza brillante y limpio. En nariz nos recuerda a fruta roja madura y especies. En boca es de paso elegante, con una leve acidez de entrada pero sabroso, redondo y con un tanino amable muy pulido hasta su complejo y elegante final, pleno de matices.    

SERVICIO: Alrededor de 16º


Não existem críticas da Wine Advocate sobre este vinho.

Sempre que posso procuro dar dicas sobre como ter novas experiências prazerosas no mundo do vinho. Este rótulo é um bom exemplo. Comprei na Vinhos do Mundo em Porto Alegre por um excelente preço. Uma jóia. No mercado, sem promoção, custa na faixa dos R$70,00 que são muito bem pagos. O vinho é bem distinto, fora do padrão e delicioso. Isto sem falar que está em seu apogeu, com sinais de evolução, o que não é fácil de encontrar nesta faixa de preço.

Fica a sugestão: Se encontrar ele por aí não deixe de provar e depois me conta o que achou.

In Vino Veritas!
Gustavo Kauffman (GK)

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Peruzzo Cabernet Franc 2012

Nunca ouviu falar? Pois é, eu também não conhecia, e olha que conheço muitas pequenas vinícolas de nosso amado país. Conheci este vinho por acaso e, creia, não foi em degustações, feiras ou algo do gênero. Estava trabalhando em uma cidade próxima de Porto Alegre e, por este motivo, viajava para lá todas as semanas. Moro em Jundiaí e meu vôo era por Campinas. A companhia pela qual eu voava utiliza o terminal 2 de Porto Alegre, ou antigo aeroporto para alguns. Neste antigo aeroporto conheci uma pequena loja de vinhos que me encantou. A loja é especializada em Vinhos Brasileiros e também vende alguns produtos da região como Cachaças, Cervejas e Embutidos. O mais incrível é que eles não praticam “preços de aeroporto”!! Possue preços competitivos com as lojas de Porto Alegre e até mesmo em relação ao preço de varejo de algumas vinícolas da região! Se for passar por lá não deixe de visitar e procure pelo Nereu, o dono da loja, mega simpático e conhece muito de vinho Brasuca!

O Peruzzo CF foi indicação do Nereu para um dia em que meu vôo atrasou 3 horas... Eu não tinha jantado, pedi uma massa e fui conversar com o Nereu. Vi que era de uma vinícola na campanha (Bagé) e que o enólogo era ninguém mais, ninguém menos, que o Mestre Adolfo Lona pai, por exemplo, do Espumante Orus (http://www.enoleigos.com.br/2012/01/adolfo-lona-orus-pas-dose-rose-cbe.html) que me deixou de queixo caído. Pra completar o vinhos custava, no aeroporto, 35 reais a garrafa inteira. Não tive saída, até pq gosto muito da Cabernet Franc. O que seguiu depois foi minha surpresa por este vinho de excelente custo x benefício!

A Vinícola Peruzzo é muito recente. As primeiras videiras foram plantadas em 2003, provenientes de mudas importadas de renomados viveiristas da França, Itália e Portugal. A vinícola foi inaugurada em 2008 em um processo de elaboração que incorpora modernas tecnologias. Sua cave localizada no subsolo da cantina, garante que os espumantes e vinhos amadureçam sob temperaturas constantes próximas dos 18 a 20ºC.

Seu projeto teve início no mesmo ano de  2003, com a implantação dos vinhedos em 16 hectares da propriedade localizada em Bagé/RS. Partindo do princípio que a maior parte do sucesso de um grande vinho pode ser atribuídos a qualidade e diferenciação da uva produzida, temos um cuidado muito rigoroso para garantir uvas com maturação adequada, boa sanidade e segurança alimentar. Na contramão da lógica da agricultura que quanto maior a produtividade melhor o resultado final, no caso dos vinhos Peruzzo a redução da produtividade, limitando a 2,5Kg. por planta é extremamente positiva e reflete na excelência de qualidade dos vinhos e espumantes elaborados.

Os vinhedos são conduzidos no sistema de espaldeira, o que aumenta a exposição solar, melhora a aeração no vinhedo e reduz a produtividade por planta. As técnicas de poda, desbrote, desfolhe e colheita são feitas de forma manual garantindo assim maior cuidado e eficácia no processo. Preocupado em garantir uvas e consequentemente vinhos sem resíduos de agrotóxicos e contaminantes biológicos a Vinicola Peruzzo implantou as Boas Práticas Agrícolas nos vinhedos e instalações para assim controlar e reduzir todos os riscos envolvidos. 
É minha gente! Vinhos de excelente qualidade sendo produzidos em pouquíssimo tempo!!!

Vamos então ao que achei deste belo vinho:

Visual: Rótulo austero e bonito o que, diga-se de passagem, falta a muita vinícola Brasileira. Precisamos ter mais cuidado com a apresentação de nossos vinhos! Rolha de cortiça personalizada para a bodega. No exame visual, violáceo intenso, com brilho, bem vivo, escuro porém deixando transpassar um pouco de luminosidade. Lágrimas médias, lentas e sem tingir a taça.

Olfato: Jovem, fresco e muito frutado, mostrando frutas vermelhas e frutas secas como tamarindo e figo. Ao fundo um sutil toque mais apimentado. É um vinho mais descontraído, mas que também traz uma pequena dose de complexidade o que instiga e pede para ser bebido logo!

Paladar: Na boca o primeiro ataque também remete a um vinho fresco, frutado, com um pouco menos de complexidade do que no nariz. Corpo médio, acidez excelente, taninos presentes mas muito sutis e delicados e um final que me surpreendeu. Vinhos nesta faixa de preço costumam ser mais ligeiros, e aqui o final foi de médio para longo. No palato o destaque vai todos para as frutas com uma pitada mais “picante” no retrogosto.

O que a vinícola fala do seu Cabernet Franc:

Descrição: A vinícola Peruzzo se propôs a recuperar a variedade Cabernet Franc, introduzida no Brasil nos anos 70 e posteriormente abandonada, acreditando em toda sua capacidade de adaptação ao terroir da Campanha Gaúcha e sua potencialidade para elaborar vinhos tintos frescos, ligeiros, amáveis e envolventes. E essas características constituem o maior atributo deste vinho Cabernet Franc Peruzzo, saboroso e fácil de beber. A cor é vermelha rubi de boa intensidade, brilhante, seus aromas são refinados, intensos, lembram frutas frescas e o sabor é agradável, intenso e marcante. Esse vinho não passou por processo de filtragem visando manter seus atributos, portanto, pode conter depósitos no fundo da garrafa. 

Safra: 2012.

Temperatura para servir: 16 a 18oC.

Álcool: 13,9%.

Cepas: 100% Cabernet Franc.

Envelhecimento: Não passa por envelhecimento em barricas de carvalho.
  
É o Brasil produzindo vinhos de excelente qualidade por um preço competitivo. Muito bom ver isto. Um excelente custo x benefício, o que é fundamental para o consumo regular do vinho como alimento. A cultura do vinho precisa ser disseminada em nosso país. Nada melhor do que vinhos com qualidade e excelente faixa de preço para corroborar com isto! Como sempre, e este é outro problema que enfrentamos com os vinhos Brasucas, não é fácil de ser encontrado. Esta é a notícia ruim. A boa é que o site da vinícola vende o vinho diretamente para você!

In Vino Veritas!

Gustavo Kauffman (GK)


domingo, 16 de novembro de 2014

Obra Prima Gran Reserva Familiar Maximus 2008

Sim, sou um fã dos vinhos de nossos Hermanos. A Argentina vem conseguindo fazer grandes vinhos, cada vez mais elegantes, delicados, sem perder sua tipicidade. Este vinho que, desculpem o trocadilho, é realmente uma Obra Prima, é um exemplo vivo disto.

O vinho é produzido pela Familia Cassone, bodega não muito conhecida aqui no Brasil. É recente, foi criada em 1998 por Eduardo Cassone, sua esposa Florencia Ferreira Funes e seus 3 filhos. A bodega fica em Mendoza, mais precisamente em Luján de Cuyo, rodeada pela cordilheira dos andes, a 18 Km ao sul de Mendoza. A região de Luján de Cuyo, como muitos já sabem, é considerada a principal região vitivinícola da Argentina, com um clima, altitude e amplitude térmica muito propícios para a produção da uva.

O Maximus é o vinho ícone da linha “Obra Prima” da Familia Cassone. Nesta linha eles possuem ainda o Rosado, um CS e um Malbec e o Coleccion, este último um vinho também muito bem produzido, mas com maior presença da Malbec (80%) e partes iguais de CS e Merlot. Já o Maximus traz também a Malbec como uva principal, só que com 66%. O assemblage é completado também com partes iguais de outras duas uvas, mas aqui a Syrah e a Cabernet Franc.

Vamos então ao que eu achei deste vinho:

Visual: A garrafa faz o estilo “pesadona”, muito comum no novo mundo. Rótulo bonito, elegante e austero, pena que o da garrafa que degustamos acabou sendo rasgado dentro da adega de um amigo. Na taça, mesmo com 6 anos de vida, não mostrou sinais de evolução. Continua brilhoso, uma mistura de rubi com muito violáceo.

Olfato: Elegância é a palavra chave! Complexo, mas muito, muito elegante, o que surpreende. Confesso que eu esperava um vinho mais direto, mais “porrada”, mas fui surpreendido positivamente. No nariz já despertou também ser um vinho gastronômico. Predominância para frutas vermelhas como framboesa e amora. A madeira, francesa de primeiro uso, aonde o vinho calmamente amadurece por 18 meses, está muito bem integrada. No nariz traz também especiarias (noz moscada e pimenta) e um toque de mentolado.

Paladar: Ataque inicial também elegante e mostrando um corpo médio. Preenche bem a boca, trazendo boa acidez, taninos também muito elegantes e um final longo. O vinho está redondo, pronto para ser bebido. É claro que com certeza sobrevive mais alguns anos, mas não acredito que vá melhorar. É um vinho surpreendente que você precisa experimentar!

O que a Familia Cassone fala sobre seu vinho:

Variedad: 66% Malbec, 17% Cabernet Franc, 17% Syrah.

Viñedos: Luján de Cuyo, Mendoza, Argentina.

Cosecha: Manual en cajas plásticas de 18 kgs.

Elaboración: Tradicional con maceración fría en tanque de acero inoxidable.

Crianza: 18 meses en barricas nuevas de roble francés.

Alcohol: 14%.

Temperatura a servir: 18º C

Enologo: Mauricio Lorca / Federico Cassone

Notas de Cata: Obra Prima Maximus es nuestra mayor obra, nuestro más alto vino. Creado sobre la base de un corte de Malbec, Cabernet Franc y Syrah y habiendo sido añejado en barricas nuevas por 18 meses, dio como resultado este vino de muy buen cuerpo y estructura redonda. Presenta un color rojo rubí con suaves tonalidades violáceas; de aromas frutados a moras, grosellas y menta y final aterciopelado con dejos de eucaliptos y pimienta, con muy fino aporte de complejidad aportada por el roble.

O que a Wine Advocate, de Robert Parker, fala sobre o vinho:

Pontos: 90

Degustador: Jay S Miller

Maturidade: Beber até 2013

Review:

The 2008 Obra Prima Maximus is a blend of 66% Malbec, 17% Cabernet Franc, and 17% Syrah also aged in new French oak for 18 months. Its personality resembles the Malbec Collecion both aromatically and on the palate, but the wine is a bit leaner, without as much complexity. Nevertheless, this flavorful effort is an outstanding wine that will benefit from another 2-3 years of cellaring. 


Se você ainda acredita que a Argentina não produz vinhos elegantes, acredita que a Malbec em nossos vizinhos só produz vinhos pesados, você precisa provar este vinho. Realmente muito bem produzido. Um vinho caro por aqui, mas que com certeza fará sucesso.

In Vino Veritas!


Gustavo Kauffman (GK)

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Ricominciare Cabernet Franc / Cabernet Sauvignon 2006

Que bom poder voltar a escrever minhas mal traçadas linhas. É realmente um prazer imenso parar um pouco, degustar um belo vinho, escrever minhas impressões sobre ele e ainda poder compartilhar com todos! Tenho trabalhado intensamente, o que é muito bom, mas isto acabou me distanciando um pouco do Enoleigos. É claro que o excesso de trabalho não me afastou do vinho, muito pelo contrário, continuo um eterno apaixonado por esta bebida divina. Quando não escrevo, falo um pouco de minhas impressões no Instagram do ENOLEIGOS.

Hoje vou falar um pouco deste vinho que há tempos me encanta. Ainda tenho algumas garrafas dele em casa, e acompanho a evolução deste vinho na faixa dos R$100,00 que faz frente a muitos vinhos com custo superior. Não falei dele ainda no Blog, somente no Instagram.

Este vinho é produzido pela Bodega de mesmo nome, a Ricominciare, fundada por Jorge Catena irmão mais novo de Nicolás Catena e bisneto de Nicola Catena. Olha, já perdi a conta de quantas vinícolas oriundas da Catena existem na Argentina. Curiosamente todas não usam só o nome mas também produzem belos vinhos, como é o caso deste blend de Cabernet Franc com Cabernet Sauvignon.

A Ricominciare elegeu o Vale do Uco para o cultivo de seus vinhedos, destacando suas virtudes, como altitude, amplitude térmica, composição do solo e pureza de suas águas que contribuem para a personalidade do vinho. Em La Consulta, no Vale do Uco, se encontra a Finca San Vicente, que dá origem aos seus vinhos. 

Me interessei por este vinho pela Cabernet Franc, que contribui com 60% deste caldo. Ocupa aproximadamente 157 000 hectares de plantação no mundo todo, dentre os quais 211,13 ficam na França. O cabernet franc é mais leve que o cabernet sauvignon, possui taninos honestos ou sinceros conferindo firmeza e um corpo violão ao vinho, cor profunda e aromas de frutas tropicais e especiarias. É bastante utilizada para complementar outras uvas em cortes com cabernet sauvignon, tempranillosangiovese e ugni blanc. É uma das seis uvas permitidas nos cortes de Bordeaux, ao lado de cabernet sauvignonmerlot, malbeccarmenère e petit verdot. Também é relevante seu cultivo em regiões de clima tropical, como a Tanzânia e a Indonésia. Existem pequenas áreas de cultivo em países de menor importância enológica, como Paquistão e Turquia e, claro, na Argentina daonde saiu nosso vinho.

Vamos então ao que eu achei deste vinho:

Visual: Bonito rótulo, com uma sutil marca d´água. Daqueles que é bonito e, ao mesmo tempo, simples. A rolha cita a safra porém não traz nenhum dado da Bodega. Por ser um vinho já com 8 anos de vida, já apresenta reflexos em sua coloração que mostra nitidamente seu halo mais com cor de tijolo e com menos brilho. Um vinho não tão denso, deixando passar raios luminosos. Lágrimas finas, lentas e tingindo levemente a taça.

Olfato: Um vinho complexo e ainda muito vivo e expressivo. Percebe-se também leve evolução no nariz. Figo, ameixa seca, uva passa, nítidas notas de especiarias como pimenta, um sutil toque de tabaco e, ao fundo, uma mistura de balsâmico com mentolado. Logo após ser aberto mostrou um pouco de álcool em excesso, que com pouco tempo em taça desaparece. No nariz mostra estar inteiraço.

Paladar:  Um vinho com bom corpo, ataque inicial potente, excelente acidez, taninos ainda bastante presentes, mas já maduros. Sua potência se prolonga, se mostrando um vinho gastronômico e seguramente com ainda 2 a 3 anos de vida pela frente. O retrogosto traz especiarias e novamente o cacau.

O que a vinícola fala do seu vinho:

Origem dos Vinhedos: Propriedade San Vicente, La Consulta, Vale do Uco, Mendoza

Altitude: 900 mts.

Rendimento por hectare: Cabernet Franc 9.000 kg/ha; Cabernet Sauvignon 8.000 kg/há

Vindima: Manual, em caixas de 18 kg. Cabernet Franc (60%) 7 de abril de 2006. Cabernet Sauvignon (40%) 12 de abril de 2006. Cabernet Franc 7 de abril de 2006. Cabernet Sauvignon 12 de abril de 2006.

Fermentação Alcoólica: 26 dias em tanques de aço inoxidável a 28º C Maceração pré-fermentativa durante 72h a 12º C favorecendo a extração de precursores aromáticos.

Fermentação Maloláctica: 100%. Este vinho foi gentilmente filtrado preservando seu notável caráter e personalidade.

Álcool: 14º 

Acidez total: 5,13

Envasado: na vinícola em 21 de outubro de 2007.

Produção: 7.140 garrafas

Para poder apreciar plenamente as características deste vinho, recomendamos servi-lo a 16º C.  Buscamos vinhos com história e tradição.

O que a Wine Advocate, de Robert Parker, fala sobre o vinho:

Pontos: 88

Degustador: Jay S Miller

Maturidade: 2009 - 2015

Review:

The 2006 Cabernet Franc & Cabernet Sauvignon is a bit lighter in color, less dense on the palate, but a bit more elegant. It offers up attractive spice box and black fruit aromas and flavors, plenty of juicy fruit, good balance, and a fruit-filled finish. It, too, can be enjoyed over the next 6 years. 


É isto aí meus amigos. Um vinhaço que continua me encantando. Me restam 3 garrafas por aqui, daqui há 12 meses abro outra. Quem tiver pode abrir sem susto, o vinho está pronto, em seu apogeu e realmente delicioso. Sugestão é deixar respirar por 30 minutos. O meu permaneceu por este período na taça enquanto eu escrevia o post e abriu bastante.

Volto em breve!!

In Vino Veritas!


Gustavo Kauffman (GK)

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Vieja Parcela Catamayor Reserva de la Familia Cabernet Franc 2006


Este vinho foi comprado no duty free do Uruguai quando estava voltando de uma viagem a Santiago. Achei interessante conhecer um pouco a Cabernet Franc em solos uruguaios.

Foi em 1927 quando Don Santos Etcheverry fundou a Bodega Castillo Viejo, no Uruguai. No início, a atividade foi menor e as uvas compradas de produtores nas proximidades.  Em 1963 seu filho, Horace, assumiu a empresa e começou um período de crescimento significativo baseado na compra de uma propriedade de 150 hectares na região de Villa Rodríguez, no departamento de San Jose. Eles cultivaram 90 hectares de vinhedos em diferentes variedades para a produção de vinhos de mesa. Em paralelo, iniciou o desenvolvimento da expansão vinícola e negócios em todo o país. Em 1982 a administração da empresa foi deixada para a 3 ª geração de Etcheverry, composta por Edgardo, Ana e Alejandro, que estão atualmente no comando da empresa.Nesta década começou-se a detectar uma mudança no marketing global da região e termos como globalização começaram a ser importantes! Por esta razão, a vinícola decidiu tomar uma mudança significativa na sua produção e comercialização de seus produtos. Esta mudança resultou no velho mundo, viajar para a França especificamente para desenvolver uma nova estratégia no cultivo da videira.

Em 1986 começou a se notar uma significativa conversão de vinhedos na região de San Jose, com a inclusão de plantas vitis  vinifera seleção clonal e livre de vírus (Chardonnay, Sauvignon, Merlot, Tannat, Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc). A Bodega Castillo Viejo participou destas mudanças e introduziu um sistema de liderança muito moderno e inovador para a época.Um sistema que permite maximizar a ventilação e exposição solar das uvas, obtendo assim uma excelente maturação. Hoje podem dizer com que a conversão das vinhas surtiram os resultados esperados em mais de duas décadas de melhoria contínua das mesmas. Em 1990 começou a reabilitação da vinícola para produzir vinhos de alta qualidade. Entre 1990 e 1992, passou uma fase de preparação e treinamento de todos os funcionários, alinhando a organização para o cumprimento de normas de qualidade nunca antes alcançado na adega.

Em 1993 começou o grande desafio: a criação da linha de vinhos finos da Bodegas Castillo Viejo, marca Catamayor, com base em variedades Chardonnay, Sauvignon, Merlot, Cabernet Franc, Cabernet Sauvignon e Tannat. Entre 1993 e 1996 foi uma era de conhecimento do vinho uruguaio e descoberta para o mercado internacional. Foi também o momento em que descobriu-se um grande potencial para o Uruguai e, finalmente, para Bodegas Castillo Viejo.

A partir de então, com profissionalismo, entusiasmo e dedicação, ocorre uma melhoria contínua dos processos e produtos que estão agora nos principais mercados em todo o mundo. Vinhos que ganharam reconhecimento internacional através de inúmeros prêmios de classe mundial, mas principalmente através da aceitação de consumidores mais exigentes, um fato que os coloca nos últimos anos como o maior exportador de vinho vinhos finos do Uruguai.

Vendo a história da Castillo Viejo fico pensando que o Brasil vem passando por esta mudança de alguns anos para cá. Se hoje já temos uma excelente qualidade em nossos vinhos, imaginem o que ocorrerá daqui a alguns anos.

Vamos então ao que achei deste vinho:

Visual: Garrafa simples mas bonita. Na safra de 2006 mudaram o visual. Rolha de cortiça com selo da bodega. Coloração roxo escuro com reflexos violáceos. Gotas gordas e lentas.

Olfato: Intenso e muito aromático. Além das frutas, aqui aparecendo como frutas vermelhas (morango com maior destaque), percebi também de forma muito evidente aromas minerais. Em um segundo plano vem alguns toques vegetais e, bem ao fundo, um leve toque de baunilha. Uma combinação bem interessante e que agradou.

Paladar: Entrada suave e discreta. Vai abrindo e se mostrando aos poucos. As frutas aparecem com forte evidência. Destaque também para alguma coisa refrescante como eucalipto. Os taninos estão presentes com elegância. Mostrou textura sedosa na boca. O retrogosto lembra algo adocicado e o final é longo e persistente.

Não consegui encontrar as notas técnicas deste vinho em específico no site da vinícola. Também não existem resenhas da Wine Advocate nem da Wine Spectator.

O vinho agradou bastante! É o Uruguai mostrando a força do seu terroir!

In Vino Veritas!

Gustavo Kauffman (GK)

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Aurora Pequenas Partilhas Cabernet Franc 2009

Estamos chegando na reta final da série Aurora ao chegar no Pequenas Partilhas. Falaremos primeiro deste belo Cabernet Franc e depois do Carmenére. Confesso que estou curioso para provar o meu primeiro Carmenére feito aqui no Brasil.

Provavelmente o Enoleigos está sendo o primeiro, ou um dos primeiros, a comentar a Safra 2009 deste Cabernet Franc. A Safra de 2008 foi bastante elogiada por meus Confrades, e foi um dos vinhos mais escolhidos na Confraria dos Enoblogs de Agosto quando o tema foi um vinho Cabernet Franc do Brasil. Na oportunidade o Enoleigos degustou o Casa Valduga Premium Cabernet Franc 2006.

A linha Aurora Pequenas Partilhas tem seus vinhos elaborados quando uma determinada variedade apresenta resultado acima do esperado em vinhedos específicos entre os 1.100 produtores associados da Cooperativa Vinícola Aurora. Na safra de 2009 foram produzidas 14.000 garrafas e a que bebi foi a de número 002008.

Nos últimos anos, a Vinícola Aurora conquistou certificações importantes, que atestam a qualidade dos produtos e o compromisso com o meio-ambiente. Esses reconhecimentos são concedidos pela Det Norske Veritas, organismo credenciado pelo Inmetro, com base em apurações precisas e rigorosas.

A Aurora foi a primeira vinícola da serra gaúcha a conquistar o ISO 9001:2000. Tal certificação atesta qualificação no desenvolvimento, elaboração e processamento de vinhos e derivados.

Foi também a primeira do RS a receber, em julho de 2006, o certificado ISO 14001:2004, sendo atestada pela responsabilidade no Sistema de Gestão Ambiental.

A variedade Cabernet Franc é originária da França, Bordeaux. Adaptou-se relativamente bem em toda a Serra Gaúcha.

A uva Cabernet Franc normalmente proporciona um vinho de médio corpo, cor rubi-vivo, brilhante, equilibrado, maduro, apresenta bouquet com traços florais e marcantemente herbáceo.

A Cabernet Franc também estará na Série Uvas. Será a 15ª uva a ser comentada pelo Enoleigos.

Vamos então ao que achei deste vinho:

Visual: Garrafa elegante que remete ao passado e não ao futuro. Rótulo bonito e bem trabalhado, com o tradicional logo da Aurora. Rolha de compensado de cortiça personalizada para a Aurora. Cor de cereja com tonalidade um pouco mais escura. Deixa passar um pouco a luz. Lágrimas gordas, rápidas e incolores. Um belo visual.

Olfato: Bastante aromático com sutileza e elegância pronunciadas. Álcool imperceptível e integrado ao conjunto. Boa complexidade e tipicidade. Nas frutas destacamos as vermelhas e em compotas, mas sem destaque para uma em específico. Notas herbáceas também muito presentes. No fundo toques de especiaria, em especial pimenta seca.

Paladar: Vinho fresco, mostrando a mesma elegância e sutileza do exame olfativo, mas sem tanta complexidade como lá mostrou. Taninos muito, mas muito sutis e redondos! Vinho gostoso de beber, redondo na boca. Aqui as frutas se destacam bastante, seguidas de toques herbáceos. Retrogosto adocicado, final longo e muito saboroso.

O que a Aurora diz sobre seu vinho:

O Aurora Pequenas Partilhas Cabernet Franc se destaca pela tonalidade rubi viva, expressando tanto no aroma, quanto no paladar, a juventude e o frescor do Cabernet Franc. Frutado, lembra pimenta negra, com toque de baunilha, e seu paladar é adocidado, muito agradável. Os taninos são presentes, mas macios e bem incorporados ao vinho.

O Aurora Pequenas Partilhas Cabernet Franc é elaborado 100% com Cabernet Franc, passou por maceração clássica e amadurecimento de 6 meses em barricas de carvalho francês e americano.

Acompanha muito bem carnes vermelhas com vários preparos porém mais passadas, aves de carne firme, massas e risotos com queijos e cogumelos, queijos de massa média entre vários outros pratos.

Álcool: 13%

Até o momento do Post ir ao ar não haviam críticas da Wine Advocate, de Robert Parker, nem da Wine Spectator.

É minha gente, a Aurora mais uma vez me surpreende! Um vinho sem defeitos, gostoso, elegante, trazendo um excelente custo x benefício! Não deixe de experimentar pois este vinho vai te surpreender!

In Vino Veritas!

Gustavo Kauffman (GK)



domingo, 1 de agosto de 2010

Casa Valduga Premium Cabernet Franc 2006 #cbe

Comentei no mês passado, mas este post realmente é especial. Postamos aqui o comentário para ovinho do mês da Confraria Brasileira dos Enoblogs. A troca de experiências, mesmo que de forma virtual, entre todos os blogueiros que participam desta deliciosa Confraria, é super enriquecedora para todos nós.

Neste mês, segundo o rodízio democrático, a escolha coube ao nosso Confrade Jurandir Bezerra, do blog Eu e o Vinho. A escolha foi um Cabernet Franc do Brasil e já é o 45º vinho da Confraria!!!

Assim que soube da escolha de nosso Confrade fiquei um tanto preocupado. Achar um Cabernet Franc Brasileiro para comprar não é das tarefas mais fáceis. Depois de procurar por várias lojas, o único vinho com CF que consegui encontrar foi o ARTE da Casa Valduga. O Arte é um corte de Cabernet Sauvigon, Cabernet Franc e Merlot. Depois, continuando minha saga, acabei conseguindo encontrar uma única garrafa deste Cabernet Franc que iremos comentar.

Aqui fica um ponto de interrogação: Porque é tão difícil encontrar os vinhos Brasileiros na maior cidade de nosso país que é São Paulo?? Fico imaginando como deve ser complicado encontrar nossos vinhos, por exemplo, em Goiânia!

A Casa Valduga é das vinícolas mais conhecidas e reconhecidas do Brasil. A vinícola dedica especial atenção à elaboração dos espumantes e foi uma das primeiras vinícolas brasileiras a dominar e desenvolver o método champenoise de vinificação. Hoje possui a maior adega de espumantes da América Latina e investe em produtos com padrão de excelência já reconhecidos internacionalmente. Os tintos de guarda amadurecem em barris de carvalho franceses e americanos e no final do período passam para a cave apropriada, adquirindo um fino bouquet. Já os brancos repousam em tanques de aço inox durante curto período, para que mantenham os seus aromas primários e possam ser consumidos ainda jovens. A Casa Valduga também construiu o primeiro Complexo Enoturístico do Brasil e hoje é uma das maiores atrações do Vale dos Vinhedos, no município de Bento Gonçalves, a 120 quilômetros de Porto Alegre. Ao lado da Vinícola, instalou restaurantes e aconchegantes pousadas, com vista para os parreirais. Um lugar cercado de montanhas, a 671 metros de altitude e que guarda o encanto da cultura do vinho.

No final do século 19, a família Valduga chega ao Brasil, vinda da cidade de Rovereto, na Itália, em 1875, e logo cultivaram os primeiros parreirais em meio ao Vale dos Vinhedos, no Rio Grande do Sul.

Três gerações depois, os investimentos em qualidade e tecnologia cresceram e os prêmios multiplicaram-se pelo mundo. A marca que leva o nome da família transformou-se em símbolo de padrão de excelência.

Hoje, a vinícola é comandada pelos irmãos Erielso, Juarez e João Valduga, que continuam a transmitir a paixão pelo vinho a seus descendentes.

Vamos então ao que eu achei deste vinho:

Visual: Garrafa cheia de estilo, com indicação de procedência do Vale dos Vinhedos, número de lote e tudo mais. A aparência é show de bola, fazendo o vinho se destacar. Na taça é bem escuro, quase preto. A cor é um roxo bem escuro, gotas rápidas e finas.

Aroma: Frutado com leves toques florais. As frutas são vermelhas com especial destaque para cereja. Álcool um pouco mais pronunciado do que deveria. Talvez um tempo no decanter resolva isto, o que não fiz. Ao fundo trouxe também notas de café.

Paladar: Como sempre, gosto de falar a primeira impressão que tenho. Aqui foi: “O Olfato é muito superior a boca!”. Um vinho delicado, sem muita complexidade. Traz alguma fruta na boca, mas bem discreta. Taninos também delicados e acidez super discreta. Ah, muito seco também! Final de curto para médio.

O que a vinícola diz:

Origem: Vale dos Vinhedos – Bento Gonçalves/RS - Brasil

Processo de vinificação: Colheita manual, seleção e desengace das uvas, adição de leveduras selecionadas, fermentação alcoólica, controle de temperatura, descuba, fermentação malolática, amadurecimento em barricas de carvalho, engarrafamento, envelhecimento em cave climatizada e rotulagem.

Visão: Cor rubi intensa, brilhante.

Olfato: Possui bouquet frutado, lembrando framboesas silvestres, licor de cassis com traços florais harmoniosamente mesclados aos aportes de madeira.

Paladar: bom corpo, taninos maduros, macio, acidez agradável equilibrado. Harmonioso.

Harmonização: cordeiro, perus, patos, ovos com queijos e presuntos, canapés finos, massas al pesto e com molhos de carne, pizza, bacalhau, salmão e peixes.

O que fiz a Wine Spectator de Robert Parker:

Até o dia de hoje não existe uma avaliação deste vinho por eles.

De modo geral não foi um vinho que tenha me agradado. Beberia novamente sem o menor problemas, mas apenas como convidado. Não é um vinho que eu volte a comprar e por isto leva um 3.

In Vino Veritas.

(GK)

sexta-feira, 30 de abril de 2010

La Celia Reserva Cabernet Franc

Este é o segundo rótulo que comentamos da Finca La Celia. O primeiro foi um Syrah e no post do Syrah comentamos um pouco mais sobre esta bela vinícola Argentina.

Cada dia que passa eu entro mais de cabeça neste maravilhoso mundo da Enologia. A novidade desta vez é que este é o primeiro rótulo Cabernet Franc que tive a oportunidade de provar. A Cabernet Franc é, digamos, uma prima da Cabernet Sauvignon. Em Bordeaux aparece em parceria com Cabernet Sauvignon e Merlot no famoso corte Bordalês. Leva o nome de Bouchet em Saint-Emilion (Bordeaux), o Breton em Bourgueil Vale du Loire e o de Bouchy no Madrân (Sudeste Francês).

A Cabernet Franc tem maior produtividade que a Cabernet Sauvignon, porém é mais suscetível a doenças. No geral, apresenta toques mais herbácros em seus vinhos, menos extrato (menos corpo), menos taninos, menor acidez, portanto fácil de beber principalmente quando jovem.

No Vale do Loire (noroeste da França) - Chinon, Bourgueil, Saumer, Champigny Anjou, etc a Cabernet Franc prescinde de sua tradicional parceira e mostra do que é capaz quando sozinha. Se adapta melhor que a Cabernet Sauvignon em regiões mais frias, porque amadurece mais depressa, sem tanto sol e calor. Por isso é uma uva tinta mais importante do Vale do rio Loire, que é bem mais fria do que Bordeaux.

Ocupa aproximadamente 157.000 hectares de plantação no mundo todo, destre os quais, 211,13 ficam na França. O Cabernet Franc é mais leve que o Cabernet Sauvignon, possui taninos honestos ou sinceros conferindo firmeza e um corpo violão ao vinho, cor profunda e aromas de frutas tropicais e especiarias, com nuances que lembram fruta-do-conde, pitaia vietinamita e graviola filé. É bastante utilizada para complementar outras uvas em cortes como Cabernet Sauvignon, Tempranillo, Sangiovese e Ugni Blanc, também participando do corte clássico do Champagne ao lado de Pinot Noir e Chardonnay.

Este vinho me chamou a atenção por ter aparecido nos 200 Grandes Rótulos da Revista Gula em 2010. A única diferença é que o vinho degustado pela revista foi da safra de 2005 e não esta de 2004 que tive a oportunidade de experimentar. Vamos então ao que achei deste Cabernet Franc:

Visual: Cor bastante escura, com toques de rubio meio violáceo, mas puxa bastante pro escuro, chegando a ficar negro em alguns momentos. Trouxe também gostas espaças e lentas.

Aroma: Pela safra (2004) e pelo percentual de álcool (14%) achei que seria uma boa idéia deixar o vinho respirando por um tempo, o que fiz por aproximadamente 40 minutos no decanter. Mesmo assim senti o álcool um pouco mais pronunciado do que deveria. Aroma adocicado, senti ameixa, frutas vermelhas e um toque de café. Ah, senti também um leve, bem leve, aroma de baunilha. O café e a baunilha foram aportados pelos 16 meses em barrica.

Paladar: Um vinho encorpado. Boa estrutura, preenche bem a boca, taninos presentes bem como a acides e ambos em perfeita harmonia e incorporados ao todo. Na boca não se mostra tão frutado, trazendo notas minerais. Final longo que agradou bastante e deixa uma lembrança mineral. O álcool aqui, ao contrário da análise Olfativa, está em harmonia.

O que diz a vinícola:

Crianza: 80% del vino; roble francês (60% nuevo) durante 16 meses.

Potencial de guarda: 6 años.

Notas de degustación: Presenta um color rojo, profundo e intenso, com matices negros, que delatan concentración. Aromáticamente se presenta franco, equilibrado y armónico, y su paso por madera le aporta notas de café e humo. Se perciben aromas minerales, tales como pedernal, piedra de fusil o pasta de lápiz, que realzam la complejidade de aroma. En boca presenta la estructura característica de la variedad, com taninos robustos pero suaves y gentiles. La fruta, típica del Valle de Uco, se combina armónicamente con el roble otorgando una sensación amable, a pesar de la concentración, y un final de boca largo e intenso. Para acompañar carnes rojas y pescados de mar en salsas.

Não posso negar que é um vinho interessante, mas, em contrapartida, não foi um vinho que me marcou. Tenho outra garrafa em casa e, assim que repetir a dose, volto neste artigo para confirmar, ou discordar, das minhas impressões nesta garrafa que foi degustada.

A garrafa foi degustada sem acompanhamentos, ou seja, não harmonizei com nada. A harmonização aqui deveria ser realizada com carnes vermelhas, preferencialmente sem molhos.

Confesso que esperava mais deste vinho, mas foi uma bela experiência.

(GK)
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