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quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Herdade do Esporão Verdelho 2009, a FICHA TÉCNICA do Vinho do Mês da #CBE


Como comentei no no post "Herdade do Esporão Verdelho 2009 (Monocastas) – O 20º Vinho do Enoleigos na #CBE!", no momento em que escrevia eu não havia conseguido as notas técnicas deste vinho, informação que, sempre que possível, eu também disponibilizo em meus posts.

Contatei a Qualimpor, importadora exclusiva dos vinhos da Herdade do Esporão para o Brasil e eles gentilmente me enviaram esta informação que compartilho com todos.

In Vino Veritas!

Gustavo Kauffman (GK)

Herdade do Esporão Verdelho 2009 - Ficha Técnica




ADEGA: Herdade do Esporão

CASTAS: Verdelho

COLHEITA: 2009

REGIÃO: Alentejo 

PAÍS DE ORIGEM: Portugal

CERTIFICAÇÃO: Regional

ENÓLOGO: David Baverstock / Sandra Alves




NOTAS DE PROVA

Visual: Aspecto cristalino, cor citrina esverdeada. 

Olfactivo: Aroma intenso e complexo, com notas citrinas e tropicais, sugerindo manga e maracujá. 

Gustativo: Paladar fresco e equilibrado, elegante e harmonioso. 

Acompanhamento: Óptimo aperitivo, acompanha desde Ceviche variados até carnes brancas grelhadas, passando pelos legumes da dieta mediterrânica, oferecendo um intenso exotismo à refeição. 

Temperatura de Consumo: 10 – 12ºC.

Quantidade Produzida: 15.000 litros.

VITICULTURA

Geologia do Solo: Natureza granítica / xistosa, estrutura franco-argilosa. 

Condução: Cordão bilateral. 

Idade das Vinhas: 7 anos. 

Produção Média: 35 hl/ha.

VINIFICAÇÃO

Refrigeração das uvas, escolha manual dos cachos, prensagem dos cachos inteiros, decantação estática do mosto, fermentação com temperaturas controladas em cubas de inox, centrifugação, estabilização e filtração.

ANÁLISES

Álcool: 14% 

Acidez Total: 6,5 gr/l 

Acidez Volátil: 0,35 gr/l 

SO2 Total: 114,0 mg/l

pH: 3,18 

Extracto Seco: 20,28 gr/l 

Açúcar Redutor: 2,3 gr/l 

SO2 Livre: 39,0 mg/l

Herdade do Esporão Verdelho 2009 (Monocastas) – O 20º Vinho do Enoleigos na #CBE!


Hora de começar mais um mês e, como sempre, começamos homenageando a tradicional, e deliciosa, Confraria Brasileira dos Enoblogs. Esta já é a 65ª edição, é tempo pacas! O responsável pela escolha do tema neste mês foi o confrade Luiz Cola, do blog Vinhos e mais Vinhos. O tema que o Cola escolheu foi o seguinte:

“Vinho branco, Português e de até R$150,00”.

Enquanto escrevia este post fui conferir há quantos meses eu participo da CBE, já que parece que foi ontem que tive minha primeira participação. Tomei um susto ao ver que este é o 20º post para a Confraria. Desde que eu entrei, em 04/2010, consegui estar presente em todos os meses, mesmo que com um pequeno atraso uma vez ou outra. Como recordar é viver, meu primeiro vinho na CBE foi também um vinho branco, só que chileno, foi o Canepa Reserva Privada.

E você? Já participa de alguma Confraria? Não?!?! Pois não sabe o que está perdendo! Sempre temos muito o que aprender, mesmo que seja, como a CBE, uma confraria virtual. Vale repetir o que já comentei em um outro post, ou seja, a origem das Confrarias!

Na Idade Média elas reuniam religiosos em torno de práticas místicas e proteção social. Possuíam sempre um símbolo ou escudo, um santo como devoção comum e princípios compartilhados em grupo, acima de qualquer questão pessoal. Sempre tiveram um sentido agregador, por vezes desafiando normas estabelecidas por suas religiões de origem.

No Brasil imperial congregavam negros e brancos e, não raro, administravam fundos para compra de cartas de alforria. Na Europa, essas entidades fazem parte da história de um continente que procurava proteção contra suas próprias práticas predatórias e desumanas, resgatando valores e crenças derrubados com os muros dos feudos.

Assim aconteceu com os pedreiros das grandes catedrais francesas que mantinham técnicas secretas de construção, preservavam e assistiam as famílias de seus pares. Com as próprias ferramentas como símbolos, fundaram a Maçonaria.

As confrarias são essas organizações que lutam pela identidade de um grupo, produzindo, preservando e difundindo conhecimento. O mundo do vinho se apropriou desse tipo de estrutura para fazer valer o que tem de melhor: sua capacidade de reunir e agregar. Do Velho para o Novo Mundo, elas funcionam como pára-raios de qualidade e tradição, contra a banalização e a futilidade que, por vezes, tentam tomar conta do mercado.

O primeiro passo para degustar vinhos é escolher um grupo. Vale selecionar pessoas que estejam no mesmo estágio que você. Deste modo todos poderão descobrir juntos o prazer dos vinhos, compartilhando idéias e impressões. O mesmo grupo, uma vez harmônico, pode evoluir, publicar suas opiniões na internet e trocar informações com outras turmas e confrarias.

Vamos voltar ao nosso vinho!!

Acredito que não preciso mais falar sobre a Herdade do Esporão, uma das vinícolas de maior qualidade em Portugal. Temos diversos rótulos da Herdade do Esporão já comentados aqui no Enoleigos. Você pode conferir todos eles em nossa “Série Vinhos Herdadedo Esporão”.

A Verdelho é uma cepa mais utlizada em vinhos da Ilha da Madeira. Em Portugal a uva também se desenvolve no vale do rio Douro, onde é confundido com o "Gouveio" e é muito utilizada na fabricação de vinho do porto branco. Já em vinhos tranquilos, a região que mais de destaca na produção da Verdelho é o Alentejo.

Vamos então ao que achei deste vinho:

Visual: A Esporão tem um trabalho visual de tirar o chapéu! A linha monocastas traz sempre a primeira letra da cepa em seu rótulo. Rolha de cortiça personalizada para a vinícola. Coloração amarelo claro com pequenos reflexos mais fortes.

Olfato:  Essencialmente frutado, com fortes traços cítricos e notas também de frutas tropicais como maracujá e manga. Analisando um pouco mais percebo também notas de mamão papaia. Um vinho bastante agradável e, ao menos no exame olfativo, que passa refrescância.

Paladar: Preenche bem a boca, se confirmando um vinho bem refrescante. As frutas aqui também continuam presentes e traz boa acidez. Volume médio. Traz também alguma mineralidade e com um final de boca comprido, persistente e delicioso. 

A ficha técnica deste vinho não está disponível no site da Herdade do Esporão. Solicitei a importadora no Brasil e, assim que receber, divulgarei para todos.

O que diz a Wine Spectator sobre este vinho:

Pontos: 89

Review: 

This shows fine concentration and focus to the lush flavors of Golden Delicious apple, peach and apricot, accented by plenty of spicy notes. Crisp, creamy finish. Drink now through 2014. 1,600 cases made. –KM

O que a Wine Advocate, de Robert Parker, fala sobre este vinho:

OBS: Não existe resenha sobre a safra de 2009. As informações abaixo se referem a safra de 2010.

Degustador: Mark Squires
Pontos: 88
Maturidade: Beber entre 2011 e 2013

Review:

The 2010 Verdelho "V" is quite green and exquisitely fresh, chock full of juicy fruit and nice acidity. Not everyone will love the herbaceous qualities, but no doubt this is intended to be this way, invigorating and refreshing, with a succulent finish that leaves your mouth watering. I tend to think these can hold a bit, but without question its best feature is its freshness. You will make the most of what it has to offer if you drink it at its young-and-fresh best. It will be at peak this summer. Of the winery's monovarietal offerings reviewed this issue, my pick would be this white rather than any of the reds, and it comes in at quite a nice price. Drink now-2013. 

This iconic Southern Portuguese winery has a lot of new labels this year, which generally look pretty good. The labels for the Reserva and Private Selection, of course, feature art by Portuguese artists - see all the back labels for details. The monovarietal wines now come with just a big letter or two on the front - like "S" for Syrah or "V" for Verdelho. The details are on the label in smaller print.



Definitivamente um vinho que agradou bastante e que passará novamente por aqui. E que venha a próxima CBE!

In Vino Veritas!

Gustavo Kauffman (GK)

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

10 Perguntas para Bruna Cristofoli

Hoje estou iniciando aqui no Enoleigos uma nova série! Vou procurar trazer um pouco da intimidade de diversos enólogos e personalidades do mundo do vinho.

A Série começa com a Bruna Cristofoli, Enóloga responsável pelos Vinhos Cristofoli (http://www.vinhoscristofoli.com.br/). Visitei a Bruna durante minhas férias de Julho e em breve trarei também todos os detalhes de sua vinícola!

Eu adorei ler as repostas da Bruna, espero que todos também gostem!

In Vino Veritas!

Gustavo Kauffman

10 Perguntas para Bruna Cristofoli



1) Como é a vida nas Serras Gaúchas? Você nunca pensou em morar em um grande centro?

A vida aqui é muito boa! Vivo em meio a uma paisagem muito bonita, gosto da história, de aspectos da cultura, estamos perto das coisas e do caminho para chegar a outros lugares – mesmo que perto seja muito relativo (isso quer dizer também perto do aeroporto). E eu ainda não vivo no centro de Bento Gonçalves – vivo no interior (15 minutos da ‘cidade’). Nunca pensei em morar num grande centro – a menos que a vida assim exija, já pensei sim em morar em algum lugar mais ‘escondido’ do que aqui onde vivo hoje, com o objetivo de adotar outro estilo de vida.

2) Qual tipo de música gosta de ouvir? Poderia nominar duas ou três?

Ouço um pouco de tudo... ultimamente tenho ouvido MPB, Bossa, jazz...músicas mais tranqüilas que me deixem relaxar.

Estou ouvindo até enjoar um álbum da Diana Krall com versões de canções brasileiras:


Harmoniza com pôr-do-sol bebendo vinho no Edredom.

Também Jorge Drexler – Fusion http://www.youtube.com/watch?v=nN5mx6-U7HE

Porque casa muito bem com o amooor!

Jorge Drexler – Don de Fluir http://www.youtube.com/watch?v=V6NTxpX8VzI

Harmoniza com... ‘bebendo vinho no bar’, despretensiosamente, de repente, você vê alguém interessante...

3) Você tem o hábito de comemorar eventos importantes com vinho? Caso positivo, enumere para nós alguns vinhos que marcaram momentos inesquecíveis em sua vida!

Sempre tem que ter vinho... mas das minhas memórias enológicas, o que mais me marcou não foram os vinhos mais caros e refinados que bebi, foram os momentos e as pessoas, aí posso citar algumas:

A mais antiga memória: quando era criança, lá pelo jardim da infância, queria beber vinho à mesa também, na impossibilidade, minha mãe fazia como os gregos, mas à moda dela, servia-me um terço de copo de vinho, dois terços de água – sem colocar açúcar. Lembro-me do copo, do gosto e da cor perfeitamente.

O primeiro ‘porre’ – hoje não faço mais isso, que fique claro! Num acampamento, com duas queridas amigas, ao som de reggae, não lembro mais do gosto, mas o episódio marcou, e foi com vinho. Foi no primeiro ano do curso técnico em enologia.

Dois vinhos que bebi, um Cabernet Franc e um Trebiano, das primeiras vindimas da Dal Pizzol Vinhos Finos, vinhos mais velho que eu! dos anos 70. Que pertencem à adega particular da família Dal Pizzol. Foram bebidas em companhia, com os diretores da Dal Pizzol e amigos. Marcou-me a qualidade que tinham, especialmente no Trebiano, por ser branco e ter vivido muito bem os seus anos.

E tenho alguns guardados de viagens, para meu aniversário deste ano, que marcará uma mudança de ciclo. Um Riesling Eiswein para a sobremesa, um amarone Allegrini... entre outros.

4) Você gosta de cinema? Qual o último filme que assistiu?

Não tenho o hábito de ir ao cinema, embora seja interessante o ambiente, o som... como não tenho ansiedade em ver os filmes, acabo gostando bastante de assistir em baixo das cobertas em casa. :)

5) Como a Enologia surgiu em sua vida? Conte um pouquinho de sua história de amor com o vinho para nós.

Surgiu por que sempre vivi neste meio do vinho, minha família sempre trabalhou as videiras, então foi natural, iniciei o curso técnico em enologia, depois fiz o curso superior de tecnologia em viticultura e enologia, fiz uma especialização em viticultura... e assim vai indo. Os vinhos são especiais, porque é muito cativante ver a expressão da videira nos diferentes locais, ver o mosto da uva e vê-lo se transformar em vinho pelas leveduras, e assim evoluir, amadurecer... e um dia morrer – como uma pessoa.

6) Quais as grandes dificuldades para ser Enólogo no Brasil?

Eu não poderia generalizar este comentário. Então pretendo destacar as dificuldades que hoje eu sinto perante a realidade do meu trabalho – trabalhar em uma pequena adega familiar no Rio Grande do Sul.

Dividimos bastante trabalho entre poucas pessoas (porque somos em poucos). Sendo assim atualmente o excesso de burocracia na produção e comercialização dos vinhos – relatórios, declarações, guerra fiscal interestadual, selo fiscal, logística, entre outros, me impedem de criar e dedicar-me à enologia livremente. Tenho andado com a cabeça cheia de equações complexas, entre plantio de novo vinhedos, seleção de variedades, folders, site, notícias, busca de representantes comerciais, parcerias no enoturísmo. Como sou eu que cuido da parte de enologia, enoturismo e comercial...ufa! às vezes canso um pouco, mas estas constantes que mudam a minha rotina todos os dias são a grande ‘graça’ do meu trabalho. Vindimas são sempre diferentes, vinhos são sempre diferente, isso compensa.

Minha atual grande dificuldade é botar este projeto para caminhar mais tranquilo.

Depois como desafio geral, sinto que ainda existe pouca valorização do papel do enólogo, por parte de muitos produtores, que não investem na pesquisa, na busca por novas tecnologias, treinamentos... e até do consumidor, que acaba não sabendo que alguém cuidou e esperou por aquele líquido que ele está bebendo. O valor desse líquido não está somente em quem vende ele ou escreve sobre ele, está também em que faz ele. Esta mudança cabe somente aos enólogos, precisamos despertar.

7) Existem muitos críticos que defendem que o Brasil precisa produzir vinhos mais alegres, com mais fruta e menos madeira. O que você acha disto?

Acredito que o Brasil deve produzir vinhos de acordo com a aptidão enológica natural de cada região. A madeira pode ser necessária em alguns vinhos, para a polimerização dos taninos e conseqüente amadurecimento, mas deve ser dosada na madeira certa – o tipo certo de madeira para o tipo certo de vinho, esta postura pode fazer toda a diferença.

A ‘alegria nos vinhos’ poderia nos trazer novos consumidores, poderia também proporcionar vinhos mais sutis, delicados e complexos ao invés de apenas buscarmos – como enólogos e consumidores, vinhos ‘pancadão’ como sinônimo de qualidade. Isso é para mim um desafio como enóloga e acredito que é um desafio para muitos críticos também.

8) Quais os seus planos pro futuro? Poderia nos confidenciar alguma novidade na Cristofoli?

Meus planos para o futuro breve são poder testar novas cultivares nos nossos terrenos e assim ter outros varietais, depois quero fazer cortes, testar diferentes parcelas, e vender com marcas diferentes, por serem desejos diferentes.

Mais para frente pretendo poder ter uma propriedade para viver com a minha família, começar uma mudança de ritmo, e ali iniciar os experimentos para produzir um vinho biodinâmico. Na biodinâmica a propriedade é um sistema fechado, e somente é biodinâmico o vinho que é vivido assim, ou seja, fruto da vida das pessoas, animais e vegetais, fungos, etc... que estão na propriedade – o desafio é muito grande, porque vivemos num sistema que privilegia a produção em escala e as grandes propriedades. Na minha visão, ou o vinho é feito assim ou é estratégia de marketing para atingir este segmento de mercado e ficar bem perante o consumidor.

De qualquer maneira, a terra onde piso hoje tem o mesmo valor, então é aqui que devo depositar agora meu sangue e meu coração para atingir meus objetivos atuais e futuros.

Debaixo do céu, tudo tem o seu tempo...

9) Como surgiu a idéia do “Edredon nos Parreirais”?

A idéia do Edredom nos Parreirais surgiu de uma consultoria que prestou serviços ao projeto Economia da Experiência, que iniciou aqui na Região Uva e Vinho com coordenação do Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares. O fruto disso é o Tour da Experiência, que traz experiências inusitadas e inovadoras aos turistas. O Edredom nos parreirais é uma delas, propiciando ao visitante uma maneira sem igual de beber um bom vinho e relaxar em meio às videiras e à paisagem da Serra Gaúcha.

10) Quais os vinhos Brasileiros, além dos seus, que você costuma beber?

Para toda hora gosto muito do Pinot Grigio da Miolo (sou completamente suspeita, por, entre outras coisas, adorar brancos). O meu Moscato de Alexandria, harmonizado comigo mesma (ou seja sem mais nada) vai bem também...

terça-feira, 12 de julho de 2011

De volta das Serras Gaúchas!



Começo este post pedindo desculpas a todos pelo longo período em que fiquei ausente aqui do Enoleigos. Tudo iniciou com alguns problemas pessoais que tive, seguido por um período que fui para as Serras Gaúchas! Mas agora estou de volta com corda total e com a bagagem cheia de novidades!!!

Domingo último, dia 10/07, retornei de uma estada de 7 dias nas Serras Gaúchas. Fomos eu e minha esposa, para curtirmos uma segunda lua de mel. Quem tem um filho de 2 anos e meio, graças à Deus cheio de energia e saúde, sabe que isto se faz necessário! Rs.

Nossa jornada começou no dia 02/07, um sábado, quando saímos de Jundiaí (SP) por volta das 9 da manhã. A idéia era almoçar em Curitiba, dormir por lá, e seguir viagem no dia seguinte. Ah, tínhamos 1050 Km pela frente segundo informação do Google Maps! Com pouco tempo de estrada o frio foi apertando e a chuva começou a cair. Chegamos em Curitiba por volta das 14:00hs e fomos procurar um local pra almoçar em Santa Felicidade. A chuva estava me desanimando já que, com exceção dos shoppings que eu queria distância, os demais passeios em Curitiba não são bons para serem feitos debaixo de chuva! Durante o almoço então sugeri a minha esposa que seguíssemos viagem! O destino agora seria Vacaria, já no Rio Grande do Sul. Saíamos de Curitiba as 16:30hs. A chuva não parou por nenhum segundo!! A previsão era fazer o trajeto em 5:30hs, o que quase conseguimos! Chegamos em Vacaria as 22:30hs com um frio absurdo! Rsrs.

Chegamos na Pousada Santa Teresa, aonde fomos muito bem recepcionados já com calefação ligada no quarto e comida pronta para ser saboreada! A temperatura quando chegamos estava na casa de 1 grau, mas com uma sensação termina de pelo menos 15 negativos! Durante o Jantar pedi um vinho produzido com uvas da região de Campos de Cima, um Sozo Cabernet Sauvignon que agradou bastante!

No dia seguinte o destino seria Bento Gonçalves aonde começamos nossa estada nas Serras Gaúchas com um sensacional almoço no tradicional restaurante Canta Maria.

Conheci novas vinícolas, novos enólogos, novos vinhos e, claro, voltei com muita coisa pra contar! Isto sem falar em uma das coisas que acho mais sensacional neste mundo do vinho: Fazer novos(as) amigos(as)!

As vinícolas que foram visitadas seguem abaixo:

x José Sozo;
x Valmarino;
x Cave Geisse;
x Casa Valduga;
x Bettú;
x Aurora;
x Cristofoli;
x Vallontano;
x Angheben;
x Chesini.

Infelizmente não pude visitar a todos que gostaria. Aos que não pude estar presente peço minhas desculpas e tenham certeza que em breve voltarei.

Todas as visitas serão cuidadosamente relatadas a todos aqui no Enoleigos!

In Vino Veritas!

Gustavo Kauffman (GK)

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Esporão Reserva Branco 2009

Sexta-feira santa, decidi fazer um camarãozinho e, para acompanhar, nada melhor do que este delicioso vinho da Esporão, já conhecido por muitos aqui no Brasil.

Este retorno da Série do Esporão pede também desculpas de minha parte! Os eventos do mês passado, bem como do início de Maio/2011, foram de um volume absurdo, me deixando completamente sem tempo. Retorno agora as Séries Portuguesas!

Ao falar do Esporão Reserva, entramos nos vinhos ícones da Herdade do Esporão. Vinhos mais conhecidos aqui no Brasil, com esplendoroso cuidado desde a criação do seu rótulo. Os rótulos, por sinal, foram um espetáculo a parte, me deixando realmente fascinado.

Para Portugal, um país pertencente ao “velho mundo”, os vinhos da Esporão são relativamente recentes. Somente em 1987 foi lançado o primeiro vinho Esporão, sendo considerado um dos melhores vinhos portugueses. Ganhador de diversos prémios e com distinções internacionais, este vinho é uma das grandes referências a nível mundial e nacional.

A Herdade do Esporão possuí um Terroir singular, onde a intensidade solar alentejana temperada pela brisa húmida do Atlântico, bem como os solos vulcânicos e xistosos resultam em vinhos de eleição.

Este vinho também traz o código AVIN no contra-rótulo que é o AVIN1834388288502.

Vamos então ao que eu achei deste vinho:

Visual: A garrafa é um show a parte. Esta nova linha da Esporão, como já falei anteriormente aqui no Enoleigos, possui arte assinada pela Joana Vasconcelos. São imagens lindíssimas, que valorizam por demais a garrafa. Ao abrir, como de costume, me deparei com uma rolha 100% de cortiça e personalizada para a Esporão. Na taça mostrou colocação amarelo palha com pequeninas nuances douradas.

Olfato: Elegante, mostrando balanço entre complexidade e refrescância. Nas frutas destaque para as frutas cítricas. Traz também notas de frutas brancas, maçã em especial, um pouco de floral e bem ao fundo nuances de tosta, mostrando sua passagem pela madeira mesmo sem sabermos por quanto tempo.

Paladar: Um show! O ataque das frutas na boca é delicioso. Acidez super presente, tornando este vinho um acompanhamento perfeito para peixes ou até mesmo carnes brancas grelhadas. Textura sedosa, tornando mais prazeroso o ato da degustação. Bom corpo e estrutura. Um vinho intenso e refrescante ao mesmo tempo. Final longo e persistente.

O que diz a Herdade do Esporão sobre seu vinho:

Castas: Antão Vaz / Arinto / Roupeiro

Região: Alentejo

Visual: Aspecto cristalino, cor palha.

Olfactivo: Aromas tropicais com notas citrinas envoltos na subtileza da madeira de carvalho.

Gustativo: Vinho intenso, encorpado e complexo, com final longo e fresco.

Temperatura de Consumo: 10 – 12 ºC.

Vinificação: Desengace, choque térmico, maceração pelicular, prensagem, decantação de mostos, fermentação com temperaturas controladas em cubas de inox e em barricas novas de carvalho americano e francês, com estágio sobre as borras finas.

A Wine Spectator e a Wine Advocate ainda não falaram sobre esta safra do Esporão Reserva.

Vinhaço! Gostei demais, recomendo, e a harmonização ficou um show!

In Vino Veritas!

Gustavo Kauffman

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Conhecendo um pouco mais do DOURO



A região vinheteira do Douro insinua-se numa exuberância de montes, vales e cursos de água. Os seus típicos socalcos testemunham a tenacidade de quem, desde tempos imemoráveis, se dedicou ao cultivo da vinha. Pois que, se o rio Douro recortou a paisagem, ao homem caberia reconverter as encostas xistosas e íngremes das suas margens. Descobertas arqueológicas e refrências documentais provam que já na pré-história, e sobretudo durante a ocupação romana da Península Ibérica, a partir do século III a. C., se praticava a viticultura na região. Mas só bastante tempo mais tarde, no século XVIII, a vitivinicultura do Douro entrou numa fase de expansão, que se traduziu num crescimento acelerado do comércio de vinhos, designadamente para o mercado externo.

E é neste contexto socioeconómico que surge a designação vinho do Porto, um produto à época bastante apreciado pelos ingleses. Mas a procura do mercado inglês conduziu ao crescimento desordenado dos vinhedos e até adulteração do vinho do Porto, nomeadamente através da adição de açúcar. Perante o caos e a quebra das exportações, também consequência de uma série de maus anos agrícolas, o Estado portugês interveio. E, entre outras medidas determinadas pelo ministro Marquês de Pombal, foi definida, no Douro, a primeira região demarcada do mundo, cujos marcos limítrofes seriam colocados em 1756. Com um sabor único, o vinho do Porto resulta da improvável associação entre solos pedregosos, clima severo e castas raras.



Talvez por isso apresente tão variados cambiantes aromáticos, gustativos e cromáticos, de tal forma que existem diferentes tipos de Porto. Um mundo de sensações cabe, pois, neste vinho de filigrana, que pode, por isso, ser servido em todas as ocasiões e com quase todos os acompanhamentos. Conquistando o mundo com a qualidade dos seus vinhos do Porto, o Douro começou lentamente a explorar outras vertentes do seu enorme potencial vitícola. Surgiram assim os primeiros vinhos de mesa da região, alguns dos quais são hoje ícones da vinicultura portuguesa.

Mas foi apenas no início dos anos 90 que uma nova geração de produtores apostou convictamente em vinhos de mesa de grande qualidade, a partir dos mesmos vinhedos que dão origem ao Porto. Castas como Touriga Nacional, a Tinta Roriz, a Tinta Barroca ou a Touriga Franca tornaram-se, então matéria-prima de excelência para vinhos fundados nas tradições da região e nas peculiares condições agroclimáticas do seu terroir.

terça-feira, 29 de março de 2011

Crasto Superior DOC 2008 – Série Vinhos Quinta do Crasto

Chegamos então ao penúltimo vinho de nossa série! Muita coisa boa passou por aqui e as delícias só fazem aumentar a medida que vamos chegando ao final da série.

A região do Douro, visto do alto de um miradouro ou dos píncaros de um monte, desperta sensações e provoca emoções que, ao longo dos tempos, poetas, escritores e artistas tentaram, em vão, imortalizar em palavras ou traços de pincel colorido.

Fértil em assimetrias e contrastes, o Vale do Douro é uma aventura de três séculos de trabalho e paixão pela terra. Numa epopeia sem precedentes, populações inteiras, transformaram solos áridos e rochosos em fileiras de socalcos e vinha para que nascesse o célebre Vinho do Porto.

Toda a região é um convite à descoberta. De carro segundo o fluxo da água ou atravessando vilas e aldeias, de comboio serpenteando junto à margem; a bordo de um cruzeiro, respirando odores fluviais ou simplesmente de balão, apreciando os contornos mágicos da paisagem. Percorrer o Douro é apreciar os seus conventos e igrejas, conhecer o seu artesanato rústico, saborear a sua genuína gastronomia, inflamar o espírito com o folclore das seculares romarias e retemperar, por fim, energias em milagrosas termas ou em repousantes hóteis, pousadas ou unidades rurais de alojamento.

Pela diversidade das características climáticas, e também de fertilidade dos solos, definiram-se “naturalmente” três sub-regiões, com características e potencialidades algo distintas: o Baixo Corgo, compreendendo toda a bacia inferior da Região Demarcada de Barqueiros à foz do rio Corgo; o Cima Corgo, desta ao Cachão da Valeira – S. João da Pesqueira,;e o Douro Superior, que se estende até Espanha (Barca d’Alva)

A partir do Cachão da Valeira, surge o Douro Superior. É a sub-região de maior área, incluída na Região Demarcada do Douro, com uma superfície total de 110 mil ha. No entanto, apenas 7,3% desta área se encontram utilizados pela vinha. Em relação às restantes duas sub-regiões, o Douro Superior é menos acidentado, com encostas geralmente mais suaves e vales menos profundos. O clima é tipicamente mediterrânico, com as temperaturas estivais mais elevadas, e precipitações anuais próximas dos 400mm. É uma região onde se encontram produtos vínicos de elevada qualidade, nomeadamente Tintos do Douro, assim como vinhos generosos para as qualidades de LBV’s e Vintages.

Vamos então ao que achei deste vinho:

Visual: Garrafa imponente e muito bonita. Toda ela muito bem trabalhada. A rolha, como os demais da linha, vem safrada e, claro, é 100% de cortiça. Ao servir na taça vemos uma coloração rubi bem intenso ainda com bastante reflexo violáceo nas bordas.

Olfato: Expressão aromática de muita presença. Frutos vermelhos recém colhidos do pé, especiarias e baunilha ao fundo devido aos 12 meses que passa em barrica. O exame olfativo passa elegência e corpo.

Paladar: Um belo vinho, com taninos tranquilos e sabores fiéis ao exame olfativo. As frutas se mostram mais em evidência. O ataque inicial é mais refrescante e evolui harmonicamente trazendo boa complexidade, com um final delicioso e persistente.

O que a Quinta do Crasto fala do seu vinho:

Castas: Touriga Nacional ; Touriga Franca; Souzão e Vinhas Velhas

Ano: 2008

Vinificação: As uvas, provenientes do Douro Superior da nossa Quinta de Cabreira, foram transportadas em caixas de plástico alimentar e sujeitas a uma rigorosa triagem à entrada da adega. Após um desengace total e um ligeiro esmagamento o mosto foi transferido para cubas de fermentação em aço inox com temperatura controlada.

Cor: Rubi intenso, com tons de violeta vibrante

Nariz: Excelente intensidade aromática com notas frescas de frutos vermelhos, bem integrados com elegantes notas de especiarias.

Boca: Excelente inicio, com notas de frutos vermelhos frescos que evoluem para uma estrutura firme de taninos finos e frescos. Excelente acidez que contribui para um equilibrado, agradável e persistente final.

O que diz a Wine Advocate, de Robert Parker:

Pontos: 88
Degustador: Mark Squires
Maturidade: Beber entre 2011 e 2018

Review:

The 2008 TINTO “CRASTO SUPERIOR” is a new (the 1st vintage, 2007, was not marketed in the USA due to its small debut quantity) Douro Superior version of Crasto’s regular (i.e, non-reserva) Tinto, a blend of Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz and Sousao. It is easily distinguished from the traditional Tinto by its fat, Burgundy bottle. Aged in oak for 12 months, Crasto is also using here, for the first time, some Sousao (from Quinta da Cabreira). Judging from this bottling, this may become a new sweet spot for value in Crasto’s lineup. This is rather charming and seems to one-up the regular Tinto. Initially fleshy, yet focused, this is aromatic, flavorful and penetrating, albeit without a lot of mid-palate concentration. It thins further with aeration. That said, it is beautifully constructed, a wine that has the backbone to hold awhile, yet the flavor and sex appeal to get your attention. It is a nice blend of qualities and very well done. There were approximately 30,000 produced. Production is expected to rise to about 100,000 bottles by the 2010 vintage. Drink now-2018.

O que diz a Wine Spectator:

Pontos: 88

Review:

Ripe and medium-bodied, offering dark plum and smoked cherry flavors that drip with plenty of spiced apple notes, with a firm finish. Drink now. –KM

Um vinho que merece ser provado por todos. Cada dia que passa os vinhos portugueses me encantam mais!

Todos os vinhos da Quinta do Crasto podem ser encontrados em lojas especializadas ou ou então diretamente pela importadora exclusiva, a Qualimpor. Vocês poderão também seguir a Qualimpor em suas redes sociais conforme abaixo:


In Vino Veritas!

Gustavo Kauffman

Boas Vinhas Branco DOC 2009 - Série Lusovini e Quinta de La Rosa

Este, já adiantando, belo custo x benefício lançado pela Ravin, é outro que com certeza será um campeão de vendas. No último post de nossa série comentei o Boas Vinhas Tinto DOC 2009, um vinho que se mostrou muito saboroso e um excelente “Best Buy”!

A Região Demarcada do Dão, com uma extensão aproximada de 376.000 hectares, situa-se entre zonas profundamente montanhosas e vales com colinas e declives suaves. Um clima frio e chuvoso no Inverno e quente e seco no Verão aliam-se ao relevo para oferecer condições únicas para a produção de vinhos.

Este vinho é um blend de duas castas quase desconhecidas aqui no Brasil, a Encruzado e a Cercial.

O cultivo da casta Encruzado é praticamente exclusivo da zona do Dão, sendo provavelmente a melhor casta branca plantada na região. É utilizada na produção da maioria dos vinhos brancos através de vinhos de lote ou de vinhos monovarietais. A casta Encruzado tem uma boa produção e é bastante equilibrada em açúcar e acidez. Por outro lado, é muito sensível à podridão e a condições climatéricas desfavoráveis (chuva e vento). Os vinhos compostos por esta casta são muito aromáticos e de sabor acentuado. Apresentam uma longevidade fora do comum, uma vez que podem conservar-se em garrafa durante muitos anos.

A casta Cercial é cultivada em diferentes regiões vitícolas. De acordo com a região pode adotar diferentes grafias e apresentar características ligeiramente diferentes. São conhecidas a Cercial do Douro e do Dão, a Cerceal da Bairrada e a Sercial da Madeira, também denominada de Esgana Cão no Douro. As principais características das variedades da Cercial são a elevada produção e boa acidez. Esta casta produz o famoso vinho generoso Sercial da Madeira, um vinho seco que depois de envelhecer adquire características excepcionais. Os vinhos monovarietais desta casta são geralmente um pouco desequilibrados, por isso é costume lotar a Cercial com outras castas como a Bical, Fernão Pires ou Malvasia Fina. Nestes vinhos, a característica herdada da Cercial são a acidez elevada e os aromas delicados.

Vamos então ao que achei deste vinho:

Visual: A garrafa chama a atenção por si só! Boa presença, lindo rótulo e muito estilo. Rolha de cortiça e personalizada. Coloração amarelo claro com alguns reflexos esverdeados.

Olfato: Muito frutado, mostrando certa complexidade. Trouxe bastante fruta cítrica (lima), com toques de maçã e pera. Bela expressão aromática, mostrando-se suave e refrescante. Álcool em harmonia. Me agradou bastante.

Paladar: Totalmente fiel ao exame olfativo. Excelente acidez! Traz boa mineralidade e as frutas envolvem toda a boca. Retrogosto com tendências adocicadas. Final com uma persistência muito agradável.

O que a Boas Quintas fala sobre o seu vinho:

Região: Dão, Portugal

Uvas: Encruzada e Cercial

Vinificação: Após a prensagem das uvas inteiras o mosto é fermentado a 16ºC e fica em garrafa um mês antes de ser lançado ao mercado.

Cor: Amarelo esverdeado brilhante.

Aroma: Destaque para notas cítricas com um toque mineral.

Palato: Vinho fresco, frutado e com bom equilíbrio.

Harmonização: Acompanha entradas, mariscos, peixes, saladas e pratos frios.

Teor Alcoólico: 13%

Até o momento deste post não haviam análises da Wine Advocate nem da WIne Spectator.

Para minha surpresa este branco português conseguiu se mostrar melhor que o tinto! Para a faixa de preço é um branco excepcional que entra para a lista de custo x benefício.

In Vino Veritas!

Gustavo Kauffman (GK)

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