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quarta-feira, 16 de março de 2011

Azeite Quinta do Crasto Premium - Série Azeites Portugueses

Como diz o ditado, tudo que é bom acaba durando pouco! Hoje vamos falar do último azeite de nossa série sobre Azeites Portugueses. Foi literalmente uma delícia falar sobre os azeites da Herdade do Esporão e da Quinta do Crasto.

A Quinta do Crasto produz apenas um azeite que é o Quinta do Crasto Premium. Na Quinta do Crasto é produzido azeite desde há muitos anos pois existe na propriedade uma área muito considerável de olival.

Produzido a partir das variedades Cobrançosa, Madural e Negrinha de Freixo, a extração é mecânica a baixas temperaturas em lagar com moinho de galgas de pedra, com um processo de decantação de 2 meses.

O olival é cultivado em regime biológico, sem qualquer aplicação de fitofármacos ou adubos de síntese.

Vamos então as notas técnicas deste Azeite:

Operações culturais e tratamentos fitossanitários: Embora não esteja homologado oficialmente, o nosso olival é cultivado em regime biológico (sem qualquer aplicação de fitofármacos ou adubos de síntese). É efectuada de dois em dois anos ligeira poda de manutenção.

Colheita: Efectuada mecanicamente com varejadores/vibradores de dorso para toldos. Esta técnica permite preservar a estrutura da árvore. A azeitona é acondicionada em caixas de plástico alimentar de 25kg, seguindo diariamente para entrega em lagar. Não é aproveitada qualquer azeitona do chão.

Origem: Douro

Variedades: Cobrançosa, Madural e Negrinha de Freixo

Plantação: Sequeiro, sem rega, altitude 160 metros

Transformação: Extracção mecânica a baixas temperaturas (menos de 30ºC) em lagar com moínho de galgas de pedra seguindo-se extracção contínua a 2 fases. O processo de decantação dura entre 2 a 3 meses.

Engarrafamento e rotulagem: Directamente no local de transformação. A rotulagem é efectuada nas instalações da Quinta do Crasto.

Classificação: Azeite Premium Virgem Extra, produzido directamente de azeitona.

Este azeite, bem como todos os demais que estamos comentando nesta série, podem ser facilmente comprados em lojas do ramo ou então diretamente pela importadora exclusiva, a Qualimpor. Vocês poderão também seguir a Qualimpor em suas redes sociais conforme abaixo:


Espero que, como eu, todos tenham curtido muito esta série!

Um Abraço,

Gustavo Kauffman (GK)

terça-feira, 15 de março de 2011

A melhor cozinheira é a azeiteira



Há um ditado popular que diz que “A melhor cozinheira é a azeiteira” e os livros de receitas tradicionais portuguesas comprovam-no, porque o azeite aparece em quase todas.

Utilizado em cru (como tempero), em cozinhados (como ingrediente), bem quente (como meio de cozedura) ou a frio (como agente conservador de enchidos, azeitonas, alguns legumes e queijos), o azeite marca presença na cozinha, não conhecendo limites nos doces e salgados. O azeite dá sabor, aroma e cor. Melhora as texturas. Transmite o calor. Versátil como poucos ingredientes culinários, ele integra os alimentos, personaliza e identifica um prato.

Conselhos de Utilização

Em cru

O azeite conserva todas as suas propriedades como condimento de saladas, peixes ou legumes cozidos, ou quando é utilizado em molhos (ex: maionese).

Em sopas, acabadas de cozer, o azeite mantém igualmente as suas propriedades gustativas e dietéticas. Para enriquecer o sabor final é aconselhável juntar à sopa um segundo fio de azeite, quando a sua temperatura tenha já baixado um pouco.

Em petiscos

O azeite virgem e virgem extra é a gordura por excelência para ligar aromas do pão, em “tapas” ou torradas, com o queijo fresco ou curado, os peixes fumados, o presunto, o fiambre e até o caviar.

Em guisados e estufados

Em lume brando, a cozedura faz-se com o suco das carnes ou legumes que se desprende destes alimentos e do líquido que se lhes junta. Mantêm-se sabores e os aromas concentram-se, sobretudo se o cozinhado se processar num recipiente fechado.

Em assados

As temperaturas para assar, especialmente carnes, são inevitavelmente altas. Dada a sua estabilidade, o azeite é a gordura mais indicada para todo o tipo de assados.

Em grelhados

Na brasa, o azeite ajuda a cozinhar, protegendo o alimento perfumado, ou não, de ervas, para que este, à mistura com a própria gordura do alimento, lhe empreste um sabor e aroma irresistíveis. Também já no prato o grelhado fica enriquecido se for regado com um fio de azeite.

Em fritos

O azeite é a única gordura que não regista modificações substanciais da sua estrutura quando submetido a uma temperatura de 200ºC. Só a banha que possui substancial colesterol suporta temperaturas superiores. As outras gorduras líquidas como os óleos alteram-se ainda antes de se atingir a temperatura de fritura. (+ou- 200ºC). Por isso, o azeite virgem ou virgem extra é particularmente recomendado para fritar.

Por outro lado, o azeite virgem e virgem extra além de induzir uma crosta à superfície dos alimentos, aloura-os deixando-os estaladiços, impedindo assim a absorção de gordura, conferindo-lhes um enriquecido aroma adicional. Contudo, não deve misturar o azeite virgem e virgem extra com outros óleos vegetais nem com outras gorduras. Pode ser utilizado mais ou menos repetidas vezes na fritura, dependendo do alimento que se frita, mas quatro a cinco vezes é o recomendável.

Existem alguns sintomas que nos indicam que um azeite está saturado, exigindo uma mudança imediata:

- o azeite demora demasiado a aquecer e, ao introduzir nele os alimentos, arrefece muito rapidamente;
- ao fritar, produz muita espuma e o azeite “transborda” da fritadeira;
- as borbulhas do azeite quente não são pequenas, mas grandes;
- o azeite saturado tem uma cor mais avermelhada do que o fresco e, além disso, é mais espesso.

Em massas

As massas alimentícias ficam mais suaves e soltas se juntar um pouco de azeite à água de cozedura. Já no prato o azeite virgem ou virgem extra melhora muito o sabor final.


sexta-feira, 11 de março de 2011

Herdade do Esporão Selecção Virgem Extra - Série Azeites Portugueses



Chegamos ao penúltimo Azeite de nossa deliciosa série e o último da Herdade do Esporão que será comentado aqui.

Antes de trazermos os detalhes desta delícia, vamos falar de alguns, dos inúmeros benefícios que o Azeite traz para todos nós:

x É uma fonte rica em vitamina E e em antioxidantes que ajudam a retardar o processo de envelhecimento celular e a prevenir as doenças degenerativas;

x Ajuda a prevenir as doenças cardiovasculares, porque é capaz de reduzir a quantidade de colesterol total, aumentar o colesterol benéfico, prevenir e retardar a formação de arteriosclerose, diminuir a tensão arterial e contribuir para a diminuição da quantidade de gorduras saturadas ingeridas na alimentação;

x Protege contra alguns tipos de cancro, principalmente cancro da mama, próstata e cólon;

x Digere-se com maior facilidade do que qualquer outra gordura alimentar;

x Melhora o funcionamento do estômago e evita o refluxo gastro-esofágico;

x Graças a seu alto teor de ácidos gordos monoinsaturados, influencia positivamente os valores de açúcar e gordura no sangue, aumenta a sensibilidade à insulina pelo que é aconselhado na diabetes;

x Estimula o crescimento e favorece a absorção de cálcio e a mineralização óssea;

x Porque permite uma alimentação equilibrada em gorduras saudáveis, o azeite contribui para a prevenção, redução dos sintomas e melhoria clínica de todas as doenças inflamatórias, com revelo para as doenças alérgicas e doenças autoimunes (artrite reumatóide, colite ulcerosa);

x Limita as deficiências em ácidos gordos essenciais no cérebro da criança;

x Posto na boca, conserva a brancura dos dentes e fortifica as gengivas;

x Produz efeito protector e tónico da epiderme contribuindo para a beleza e brilho da pele. O azeite veio a revelar-se como uma estrela da cosmética;

x As suas aplicações na área da estética e beleza são inumeráveis: funciona como anti-rugas, hidratante e suavizante para peles secas; é purificador, calmante, e serve para amolecer as impurezas da pele e tornar mais fácil a sua remoção; melhora a elasticidade da pele, dá brilho aos cabelos e é perfeito para banhos relaxantes e massagens.

Incrível, não? É por estas e por outras que devemos inserir, e em definitivo, o Azeite em nossa alimentação!

O Selecção Virgem Extra é um genuíno puro sumo de azeitonas alentejanas, obtido a partir da seleção de pequenos lotes com características aromáticas excepcionais e extraído a frio de modo a preservar todos os aromas.

Feito da Galega Vulgar, Cordovil de Serpa, Cobrançosa e Verdeal Alentejana, é ideal para dar um toque gourmet na finalização de pratos como carpaccio, saladas frias, legumes grelhados ou cogumelos grelhados.

Vamos então à ficha técnica deste delicioso Azeite:

Lagar: Esporão Azeites

Variedades: Galega / Cordovil / Verdeal / Cobrançosa

Colheita: 2008

Região: Alentejo / Portugal

Visual: Tonalidade esverdeada, turvo e sujeito a depósito.

Olfactivo: Fruta verde e maçã.

Gustativo: Paladar a maçã, algo picante e ligeiramente amargo.

A ficha técnica completa pode ser acessada no site da Qualimpor aqui.

Este azeite, bem como todos os demais que estamos comentando nesta série, podem ser facilmente comprados em lojas do ramo ou então diretamente pela importadora exclusiva, a Qualimpor. Vocês poderão também seguir a Qualimpor em suas redes sociais conforme abaixo:


Até semana que vem com o término de nossa série!

Gustavo Kauffman (GK)


terça-feira, 1 de março de 2011

Herdade do Esporão Cordovil Virgem Extra - Série Azeites Portugueses

Realmente tem sido uma experiência das mais prazerosas fazer esta série sobre os Azeites Portugueses. Hoje irei falar do terceiro azeite de nossa série. Já passaram por aqui o Esporão DOP Moura e o Esporão Galega Virgem Extra.

Hoje iremos falar de outro azeite monovarietal da azeitona Cordovil. A Cordovil é uma azeitona que pode ser utilizada para conserva em verde, mas a sua principal utilização é para a elaboração de azeite, pois apresenta bons rendimentos. O azeite é muito rico em ácido oléico, é muito fino, com frutado intenso e característico, acentuado verde de folha e medianamente amargo e picante.

Os Azeites da Herdade do Esporão são azeites produzidos com azeitonas alentejanas da melhor qualidade, com o melhor sabor e máxima saudabilidade. Ideais para todos os momentos e para toda a família, acompanhando refeições tradicionais ou mais modernas.

O Azeite Esporão é para quem valoriza a vida, se preocupa com a verdadeira qualidade dos alimentos e gosta de saber tudo sobre o que está levando para a mesa de sua casa.

Um produto que preza pela autenticidade e transparência para conquistar a confiança de seus consumidores.

Vamos então à ficha técnica deste delicioso azeite:

Azeite produzido exclusivamente a partir do sumo natural de azeitonas da variedade Cordovil de Serpa. Ideal para quem quer sentir novas sensações em seus pratos.

Com aroma típico a erva fresca, sabor frutado ligeiramente amargo e picante, tempera saladas verdes, massas, peixes magros grelhados e aves.

Variedades: Cordovil

Colheita: 2008

Região: Alentejo / Portugal

Os detalhes técnicos completos podem ser acessados no site da Qualimpor.

Este azeite, bem como todos os demais que estamos comentando nesta série, podem ser facilmente comprados em lojas do ramo ou então diretamente pela importadora exclusiva, a Qualimpor. Vocês poderão também seguir a Qualimpor em suas redes sociais conforme abaixo:


Até semana que vem!

Gustavo Kauffman (GK)

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Azeite - Mitos, Lendas e Narrativas



Desde sempre, a oliveira tem estado associada a práticas religiosas, a mitos e tradições, a manifestações artísticas e culturais, a usos medicinais e gastronómicos. Na antiga Grécia, as mulheres, quando queriam engravidar passavam longos períodos de tempo à sombra das oliveiras. Da madeira das oliveiras faziam-se ceptros reais e com o Azeite ungiam-se monarcas, sacerdotes e atletas. Com as folhas faziam-se grinaldas e coroas para os vencedores.

A oliveira era considerada símbolo de sabedoria, paz, abundância e glória.

Os egípcios, há seis mil anos, atribuíam a Ísis, mulher de Osíris, Deus supremo da sua mitologia, o mérito de ensinar a cultivar a oliveira. Na lenda grega Palas Atenea, Deusa da paz e sabedoria, filha de Zeus, era para os Gregos a mãe da árvore sob a qual teriam nascido Remo e Rómulo, descendentes dos Deuses e fundadores de Roma, tendo feito brotar a oliveira de um golpe e, na sua grande bondade, ensinado o seu cultivo e o seu uso.

Por sua vez Minerva oferece aos romanos este presente divino, asilo também da divindade.

Cantaram a oliveira Homero, Ésquilo, Sófocles, Virgílio, Ovído e Plínio:

"E com um ramo de oliveira o homem se purifica totalmente." Virgílio, Eneida

"Uma gloriosa árvore floresce na nossa terra dórica: Nossa doce, prateada ama de leite, a oliveira. Nascida sozinha e imortal, sem temer inimigos, a sua força eterna desafia velhacos jovens e idosos, pois Zeus e Atena a protegem com olhos insones" Sófocles, Édipo

Em quase todas as religiões se fala da oliveira, árvore de civilizações longínquas, que tem lugar nos textos mais antigos:

- no "Génesis": a pomba de Noé traz no bico um ramo de oliveira para lhe mostrar que o mundo revive.

- No "Êxodo", Yaveh prescreve a Moisés a "Santa Unção" na qual o Azeite se mistura com perfumes raros.

- No horto de Getsemani vivem ainda oito grandes oliveiras que viram rezar, chorar e morrer Cristo.

- Também o Corão canta a árvore que nasce no monte Sinai e refere-se ao óleo que dela se extrai para ser transformado em luz de candeia "que parece um astro rutilante".

Foi sempre património dos países mediterrâneos, mas hoje em dia encontra-se disseminada um pouco por toda a parte, desde a Argentina, Austrália, Chile, Estados Unidos da América, até ao Japão, México e República da África do Sul, entre outros.


sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

O Azeite na Cultura Portuguesa



O Azeite sempre esteve presente nos recantos da vida diária dos portugueses: na candeia do pobre e no candelabro do rico, na mesa frugal do camponês e nos solenes templos de velhos cultos.

Mítico, bíblico, romanesco e histórico, "o Azeite vem sempre ao de cima". Enfrentou a nova verdade dos mercados seletivos e deixou de ser simplesmente o Azeite, para adotar o berço de uma origem e assumir a identidade de uma marca.

Em Portugal, a cultura da Oliveira perde-se nos mais remotos tempos. Segundo rezam as crónicas, os Visigodos já a deviam ter herdado dos Romanos e estes, possivelmente, tinham-na encontrado na Península Ibérica. Por sua vez, os Árabes mantiveram a cultura e fizeram-na prosperar, sendo que a palavra Azeite tem origem no vocábulo árabe al-zait, que significava "sumo de azeitona".

De fato, as primeiras manifestações da importância da cultura da oliveira em Portugal aparecem nas províncias onde a reconquista cristã mais tardiamente se realizou. É assim que os primeiros forais que se referem à produção olivícola dizem respeito às províncias portuguesas da Estremadura e do Alentejo.

Até finais de século XII, em Portugal, não é mencionada a cultura da oliveira nem o interesse económico da sua produção. Contudo, no século XIII, o Azeite já ocupa um lugar importante no comércio externo português, posição que manterá posteriormente, podendo afirmar-se que esta gordura era um produto muito abundante na Idade Média.

Mais tarde, são as ordens religiosas que, com o seu papel na revitalização da agricultura, dedicam especial atenção a fabricação do Azeite. O "óleo sagrado" vai ter uma importância fundamental na economia do Convento de Santa Cruz de Coimbra, do Mosteiro de Alcobaça, da Ordem dos Freires de Cristo, da Ordem do Templo e da Ordem dos Cavaleiros de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Resistente à seca, de fácil adaptação aos terrenos pedregosos, a oliveira tornou-se numa presença constante na agricultura portuguesa.

Eng. António Manuel Monteiro escreveu a interessante obra «A Oliveira», editada por João Azevedo Editor em 1999. Possui um capítulo dedicado à oliveira e os seus produtos na cultura popular, que é o que ora nos importa e do qual vamos recolher alguma informação.

Segundo António Monteiro em Trás-os-Montes o povo sempre gostou de dançar nas segadas, nas vindimas, nos momentos de lazer e nas festas religiosas. Ao azeite e à oliveira estão ligadas quadras, poemas, adágios, adivinhas, toponímia e medicina.

A mitologia sempre atribuiu à oliveira virtualidades e qualidades medicinais, alimentares, económicas, proféticas e sagradas.

As azeitonas verdes aguçavam o apetite e eram excelentes para os dentes enquanto as pretas era, segundo Plínio, adversas ao estômago mas boas para o ventre. Os heróis da Grécia consumiam imenso azeite, óleo divino. Untavam o corpo para conservarem a sua beleza imortal. Os romanos usavam-nos também como cosmético para fortalecer o cabelo e para lhe dar um aspecto oleoso e brilhante e amaciar os músculos fatigados.

Para os cristãos, na Roma Antiga, era o óleo santo que davam aos moribundos, como sinal da vida eterna.

Aníbal ordenou aos seus soldados que se untassem com azeite para a travessia dos Alpes a fim de aquecerem o corpo. Catão aconselhava o uso do azeite de azeitona preta para tratamento das úlceras da boca e para todas as doenças dos animais.

Existem várias rezas para as trovoadas, os olhos, os maus-olhados, o exorcismo, a cura, etc, em que se utiliza o azeite e os ramos da oliveira.

Segundo a crença popular as azeitonas não se podem mudar quando as mulheres andam com o período porque se estragam; quando se vaza azeite é mau sinal; vinho derramado na toalha da mesa é sinal de alegria e o azeite de tristeza; se uma rapariga puser três azeitonas pretas no mesmo pezinho debaixo do travesseiro, nessa noite sonha com o rapaz com quem vai casar; se falarmos à luz da candeia que vimos um ninho em certo lugar, as cobras vão lá a comem os passarinhos.

Existem alcunhas individuais ligadas à oliveira e ao azeite como o Joaquim Azeiteiro, o José da Talha, a Adelaide Lentisca, o Jacinto Alcaparra, a Alice Galheteiro, etc. Alguns termos do glossário olivícola foram-se assumindo ao longo dos tempos na toponímia e, sobretudo, nos apelidos de inúmeras famílias: Caldeira, Capacho, Oliveira, Caroço, Cordovil, Madural, Vara, Verdeal, etc.

Como não podia deixar de ser existem variados ditos populares ligados ao tema:

☼ A azeitona e a fortuna, às vezes muitas, às vezes nenhuma.

☼ A azeitona é como as formigas: às vezes muita e outras nenhuma.

☼ A azeitona, pelo São Mateus, já alumia Deus.

☼ Azeite, dai-mo à ceia e tirar-mo à candeia.

☼ Azeite de cima, mel do fundo, vinho do meio.

☼ Azeite de cima, vinho do meio e mel do fundo, não enganam o mundo.

☼ Azeite de oliva o mal cura.

☼ Azeite de oliva todo o mal tira.

☼ Azeite e verdade vêm sempre à tona.

☼ Azeite no chão, sinal de paixão.

☼ Azeite, vinho e amigo, (prefere) o mais antigo.

☼ Azeite, vinho e amigo, melhor o antigo.

☼ Azeitona com pão alvo é comida de fidalgo.

☼ Azeitona cordovil, quem a comer morrerá.

☼ Azeitona e riqueza, às vezes muita e às vezes magreza.

☼ O azeite e a verdade andam sempre ao de cima.

☼ O azeite é meio serralheiro.

☼ O azeite quer-se bem medido e mal escorrido.

☼ O azeite e a verdade procuram a sumidade.

☼ Oliveira de balseira, terra de ladeira, moça de estalajadeira, não pode ser boa, antes que o queira.

☼ Oliveira não tem folha, o pavão comeu-a toda.

☼ Oliveira do meu avô, figueira de meu pai e vinha a quem eu puser.

☼ Olival que bem parece, devagar cresce.

☼ Estaca nova de oliveira velha, no tempo da flor, é cortar e pôr.

☼ Onde haja carvalheira, não plantes oliveira.

☼ Ao pé dor rio, nem vinha, nem olival, nem casa.

☼ Encosta soalheira, p´ranta-lhe oliveira.

☼ A olho vê seu mal, quem tem vinha no olival.

☼ Água de Janeiro traz azeite ao olival, vinho ao lagar e palha no palheiro.

☼ A chuva de São João tira o vinho e o azeite, e não dão pão.

☼ Quem muito azeite tem, muito deita nas berças.

☼ Dia de São Pedro, vê o teu olivedo e, se vires um bago, espera por um cento.

☼ Não é pancada da vara que amadurece a azeitona.

☼ Quem apanha a azeitona antes de Santo André fica-lhe o azeite no pé e, antes de Janeiro, fica-lhe o azeite no madeiro.

☼ Quem azeite colhe antes do Natal, azeite deixa no olival.

☼ O dinheiro deve ser como o azeite: por onde passar untar.

☼ Oliveira mareira é aneira.

☼ Não tem eira nem beira, nem ramo de oliveira.

☼ Esta falta de azeite, desgraça das torcidas.

☼ Quem pela oliveira passou e um raminho não cortou, do seu amor não se lembrou.

☼ Não bebas de lagoa, nem comas mais do que uma azeitona.

☼ Gato que nunca comeu o azeite, quando o come se lambuza.

☼ A salada bem salgada, pouco vinagre, bem azeitada.

☼ Molho fervido, azeite perdido.

☼ Deixa-te de grelos que é roubo de azeite.

☼ Cão azeiteiro nunca bom coelheiro.

☼ Pote de leite por pote de azeite ou bilha de leite por bilha de azeite.

☼ Deus dá a azeitona e o lagareiro o azeite.

☼ Se deus fosse lagareiro, também se untaria.

☼ Darei azeite que não te agrade, não é esmola que o pobre consome.

☼ A oliveira é benta e o ramo dela dá virtude.

☼ São quatro as mordomas da Igreja: oliveira, videira, abelheira e trigueira.

☼ Ao altar de Deus vão os melhores produtos da terra: cera de abelha, toalha de linho, pão, azeite e vinho.

☼ A oliveira dá-nos azeitona, a azeitona dá-nos azeite, o azeite dá-nos luz na candeia, saúde no mal e gosto no prato.

O azeite e a azeitona estão também presentes na arte e na literatura.

Em Mirandela, a oliveira tem sido aproveitada como árvore ornamental. É comum dizer-se que em Mirandela até as oliveiras dão rosas. Por toda a cidade existem oliveiras implantadas em jardins, em parques e em zonas verdes.

Só em Mirandela é possível adoptar uma oliveira para que fique no seu jardim e no seu quintal e possa tratar dela com carinho.





quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Regiões Produtoras de Azeites em Portugal e suas Características



Em Portugal, encontramos seis zonas de Denominação de Origem Protegida (DOP) para azeites. A classificação DOP significa que o azeite foi feito de acordo com as regras estipuladas no caderno de especificações, o qual inclui variedades de azeitona, condições de apanha e transporte para o lagar, condições de laboração e as características do produto final.

Denominação de Origem Protegida de Moura

A região de Moura, na margem esquerda do rio Guadiana, é muito conhecida pela produção dos azeites e a Dominação de Origem Protegida Azeite de Moura encontra-se consagrada pelo uso. Não é por acaso que o povo diz: “Tão fino como azeite de Moura”.

O Azeite desta região, proveniente da associação das azeitonas Cordovil de Serpa, Galega Vulgar e Verdeal Alentejana, resulta muito frutado, amargo e picante, sendo de cor amarela esverdeada.

Denominação de Origem Protegida do Alentejo Interior

Na outra margem do rio Guadiana, na região dos Azeites do Alentejo Interior, existem condições de solo e clima muito particulares que dão origem a um ambiente natural que privilegia o desenvolvimento da oliveira. É uma região com uma gama de solos variada, todos eles ricos em cálcio e potássio, que influência o porte e produção da azeitona.

O azeite tem cor amarela dourada ou esverdeada, aroma frutado suave de azeitona madura e/ou verde e outros frutos, nomeadamente, maçã e/ou figo transmitindo uma grande sensação de doce.

Denominação de Origem Protegida do Norte Alentejo

Nos azeites do Norte Alentejo, provenientes de algumas freguesias de Évora, e dos concelhos de Estremoz, Borba e Reguengos de Monsaraz até Elvas, Campo Maior e Portalegre, a Galega Vulgar, predominante, junta-se à Carrasquenha e Redondil.

Os azeites que aliam os frutados das variedades com sensações fortes de maçã e outros frutos maduros, são ligeiramente espessos, com cor amarelo ouro, por vezes esverdeados.

Denominação de Origem Protegida do Ribatejo

Na região do Ribatejo a variedade que impera è a Galega Vulgar, aliando-se à Lentisca apenas em Torres Novas. Esta é a região dos azeites doces.

Denominação de Origem Protegida da Beira Interior

Nesta região a Galega Vulgar junta-se à Bical e à Cordovil de Castelo Branco, na Sub- Região de Azeites da Beira Baixa, dando origem a azeites complexos de aroma e sabor. Mais a norte onde a Galega Vulgar é por vezes substituída pelas variedades Carrasquenha, Cobrançosa, Carrasquinha e Cornicabra, encontramos a Sub-Região dos Azeites da Beira Alta, que confina com o rio Douro onde existe um número elevado de variedades.

Denominação de Origem Protegida de Trás-os-Montes

Já no distrito de Bragança, prodomina o cultivo da variedade Negrinha de Freixo. Aqui começa a DOP de Trás-os-Montes que se estende por Alfandega da Fé, Vila Flor até Valpaços e Murça, passando por Mirandela onde as azeitonas Madural, Cobrançosa e Verdeal Transmontana, no clima e nos solos de xisto da Terra Quente, dão azeites muito finos e complexos com odores acentuados de frutos secos. Sendo azeites equilibrados, apresentam uma sensação notável de doce, verde, amargo e picante.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Esporão Galega Virgem Extra – Série Azeites Portugueses



Chegamos ao segundo, e também delicioso, azeite de nossa série. Hoje iremos falar do Esporão Galega Virgem Extra.

O Esporão Galega Virgem Extra é um azeite monovarietal produzido apenas com a azeitona Galega de Serpa. A Galega de Serpa possui uma árvore bastante vigorosa, com tendência de crescer em altura. Folhas de forma elíptica, plana, de cor verde escuro na página superior e verde acinzentado na página inferior, e uma grande densidade das mesmas.

O fruto tem forma esférica e simétrica, e pesa entre 2,5 a 3,5 gramas. Tem cor verde, evoluem para um verde mais claro e finalmente passam a preto intenso. O caroço é ovóide e com superfície lisa.

Devido à grande densidade de folhagem, está bastante sujeita a ataques de cochonilha e de fumagina.

A maturação é temporã. Apresenta boas produções mas tem grande queda natural dos frutos.

A Esporão Azeites assume o controlo absoluto do processo produtivo do azeite. Desde a apanha, seleção, limpeza e lavagem das azeitonas até às fases de desumidificação, armazenamento e engarrafamento do azeite, todo o processo é desenvolvido num ambiente tecnológico e higiénico controlado com o maior rigor. Assim asseguramos o cumprimento, não só dos padrões de qualidade internos, como dos que são estabelecidos pelos organismos de certificação.

O lagar de Serpa é fundamental para que esse controle seja efetivo, na medida em que permite:

x A seleção intensiva e exaustiva de azeitonas 100% portuguesas;
x O cumprimento de elevadas exigências higiénicas;
x A utilização de alta tecnologia em todo o processo de produção;
x O controle da temperatura da massa de azeitona (desde que é moída até ser extraído o respectivo sumo);
x O controle da humidade da massa de azeitona;
x O controle da quantidade de entrada da massa de azeitona no decanter;
x O controle da temperatura das águas usadas no processo.

Dotado de linhas de recepção e limpeza de azeitona, linhas de extração de azeite e uma adega, o nosso lagar apresenta uma capacidade média de produção de 1 milhão de litros de azeite por ano. Ora, isto permite-nos produzir e comercializar azeite virgem extra com uma excelente relação qualidade/preço, a partir de azeitonas do olival da Herdade do Esporão e de outros olivicultores da região. Refira-se ainda que os processos desenvolvidos no lagar são totalmente mecânicos e tradicionais.

Depois de conhecer mais sobre a Galega de Serpa e sobre o Lagar da Herdade do Esporão, vamos então à ficha técnica deste azeite:

Lagar: Esporão Azeites

Variedades: Galega de Serpa

Colheita: 2008

Região: Alentejo / Portugal

Visual: Verde amarelado.

Olfato: Frutado “sui generis”, com notas de maçãs verdes.

Paladar: Fresco, suavemente amargo, pouco picante.

Método de Exploração: Estreme, base familiar.

Este delicioso azeite pode ser facilmente comprados em lojas do ramo ou então diretamente pela importadora exclusiva, a Qualimpor. Vocês poderão também seguir a Qualimpor em suas redes sociais conforme abaixo:


Até semana que vem!

Gustavo Kauffman (GK)

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Esporão DOP Moura – Série Azeites Portugueses

E, pela primeira vez, cá estamos no Enoleigos trazendo informações sobre estas delícias gastronômicas, os azeites! Aos poucos, nesta série, traremos todas as informações sobre o processo produtivo dos Azeites da Herdade do Esporão e da Quinta do Crasto.

O Azeite Esporão é para quem valoriza a vida, se preocupa com a verdadeira qualidade dos alimentos e gosta de saber tudo sobre o que está levando para a mesa de sua casa.

Um produto que preza pela autenticidade e transparência para conquistar a confiança de seus consumidores.

A oliveira é símbolo de paz, abundância, purificação, sabedoria e força. Em seus ramos repousa o fruto, a azeitona, que o engenho do Homem soube transformar num óleo de múltiplas aplicações culinárias, medicinais e até mitológicas. Falamos do azeite, um produto agro-alimentar que se confunde com a própria identidade do nosso povo.

No Alentejo, a oliveira foi introduzida pelos fenícios e cultivada com afinco pelos romanos. Depois tornou-se uma das espécies nobres da região, fonte de sustento das suas gentes e fator de competitividade económica. É nas planícies alentejanas que se encontra quase 50% do olival nacional, o que diz bem do peso regional desta árvore afeiçoada a solos pedregosos e condições climáticas extremas.

Na Herdade do Esporão, a olivicultura é muito mais do que uma atividade agro-alimentar. O cultivo da oliveira, a apanha da azeitona e a produção de azeite são labores que emergem da força da região, que se impõem como um ritual de veneração a um lugar – o Alentejo.

Como estou iniciando neste novo mundo, não vou me atrever a tecer meus comentários e impressões muito detalhados sobre cada azeite. Trarei apenas as fichas técnicas da empresa. Reparem que, assim como vinho, temos tipos de azeitonas distintos, safra, características visuais, olfativas e gustativas! Ah, e quem é que disse que ainda não existem azeites produzidos como antigamente? Prove e verá que existe!

Lagar: Esporão Azeites

Variedades: Galega / Cordovil / Verdeal

Colheita: 2008

Região: Alentejo / Portugal

Certificação: DOP

Visual: Tonalidade verde amarelado

Olfato: Frutado verde, com nuances de maçã.

Paladar: Fresco, ligeiramente amargo, pouco picante, fazendo lembrar fruta verde.



A ficha técnica completa pode ser consultada no site da Qualimpor, importador exclusivo dos Azeites da Herdade do Esporão.

Este delicioso azeite pode ser facilmente comprados em lojas do ramo ou então diretamente pela importadora exclusiva, a Qualimpor. Vocês poderão também seguir a Qualimpor em suas redes sociais conforme abaixo:


Até semana que vem!

Gustavo Kauffman (GK)


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