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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

A arte do Dão


Diz-se que o mundo está dividido entre consumidores de Cabernet Sauvignon e os que preferem Pinot Noir. Esta polaridade estilística é facilmente generalizada para incluir muitas outras castas tintas e regiões vinícolas: Bordéus vs. Borgonha; Syrah australiano vs. Syrah do Reno; Rioja vs. Ribera del Duero.


O verdadeiro cerne da questão é a preferência por vinhos de cor escura, encorpados, que cheiram e sabem a frutos negros (amoras, cassis, etc.), com uma estrutura firme de taninos – um estilo a que os franceses apelidam de “masculino”. Isto versus a preferência por vinhos mais delicadamente perfumados, mais leves, com notas de frutos vermelhos (cerejas e morangos), taninos finos e acidez refrescante – um estilo “feminino”, à falta de melhor nome. Após a minha primeira visita pela região do Dão fiquei impressionado como os vinhos tintos encaixaram tão bem no segmento dos Pinot Noir. Mais tarde, li que um perito do século XIX uma vez descreveu os vinhos do Dão como tendo um forte carácter de Borgonha, o que sugere que este traço estilístico está profundamente enraizado na região. E isso é bom, porque o Dão oferece claramente uma alternativa aos vinhos do Douro ou Alentejo que, obviamente, se inclinam para estilos mais fortes,masculinos. O que gosto no Dão é que muitas das castas não existem em mais nenhum lado no mundo e muitos produtores ainda utilizam antigos lagares de granito. Além disso, realço as vinhas antigas de plantações mistas que não foram arrancadas e replantadas como as vinhas na Califórnia ou na Austrália.

O Dão parece ter emergido de uma fase de transição e não está no meio de um período de experimentação, revitalização e redescoberta. O melhor é que permaneceu fiel às suas tradições, não perdeu a sua alma no processo.

A ELEGÂNCIA DO DÃO


Os estilos tintos do Dão são definidos pelas suas castas (Touriga Nacional, Roriz, Alfrocheiro, Jaen e Rufete), os solos de granito que fazem com que retenham a sua acidez natural e um clima que é mais fresco e chuvoso que no Douro e no Alentejo. Tudo isto faz com que preservem tanto a “frescura” como a longevidade pelas quais os tintos do Dão são famosos. As castas são muito interessantes. Ao contrário do que se costuma pensar, as pesquisas de ADN confirmaram que a Touriga Nacional teve origem no Dão e migrou depois para o Douro. Não contentes por roubarem um pouco da mística do Douro, as pesquisas também sugerem que a Baga teve origem no Dão antes de passar para a Bairrada. E, apesar de se poder assumir logicamente que a Roriz tem estado no Dão há muito tempo, parece que tal só aconteceu nos anos 90 do século XX. As castas mais tradicionais são a Touriga Nacional, Alfrocheiro, Jaen e Rufete. Destas, a Touriga é a que reina, com aromas mais pronunciados, fragrâncias florais de violeta e um carácter mais definido, elegante e linear do que o encontrado em regiões mais quentes. E, enquanto a Touriga permanece o factor dominante nos “blends” do Dão, são as outras castas que necessitam de maiores cuidados. Luís Lourenço, da Quinta dos Roques e da Quinta das Maias, começou por fazer monocastas de Alfrocheiro e Jaen “para perceber o carácter de cada casta”, porque “não aceitava que tal não se pudesse fazer” só porque não era prática comum. O resultado é que uma grande parte de produtores está agora a fazer vinhos monovarietais, destas e de outras castas, muito convincentes. A solução tem sido encontrar o solo e o clima correctos para cada casta, de maneira que possa mostrar o seu melhor e manter-se sozinha. Jorge Brites, o enólogo do Centro de Estudos Vitivinícolas em Nelas, explicou a situação da Jaen: “Muitas vezes tem sido plantada em sítios errados, por isso é que não era respeitada nem considerada como uma casta principal.” O problema é que no sul do Dão amadurece demasiado rápido, faltando-lhe cor e estrutura. Por lhe faltar acidez foi relegada para um segundo plano, para acrescentar aroma e álcool ao “blend”.

Mas, se for plantada no norte e a uma maior altitude, mais fresca, a Jaen amadurece duas semanas mais tarde e, por isso, desenvolve uma cor mais escura, aromas mais profundos, taninos finos e uma acidez mais firme. O amadurecimento mais lento é a chave para fazer um vinho mais completo. O desafio tem sido encontrar o local certo para dar ao Rufete e ao Alfrocheiro uma oportunidade para igualmente se “manterem sozinhos” como vinhos. Os vinhos 100% Jaen mais convincentes que tenho provado são produzidos por Terras de Tavares de Pina, Quinta das Maias, Quinta do Lemos e Quinta das Marias. Enquanto os actuais colheitas de 2007 são mais maduros, audaciosos e ricos, na maior parte dos casos prefiro os vinhos da colheita mais fresca de 2006, que são mais equilibrados, com mais fruta e mais sedosos. A colheita de 2008 que provei, e que ainda não saiu para o mercado, foi mais baixa e fresca. Os vinhos têm uma relação de estilo muito clara com a de 2006, mas têm aromas mais complexos e uma melhor concentração. De forma semelhante, os melhores produtores de Alfrocheiro que provei foram a Quinta das Marias, Quinta dos Carvalhais, Quinta dos Roques e Borges. Todos partilhavam maravilhosos aromas e sabores a cereja, texturas sedosas e acidez frutada – qualidades que recordam a Gamay do Beaujolais ou um bom Pinot Noir do Novo Mundo.


O melhor para mim foi a possibiliddae de provar colheitas de 1997 de Terras de Tavares de Pina, Quinta das Maias e Quinta dos Roques. Em todos os casos, notas de fruta vermelha e uma acidez brilhante tinham dado lugar a aromas saborosos e intrigantes, texturas cremosas e finais longos. Os vinhos lembravam-me Borgonhas bem feitos e Grandes Reservas da Rioja. Se eles envelheceram tão bem a partir destas versões iniciais, até onde chegarão os vinhos de hoje?



Fonte: Paul White p/ Wine a Essência do Vinho

domingo, 29 de janeiro de 2012

Tejo foi a região vitivinícola portuguesa que mais cresceu em 2011



Exportações com Aumento Recorde de 74% e Vendas Globais Sobem 27% face a 2010.A região vitivinícola do Tejo foi, entre as demais regiões de vinhos nacionais, a que registou o maior crescimento global em 2011, em termos de exportações e vendas internas, tendo aumentado o seu desempenho em 28% face ao ano anterior.

Este crescimento foi fortemente impulsionado por um aumento de 74% nas exportações globais (União Europeia e países terceiros), número que traduz a venda de aproximadamente 6,7 milhões de garrafas para os mercados internacionais, revela a Comissão Vitivinícola Regional do Tejo (CVR Tejo),

“Estes resultados superaram as nossas melhores expectativas e resultam da conjugação de três factores: do esforço e empenho dos produtores, das ações internacionais de promoção da região organizadas pela CVR Tejo e da crescente melhoria da relação qualidade/preço dos nossos vinhos”, sublinha José Pinto Gaspar, presidente da CVR Tejo.

Entre os principais mercados importadores de vinhos do Tejo, a Suécia foi o que registou uma maior evolução, tendo aumentado em 494% o volume de litros de vinho adquiridos, sendo atualmente o segundo melhor “cliente” mundial de vinhos da região. 

Nesse capítulo, a liderança continua a pertencer a Angola, mercado em que os vinhos do Tejo voltaram a crescer em 2011, aumentando em 60% o seu desempenho na exportação para aquele país face ao ano anterior. 

 A terceira posição na lista dos países maiores consumidores de vinhos da região é ocupada por Inglaterra, mercado que em 2011 aumentou em 81% o volume de litros de vinhos do Tejo importados. 

Destaque ainda para a China, país para o qual os vinhos do Tejo aumentaram as exportações em 20%, o que o torna no quarto mercado internacional que mais vinhos da região consome.

Embora ciente de que o atual cenário de crise e consequente retracção no consumo dificultam o bom desempenho do sector vitivinícola nacional, José Pinto Gaspar está confiante de que 2012 será ainda um ano de crescimento, embora a um ritmo mais moderado.   

“No último ano exportamos 43% do total de vinho produzido na região e é alicerçados nos mercados internacionais que, apesar do atual cenário de crise, estimamos poder continuar a registar um crescimento global de 2 a 3%”, antecipa. 

Refira-se que, para 2012, os vinhos do Tejo elegeram os Estados Unidos como um dos mercados internacionais prioritários, estando previsto o desenvolvimento de ações com vista ao reforço da sua posição naquele país em Outubro.    

Recorde-se ainda que, de acordo com os relatórios da ViniPortugal, os vinhos do Tejo foram os mais procurados, no que respeita a provas e vendas, nas provas mensais de 2011, na Sala Ogival de Lisboa, em que participaram com outras regiões vitivinícolas.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Douro - Novo portal no ar !!




Investimento de 580 mil euros para reforçar notoriedade da região, proporcionar novas oportunidades de negócio e facilitar a vida de turistas.

Um dos grandes anseios do Douro tem agora correspondência prática, com o “Douro Valley”, o primeiro e inovador portal de divulgação e promoção turística da região, já online em www.dourovalley.eu 

Notícias, eventos, pontos de interesse e  itinerários constituem um total de cerca de 4.000 conteúdos, a que acrescem largas dezenas de descritivos com fotografias e vídeos ilustrativos dos principais atrativos da região.

Uma preciosa aplicação geográfica, denominada geoDouro, permite ainda ao utilizador navegar pelos pontos de interesse  e itinerários visualizados no mapa, definir a sua localização para calcular distâncias em linha reta a outros pontos, e assim construir a sua própria viagem, estabelecendo um roteiro composto pelos pontos de interesse ou itinerários selecionados. Neste portal é ainda possível identificar e reservar diretamente alojamento no Douro, através de uma parceria estabelecida com o Booking.

O “Douro Valley” possui outra área, o inDouro, onde se encontram reunidas notícias, eventos e destaques de pontos de interesse, constantemente atualizados. Os eventos, em particular, são georreferenciados, tal como os pontos de interesse e itinerários, e integrados no geoDouro de forma inovadora, possibilitando pesquisar o que há de mais relevante numa qualquer área geográfica e num qualquer período de tempo.

O portal www.dourovalley.eu é promovido pelo CITMAD – Centro de Inovação de Trás-os-Montes e Alto Douro, em parceria com o INESC TEC – INESC Tecnologia e Ciência (entidade coordenada pelo INESC Porto), a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), a Universidade do Porto (através da Faculdade de Engenharia e da Faculdade de Economia), com o apoio da Estrutura de Missão do Douro, sendo ainda cofinanciado pelo programa “ON.2 – O Novo Norte”.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Entendendo a CPEG - Consórcio dos Produtores de Espumante de Garibaldi



A HISTÓRIA

O espumante natural forma parte da história do Município de Garibaldi na Serra Gaúcha, já que em 1915 Armando Peterlongo começou a elaboração do que seria o primeiro produzido no Brasil.

Anos depois outras vinícolas que chegaram possibilitaram que  marcas como Georges Aubert, Chandon, De Gréville e Forestier transformassem Garibaldi no maior produtor nacional., 

Na atualidade, numerosas vinícolas de pequeno e meio porte, seguindo o exemplo e respeitando a vocação natural do Município, fazem do espumante natural seu principal produto. 

O espumante natural nasceu por acaso ao norte da França na região de Champagne no século XVII.

As temperaturas baixas ao fim do verão dificultavam a finalização da fermentação dos vinhos que eram, inadvertidamente, engarrafados com resíduos de açúcares. Ao serem exportados, eram submetidos a temperaturas mais altas e, em alguns casos, essa condição provocava reinício da fermentação com formação de gás em grandes volumes. As garrafas, que não eram adaptadas a pressão, explodiam preocupando os consumidores. Esses vinhos eram devolvidos a Champagne por serem considerados “estragados”.

Ao longo do tempo os produtores, inclusive Dom Perignon,  tentaram sem êxito eliminar as borbulhas porque desejavam produzir vinhos de qualidade a exemplo de sua vizinha a Borgogne, situada logo abaixo. Isso explica o cultivo de variedades como Chardonnay e Pinot Noir, uvas típicas da Borgogne, e a alta porcentagem de castas tintas (75%) cultivadas na região.
Apesar desses esforços, esse produto “com gás perigoso”  foi sendo conhecido, desenvolvido e apreciado pelas cortes e a nobreza que reservavam para si boa parte de sua produção. Com o passar do tempo ao ser conhecido como o “vinhos dos Reis”, ganhou prestigio e admiração. Finalmente Champagne descobrira sua verdadeira vocação.

O espumante de Champagne ficou tão famoso e conhecido que começou a ser elaborado em outros países da Europa e do Novo Mundo seguindo as técnicas aplicadas na região de origem e identificado com o nome desta.

Com a abertura de mercados e criação do Mercado Comúm Europeu e do Mercosul, foram criadas regras que impedem aos países membros o uso de nomes e expressões que identifiquem produtos de outras regiões, e por tal razão, ficou proibido o uso de palavras como champagne e cognac. A Espanha adotou o nome Cava, Itália o nome Spumanti para identificar seus espumantes naturais. O Brasil começou a identificar-los como Espumantes, nome adotado rapidamente pelo mercado consumidor.

Garibaldi, na Serra Gaúcha, é o município onde o espumante natural é o principal produto das vinícolas, em especial das pequenas e médias. Uma clara demonstração da importância deste magnífico produto é o desenvolvimento de projetos como a Rota dos Espumantes, as Microchampanharias e o Consórcio de Produtores de Espumantes de Garibaldi - CPEG.

INSPIRADOR

Nenhuma bebida oferece tanta versatilidade, subjetividade, sentimentos de alegria e confraternização como o espumante natural. Nada fica igual com sua chegada.

Nenhum vinho prestou-se tanto à poesia, à arte a ao exagero quando o espumante. Vejamos algumas manifestações de personalidades mundiais:
Casanova, o lendário conquistador o considerava “Equipamento essencial à sedução”.

Coco Chanel, a famosa estilista e criadora do império Chanel o bebia somente e duas ocasiões: “Quando estou apaixonada e quando não estou apaixonada”.
Patrick Forbes, grande historiador do champagne disse preferi-lo “Às onze e meia da manhã quando meu paladar ainda esta puro e limpo”.

O dramaturgo, escritor e poeta irlandês Oscar Wilde disse que “Só as pessoas sem imaginação não conseguem encontrar um motivo para beber champagne”.
Finalmente, talvez a frase mais famosa pertença a Lily Bollinger, viúva de Jacques Bollinger, que conseguiu desenvolver com maestria a casa produtora de champagne durante a ocupação nazista. Ao ser questionada por um jornalista ela disse:

“Eu bebo champagne quando estou alegre ou quando estou triste. Algumas vezes bebo quando estou sozinha, mais quando estou acompanhada o considero obrigatório. Eu me distraio com champagne quando estou sem fome ou bebo quando estou faminta. Fora isso não toco nele, a não ser, é claro que esteja com sede”.

O CONSÓRCIO

Algumas vinícolas de Garibaldi, procurando aprimorar a qualidade de seus espumantes e ressaltar as características peculiares que o clima e o solo do município proporcionam, decidiram juntar-se para estudar caminhos a seguir.
Após numerosos encontros onde foram discutidas alternativas como a criação de uma Indicação Geográfica de Procedência ou uma Marca Coletiva, a conclusão final foi que esta última atendia melhor os objetivos traçados.

Marca coletiva é a marca que pode ser utilizada por todos os integrantes de uma determinada associação, desde que cumpram os requisitos fixados nas normas constantes no RAC - Regulamento de Avaliação de Conformidade.

De esta forma foi criada a Marca Coletiva Consórcio de Produtores de Espumantes de Garibaldi - CPEG que pertence á entidade homônima fundada em 2007.

Garibaldi possui duas variáveis fundamentais para a elaboração de espumantes de qualidade: excelentes clima e solo que proporcionam condições excepcionais para o cultivo de uvas destinadas a esse fim e domínio absoluto sobre a técnica de elaboração do vinho base,  tomada de espuma e maturação. Ao final são quase cem anos de tradição e experiência na produção de espumantes de qualidade, seja pelo método tradicional conhecido como champenoise como pelo método charmat.

O crescimento do mercado de espumantes no Brasil nos últimos anos resultou no aumento da concorrência devido à entrada de numerosos produtos elaborados por vinícolas da Serra e outras regiões.

Esse crescimento constante e consolidado do consumo de espumantes nacionais é uma clara demonstração do alto conceito que esta magnífica bebida possui junto aos apreciadores.

Com o objetivo de fazer frente a essa concorrência, um pequeno grupo de produtores criou o Consórcio de Produtores de Espumantes de Garibaldi - CPEG, com a missão de implementar um programa de estímulo à qualidade. Para tal fim foi necessário criar mecanismos que assegurassem o uso de uvas adequadas e a aplicação dos melhores procedimentos de elaboração de espumantes..

Com a criação da Marca Coletiva, foi definido o Regulamento de Avaliação de Conformidade - RAC que garante ao consumidor o cumprimento das especificações nele fixadas. O Regulamento foi inspirado nas normas vigentes em Regulamentos das regiões de Champagne, Cava, Asti e Prosecco.

Como a legislação brasileira de vinhos e espumantes é muito genérica em relação às normas de elaboração, uvas permitidas e ciclos de produção, era importante dispor de um documento técnico direcionado ao aprimoramento da qualidade. Com este intuito foi criado o RAC.

O cumprimento do RAC, que habilitará o associado do CPEG a usar os símbolos de certificação, será auditado por empresa externa credenciada pelo INPI - Instituto Nacional de Propriedade Intelectual.

Entre os destaques do RAC é importante ressaltar:

- Somente serão certificados produtos de empresas que tenham sede produtiva no município de Garibaldi por um dos métodos, charmat ou tradicional.

- A adesão é voluntária. Quem adere assume o compromisso de cumprir as exigências do RAC e abrir suas instalações para as auditorias de controle.

- Os aderentes poderão solicitar a certificação de produtos somente após a aprovação de suas instalações através de auditoria específica. As instalações podem ser para um dos métodos ou ambos.

- Os lotes de produção serão auditados individualmente e serão liberados desde que cumpram as exigências de procedimentos e prazos exigidos para cada tipo e tenham sido submetidos às análises química e organoléptica finais.

- As garrafas dos diferentes lotes serão devidamente identificadas com os símbolos do CEPG aderido nelas onde constará nome do produtor, tipo de espumante, método de elaboração, lote, número de unidades e numeração.

- Os espumantes elaborados pelo método tradicional (champenoise) deverão ter um ciclo total de produção de pelo menos doze meses, prazo idêntico ao utilizado em outras regiões produtoras do mundo.

- Aos produtores que aderirem ao Consórcio, não será permitido o uso em seus rótulos e material de divulgação de expressões que identifiquem regiões ou produtos específicos de outros países tais como Champagne, Asti, Cava, etc.

- Os aderentes não poderão utilizar em outros produtos, os rótulos que identificam os espumantes certificados de sua marca.


- É permitida a terceirização de serviços de um dos métodos autorizados desde que o produtor solicitante produza espumantes pelo outro método.



Fonte: CPEG

domingo, 22 de janeiro de 2012

Região demarcada do Dão: 100 anos produzindo belíssimos vinhos!




Quando foi publicado o primeiro Decreto do governo ditatorial de João Franco, em 10 de Maio de 1907, o que estava fundamentalmente em causa era o regresso ao regime protecionista que tinha beneficiado os vinhos do Douro desde o tempo do Marquês de Pombal. Todavia, na discussão parlamentar que deu origem a este diploma legal, abriu-se a possibilidade de estender algumas medidas proteccionistas a outras regiões, 18 no total, sendo 4 de vinhos licorosos e 14 de vinhos de pasto, como então se dizia. De todas as regiões previstas no referido Decreto, apenas foi regulamentado na altura a produção e comércio dos vinhos do Porto (1907), Madeira (1909), Dão (1910), Colares e Bucelas (1911). O Dão tornou-se, assim, a primeira região de vinhos não licorosos do país a ser demarcada e regulamentada, isto é, na terminologia actual, a primeira denominação de origem controlada (DOC) de vinhos tranquilos em Portugal.

E porquê? Porque se antecipou o Dão às extensas e produtivas regiões dos Verdes, Torres ou Cartaxo, ou aos vinhos de qualidade comprovada da Fuzeta, Carcavelos ou Moscatel de Setúbal?

Porque o Dão tinha vinho, tinha prestígio e tinha peso político. Tinha vinho, porque já na altura beneficiava de uma elevada concentração produtiva, abastecendo a importante cidade de Viseu, outras cidades do litoral, sobretudo o Porto, e até alguns mercados externos, como o Brasil e a França, no tempo da filoxera. Ainda antes da construção da linha de caminho de ferro da Beira Alta, por onde passou a sair da região, o vinho era já transportado por via fluvial através do Mondego, da Foz-Dão à Figueira da Foz, e daí para outros destinos por via marítima.

Tinha prestígio, pois tinha preços mais elevados que a média nacional, era uma região referenciada e elogiada pelos técnicos agrícolas da época e marcou presença nas grandes exposições nacionais e internacionais da altura. Os principais especialistas dos finais do século XIX teceram rasgados elogios à região e aos seus vinhos, como António Augusto de Aguiar ou Cincinato da Costa; os vinhos do Dão foram premiados em exposições nacionais e internacionais, como em Lisboa, Londres, Berlim e Paris; algumas quintas eram pioneiras e modelo a nível nacional, como a quinta da Ínsua; grandes produtores eram conhecidos a nível regional e nacional, como o Conde de Villar Secco, o Conde de Santar ou José Caetano dos Reis, para além de grandes nomes da política e do associativismo agrícola, a maioria deles grandes vinicultores da região.

Tinha peso político, porque era dirigido por homens com projecção nacional, respeitados pelo seu nível económico, social e político. No período que medeia entre 18 de Setembro de 1908, data da primeira delimitação da região, e a sua regulamentação em 25 de Maio de 1910, foi exercida uma intensa pressão social e política pelas forças sociais e políticas da região, nos jornais locais e nacionais, no Parlamento, em reuniões sectoriais, etc. Estas forças eram diversas. Instituições agrícolas importantes, como os sindicatos agrícolas de Nelas e Vila Nova de Tázem ou a Liga Regional dos Agricultores da Beira. Só o primeiro destes sindicatos contava na altura com 400 sócios e exportava vinhos para Santos (Brasil) e Colônias. Homens ligados ao associativismo agrícola, como Pedro Ferreira dos Santos, José Caetano dos Reis ou Joaquim Paes de Brito. Sobretudo o primeiro era um dirigente de projeção nacional, com obra publicada (“Guia Pratico das Associações Agrícolas em Portugal”, Ed. RACAP, 1904) e muito respeitado e influente na Real Associação Central da Agricultura Portuguesa. Autarcas, como Joaquim Paes da Cunha, presidente da Câmara de Nelas. Representantes regionais na Câmara dos Deputados, como Affonso de Mello, António Pereira Vitorino, José Vitorino, Cabral Metello ou José de Matos Cid.

E hoje, 100 anos depois? De entre os chamados vinhos maduros, o Douro mantém a sua hegemonia. Para além do vinho do Porto, que lhe deu pergaminhos, produz agora também vinhos tranquilos de qualidade. O Alentejo, outrora insignificante, é hoje uma região importante, graças à força da grande propriedade e às novas técnicas de produção que lhe permitiram contornar as temperaturas excessivas, típicas da região. Quanto ao Dão, depois de fazer a sua travessia do deserto, renasce agora rejuvenescido e em força.

Durante mais de 50 anos, o Dão foi confundido com outras produções indiferenciadas. A política vinícola do Estado Novo, muito pouco atenta aos vinhos de qualidade, privilegiou a regulação dos mercados e o abastecimento barato das grandes cidades do Continente e Colónias. Porém, a partir de meados dos anos 80, a adesão de Portugal à Comunidade Económica Europeia e o aumento do nível de vida da população portuguesa vieram dar novas oportunidades à produção de vinhos de qualidade.

E o Dão não se fez rogado: reconverteu as vinhas, mudou os sistemas de produção do vinho, criou uma nova elite empresarial. Hoje, como ontem, empresas líderes do mercado não abdicam de uma presença forte no Dão; antigas casas senhoriais tornaram-se marcas emblemáticas; novos capitais apostaram na viticultura regional; partiu-se à conquista do mercado internacional. Alicerçada num século de história, a Região Demarcada do Dão procura hoje aliar a maturidade já atingida a uma nova imagem de juventude e modernidade. Será esta a aposta do Dão, 100 anos depois.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Rainha do Vinho? Pois é, na Alemanha já estão na 63ª Edição!!



Volta e meia me pego impressionado como a cultura do vinho no Brasil realmente só está engatinhando. Na Europa, por exemplo, é comum uma família normal ter umas 40 garrafas de vinho na adega, entre vinhos que precisam de um tempo de guarda e outros para consumo mais imediato.

Conversando com um alemão estes dias fiquei impressionado com o maior problema que ele teve quando foi mudar de uma casa para outra um pouco maior. Adivinhem o motivo da mudança? Ter mais espaço para a guarda dos vinhos! E, pior, adivinhem quantos vinhos o tal alemão tem em casa? Quer dizer, tinha há 2 meses atrás? 3.000, isto mesmo, três MIL garrafas de vinho que, segundo ele, foram todas compradas diretamente em vinícolas! Ele me garantiu que nenhuma foi comprada em uma loja. Loucura, não?

Isto me deixou curioso em estudar mais a cultura europeia, particularmente a alemã. Nestes estudos e leituras, me deparei com um concurso pitoresco! No dia 07 de Outubro, a alemã Annika Strebel foi eleita a 63ª Rainha do Vinho em seu país de origem! 23 aninhos de idade, viticultora da vila de Wintersheim em Rheinhessen. O mais curioso é que consegui falar novamente com o tal alemão das 3.000 garrafas e ele acompanha sempre este tal concurso!

O Juri do concurso envolve políticos, mídia, representantes de grandes empresas e, claro, o alto escalão do vinho na Alemanha.

A região de Rheinland-Pfalz ficou em festa com a notícia!

Muitos devem estar pensando. Ah, mas ela é bonita mesmo, tem que ser a rainha! E aí é que vocês se enganam! O concurso, além da parte de beleza, é técnico também minha gente. A Annika teve que detectar e descrever as notas técnicas de algumas delícias alemãs e isto fez parte da nota.

Estas é uma daquelas ideias que deveríamos seguir. Já temos a garota do Brasileirão! Pq não elegermos a Rainha do Vinho?

Fica a idéia!

In Vino Veritas!

Gustavo Kauffman (GK)

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

O Rosé: é na Provence que ele nasceu!



O mais antigo vinhedo da França

Há 26 séculos, os gregos fundaram Marselha e plantaram nas encostas as primeiras videiras. Trouxeram à Provence a cultura da videira e do vinho. Desde então, a cultura da vinha e do vinho espalhou-se rapidamente pela Provence, mas foi apenas após a conquista romana (século I a.C.) que ela montou o Vale do Ródano (Rhône), ganhando a totalidade do território que mais tarde seria a França. Os vinhos produzidos naquela época eram de cor clara muito parecida aos rosés, já que a maceração das polpas e das cascas ainda era desconhecida. Portanto, a Provence é o mais antigo vinhedo francês e o rosé, o mais antigo vinho do mundo.

Riqueza e diversidade do vinhedo de Provence

Entre o Mediterrâneo e os Alpes, o vinhedo da Provence corre de Oeste a Leste, por cerca de 200 km e três departamentos: os Bouches-du-Rhône, o Var e uma parte dos Alpes-Maritimes. As denominações Côtes de Provence, Coteaux d’Aix en Provence e Coteaux Varois en Provence, produzem vinhos de uma grande diversidade aromática, com realces muito diferentes, mas todos contendo o caráter ensolarado do clima mediterrâneo.

Historicamente especializada em rosés límpidos, frutados e generosos, o vinhedo provençal também produz tintos marcantes, potentes e encorpados, que podem envelhecer por vários anos em adega, além de brancos leves, tenros e delicados. A geologia e as paisagens são particularmente variadas: um clima excepcional, quente, seco, com muitas horas de sol durante o ano e o Mistral (vento frio e seco), grande amigo das videiras por afastar as doenças, fazem da Provence um vinhedo natural e privilegiado.

Histórico geológico

O histórico geológico da Provence, que é particularmente complexo quando visto em seus detalhes, pode ser resumido em quatro períodos principais. Ao longo da Era Primária constituiu-se um vasto maciço montanhoso feito de rochas cristalinas. Essas formações foram o alicerce de uma atividade vulcânica bastante intensa na parte leste, ao nível do atual Maciço do Estérel. No período Secundário essas montanhas foram erodidas e em seguida foram recobertas pelas águas. Uma espessa camada de sedimentos calcários ou argilo-calcários recobriram então a região. A turbulenta história da paisagem provençal está relacionada, em seguida, a do nascimento dos Alpes, que ocorre no período Terciário. A elevação deste importante maciço ao norte da Provence provocou o deslizamento e o dobramento da cobertura sedimentar, enquanto, em um menor grau, a antiga base se elevava ao leste. Esse conjunto muito diversificado de rochas (cristalina, calcária, vulcânica...) é em seguida modelado no Quaternário por uma intensa erosão, originando uma das paisagens francesas mais variadas, mas onde encontramos os principais elementos geológicos de uma forma geral. Ao sudeste da Provence aflora a base cristalina com os maciços dos Maures (Mouros), do Tanneron e do Estérel, que apresentam inúmeros traços de atividade vulcânica, enquanto ao sudoeste e ao norte estende-se a zona majoritariamente calcária, constituída de uma alternância de colinas e de barreiras rochosas.


Quer conhecer mais sobre os Vinhos da Provence? Pois o texto acima, e muito mais, está no livro “Os Vinhos da Provence” de François Millo. Nascido na França, François Millo passou os vinte primeiros anos de sua vida no coração da região de Provence. Depois, o trabalho como engenheiro agrônomo permitiu a ele de trabalhar fora: na África e na America Latina. De volta à França, ele dirige há oito anos o Sindicato da Apelação Regional da dos vinhos da cidade de Bordeaux, além de decidir voltar à sua região natal como diretor geral do Conseil des Vins de Provence (“Conselho dos Vinhos da Provence”). A Provence, região vinícola francesa em pleno desenvolvimento, oferece paisagens, tradições, uma luz e uma arte de viver que François Millo gosta de contar: escritor e fotógrafo, ele já publicou vários livros aliando vinhos e culinária.

O livro é rico em informações e traz fotos lindíssimas, vale conferir! A foto que ilustra este post também pertence ao livro.

In Vino Veritas!

Gustavo Kauffman (GK)

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Designações de Origem em PORTUGAL

DOC ou DOP (Denominação de Origem Protegida)



DOP é a designação comunitária adotada para os produtos vitivinícolas cuja originalidade e individualidade estão ligados de forma indissociável a uma determinada região, local, ou denominação tradicional, e cujas qualidade ou características específicas, são devidas ao meio geográfico, factores naturais e humanos.

Estes produtos estão sujeitos a regras específicas de controlo que visam garantir a autenticidade e qualidade e podem ser rotulados como DOC.

As Denominações de Origem Protegidas para os produtos vitivinícolas europeus integram um registo comunitário único.

 
IGP ou IGP (Indicação Geográfica Protegida)



IGP é a designação comunitária adotada para os vinhos duma região específica cujo nome adotam na rotulagem, elaborados com pelo menos, 85% de uvas provenientes dessa região. Tal como os produtos com DOP/DOC, são sujeitos a regras específicas de controlo.

Estes vinhos podem ser rotulados como “Vinho Regional”.

As Indicações Geográficas Protegidas para os produtos vitivinícolas europeus integram um registo comunitário único.

Vinho

Os vinhos que não se enquadram nas designações atrás referidas são designados como “Vinho”. Contudo devem cumprir com as disposições nacionais e comunitárias em vigor.


Descobrindo a D.O Bizkaiko Txakolina



“Vinhos muito singulares que surpreendem a primeira vez que se bebem...”

Bizkaia é um Território Histórico situado na Comunidade Autônoma do País Basco, no Norte da Península Ibérica. Na zona do Golfo de Bizkaia e o seu clima está marcado pela sua proximidade a um mar regido pela Corrente do Golfo. Assim, seu clima é de tipo atlântico, úmido e temperado.

Isto supõe umas temperaturas sem extremos de frio, nem de calor, nos quais o vinhedo matura lentamente, nuns verões temperados graças ao efeito regulador do mar.

Os solos são variados, mesmo que os que predominam, estão situados sobre rochas de tipo margas – calcárias. São solos de meia ladeira, de pouca profundidade, ligeiramente ácidos e de textura franco-argilosa.

O período vegetativo da vinha começa no final do mês de março, enquanto que a vindima é temporã, pois costuma-se concentrar durante os primeiros dez dias do mês de outubro.

Hoje em dia a Denominação de Origem engloba todo o Território Histórico de Bizkaia, em terrenos situados por debaixo dos 400 m. de altitude. Trata-se de uma pequena e desconhecida denominação que conta com 375 Hectares de vinhedo, que produziram 1.240.000 litros no ano 2.009.

As Variedades utilizadas

As variedades Principais são variedades autóctones, de tipo atlântico, aparentadas com outras do sudoeste da França. Estas são: Ondarrabi Zuri (Branca), Ondarrabi Zuri Zerratia (Branca) e a Ondarrabi Beltza (Tinta). As Autorizadas (Brancas) são: Riesling, Sauvignon, Chardonnay, Folle Blanche (Mune Mahatsa), Gros Manseng (Izkiriot) e Petit Manseng (Izkiriot tipia). São variedades de grão pequeno, e cachos de dimensão pequena.


As Caracteristicas do Txakoli e Harmonização

O principal tipo de Txakoli de Bizkaia é o branco, que representa mais de 95 % do total elaborado. Mas, além disso, elaboram-se também rosés, tintos e alguns vinhos especiais, como espumosos e vindimas temporãs.

O txakoli branco é um vinho jovem de cor amarela pálida à cor palha, podendo ter tonalidades verdosas. No nariz apresenta uma intensidade média e uma grande complexidade de aromas nos quais predominam as notas de fruta branca, junto com outras cítricas e herbáceas.

Na boca tem um gosto típico, ligeiramente ácido, fresco e equilibrado, com um sabor posterior no qual volta a aparecer as notas de fruta branca, florais e herbáceas. No final da boca é moderadamente persistente, podendo apresentar um sabor posterior ligeiramente amargoso, típico da variedade principal.

A graduação alcoólica costuma variar entre os 10,5 º e os 11,5º. Mesmo que muitos txakolis mais modernos alcançam sem problemas os 12º.

Os txakolis brancos são perfeitos para todo tipo de peixes e mariscos, tanto à grelha, como com molhos ou outro tipo de preparações. Assim mesmo são muito aconselháveis para maridar com carnes brancas.

A temperatura de serviço do txakoli branco deve ser de 8 à 10 º C. Frio, mas não em excesso, para poder sentir os seus aromas e tonalidades delicadas.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Conhecendo melhor a região do TEJO em Portugal



A região do Tejo, anteriormente conhecida como Ribatejo, estende-se ao longo do vale do rio Tejo, numa extensa planície de aluvião, prolongando-se até Vila Franca de Xira.

Situa-se numa zona de transição climática, de forte influência mediterrânica, acompanhada por uma ascendência mais atlântica ou mais continental, consoante a latitude e orografia.

Os solos da região subdividem-se em três cadastros distintos. A zona do campo, lezíria ou borda-d’água, a mais fértil e próxima ao rio, é a menos interessante, privilegiando a quantidade sobre a qualidade.

A sudeste do campo, situa-se a charneca, pouco povoada, com solos arenosos pobres e clima quente e austero, onde nascem muitos dos vinhos mais conceituados da região. Na região a Norte do rio Tejo situa-se a zona do bairro, com encostas mais íngremes e solos argilo-calcários.

O Tejo subdivide-se em seis sub-regiões, Almeirim, Cartaxo, Chamusca, Coruche, Santarém e Tomar. Tomar é a região mais fresca da denominação e Coruche a mais quente, com uma paisagem em tudo semelhante à paisagem alentejana. É uma zona de transição social e sociológica, mais emparcelada a Norte e com herdades mais imponentes a Sul.

A legislação pouco restritiva, permite a utilização de diversas castas nacionais e internacionais. Assim, às tradicionais castas brancas da região, Arinto, Fernão Pires, Tália, Trincadeira das Pratas e Vital, juntam-se o Chardonnay e Sauvignon Blanc, enquanto às castas tintas tradicionais Castelão e Trincadeira, somam-se o Aragonez, Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon e Merlot.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Conhecendo um pouco mais do DOURO



A região vinheteira do Douro insinua-se numa exuberância de montes, vales e cursos de água. Os seus típicos socalcos testemunham a tenacidade de quem, desde tempos imemoráveis, se dedicou ao cultivo da vinha. Pois que, se o rio Douro recortou a paisagem, ao homem caberia reconverter as encostas xistosas e íngremes das suas margens. Descobertas arqueológicas e refrências documentais provam que já na pré-história, e sobretudo durante a ocupação romana da Península Ibérica, a partir do século III a. C., se praticava a viticultura na região. Mas só bastante tempo mais tarde, no século XVIII, a vitivinicultura do Douro entrou numa fase de expansão, que se traduziu num crescimento acelerado do comércio de vinhos, designadamente para o mercado externo.

E é neste contexto socioeconómico que surge a designação vinho do Porto, um produto à época bastante apreciado pelos ingleses. Mas a procura do mercado inglês conduziu ao crescimento desordenado dos vinhedos e até adulteração do vinho do Porto, nomeadamente através da adição de açúcar. Perante o caos e a quebra das exportações, também consequência de uma série de maus anos agrícolas, o Estado portugês interveio. E, entre outras medidas determinadas pelo ministro Marquês de Pombal, foi definida, no Douro, a primeira região demarcada do mundo, cujos marcos limítrofes seriam colocados em 1756. Com um sabor único, o vinho do Porto resulta da improvável associação entre solos pedregosos, clima severo e castas raras.



Talvez por isso apresente tão variados cambiantes aromáticos, gustativos e cromáticos, de tal forma que existem diferentes tipos de Porto. Um mundo de sensações cabe, pois, neste vinho de filigrana, que pode, por isso, ser servido em todas as ocasiões e com quase todos os acompanhamentos. Conquistando o mundo com a qualidade dos seus vinhos do Porto, o Douro começou lentamente a explorar outras vertentes do seu enorme potencial vitícola. Surgiram assim os primeiros vinhos de mesa da região, alguns dos quais são hoje ícones da vinicultura portuguesa.

Mas foi apenas no início dos anos 90 que uma nova geração de produtores apostou convictamente em vinhos de mesa de grande qualidade, a partir dos mesmos vinhedos que dão origem ao Porto. Castas como Touriga Nacional, a Tinta Roriz, a Tinta Barroca ou a Touriga Franca tornaram-se, então matéria-prima de excelência para vinhos fundados nas tradições da região e nas peculiares condições agroclimáticas do seu terroir.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Vinho Verde ou Vinho Maduro? - A distinção que não existe



Seguramente já foi confrontado com a interpelação que faz o título desta seção vezes sem conta. Com certeza que a resposta saiu pronta e segura, sem hesitações quanto à substância. Infelizmente o comentário é recorrente no universo da restauração, habitual e rotineiro nos nossos usos e costumes. Faz parte das convicções inabaláveis da nossa cultura, uma certeza no nosso imaginário, uma evidência dos nossos saberes. Dependendo dos dias, umas vezes estamos mais inclinados para um verde, outras para um maduro.

E, no entanto, a pergunta é totalmente descabida, falsa, sem qualquer fundamento que a possa sustentar. Tal distinção, entre vinho maduro e vinho verde, pura e simplesmente não existe! Não só não existe, como é de uma injustiça atroz para com os vinhos da região do Vinho Verde, ao sugerir de forma implícita que o Vinho Verde é elaborado com uvas verdes, com uvas que não atingiram a plena maturação. Ou, dito de outra forma, que o Vinho Verde será um vinho menor. Não, não e não! O Vinho Verde não é um estilo de vinho, mas sim o nome de uma região demarcada, uma DOC (Denominação de Origem Controlada). Uma região de pleno direito, como o é a Bairrada, o Alentejo, o Douro, o Dão, o Ribatejo ou Setúbal. Uma região demarcada que adoptou a designação legal de Vinho Verde. O nome foi adoptado por retratar de forma fiel a paisagem do Minho, a região mais verde de Portugal, a de maior índice pluviométrico, a mais fresca e viçosa do Portugal continental. É apenas e somente o nome de uma região, sem qualquer significado quanto à maturação da fruta. Faz tanto sentido diferenciar entre Vinho Verde e vinho maduro, como entre vinho Alentejano e vinho maduro. Se não nos passa pela cabeça a última distinção, por que insistir na separação entre a região do Vinho Verde e as restantes denominações de origem?

Vinhos com estilo único e diferenciado

Tal como na maioria das outras regiões demarcadas de Portugal, na região do Vinho Verde também se fazem vinhos brancos, rosados, tintos e espumantes. Que os vinhos apresentam um estilo único e diferenciado é uma evidência. Mas esta demarcação apenas confirma a bondade e a justificação para a criação da região demarcada. O facto de os vinhos apresentarem um estilo ímpar e inimitável é o melhor cartão de visita para a denominação de origem Vinho Verde. Os brancos são por regra leves, frescos, acídulos, pouco alcoólicos, pouco encorpados, florais, particularmente bem adaptados aos calores do Verão. Nos melhores episódios, particularmente no caso dos Alvarinhos, são vinhos extraordinários de elegância e harmonia. E ao contrário do senso comum, são vinhos que podem envelhecer muito bem, capazes de proporcionar momentos de alegria após alguns anos de guarda. Os tintos são por regra acídulos, taninosos, agressivos e rústicos, difíceis na análise e na prova se desemparelhados da sua gastronomia local. Por último, surgem os espumantes, uma das apostas e esperanças fundamentais da região.

Todos os vinhos verdes são vinhos maduros!

Verde ou maduro? Esqueça os preconceitos e os erros assumidos do passado e saiba que todos os vinhos são maduros. Depois escolha o que melhor se adapte a cada circunstância e ocasião, sem juízos de valor assentes no nome de uma região. E saiba que desta região saem alguns dos melhores brancos portugueses, dos poucos com qualidade para competir nos mercados internacionais. Vinhos distintos na personalidade? Sim! Vinhos de um estilo inconfundível que retratam com rigor a região de origem? Sim! Vinhos leves e refrescantes? Sim! Mas todos eles vinhos maduros, feitos de uvas sãs, em bom estado de maturação, pelo menos tanto como nas outras regiões portuguesas. Vinhos modernos e recomendáveis que nada devem aos restantes vinhos portugueses.

O texto acima foi extraído da revista portuguesa Blue Wine.

In Vino Veritas!

Gustavo Kauffman (GK)

segunda-feira, 28 de março de 2011

Conhecendo melhor a região do MADEIRA em Portugal



O vinho da Madeira é um vinho licoroso com uma capacidade de guarda quase ilimitada, conseguindo sobreviver durante mais de dois séculos.

As vinhas nascem alinhadas em pequenos socalcos levantados numa região extremamente montanhosa, de encostas escarpadas e vales profundos. Situada no do Atlântico Norte, à mesma latitude de Casablanca, a Madeira beneficia de uma clima temperado e acentuadamente atlântico, com temperaturas amenas durante todo o ano.

Os solos são de origem vulcânica, férteis, muito ricos em matéria orgânica e ácidos, o que, aliado ao clima húmido, ao sistema de condução tradicional da vinha em pérgola, com a consequente dificuldade na maturação fisiológica das uvas, e aos rendimentos muito elevados, compromete a maturação das uvas, proporcionando vinhos com níveis de acidez muito elevados, característica marcantes de todos os vinhos da Madeira.

As quatro castas nobres são o Sercial, Verdelho, Boal e Malvasia, todas brancas, vinificadas de forma a proporcionar diferentes graus de doçura, comercializadas num estilo respectivamente seco, meio seco, meio doce e doce.

Porém, a casta mais plantada na ilha, responsável por mais de 80% do encepamento total, é a Tinta Negra, uma casta tinta facilmente adaptável, capaz de se adequar aos quatro estilos de doçura. Na Madeira produzem-se igualmente outros vinhos.


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