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quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Cavalleri Pecato Merlot 2005 - Para homenagear Zumbi dos Palmares!!!

Abri este vinho inspirado pelo amigo Gil do blog Vinho Para Todos. Ele abriu um vinho da Miolo, o RAR, também da Safra de 2005, veja o post aqui. Por aqui também temos algumas garrafas deste ano fora de série para a produção de vinhos no Brasil.

Decidi então abrir esta para curtir o feriado em plena quinta-feira para celebrar Zumbi dos Palmares! Viva Zumbi, o grito forte de Palmares, que correu terras, céus e mares, influenciando a abolição! Sim, é um dia para ser comemorado por todos os Brasileiros!

Voltando a falar de nosso vinho, a Adega Cavalleri fica no Vale dos Vinhedos em Bento Gonçalves. Quando os primeiros Cavalleri chegaram à região de Bento Gonçalves, no final do século XIX, não imaginavam que sua paixão por vinhos tornaria o sobrenome tão conhecido entre os amantes da bebida. O talento para a vitivinicultura foi transmitido de pai para filho, culminando no surgimento de uma vinícola especializada na arte de elaborar bons vinhos e espumantes.

Com produção reduzida e de alta qualidade, a Adega Cavalleri é uma empresa familiar instalada no coração do Vale dos Vinhedos. Desde sua fundação, em 1987, os membros da família coordenam pessoalmente todos os processos da elaboração, desde o manejo dos vinhedos à rotulagem manual das garrafas. O mix reduzido de produtos colabora para que os vinhos atinjam excelência, destacando-se pela personalidade marcante.

Vamos então ao que eu achei do nosso Merlot:

Visual: O rótulo ainda estava novo. Para ser sincero não lembro quando adquiri esta garrafa, mas o vinho aparenta ter sido rotulado mais recentemente. A rolha, de cortiça e personalizada, estava perfeita! Na taça começam as surpresas. Na coloração até é possível identificar sinais de evolução, mas de forma ainda bastante sutil, sutil mesmo! O vinho nesta faixa de preço, com 9 anos de idade, normalmente apresentaria sinais de evolução evidentes já em sua cor. Coloração rubi ainda com muito violáceo. Lágrimas gordas, rápidas e tingindo levemente a taça.

Olfato: Totalmente vivo e mostrando seus aromas com exuberância. Muita fruta vermelha, framboesa, amora e morango em compota. Toques florais. Um pouco de mineralidade. No nariz traz a tipicidade do Vale dos Vinhedos. O álcool está um pouco acima do que deveria. Mesmo sendo de 2005, deixar respirar por 30 minutos é uma excelente pedida. Fechando a análise olfativa, o vinho traz também notas de baunilha e especiarias, oriundas de passagem por madeira. Como a ficha técnica desta safra não está disponível no site, não posso precisar em qual madeira e por quanto tempo, mas com certeza possui passagem por carvalho. Enquanto escrevia este post, recebi a ficha técnica da vinícola e realmente o vinho passa por madeira, veja mais abaixo. No nariz o vinho ainda está novo!

Paladar: Mais austero do que no nariz, acidez correta, taninos presentes, vivos e finos. Aqui mostra também algum sinal de evolução no retrogosto com frutas secas. Corpo médio. Final persistente. Sem sombra de dúvida um vinho gastronômico e que facilmente chegaria aos seus 10 anos de vida totalmente inteiro!

O que a vinícola fala do seu vinho:

Vinho encorpado, elaborado com uvas supermaturadas, de cor vermelho rubi intenso com traços violáceos, aromas de amora, framboesa, especiarias e baunilha; retrogosto persistente. Seu amadurecimento foi feito em uma mescla de barricas francesas e americanas. Envelhecimento de 08 meses nas caves.

O vinho não é mega complexo, mas é um vinho de qualidade, com estrutura, gastronômico e longevo. Este tipo de experiência é sempre muito prazerosa. Tentei, mas não consegui, encontrar este vinho a venda. No site da Vinícola existe um Merlot comemorativo aos 25 anos da mesma, mas da Safra de 2010. Este é vendido a R$180,00 (caixa com 6 garrafas). A Safra de 2005 foi superior a de 2010, mas fiquei curioso para provar este vinho mais novo pois já deve estar pronto ou quase pronto para ser consumido. As garrafas são numeradas. A que abri foi a 03136.

In Vino Veritas!


Gustavo Kauffman (GK)

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Peruzzo Cabernet Franc 2012

Nunca ouviu falar? Pois é, eu também não conhecia, e olha que conheço muitas pequenas vinícolas de nosso amado país. Conheci este vinho por acaso e, creia, não foi em degustações, feiras ou algo do gênero. Estava trabalhando em uma cidade próxima de Porto Alegre e, por este motivo, viajava para lá todas as semanas. Moro em Jundiaí e meu vôo era por Campinas. A companhia pela qual eu voava utiliza o terminal 2 de Porto Alegre, ou antigo aeroporto para alguns. Neste antigo aeroporto conheci uma pequena loja de vinhos que me encantou. A loja é especializada em Vinhos Brasileiros e também vende alguns produtos da região como Cachaças, Cervejas e Embutidos. O mais incrível é que eles não praticam “preços de aeroporto”!! Possue preços competitivos com as lojas de Porto Alegre e até mesmo em relação ao preço de varejo de algumas vinícolas da região! Se for passar por lá não deixe de visitar e procure pelo Nereu, o dono da loja, mega simpático e conhece muito de vinho Brasuca!

O Peruzzo CF foi indicação do Nereu para um dia em que meu vôo atrasou 3 horas... Eu não tinha jantado, pedi uma massa e fui conversar com o Nereu. Vi que era de uma vinícola na campanha (Bagé) e que o enólogo era ninguém mais, ninguém menos, que o Mestre Adolfo Lona pai, por exemplo, do Espumante Orus (http://www.enoleigos.com.br/2012/01/adolfo-lona-orus-pas-dose-rose-cbe.html) que me deixou de queixo caído. Pra completar o vinhos custava, no aeroporto, 35 reais a garrafa inteira. Não tive saída, até pq gosto muito da Cabernet Franc. O que seguiu depois foi minha surpresa por este vinho de excelente custo x benefício!

A Vinícola Peruzzo é muito recente. As primeiras videiras foram plantadas em 2003, provenientes de mudas importadas de renomados viveiristas da França, Itália e Portugal. A vinícola foi inaugurada em 2008 em um processo de elaboração que incorpora modernas tecnologias. Sua cave localizada no subsolo da cantina, garante que os espumantes e vinhos amadureçam sob temperaturas constantes próximas dos 18 a 20ºC.

Seu projeto teve início no mesmo ano de  2003, com a implantação dos vinhedos em 16 hectares da propriedade localizada em Bagé/RS. Partindo do princípio que a maior parte do sucesso de um grande vinho pode ser atribuídos a qualidade e diferenciação da uva produzida, temos um cuidado muito rigoroso para garantir uvas com maturação adequada, boa sanidade e segurança alimentar. Na contramão da lógica da agricultura que quanto maior a produtividade melhor o resultado final, no caso dos vinhos Peruzzo a redução da produtividade, limitando a 2,5Kg. por planta é extremamente positiva e reflete na excelência de qualidade dos vinhos e espumantes elaborados.

Os vinhedos são conduzidos no sistema de espaldeira, o que aumenta a exposição solar, melhora a aeração no vinhedo e reduz a produtividade por planta. As técnicas de poda, desbrote, desfolhe e colheita são feitas de forma manual garantindo assim maior cuidado e eficácia no processo. Preocupado em garantir uvas e consequentemente vinhos sem resíduos de agrotóxicos e contaminantes biológicos a Vinicola Peruzzo implantou as Boas Práticas Agrícolas nos vinhedos e instalações para assim controlar e reduzir todos os riscos envolvidos. 
É minha gente! Vinhos de excelente qualidade sendo produzidos em pouquíssimo tempo!!!

Vamos então ao que achei deste belo vinho:

Visual: Rótulo austero e bonito o que, diga-se de passagem, falta a muita vinícola Brasileira. Precisamos ter mais cuidado com a apresentação de nossos vinhos! Rolha de cortiça personalizada para a bodega. No exame visual, violáceo intenso, com brilho, bem vivo, escuro porém deixando transpassar um pouco de luminosidade. Lágrimas médias, lentas e sem tingir a taça.

Olfato: Jovem, fresco e muito frutado, mostrando frutas vermelhas e frutas secas como tamarindo e figo. Ao fundo um sutil toque mais apimentado. É um vinho mais descontraído, mas que também traz uma pequena dose de complexidade o que instiga e pede para ser bebido logo!

Paladar: Na boca o primeiro ataque também remete a um vinho fresco, frutado, com um pouco menos de complexidade do que no nariz. Corpo médio, acidez excelente, taninos presentes mas muito sutis e delicados e um final que me surpreendeu. Vinhos nesta faixa de preço costumam ser mais ligeiros, e aqui o final foi de médio para longo. No palato o destaque vai todos para as frutas com uma pitada mais “picante” no retrogosto.

O que a vinícola fala do seu Cabernet Franc:

Descrição: A vinícola Peruzzo se propôs a recuperar a variedade Cabernet Franc, introduzida no Brasil nos anos 70 e posteriormente abandonada, acreditando em toda sua capacidade de adaptação ao terroir da Campanha Gaúcha e sua potencialidade para elaborar vinhos tintos frescos, ligeiros, amáveis e envolventes. E essas características constituem o maior atributo deste vinho Cabernet Franc Peruzzo, saboroso e fácil de beber. A cor é vermelha rubi de boa intensidade, brilhante, seus aromas são refinados, intensos, lembram frutas frescas e o sabor é agradável, intenso e marcante. Esse vinho não passou por processo de filtragem visando manter seus atributos, portanto, pode conter depósitos no fundo da garrafa. 

Safra: 2012.

Temperatura para servir: 16 a 18oC.

Álcool: 13,9%.

Cepas: 100% Cabernet Franc.

Envelhecimento: Não passa por envelhecimento em barricas de carvalho.
  
É o Brasil produzindo vinhos de excelente qualidade por um preço competitivo. Muito bom ver isto. Um excelente custo x benefício, o que é fundamental para o consumo regular do vinho como alimento. A cultura do vinho precisa ser disseminada em nosso país. Nada melhor do que vinhos com qualidade e excelente faixa de preço para corroborar com isto! Como sempre, e este é outro problema que enfrentamos com os vinhos Brasucas, não é fácil de ser encontrado. Esta é a notícia ruim. A boa é que o site da vinícola vende o vinho diretamente para você!

In Vino Veritas!

Gustavo Kauffman (GK)


sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Chega de Saudade!!!! Com Lagarde Blanc de Noir...

Pouco tempo atrás anunciei aqui no Enoleigos uma promoção que a Wines of Argentina anunciou durante o Winebar. Relembre.

O desafio era harmonizar 2 vinhos que recebemos com músicas de uma playlist criada pelo músico, enófilo e blogueiro Maurício Tagliari. Um dos vinhos que recebi foi o Lagarde Blanc de Noir, da Bodega Lagarde.

Será que vinho harmoniza com música? Com este concurso eu tive a certeza que sim! Cada vinho tem sua própria melodia e gênero musical. Existem músicas que te fazem raciocinar melhor, outras te relaxam, te animam, harmonizam o ambiente. Músicas são utilizadas em templos religiosos para auxiliar na concentração, vide exemplo da música gregoriana e de diversos mantras budistas. A música sempre irá agir diretamente em nossos sentidos, sejam eles quais forem.

Durante o Winebar alguns amigos blogueiros comentaram que a harmonização do vinho com a música seria subjetiva. Fiz diversos laboratórios por aqui e, fica meu testemunho, minha conclusão é que não existe subjetividade. É claro que, como na harmonização gastronômica, existem várias alternativas possíveis, mas dentro de certos limites. Será que alguém tentaria harmonizar uma truta grelhada, leve, com pouquíssima gordura, com um vinho potente, complexo, tânico e com boa estrutura? Tenho certeza que todos aqui concordam que o vinho simplesmente “passaria por cima” do peixe, e exatamente isto acontece com a música. Na minha opinião não seria possível lançar um CD do tipo “Músicas para escutar bebendo um vinho”. Uma música que harmonizou, por exemplo, com o rosé que falo neste artigo, com certeza não harmonizaria com um potente Malbecl!

O vinho, assim como a música, age diretamente em nossos sentidos. Quando degustamos, nos desligamos de tudo, focando nosso olfato, paladar e memória para desvendar os segredos, camadas e nuances do vinho a nossa frente. Se uma música é capaz de levar monges a elevados níveis de concentração espiritual, imagine o que não pode fazer no momento de nossa degustação, ou simplesmente em nosso momento de descontração enquanto bebericamos este rosé!

A harmonização de música com vinhos pode parecer uma surpresa para nós mas, acreditem se quiser, já existem sites especializados no assunto. Um deles, e bem interessante, é o “Wine and Music” que vai bem a fundo no assunto.

E o nosso vinho? O Lagarde Blanc de Noir? Primeiro uma curiosidade. Apesar de ser um “Blanc de Noir”, na verdade, como citei anteriormente, é um vinho rosé. Produzido através de um blend de 50% de Malbec e 50% de Pinot Noir. Um vinho delicado, refrescante, com muitas frutas vermelhas no nariz e um elegante toque floral, remetendo para rosas o que, em conjunto com sua coloração, deixa também este vinho mais elegante e romântico. Na boca é sedoso, com bom volume e, principalmente, muito refrescante, o que combina demais com o clima que estamos tendo no Brasil.

A refrescância do vinho, como comentei, me trouxe ao Brasil, seu clima romântico me remeteu a um clima que lembramos da pessoa amada mas sem tristeza, querendo ela do nosso lado, compartilhando daquele momento, do vinho e das sensações que o vinho e a música estão me proporcionando. É fácil explicar. Além da música ter ressaltado demais todas as características do Lagarde Blanc de Noir, eu fiquei 3 meses trabalhando em Fortaleza, vendo pouco minha família e, além de ser um cara romântico como meus amigos blogueiros comentaram durante o Wine Bar, eu também estava carente e querendo demais estar em casa ao lado do meu amor.

João Gilberto e sua interpretação fantástica para esta linda música Chega de Saudade, deixaram o vinho ainda mais romântico, ressaltando a sensação de frutas vermelhas, alongando seu final em boca, e, por outro lado, trazendo mais amor e sentimento aquele momento que se tornou único.

“Há menos peixinhos a nadar no mar, do que os beijinhos que eu darei na sua boca...”

Não poderia terminar este post de outra forma que não agradecendo a Wines of Argentina pela experiência fantástica.

A partir de agora, além de escolher o prato, entrou para a minha lista de prioridades criar uma playlist que harmonize com os vinhos e cardápio que serão servidos. Pensem nisto!!

In Vino Veritas!

GK

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Dunamis Brut 2012

Tive a honra de conhecer a história da Dunamis desde o seu início quando lançaram apenas 2 rótulos, o Cor e o Ser. Você pode recordar um pouco e ler os posts sobre o Dunamis Cor 2008 e também sobre o Dunamis Ser 2010.

De lá para cá a história continua sendo de muito sucesso. Com seu visual sempre jovem, alegre e com total foco no consumidor final, lançaram o conceito do “Vinho Descomplicado”, que podem ser apreciados a qualquer momento, esta é a proposta da Vinícola.

Com pouco mais de 3 anos de existência, cresceu bastante e hoje conta com 2 linhas. A linha Elementos possui os vinhos mais frescos, 2 espumantes produzidos pelo método Charmat, o Cor e o Ser que já falei por aqui e um rosé, o Tom. Já a linha Movimento possui rótulos mais complexos e também gastronômicos. Nela estão os espumantes produzidos pelo método tradicional (Brut e Extra Brut), o nada comum Merlot Branco, além dos demais Cabernet Franc, Merlot, Pinot Noir e Sauvignon Blanc. Não por acaso deixei para citar por último o Pinot Grigio que gosto bastante.

Os espumantes Dunamis Brut e Dunamis Extra Brut são rótulos Blanc de Blancs Chardonnay: vinhos compostos inteiramente a partir de uvas brancas, diferente do que acontece em parte da produção nacional, com espumantes produzidos geralmente com a branca Chardonnay e a tinta Pinot Noir.

Além de serem ‘brancos de brancas’, os champenoise da Dunamis trazem a força de seu terroir em Cotiporã, na Serra Gaúcha, Rio Grande do Sul. “Identificamos a aptidão do nosso vinhedo para a produção das uvas chardonnay, que têm suas características varietais expostas ao máximo”, explica Thiago Salvadori Peterle, enólogo da vinícola.

As particularidades do terroir de Cotiporã aliadas ao conhecimento da equipe enológica daDunamis garantiram espumantes de identidade, com delicadeza e volume.

Vamos então ao que mais interessa, o vinho:

Visual: Garrafa bonita e também discreta, com um estilo que foge o tradicional, mais bojuda em baixo. A rolha traz o nome da vinícola. Logo ao extrair a rolha percebe-se que a pressão está excelente. Na taça formou bonita coroa, com uma perlage fina e constante. Cor amarelho palha.

Olfato: Estilo um pouco mais complexo, mas sem deixar de lado o frescor. Aromas integrados, mostrando em uma primeira camada frutas. Identifiquei maçã e damasco. Um pouco mais ao fundo percebemos leve floral integrado a toques de brioche amanteigado.

Paladar: Ataque inicial também mais frutado, mostrando boa estrutura. Os aromas aqui se integram e, uma vez mais, vejo o equilíbrio entre complexidade e frescor. O espumante demonstra ser também versátil para a gastronomia. Boa acidez, retrogosto frutado e final longo.

O que a Dunamis fala sobre seu espumante?

“Os champenoise normalmente são muito complexos e com notas de frutas sobremaduras; optamos por manter a jovialidade presente em nossos vinhos, com a estrutura e aromas específicos de um vinho elaborado pelo método tradicional. A diferença é que o nosso champenoise é mais delicado e, por isso, mais instigante”, finaliza o enólogo Vinícius Bortolini Cercato.

Espumante com 18 meses de contato com as leveduras. Apresenta cor amarelo-palha com reflexos esverdeados e perlage fina e persistente. Seu aroma, que mistura maçã verde, damascos e notas florais, é fino e elegante. Traz frescor cítrico equilibrado e cremosidade intensa.

É isto aí meus amigos. Mais uma opção beeeeem interessante para o calor que estamos vivendo!

In Vino Veritas!


GK

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Salton Évidence Brut

Particularmente sou fã de espumantes em qualquer época do ano. Existem os mais leves e refrescantes, bom para comemorações e beira de piscina, os um pouco mais complexos e gastronômicos, super versáteis em suas harmonizações e até mesmo as grandes lendas, que chegam a ser verdadeiras jóias.

Quem me acompanha sabe que sou, cada vez mais, um admirador dos vinhos que já estamos produzindo no Brasil, com especial atenção aos espumantes e tintos. Neste final de ano vou escrever um pouco sobre espumantes Brasucas que eu gosto muito e, dentro do possível, que sigam uma faixa de preço acessível a todos, procurando manter um teto de R$50,00.

Para começar nada melhor do que falarmos de um espumante da Salton, uma das maiores referências nas vinícolas Brasileiras, e referência na produção de espumantes.

A história da Salton começa na Itália, em 1878, quando Antonio Domenico Salton partiu da cidade de Cison di Valmarino, na região do Vêneto, à procura de oportunidades melhores no Brasil. Ele se instalou na colônia italiana de Vila Isabel, onde fica a cidade de Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul.

A empresa foi formalmente constituída em 1910, quando os irmãos Paulo, Ângelo, João, José, Cézar, Luiz e Antônio deram cunho empresarial aos negócios do pai, o imigrante Antonio Domenico Salton, que vinificava informalmente, como a maioria dos imigrantes italiano. Os irmãos passaram a se dedicar à cultura de uvas e à elaboração de vinhos, espumantes e vermutes, com a denominação "Paulo Salton & Irmãos", no centro de Bento Gonçalves.

Um século depois, a Salton é reconhecida como uma das principais vinícolas do país. Na extensa lista de conquistas destes maios de 100 anos de história comemora o fato de ser familiar e 100% brasileira. Com a terceira geração à frente da empresa, tanto na Unidade em Bento Gonçalves quanto em São Paulo, revela em seus quadros a quarta geração Salton, que promete o mesmo empenho e dedicação com que a empresa foi comandada até agora.


 A Salton categorizou seus produtos em linhas de produto. O espumante Evidência se encontra na categoria “Adega”, aonde também estão os famosos Talento, Desejo e Virtude.

Vamos então ao que achei deste espumante:

Visual: O rótulo não me agrada muito. Tem espaço para melhorar. Garrafa bem selada, mostrando o selo da vinícola na “grade”, e rolha personalizada para a Salton, um gigante quando falamos de espumante! Na taça mostrou coloração já com tonalidades de evolução. Amarelo ouro. Perlage persistente e fina.

Olfato: No nariz também traz notas mais evoluídas. Não é uma explosão de aromas, traz tudo de forma mais sutil e integrada. Brioche, manteiga, fermento, baunilha (provenientes da madeira) e frutas brancas, que percebi mais presentes na pera e maçã. Amêndoas ao fundo.

Paladar: Ao entrar no palato a perlage explode na boca que também comprova os sinais de evolução. 20 % do mosto é fermentado em barricas francesas e, posteriormente, o vinho fica 12 meses na garrafa em contato com as leveduras. Seria bacana se a Salton o transformasse em um “Miléssime”, ou seja, um espumante safrado! Excelente acidez e corpo. Na minha opinião se mostrou mais um espumante gastronômico do que um espumante de festa, refrescante.

O que a Salton fala sobre seu vinho?

Assemblage de 70% Chardonnay e 30% Pinot Noir. Vinho proveniente de mosto flor extraído em prensas pneumáticas, e fermentado à baixa temperatura com fermentos selecionados. 20% deste mosto foi fermentado e mantido com suas leveduras em barricas de carvalho francês por um período de 6 meses.

Os vinhos foram elaborados separadamente e assim conservados. Antes da toma da espuma foi realizado o corte observando-se seu aroma, estrutura para o envelhecimento e harmonia do sabor. 

Toma de Espuma: Refermentado na garrafa (Método Champenoise) a uma temperatura de 10°C e permanência com suas leveduras (lisis) por um período de 12 meses.


Características do Salton Évidence Brut: Cor amarelo palha com reflexos dourados. Aroma de pão torrado, delicadas fragrâncias de fermentos, frutas cítricas, maçãs, flores do campo e baunilha. Sabor elegante, harmônico, cremoso, de bom corpo, aveludado com notas de mel de acácia e feno maduro.

Acompanhamentos: Como aperitivo, frutos do mar, mariscos, aves trufadas.


Definitivamente achei um espumante muito interessante para sua faixa de preço. Na loja virtual da Salton sai por R$50,00. Eu paguei R$38,00 em uma loja virtual.

Aguardem que vem mais por aí!

In Vino Veritas!

GK


quinta-feira, 2 de agosto de 2012

O Vinho e nossos Momentos Inesquecíveis – Chesini Gran Vin CS 2005 – O tema da #CBE deste mês




Amigos e amigas, é com muito prazer que volto a escrever minhas “mal traçadas linhas” neste momento mensal sempre cheio de belíssimos posts dos confrades blogueiros que participam da CBE (Confraria Brasileira dos Enoblogs).

Neste mês eu tive o privilégio de escolher o tema. Parece que foi ontem que comecei a participar da CBE e esta já é a terceira vez que escolho o tema, o tempo voa! Como andei saboreando alguns vinhos de sobremesa alemães simplesmente divinos, pensei inicialmente em falar sobre vinhos “Botritizados”, mas, como bem disse meu amigo Alexandre Frias, não é um tema do gosto de todos! Resolvi então inovar e trazer aspectos de nossas vidas pessoais para o tema deste mês, vejam minha escolha:

"Neste mês eu gostaria de diversificar e trazer a tona variáveis tão ou mais importantes que o vinho em si! Falemos de nossa lembrança, pessoas, lugares e momentos. O tema deste mês é falar de um vinho que tenha marcado muito você! Férias inesquecíveis, o nascimento de um filho, bodas, casamento, não importa, descreva, degustando novamente ou não, suas percepções sobre o vinho degustado neste momento tão especial!"

Aproveito e dou uma sugestão a todos que estão lendo meu post. Lembra daquele vinho delicioso que você tomou naquela viagem a França ou Espanha ou Buenos Aires? Não interessa o país! Pegue este mesmo vinho e abra a mesma garrafa, da mesma safra, num dia comum, sem toda a magia do momento que envolvia sua viagem. É claro que tecnicamente o vinho é o mesmo! Mas nada, acredite, nada irá reproduzir a magia de um momento e foi exatamente isto que eu quis trazer a tona com o tema deste mês.

Minha escolha? Bom, meu momento especial na verdade foi o meu primeiro grande encontro com o Vinho Brasileiro. Em 2011 tive a oportunidade de participar do Projeto Imagem, realizado pelo IBRAVIN, e fui conhecer diversas vinícolas nas Serras Gaúchas. Vocês poderão ler diversos posts e relatos meus desta e de outras viagens que fiz para lá depois. Confesso que ainda tinha certo pré conceito e me faltava ainda muito a conhecer sobre o vinho produzido em nosso país.

Em um dos dias da visita o tema era Espumante e Garibaldi. Neste dia tive o prazer de conhecer pessoalmente o sensacional Adolfo Lona, e conhecer também a CPEG, Cooperativa dos Produtores de Espumante de Garibaldi. Mas o que Garibaldi e os Espumantes tem em relação com o vinho que escolhi? Foi no dia que conheci o Ricardo Chesini, participante do CPEG, mas que tinha realizado um sonho de produzir um vinho premium. A proposta da Chesini era chegar a um verdadeiro exemplar dos melhores vinhos do mundo. Para tal, foram empregados investimentos na adaptação e manuseio do vinhedo, irrigação controlada e colheita cautelosa. Depois de lapidado na vinícola, foram engarrafadas 2.770 garrafas numeradas deste vinho, importadas da França especialmente para o Gran Vin. Ao design, que emoldura com altivez a bebida, se junta o rótulo desenvolvido com exclusividade, que lhe confere visual único. Trata-se, inclusive, de material premiado pela indústria gráfica. São esses valores agregados que, em conjunto, fazem do Chesini Gran Vin sucesso de crítica.

Sim, eu já falei dese vinho aqui, mas para mim esta viagem e, como marco da mesma, o Chesini Gran Vin, foram um marco e tanto no meu encontro com o Vinho Brasileiro. Meu post inicial sobre o Gran Vin foi em Maio de 2011, pouco mais de 1 ano atrás. Irei acompanhar este vinho pelo menos pelos próximos 10 anos e, claro, compartilhar com todos vocês a evolução deste grande vinho Brasileiro!

E como será que foi meu encontro com o Chesini Gran Vin desta vez? Leia abaixo!!

Visual: Mesmo com seus 7 aninhos de vida o vinho continua sem sinais evidentes de envelhecimento em sua cor. Ainda vivo e brilhante. Analisando o halo conseguimos perceber sinais sutis de sua idade. Lágrimas finas, de velocidade mediana e tingindo a taça.

Olfato: Desta vez não decantei o vinho como já fiz em experiências anteriores. Ainda fechado o que, em conjunto com seu visual, mostram que este vinho ainda vai longe. Vale uma nota. Há uns 6 ou 7 meses atrás eu abri uma garrafa deste vinho e deixei ele decantando por quase 4 horas e, ao final da experiência, o vinho estava sensacional. A complexidade no olfato mais uma vez me surpreende, principalmente se considerarmos a faixa de preço deste vinho. Frutas negras e vermelhas mas com as negras mais em evidência. Com tempo em taça foi abrindo outras camadas. Compotas, especiarias, um toque de tabaco tudo isto harmonizando com a madeira muito bem integrada.

Paladar: Minha primeira atenção foi em relação aos taninos e a acidez que continuam bastante presentes me dando agora a certeza que este vinho evoluirá muito bem pelo menos nos próximos 5 anosl Corpo médio, remetendo mais a um vinho do velho mundo do que aos nossos queridos argentinos e chilenos. Os aromas que senti no nariz se mostram na boca também em camadas e com um final que, mais um vez, me surpreendeu por sua persistência.

Vinhaço! Realmente um vinhaço que me agrada pacas.

In Vino Veritas!

Gustavo Kauffman

segunda-feira, 25 de junho de 2012

La Celia Elite Malbec Tannat 2006


Queridos amigos e amigas, depois de um longo e tenebroso inverno, justamente no início do inverno de 2012, cá estou de volta a escrever sobre este assunto delicioso e fascinante que são os vinhos.

Não que tenha deixado de provar e me deliciar com deliciosos caldos, mas os tempos passados foram por demais atribulados, além de uns outros problemas que me impediram de aqui estar com vocês.

Pedi para o meu filho de três aninhos escolher, aleatoriamente, uma garrafa na adega para que eu abrisse e, em tempo real, escrevesse sobre a mesma que, em poucos minutos, estará no Blog! A escolhida foi este La Celia.

A Finca la Celia nasceu no ano de 1882. A linha elite está acima da linha Reserva, são chamados “super blends”, tendo sempre como base a uva Malbec, e foram lançados como uma homenagem a versatilidade que a Malbec mostrou em solo argentino. Lançados com Malbec / Petit Verdot, Malbec / Cabernet Franc e este que estamos provando Malbec / Tannat.

Vamos ao que achei deste vinho:

Visual: Bonita garrafa, com rótulo igualmente elegante, como predomina também o restante da linha. Rolha de cortiça. Ainda possui traços violáceos, mesmo com os 6 aninhos de vida, mas já começa a mostrar traços de evolução. Lágrimas finas, lentas, tingindo levemente a taça e por toda a taça.

Olfato: Elegante, com boa base aromática predominantemente frutada, bom toque de complexidade, mas sem explodir. Frutas vermelhas (morango e amora), baunilha e caramelo, finaliza com toques de chocolate e especiarias.

Paladar: Ataque mais sutil que no exame olfativo. Taninos presentes, mas já completamente domados e de granularidade de excelente qualidade. Acidez ainda bastante presente. Na boca, além das  notas percebidas no exame olfativo, trouxe tambén notas de café. Final de boa persistência.

O que a Vinícola fala sobre seu vinho:

60% Malbec / 40% Tannat

Colheita manual em pequenas caixas em busca do ponto ótimo de maturidade.

Estagiou em barricas de carvalho francês e americano de primeiro uso por 12 meses.

Coloração vermelho intenso e brilhante. Aromas únicos, uma reminiscência de doces de frutas vermelhas e especiarias como pimenta preta, combinadas com as notas do seu envelhecimento de carvalho. No paladar, taninos maduros dão força e estrutura. É um vinho de grande personalidade.

Recomendamos decantação de 40 minutos antes de servir.

O que diz a Wine Advocate, de Robert Parker, sobre o vinho:

Pontos: 85

Degustador: Jay Miller

Maturidade: Beber entre 2009 e 2014

Review:

The 2006 Elite Malbec (60%)-Tannat (40%) spent 12 months in French and American oak. Dark ruby-colored, it displays a nose of cedar, spice box, black cherry, and blackberry. Easy-going on the palate with plenty of spicy black fruit, this straightforward effort can be enjoyed over the next 5 years.


Até o momento deste post não haviam degustações publicadas pela Wine Spectator.

Um vinho bem agradável, fácil de beber, com certa dose de complexidade e sem tanta potência com é comum nos vinhos argentinos. Não é um vinho espetacular, longe disso, mas é um vinho bem interessante pra sua faixa de preço.

In Vino Veritas!

Gustavo Kauffman (GK)

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Rispollo Rosso 2010


Uma das coisas que mais me fascina no mundo dos vinhos é a imensidão que ele nos traz, seja qual for o assunto em pauta! A quantidade de rótulos e produtores aumenta a cada dia e, com isto, sempre estamos descobrindo novidades.

Este rótulo Italiano me foi indicado pelo amigo Alexandre Frias, do blog Diário de Baco, quando juntos participávamos de uma degustação na Rosso Bianco em Jundiaí. Um vinho Italiano, de Montalcino, na faixa dos R$50,00? Não pensei duas vezes e levei o vinho pra casa!

O vinho é produzido pela Talenti. Não muito longe da pequena cidade medieval de Sant'Angelo in Colle, situa-se Pian di Conte , um belo edifício de origem antiga, com vista para o vale suave do Rio Orcia, sede da Talenti. 

A Empresa foi fundada em 1980, quando Pierluigi Talenti decidiu adquirir a propriedade e a terra que tanto o fascinou e que ele havia se apaixonado desde os anos cinquenta, um período em que ele mudou-se das montanhas do Romagna para as doces colinas ensolaradas de Montalcino. A experiência e pesquisas intensas realizadas em todo o Montalcino fez com que a empresa tenha sido capaz de se elevar aos mais altos níveis de qualidade e combiná-lo com respeito aos ensinamentos da tradição.

Atualmente a empresa possui uma área total de 40 hectares , dos quais 20 hectares de vinhas (Brunello, Rosso di Montalcino e IGT), 4 hectares de olival especializado e o restante pomar, terra arável e florestas.

Vamos ao que achei deste vinho:

Visual: Garrafa que, pelo rótulo, de longe já percebemos que é Italiana. A safra não está no rótulo principal, aparece no contra rótulo. Rolha de compensado de cortiça personalizada para a vinícola. Na taça, além de deixar claro toda sua jovialidade com muito brilho e tons violáceos, é bastante escuro e possui lágrimas finas, incolores e bem lentas.

Olfato: Logo que abri a garrafa ainda estava muito fechado. Deixei respirar na taça por uns 40 minutos e os aromas foram aparecendo. Mesmo depois de abrir não é daqueles vinhos que explode em aromas. Boa complexidade. Frutas vermelhas e negras mescladas e já maduras. Mostra também nuances de café e um pouco de especiaria, mas tudo bastante sutil. Continuando a análise, percebo um toque de floral aportado pela Petit Verdot.

Paladar: É por isto que gosto dos vinhos Italianos. Sutil, mas ao mesmo tempo intenso. Pode paracer contraditório mas não é. O que tento dizer é que não é aquela explosão na boca como muitos do novo mundo, mas os sutis sabores são sentidos com bastante intensidade. Acidez excelente. Taninos macios. Final longo.

O que diz a Talenti sobre seu vinho:



No momento deste post  não haviam resenhas da Wine Advocate nem da Wine Spectator.

Um vinho que realmente é uma surpresa. Entra para a lista de Custo x Benefício e comprova que é possível sim experimentar bons vinhos do velho mundo pelo preço do novo.

In Vino Veritas!

Gustavo Kauffman (GK)

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Santa Julia Innovac!ón Mourvedre 2009

A Santa Julia é pertence a família Zuccardi, um dos maiores grupos vinícolas da Argentina.

A Santa Julia é uma clara amostra da combinação de qualidade e diversidade dos solos mendocinos, dando como resultado vinhos modernos. Em suas diversas categorias, encontramos desde uvas clássicas, como Malbec, Chardonnay ou Cabernet Sauvignon, até variedades pouco convencionais na Argentina, tais como Viognier, Pinot Grigio ou Tempranillo e, claro, a Mourvedre que falaremos a seguir.

Criada em homenagem à única filha de José Zuccardi, a Santa Julia representa nosso compromisso em alcançar os níveis mais altos de qualidade, mediante práticas sustentáveis que contribuam para o cuidado do meio ambiente e sendo úteis para a comunidade em que vivemos.

A linha Inovação procura introduzir novas cepas em solo argentino, através de uma constante pesquisa e desenvolvimento..

A Mourvedre é uma importante uva do sudeste e sul da França, presente nas regiões de Côtes-du-Rhône [CdR], Provence e Languedoc. Uma das uvas componentes do famoso Château-Neuf-du-Pape. Na Espanha é conhecida como Monastrell. Além do sucesso que faz no sul e sudeste da França, a mourvedre tem tido bons resultados na Australia e África do Sul. Sempre em combinaçao com a cinsault, syrah (shiraz) e grenache, em diferentes proporções, resultando no clássico corte CdR.

O que achei desta novidade da Santa Julia:

Visual: Elegante garrafa seguindo a linha da Santa Julia. Garrafa utilizando screw cap. Ao servir mostrou uma coloração ainda bastante intensa e com muito violáceo. A cor é bastante escura, mostrando intensidade e sem deixar transpassar luminosidade. Lágrimas finas, rápidas e tingindo levemente a taça.

Olfato: Média intensidade olfativa mostrando uma complexidade pouco comum para sua faixa de preço. O álcool está pouca coisa acima do que deveria, um tempo aerando provavelmente fará bem a este vinho. Uma cepa com a qual não estamos tão acostumados e que traz características interessantes. Nas frutas aparecem as vermelhas maduras e com certa doçura. A dose de especiarias é bem intensa em relação ao conjunto, com especial destaque para canela e pimenta negra.

Paladar: Corpo médio com bom ataque de sabores. As frutas prevalecem deixando as especiarias mais para um segundo plano. Acidez média, mas facilmente perceptível. Taninos bem suaves e delicados. O final surpreende por sua persistência. É daqueles vinhos que você fica lembrando por bastante tempo.

O que a Santa Julia fala sobre seu vinho:

ORIGEN DE LA VARIEDAD: Cepaje originario de España donde se la conoce también como Monastrell. Actualmente está ampliamente difundida en España y sur de Francia. También cultivada en California y Australia como Mataro.

ALCOHOL: 14,5%

ACIDEZ: 6,4g/l

AZÚCAR RESIDUAL: 2,6g/l

VINIFICACIÓN: Molienda, siembra de levaduras seleccionadas, vinificación clásica en tinto con 10 días de maceración, con pigeage manual y delestage. Maduración en barricas de roble francés durante 6 meses.

COLOR: Rojo rubí profundo y vivaz.

AROMA: Aromas de frutos rojos maduros, canela, hongos frescos, especias y algo de regaliz.

SABOR: Buena entrada, complejo, con taninos amables.


Até o momento deste post não haviam reviews da Wine Spectator nem da Wine Advocate.

Um vinho que abri despretensiosamente, mas que me agradou . Bem diferente do que estamos acostumados a provar na argentina pois não é um vinho tão encorpado! Um vinho muito agradável, com certa complexidade. Ah, prontíssimo para o consumo. Não é um vinho para se guardar e sim para se beber!

In Vino Veritas!

Gustavo Kauffman (GK)

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Espumante Sozo Imagination Brut 2009

Como ainda estamos em Janeiro, com um calor de derreter qualquer um, nada melhor do que falar sobre espumantes e principalmente sobre as jóias que já são produzidas aqui em nosso país.

Hoje é a vez da vinícola Sozo, situada em Vacaria / RS, um local belíssimo que vem produzindo belos vinhos na altitude gaúcha (mil metros de altitude). Estive em Vacaria em Julho de 2011 e você pode ver algumas fotos do local neste post.

A proposta de uma pequena adega familiar para produzir vinhos finos tem raízes históricas e se projeta em desafio para o futuro, participando do novo mercado com a diversidade de terroir, castas, tecnologias e a arte do enólogo para surpreender os consumidores.

José Sozo, bisneto de italianos que chegaram ao Brasil em 1878 e de três gerações que aqui sobreviveram da uva e do vinho, assina a marca da família com paixão e qualidade.

As uvas são todas cultivadas em Vacaria, mas a vinificação fica por conta da Embrapa.

Vamos então ao que achei do Espumante Sozo Imagination Brut:

Visual: Garrafa lindíssima, no estilo que acho a mais elegante que, por si só, já é um diferencial. O rótulo também está muito bem trabalhado. Achei a rolha um pouco curta demais. Na taça tem uma excelente perlage. Bem fina, abundante, aparecendo na taça toda e muito persistente. Na coloração mostra um palha com reflexos amarelos, demonstrando certa evolução e curiosamente alguns reflexos também róseos. Talvez a vinificação da Pinot tenha tido algum contato com a casca.

Olfato: Boa complexidade, mas não explode em aromas. Um aroma de pão e fermento, um leve toque de tostado e notas sutis de frutas brancas. Consegui identificar melão e abacaxi.

Paladar: A perlage também explode muito bem no palato, envolvendo toda a extensão da língua. Traz a complexidade também em boca que, aliada a acidez deste espumante, o deixa bem gastronômico. Boa cremosidade e final de persistência média.


O que a Sozo fala sobre seu espumante:

País: Brasil
Região: Campos de Cima da Serra
Produtor: Vinícola Sozo
Tipo: Branco
Safra: 2009
Composição: 60% Pinot Noir e 40% Chardonnay
Volume: 750 ml
Grad. Alcoólica: 12,5% Vol
Temp. de Serviço: Entre 7 e 9ºC
Combinações: Acompanha pescados e carnes brancas, em happy-hour, comemorações e na eleição de suas preferências.

Notas: De coloração clara, límpida e leve tonalidade cobre, perlage fino e intenso com permanência longa na taça, realçando aromas finos e delicados de pão tostado e frutas secas. Em boca é elegante, cremoso, com acidez firme e um final longo de frutas secas.


É, sem sombra de dúvidas, mais um belo exemplar dos espumantes Brasileiros. Acredito que ainda possa melhorar em sua complexidade de aromas.

In Vino Veritas!

Gustavo Kauffman (GK)
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