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sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Pizzato Rosé Brut 2013

A Pizzato vem investindo forte em uma nova roupagem não só em seus rótulos, como também em todo o processo, sempre focando no aumento da qualidade dos seus vinhos. Isto vem sendo notado não só informalmente, como também formalmente em diversas degustações de renomadas revistas.

Hoje vou falar do Pizzato Rosé Brut 2013, sim, é um espumante safrado de uma vinícola Brasileira. Muito importante aqui falar um pouco sobre a história da Pizzato. Ainda na itália, a família cultivava vinhas e elaborava vinho em pequenas quantidades. Após a chegada ao Brasil, na década de 1880, após o estabelecimento e a subsistência, o amor e dedicação em trabalhar com uvas e vinhos falou mais alto. Assim, o cultivo de parreirais em maior extensão foi levado adiante. As atividades do imigrante Antonio foram continuadas por um de seus filhos - Giovanni - que, além da ocupação principal relacionada aos vinhedos, continuou produzindo vinho, mas apenas para consumo da família. A maior parte da produção de uvas passou a ser comercializada para vinícolas da região da serra gaúcha.
Seguindo o caminho do ‘Nono Giovanni’, o patriarca da família proprietária da Pizzato Vinhas e Vinhos, o Sr. Plínio Pizzato, sempre um apaixonado pela vitivinicultura, vem produzindo uvas desde a adolescência. Inicialmente a produção se dava em conjunto com o pai, na propriedade localizada em Monte Belo do Sul. A partir do final da década de 1960, passou a ser produzido na atual propriedade, localizada no Vale dos Vinhedos. Também manteve a tradição iniciada pelo Sr. Giovanni de produzir, com uma pequena parcela das uvas, vinhos para consumo próprio, vendendo a maior parte da produção de uvas para vinícolas da região. Em 1998, o antigo sonho do sr. Plínio e família – o de produzir vinhos finos para a comercialização – torna-se realidade a partir de um projeto conjunto com os filhos Flavio, Flávia, Jane e Ivo (in memoriam). Naquele ano, a Pizzato vinhas e vinhos é constituída juridicamente e materialmente, a partir de investimentos familiares. 

São 16 anos de vida, e os vinhos já possuem uma qualidade muito boa neste curto período de vida.

Vamos ao que achei deste espumante:

Visual: A garrafa está LINDA! Ficou realmente sensacional. A rolha não é personalizada para a vinícola e não traz nada escrito. Na taça mostra sensualidade. Coloração rosa claro bem atraente. Formou discreta coroa, com perlage bem fina, constante e por toda a taça.

Olfato: Aqui frescor é a palavra chave. Possui sinais sutis de fermento e brioche, provenientes do período de contato com as leveduras, mas as frutas sobressaem. A cor remete a frutas vermelhas, mas no nariz as amarelas são muito mais presentes, em especial damasco. Mais ao fundo um toque de cereja.

Paladar: Na boca também é bem refrescante. Ataque inicial com boa acidez, preenchendo toda a boca. Corpo médio. No palato as frutas vermelhas são mais presentes. É um espumante “guloso”, uso esta expressão para falar de vinhos que a vontade, depois de um gole, é dar outro, e outro, e outro ainda mais em Fortaleza, de frente pro mar, que é aonde estou neste exato momento. Harmonizei com Sushi e ficou muito bacana, mas é um espumante que tranquilamente pode ser bebido na beira da piscina ou praia mesmo sem nenhum alimento.

O que a Pizzato fala sobre seu espumante:

O espumante rosado da Pizzato vem sendo elaborado desde 2007, sempre pelo método tradicional e com colheita designada. Sempre seguiu as regras da indicação de procedência vale dos vinhedos e a partir da colheita 2013 as regras da denominação de origem vale dos vinhedos (DOVV). Elaborado a partir de uvas próprias cultivadas no vinhedo santa lúcia, no vale dos vinhedos. 

PROPOSTA DO PRODUTO: Método Tradicional (champenoise). Pelo menos 9 meses de contato com as borras (sur lies). Dosagem moderada. 1 mês de descanso pós-degorgement (pelo menos). Vinhedos próprios conduzidos em espaldeiras. Das melhores parcelas da propriedade no Vale dos Vinhedos.

NOTAS DE DEGUSTAÇÃO: De cor rosada, com perlage fina . Aromas de morangos, cerejas, frutas cristalizadas e leve tosta de pão. Frutado na boca, acidez e álcool equilibrados, de bom corpo, seco, refrescante e cremoso. * notas geralmente observadas.

HARMONIZAÇÃO COM PRATOS: Entradas, peixes e frutos do mar, carnes brancas e róseas, sobremesas com pouca doçura.

SERVIÇO: Para melhor apreciar os pontos fortes deste espumante, sugere-se que a temperatura da bebida esteja entre 4 e 7 ºC
.
DADOS DA COLHEITA: Garrafas: 5.000 garrafas, numeradas pela Pizzato e DOVV. Corte do Vinho Base: 85% Pinot Noir / 15% Chardonnay Dados Técnicos Álcool (% vol.): 12 Açúcar final (g/l) : 11 Acidez total (g/l ác.tartárico): 7,2 pH: 3,3 Tempo de borras (meses): 10 e aumentando por conta de degorgement em vários lotes.

VINHEDO: Nome: Santa Lúcia, Vale dos Vinhedos Região: Vale dos Vinhedos, Denominação de Origem Localização: 29°10’17.91”S, 51°36’05.59”O, 495 m.a.n.m. Arquitetura: Espaldeiras com orientação norte-sul. Guyot. Solo: De origem basáltica, franco, com pedregulhos e argiloso Colheita: Totalmente manual, em Janeiro de 2013

ELABORAÇÃO: As uvas foram submetidas a prensagem direta (os cachos foram prensados inteiros, sem desengace ou moagem). A clarificação foi a frio, posterior trasfega, com separação das borras do mosto a fermentar. A fermentação ocorreu em tanques de aço inoxidável por 17 dias, com temperatura controlada e uso de leveduras selecionadas. Posterior estabilização e filtração.

FORMAÇÃO DE ESPUMA: Em março de 2013 foi feito o assemblage/corte dos vinhos base; adição de leveduras para a 2ª fermentação na garrafa, permanecendo em contato com as borras até o momento do dégorgement.

DÉGORGEMENT: A partir de fevereiro de 2014, com tempos variáveis de contato com as leveduras/borras (sur lies) dependentes do lote de dégorgement.

Fica aqui mais uma sugestão para as festas de final de ano, como também para o verão! E se você encontrar não perca a oportunidade de comprar, lembre que são produzidas somente 5.000 garrafas!


In Vino Veritas!
Gustavo Kauffman (GK)

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Don Giovanni Nature – Mais um belo espumante nacional!!

Com o verão e as festas de final de ano chegando, nada melhor do que um belo espumante. Como sabemos o Brasil vem, ano a ano, evoluindo com estes vinhos.

Hoje falaremos da Don Giovanni e de seu espumante Nature. Qual o motivo de se chamar “Nature”? Muitos sabem, outros não, sempre é bom recordar. Isto na verdade é uma classificação diretamente relacionada ao teor residual de açúcar no espumante. Falei em detalhes sobre isto neste post. O Nature permite de Zero a 3 gramas de açúcar residual por litro de espumante. Veremos adiante que o da Don Giovanni pozzui zero.

Distante 12 km do centro de Bento Gonçalves, no distrito de Pinto Bandeira, em altitude de 720m, a “granja” Don Giovanni, como é chamada pelos seus proprietários, tem uma história de elaboração de vinhos de mais de 40 anos. Antes de ser adquirida pelo casal Ayrton Giovannini e Beatriz Dreher Giovannini, a propriedade pertencia à Dreher S.A., indústria de bebidas estabelecida na região em meados do Século XX, e que pertencia aos avós paternos de Beatriz. A Dreher deixou fortes influências na história econômica e social do município de Bento Gonçalves.

Hoje a quarta geração da Família se dedica a produção de bebidas de alta qualidade. Prova que, por trás da marca Don Giovanni, existe tradição e conhecimento na elaboração de vinhos.

Atualmente, o “terror” da região de vinhos de montanha de Pinto Bandeira está certificado com a Indicação de Procedência de Pinto Bandeira. Para tal, estudos foram realizados pela Embrapa Uva e Vinho e a Universidade de Caxias do Sul (RS) afim de revelar as especificidades técnicas de solo, geologia, clima e relevo. Todas as vinícolas estão localizadas em meio a uma paisagem de topo de montanha, com mata nativa, parreirais se uvas viníferas e edificações construídas na época da Colonização Italiana.

Vamos ao que achei deste espumante:

Visual: Garrafa tradicional com elegante e moderno rótulo já indicando que o espumante permaneceu 24 meses em contato com as leveduras, o que lhe atribui mais complexidade. A Don Giovanni ainda possui um espumante que permanece 36 meses (Série Ouro Brut) e outro com 48 meses (Dona Bita Brut). Na taça o vinho estava jovem, limpo, uma coloração palha bem claro. O espumante não é safrado, mas pela coloração é de uma safra ou safras mais recentes. O perlage é bem fino e intenso, com boa formação de espuma.

Olfato: Primeira impressão é complexidade e jovialidade. Um vinho que mostra potencial gastronômico, sem perder uma cara jovial e refrescante como, por exemplo, beira de piscina. Frutas brancas (abacaxi, melão), um toque de lima da pérsia, agregados com aquele delicioso toque de brioche levemente amanteigado.

Paladar: Mesma primeira impressão do exame olfativo. Refrescante, bom volume, cremoso, boa acidez e estrutura, se mostrando um espumante versátil. Vai muito bem com entradas mas com certeza também encara um salmão mais gorduroso. O seu final mostra mais o lado cítrico e alguma mineralidade.

O que a vinícola fala sobre seu espumante:

Graduação alcoólica: 13% Vol.

Uvas: As uvas que compõem o vinho base são Chardonnay (60%) e Pinot Noir (40%), ambas cultivadas em vinhedos próprios na localidade de Pinto Bandeira pelo sistema de condução em Espaldeira com uma produção média de 2, 8 kg /planta. Os Vinhedos estão situados a altitude superior a 620 m, originando uvas de pronunciada frescura e acidez, condição excelente para elaboração de "vinho base". As uvas foram colhidas nas primeiras horas do dia, evitando as horas quentes, preservando assim os aromas típicos de cada variedade.

Vinificação: Ambas as variedades foram vinificadas separadamente mediante a adição de leveduras e sob rigoroso controle de temperatura. O Pinot Noir que é uma cepa tinta foi vinificado sem contato com as partes sólidas, originando dessa forma um vinho branco que após foi mesclado junto ao vinho chardonnay compondo assim o assemblage que denominamos de vinho base. Para esse espumante especial foi usado somente o mosto flor extraído de cada variedade em separado. Esse espumante é elaborado pelo processo champenoise onde são adicionadas leveduras selecionadas e a champanhização que leva em média 3 meses, foi realizado em câmaras com temperatura de 12ºC conferindo dessa forma excelente perlage. O envelhecimento onde acontece a autólise se deu em caves climatizadas a 16ºC. O diferencial desse produto é que não adicionamos licor de e expedição no processo de degourge sendo assim classificado como Nature, seja, um espumante obtido pelo processo champenoise onde não foi adicionado nem um tipo de Liqueur de Dosage, foi completado com o próprio espumante apresentando assim menos de uma grama/litro de açúcar.

Notas de degustação: De coloração amarelo palha com nuances douradas e excelente brilho. No olfato é complexo, expressando aromas de envelhecimento como torrefação, mel e toques de frutado com notas de frutas cítricas como abacaxi, maçã, melão e traços de pão tostado, mel, abacaxi maduro e bombom. No paladar apresenta grande volume de boca, refrescante, acidez marcante, realce dos gostos cítricos que se apresentam harmonizados com as notas de envelhecimento. Apresenta um final de boca muito agradável e grande cremosidade que aliado ao frescor torna-o muito elegante e atraente.

O vinho eu comprei na loja Sommelier Vinhos em Porto Alegre que, por sinal, recomendo a visita. Na ocasião paguei R$45,00 em uma promoção. O preço do vinho hoje está em R$55,00 e, acredite, ele vale mais!

In Vino Veritas!


Gustavo Kauffman (GK)

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Ciclos Icono 2010

Hoje falaremos novamente de outro vinho de nossos Hermanos. Este da região de Calchaquies, em Cafayate, Salta, mais ao norte da Argentina. Esta região ganhou sua notoriedade com a produção de excelentes vinhos brancos com a uva Torrontés, mas vem ganhando muito espaço também com excelentes vinhos tintos.

Salta é também um dos Estados argentinos com maior tradição vitivinícola: lá a videira foi introduzida pelos Jesuítas no século XVIII e várias das bodegas datam de princípios do século XIX. Na terra de todas as paisagens, popularmente conhecida como “a linda”, a região vitivinícola localiza-se nas alturas, em um lugar de enorme riqueza natural, histórica e cultural: os Vales Calchaquíes, local da origem das uvas do vinho de hoje. Lá, os vinhedos se estendem por mais de 3.200 hectares entre os departamentos de Cafayate, San Carlos, Angastaco, Molinos e Cachi. Em Cafayate é possível encontrar os mais grossos e antigos troncos arbóreos de videiras, e em Colomé e Payogasta vinhedos jovens imersos em uma paisagem montanhosa de grande altitude.

Além da Torrontés, hoje se destacam também as tintas como Cabernet Sauvignon, Malbec, Tannat, Bonarda, Syrah, Barbera e Tempranillo.

É uma região que vem se especializando, a cada dia, para receber o enoturismo. Com uma oferta de alojamento e gastronomia regional de alta qualidade, permitindo desfrutar do enoturismo em um entorno perfeito!

Nosso vinho é produzido pela Bodega El Esteco, que teve os irmãos David e Salvador Michel, de origem francesa, como fundadores. Em 1892, eles plantaram as primeiras vinhas e construíram a vinícola, que produz vinhos premium, sem participar nos segmentos de vinhos de entrada, lojas de vinho e varejistas de alto nível. Também cultivam uvas orgânicas que são elaboradas na El Transito e, recentemente, lançou a linha CUMA, somente de variedades orgânicas. Dentro da vinícola o Hotel & Spa Patios de Cafayate oferece 32 suítes para quem quer se esbaldar de vinho e sossego.

A garrafa que degustei foi adquirida no Duty Free de Buenos Aires, não me recordo bem o preço, mas foi barato. Aqui no Brasil custa na faixa dos R$80,00.

Vamos então ao que achei do Ciclos Icono:

Visual: A garrafa, como podemos ver nas imagens, é bonita, sem ser do estilo pesadona, e a lua e a estrela em alto relevo chamam a atenção. O Sol procura remeter a região de Salta, super ensolarada, e com excelente amplitude térmica. Na taça o vinho estava jovem, com coloração repleta de reflexos violáceos, escuro e sem deixar transparecer luminosidade.

Olfato: Sedutor, um vinho realmente sedutor e atraente. Harmônico, com destaques para frutas negras (cerejas escuras, toques de cassis), notas de especiarias como pimenta, completando com toques herbáceos e florais. Um vinho complexo e que, pelo nariz, mostra seu potencial para envelhecer. Madeira muito bem integrada ao conjunto.

Paladar: Muito legal ver como que a Malbec, mesmo em um assemblage com a Merlot, possui características distintas ao compararmos a região de Salta com a região de Mendoza. Um vinho elegante, de corpo médio, taninos já bem suaves e arredondados, acidez correta com final refinado e volumoso. Muita fruta em boca. Um vinho muito gostoso.

O que a vinícola fala do seu vinho:

VARIEDAD: 50% Malbec ; 50% Merlot

ORIGEN: Valles Calchaquíes, Argentina

TERRUÑO: Suelos pobres y pedregosos de alta montaña andina, gran amplitud térmica entre el día (cálido) y la noche (fresca). Alta exposición solar con 300 días al año. Clima seco y ventoso con 120mm de lluvia al año y un promedio de 15° C de humedad.

COSECHA: Malbec - última semana de marzo; Merlot - segunda semana de marzo.

DATOS ANALÍTICOS: Alcohol: 14 % Azúcares reductores: 2,94 grs / lt. Acidez Total: 5,95 grs. /lt. PH: 3.60

ELABORACIÓN: Los vinos Ciclos Varietales están orientados a tener una alta fineza y gran complejidad. Este objetivo se prepara desde los viñedos buscando uvas de gran concentración, granos pequeños, plantas equilibradas. La elección del día de cosecha es analizada cuidadosamente y una vez logrado su punto óptimo de madurez, cuidando todos los detalles se recolectan los frutos y comienzan los procesos de elaboración. Utilización de frío desde la llegada de la uva a la Bodega, (intercambiador de vendimia). Fermentaciones pre-fermentativas a 5ºC – Trabajos suaves durante la fermentación alcohólica - utilización de levaduras seleccionadas – temperaturas de fermentación entre 24ºC y 26ºC El 80% del vino es descubado a barricas nuevas y de segundo uso de roble Francés y Americano, donde realiza la fermentación maloláctica, finalizada esta y luego de un trasiego, retorna a las mismas barricas donde reposará y madurará durante 15 meses. El 20% restante se conserva en tanques de acero inoxidable.

Notas de Cata:

Rojo rubí, con tonos violáceos, profundo y fondo negro. Con muy buena intensidade

Aromas intensos y complejos. Se destaca la presencia de aromas a confituras de ciruelas y
leves notas especiadas y cassis. Aparecen la vainilla y el chocolate otorgados por su crianza en barricas de roble. Este aporte es fundamental para acomplejar los finos aromas que se logran durante la maduración del vino en botella. 

Los sabores son muy placenteros. Resaltan los sabores frutados de la uva Malbec conjugados con los especiados del Merlot, pasas de uvas, licor de chocolate. Entrada suave con taninos redondos y aterciopelados. Equilibrado, con una sensación final larga, agradable y untuosa.

O que a Wine Advocate, de Robert Parker, fala sobre este vinho:

Curiosamente a safra de 2010 não foi analisada. Destaco então as notas notas obtidas por este vinno. As safras de 2006 a 2008 foram analisadas por Jay Miller, a de 2009 por Neal Martin e a de 2011 por Luis Guitierrez.




Mais um vinho muito gostoso que, por sua faixa de preço, se mostrou até mesmo um belo Custo x Benefício.  O Altimvs, vinho top da vinícola, é excepcional e também recomendo. Não consegui escrever sobre ele ainda, mas com certeza estará entre os próximos posts.

In Vino Veritas!


Gustavo Kauffman (GK)

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Fruto Noble Crianza 2006

Hoje vamos falar de um vinho espanhol da denominação de origem de Alicante (http://www.vinosalicantedop.org/). Sim, você tem razão, não é uma DO muito conhecida assim como a região também não o é. Não são todos os vinhos de Alicante que pertencem a DO, somente as garrafas que possuem o logotipo da DO e possuem uma numeração exclusiva para a mesma é que são garantidos.

O site da DO diz que as uvas tintas amparadas são: Monastrell, Garnacha Tintorera o Alicante Bouschet, Garnacha tinta ( o Gironet), Bobal, Cabernet Sauvignon, Merlot, Pinot Noir, Petit Verdot, Syrah, Tempranillo. Citei isto pq, como veremos mais adiante, nosso vinho também leva a Cabarnet Franc em seu corte. Fui então ler o que está no regulamento da DO e descobri que é permitido a utilização de outras variedades desde que aprovadas pelo Conselho Regulador que, para tal, deverá verificar a qualidade do mosto. Curiosamente não existem regras como, por exemplo: Rendimento máximo por hectare, tempo de permanência em barrica, etc.

Outro fato curioso, já falado por aqui anteriormente, é em relação aos nomes dos vinhos espanhóis. Lá, para ser chamado de Crianza, um tinto precisa passar por um período mínimo de 24 meses antes de ser comercializado, sendo no mínimo 12 meses em barrica. O Fruto Noble passou 12 meses em barricas e 18 na garrafa antes de ser comercializado. Para confirmar que ele passou por este processo, a denominação é regulada pela ordem pública, através de autoridades legislativas que prezam a saúde pública e regulamentação econômica – inclusive do vinho. 

A Bodega também não é muito famosa por aqui. Além de vinhos, produz também azeites.

Vamos então ao que achei deste vinho:

Visual: O rótulo é bonito, mas se torna mais interessante pela foto da bodega em sua parte superior. A rolha é de cortiça, safrada e personalizada para a bodega. Na taça mostra ainda certo brilho, mas já apresenta cor alaranjada em seu halo demonstrando evolução. Cor escura e intensa. Lágrimas múltiplas e lentas.

Olfato: No nariz também são evidentes os sinais de evolução, mas percebe-se também que o vinho está inteiraço. Frutas vermelhas secas. Uvas passificadas, couro e especiarias (pimenta e noz moscada). O elevado álcool (14.5) não é perceptível. Sedutor!

Paladar: Corpo médio e vai abrindo na boca, trazendo refrescância e imediatamente pedindo um segundo gole. Acidez moderada. Taninos presentes, secantes, mas bem integrados ao conjunto. O final é longo e o retrogosto remete as frutas secas.

O que a Bodega Francisco Gomez diz sobre o seu vinho:

CRIANZA: 12 meses en barrica de roble francés y 18 meses en botella

VARIEDADES: Cabernet Franc, Monastrell y Syrah

CATA: Vino tinto. De intenso color rojo cereza brillante y limpio. En nariz nos recuerda a fruta roja madura y especies. En boca es de paso elegante, con una leve acidez de entrada pero sabroso, redondo y con un tanino amable muy pulido hasta su complejo y elegante final, pleno de matices.    

SERVICIO: Alrededor de 16º


Não existem críticas da Wine Advocate sobre este vinho.

Sempre que posso procuro dar dicas sobre como ter novas experiências prazerosas no mundo do vinho. Este rótulo é um bom exemplo. Comprei na Vinhos do Mundo em Porto Alegre por um excelente preço. Uma jóia. No mercado, sem promoção, custa na faixa dos R$70,00 que são muito bem pagos. O vinho é bem distinto, fora do padrão e delicioso. Isto sem falar que está em seu apogeu, com sinais de evolução, o que não é fácil de encontrar nesta faixa de preço.

Fica a sugestão: Se encontrar ele por aí não deixe de provar e depois me conta o que achou.

In Vino Veritas!
Gustavo Kauffman (GK)

domingo, 16 de novembro de 2014

Obra Prima Gran Reserva Familiar Maximus 2008

Sim, sou um fã dos vinhos de nossos Hermanos. A Argentina vem conseguindo fazer grandes vinhos, cada vez mais elegantes, delicados, sem perder sua tipicidade. Este vinho que, desculpem o trocadilho, é realmente uma Obra Prima, é um exemplo vivo disto.

O vinho é produzido pela Familia Cassone, bodega não muito conhecida aqui no Brasil. É recente, foi criada em 1998 por Eduardo Cassone, sua esposa Florencia Ferreira Funes e seus 3 filhos. A bodega fica em Mendoza, mais precisamente em Luján de Cuyo, rodeada pela cordilheira dos andes, a 18 Km ao sul de Mendoza. A região de Luján de Cuyo, como muitos já sabem, é considerada a principal região vitivinícola da Argentina, com um clima, altitude e amplitude térmica muito propícios para a produção da uva.

O Maximus é o vinho ícone da linha “Obra Prima” da Familia Cassone. Nesta linha eles possuem ainda o Rosado, um CS e um Malbec e o Coleccion, este último um vinho também muito bem produzido, mas com maior presença da Malbec (80%) e partes iguais de CS e Merlot. Já o Maximus traz também a Malbec como uva principal, só que com 66%. O assemblage é completado também com partes iguais de outras duas uvas, mas aqui a Syrah e a Cabernet Franc.

Vamos então ao que eu achei deste vinho:

Visual: A garrafa faz o estilo “pesadona”, muito comum no novo mundo. Rótulo bonito, elegante e austero, pena que o da garrafa que degustamos acabou sendo rasgado dentro da adega de um amigo. Na taça, mesmo com 6 anos de vida, não mostrou sinais de evolução. Continua brilhoso, uma mistura de rubi com muito violáceo.

Olfato: Elegância é a palavra chave! Complexo, mas muito, muito elegante, o que surpreende. Confesso que eu esperava um vinho mais direto, mais “porrada”, mas fui surpreendido positivamente. No nariz já despertou também ser um vinho gastronômico. Predominância para frutas vermelhas como framboesa e amora. A madeira, francesa de primeiro uso, aonde o vinho calmamente amadurece por 18 meses, está muito bem integrada. No nariz traz também especiarias (noz moscada e pimenta) e um toque de mentolado.

Paladar: Ataque inicial também elegante e mostrando um corpo médio. Preenche bem a boca, trazendo boa acidez, taninos também muito elegantes e um final longo. O vinho está redondo, pronto para ser bebido. É claro que com certeza sobrevive mais alguns anos, mas não acredito que vá melhorar. É um vinho surpreendente que você precisa experimentar!

O que a Familia Cassone fala sobre seu vinho:

Variedad: 66% Malbec, 17% Cabernet Franc, 17% Syrah.

Viñedos: Luján de Cuyo, Mendoza, Argentina.

Cosecha: Manual en cajas plásticas de 18 kgs.

Elaboración: Tradicional con maceración fría en tanque de acero inoxidable.

Crianza: 18 meses en barricas nuevas de roble francés.

Alcohol: 14%.

Temperatura a servir: 18º C

Enologo: Mauricio Lorca / Federico Cassone

Notas de Cata: Obra Prima Maximus es nuestra mayor obra, nuestro más alto vino. Creado sobre la base de un corte de Malbec, Cabernet Franc y Syrah y habiendo sido añejado en barricas nuevas por 18 meses, dio como resultado este vino de muy buen cuerpo y estructura redonda. Presenta un color rojo rubí con suaves tonalidades violáceas; de aromas frutados a moras, grosellas y menta y final aterciopelado con dejos de eucaliptos y pimienta, con muy fino aporte de complejidad aportada por el roble.

O que a Wine Advocate, de Robert Parker, fala sobre o vinho:

Pontos: 90

Degustador: Jay S Miller

Maturidade: Beber até 2013

Review:

The 2008 Obra Prima Maximus is a blend of 66% Malbec, 17% Cabernet Franc, and 17% Syrah also aged in new French oak for 18 months. Its personality resembles the Malbec Collecion both aromatically and on the palate, but the wine is a bit leaner, without as much complexity. Nevertheless, this flavorful effort is an outstanding wine that will benefit from another 2-3 years of cellaring. 


Se você ainda acredita que a Argentina não produz vinhos elegantes, acredita que a Malbec em nossos vizinhos só produz vinhos pesados, você precisa provar este vinho. Realmente muito bem produzido. Um vinho caro por aqui, mas que com certeza fará sucesso.

In Vino Veritas!


Gustavo Kauffman (GK)

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Ricominciare Cabernet Franc / Cabernet Sauvignon 2006

Que bom poder voltar a escrever minhas mal traçadas linhas. É realmente um prazer imenso parar um pouco, degustar um belo vinho, escrever minhas impressões sobre ele e ainda poder compartilhar com todos! Tenho trabalhado intensamente, o que é muito bom, mas isto acabou me distanciando um pouco do Enoleigos. É claro que o excesso de trabalho não me afastou do vinho, muito pelo contrário, continuo um eterno apaixonado por esta bebida divina. Quando não escrevo, falo um pouco de minhas impressões no Instagram do ENOLEIGOS.

Hoje vou falar um pouco deste vinho que há tempos me encanta. Ainda tenho algumas garrafas dele em casa, e acompanho a evolução deste vinho na faixa dos R$100,00 que faz frente a muitos vinhos com custo superior. Não falei dele ainda no Blog, somente no Instagram.

Este vinho é produzido pela Bodega de mesmo nome, a Ricominciare, fundada por Jorge Catena irmão mais novo de Nicolás Catena e bisneto de Nicola Catena. Olha, já perdi a conta de quantas vinícolas oriundas da Catena existem na Argentina. Curiosamente todas não usam só o nome mas também produzem belos vinhos, como é o caso deste blend de Cabernet Franc com Cabernet Sauvignon.

A Ricominciare elegeu o Vale do Uco para o cultivo de seus vinhedos, destacando suas virtudes, como altitude, amplitude térmica, composição do solo e pureza de suas águas que contribuem para a personalidade do vinho. Em La Consulta, no Vale do Uco, se encontra a Finca San Vicente, que dá origem aos seus vinhos. 

Me interessei por este vinho pela Cabernet Franc, que contribui com 60% deste caldo. Ocupa aproximadamente 157 000 hectares de plantação no mundo todo, dentre os quais 211,13 ficam na França. O cabernet franc é mais leve que o cabernet sauvignon, possui taninos honestos ou sinceros conferindo firmeza e um corpo violão ao vinho, cor profunda e aromas de frutas tropicais e especiarias. É bastante utilizada para complementar outras uvas em cortes com cabernet sauvignon, tempranillosangiovese e ugni blanc. É uma das seis uvas permitidas nos cortes de Bordeaux, ao lado de cabernet sauvignonmerlot, malbeccarmenère e petit verdot. Também é relevante seu cultivo em regiões de clima tropical, como a Tanzânia e a Indonésia. Existem pequenas áreas de cultivo em países de menor importância enológica, como Paquistão e Turquia e, claro, na Argentina daonde saiu nosso vinho.

Vamos então ao que eu achei deste vinho:

Visual: Bonito rótulo, com uma sutil marca d´água. Daqueles que é bonito e, ao mesmo tempo, simples. A rolha cita a safra porém não traz nenhum dado da Bodega. Por ser um vinho já com 8 anos de vida, já apresenta reflexos em sua coloração que mostra nitidamente seu halo mais com cor de tijolo e com menos brilho. Um vinho não tão denso, deixando passar raios luminosos. Lágrimas finas, lentas e tingindo levemente a taça.

Olfato: Um vinho complexo e ainda muito vivo e expressivo. Percebe-se também leve evolução no nariz. Figo, ameixa seca, uva passa, nítidas notas de especiarias como pimenta, um sutil toque de tabaco e, ao fundo, uma mistura de balsâmico com mentolado. Logo após ser aberto mostrou um pouco de álcool em excesso, que com pouco tempo em taça desaparece. No nariz mostra estar inteiraço.

Paladar:  Um vinho com bom corpo, ataque inicial potente, excelente acidez, taninos ainda bastante presentes, mas já maduros. Sua potência se prolonga, se mostrando um vinho gastronômico e seguramente com ainda 2 a 3 anos de vida pela frente. O retrogosto traz especiarias e novamente o cacau.

O que a vinícola fala do seu vinho:

Origem dos Vinhedos: Propriedade San Vicente, La Consulta, Vale do Uco, Mendoza

Altitude: 900 mts.

Rendimento por hectare: Cabernet Franc 9.000 kg/ha; Cabernet Sauvignon 8.000 kg/há

Vindima: Manual, em caixas de 18 kg. Cabernet Franc (60%) 7 de abril de 2006. Cabernet Sauvignon (40%) 12 de abril de 2006. Cabernet Franc 7 de abril de 2006. Cabernet Sauvignon 12 de abril de 2006.

Fermentação Alcoólica: 26 dias em tanques de aço inoxidável a 28º C Maceração pré-fermentativa durante 72h a 12º C favorecendo a extração de precursores aromáticos.

Fermentação Maloláctica: 100%. Este vinho foi gentilmente filtrado preservando seu notável caráter e personalidade.

Álcool: 14º 

Acidez total: 5,13

Envasado: na vinícola em 21 de outubro de 2007.

Produção: 7.140 garrafas

Para poder apreciar plenamente as características deste vinho, recomendamos servi-lo a 16º C.  Buscamos vinhos com história e tradição.

O que a Wine Advocate, de Robert Parker, fala sobre o vinho:

Pontos: 88

Degustador: Jay S Miller

Maturidade: 2009 - 2015

Review:

The 2006 Cabernet Franc & Cabernet Sauvignon is a bit lighter in color, less dense on the palate, but a bit more elegant. It offers up attractive spice box and black fruit aromas and flavors, plenty of juicy fruit, good balance, and a fruit-filled finish. It, too, can be enjoyed over the next 6 years. 


É isto aí meus amigos. Um vinhaço que continua me encantando. Me restam 3 garrafas por aqui, daqui há 12 meses abro outra. Quem tiver pode abrir sem susto, o vinho está pronto, em seu apogeu e realmente delicioso. Sugestão é deixar respirar por 30 minutos. O meu permaneceu por este período na taça enquanto eu escrevia o post e abriu bastante.

Volto em breve!!

In Vino Veritas!


Gustavo Kauffman (GK)

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Nederburg Noble Late Harvest recebe indicação 5 estrelas do Guia John Platter´s !!


Vinho colheita tardia da Nederburg, safra 2011, recebe pontuação máxima do guia John Platter’s e ratifica a qualidade dos vinhos Nederburg, a mais premiada vinícola da África do Sul.

O vinho doce tem sua popularidade desde a época da Roma antiga quando junto com os brancos eram os vinhos mais admirados. Na idade média, em grandes cidades como Veneza, a preferência pelos doces era notória. No final do século 17 o vinho doce destacava-se no mercado holandês, um dos mais importantes da época. Atualmente, Alemanha, França, Hungria e Itália produzem ícones doces idolatrados em todo mundo. Entre os países do novo mundo, a África do Sul se destaca como produtor dos mais famosos e tradicionais vinhos doces naturais.

O vinho doce é companhia certa para as sobremesas, mas também com terrines e uma grande gama de queijos, principalmente os mais intensos. Sua importância entre os vinhos mais admirados e clássicos do mundo é alta, porém ainda pouco conhecida no Brasil. É esse cenário que a Nederburg quer mudar ao trazer as safras pontuadas de seu Late Harvest.

A safra de 2011 do Noble Late Harvest já está no mercado e chega respaldada pelo crítico John Platter, o mais importante da África do Sul. No guia John Platter’s South Africa Wines – 2014 o rótulo recebeu a indicação de 5 estrelas pelo seu sabor, visual e aroma. No Brasil o vinho é distribuído pela importadora Casa Flora.

Late Harvest indica que o vinho é feito através do processo de colheita tardia, um método natural, no qual as uvas são deixadas nas videiras para amadurecerem além do ponto da colheita. Elas são afetas pelo fungo Botrytis cinerea que provoca no fruto o processo conhecido por podridão nobre (Noble). O fungo se aloja na casca dos frutos, onde são formados pequenos furos. O fruto perde líquido e sua casca torna-se enrugada, assemelhando-se às uvas passas. A perda de água aumenta a concentração de açúcar e de outras propriedades que contribuem na qualidade do vinho.

Nederburg Noble Late Harvest é elaborado com as castas Chenin Blanc e Muscat de Frontignan das regiões de Durbanville e Paarl. Com perfil moderno, Nederburg Noble Late Harvest leva a assinatura de Razvan Macici, Cellarmaster da Nederburg e do enólogo Win Truter.

Para a Nederburg, a inserção no mercado nacional de uma safra altamente recomendada é a oportunidade de reforçar o seu elo com os consumidores e fortalece sua presença no mercado brasileiro oferecendo rótulos de qualidade. Além disso, a marca quer estimular ainda mais o consumo desse tipo de vinho, pois ele é indicado como sobremesa, mas pode acompanhar queijos salgados e alguns pratos. A vinícola apostou num preço objetivo para continuar se destacando na categoria de rótulos africanos. O vinho Noble Late Harvest – safra 2011 - chega ao mercado por aproximadamente R$ 100. O rótulo estará à venda nos restaurantes e empórios do País.

“Nederburg tem mais de 200 anos de tradição e conta com um experiente time de enólogos, treinados internacionalmente, com alto nível de gerenciamento viti cultural permitindo elaborar vinhos de qualidade. O processo de produção do Noble Late Harvest é minucioso, exigindo muito esforço dos viticultores e enólogos. As safras anteriores receberam ótimas pontuações como as atuais, mas o momento é especial para Nederburg no Brasil. Queremos oferecer cada vez mais aos brasileiros, vinhos para todas as ocasiões evidenciando os atributos de qualidade e valor, já admirados em outros países”, explica Roberto Faillace, gerente de marketing da Distell para a América Latina.

A Nederburg é a vinícola mais premiada da África do Sul e coleciona troféus, medalhas e prêmios – obtidos em competições nacionais e internacionais – que atestam a qualidade e excelência de seus vinhos. A Nederburg acumula prêmios de Melhor Produtor da África do Sul, concedidos pela International Wine and Spirit Competition, (IWSC) e de Vinícola do Ano concedidos pelo renomado Guia Platter’s da África do Sul.

Fundada em 1791 pelo imigrante alemão, Philipus Wolvaart, a Nederburg possui um portfólio versátil de vinhos. Localização, excelência, história e vinhos feitos com apuro artesanal são as ferramentas da vinícola para se firmar no topo dos vinhos sul africanos no Brasil.

Sobre a Distell

A Distell, empresa Sul Africana de bebidas alcoólicas, foi criada no ano 2000 e é resultado da fusão entre duas tradicionais empresas, a Stellenbosch Farmers' Winery (SFW – fundada em 1925) e a Distillers Corporation (fundada em 1945).


Hoje detém mais de 100 marcas distribuídas entre as categorias vinho, licor, conhaque, brandy, uísque, entre outras, e é a líder em produção e vendas de vinhos, cidras e bebidas prontas (RTD – ready to drink). Seu tradicional licor Amarula está presente no Brasil desde 1994. A empresa instalou um escritório próprio no Brasil desde sua origem como Distell, no ano 2000. Os vinhos Nederburg estão presentes no Brasil desde 2007.

Sobre o Vinho

Em breve minhas impressões detalhadas por aqui!!!

In Vino Veritas!

GK

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Chega de Saudade!!!! Com Lagarde Blanc de Noir...

Pouco tempo atrás anunciei aqui no Enoleigos uma promoção que a Wines of Argentina anunciou durante o Winebar. Relembre.

O desafio era harmonizar 2 vinhos que recebemos com músicas de uma playlist criada pelo músico, enófilo e blogueiro Maurício Tagliari. Um dos vinhos que recebi foi o Lagarde Blanc de Noir, da Bodega Lagarde.

Será que vinho harmoniza com música? Com este concurso eu tive a certeza que sim! Cada vinho tem sua própria melodia e gênero musical. Existem músicas que te fazem raciocinar melhor, outras te relaxam, te animam, harmonizam o ambiente. Músicas são utilizadas em templos religiosos para auxiliar na concentração, vide exemplo da música gregoriana e de diversos mantras budistas. A música sempre irá agir diretamente em nossos sentidos, sejam eles quais forem.

Durante o Winebar alguns amigos blogueiros comentaram que a harmonização do vinho com a música seria subjetiva. Fiz diversos laboratórios por aqui e, fica meu testemunho, minha conclusão é que não existe subjetividade. É claro que, como na harmonização gastronômica, existem várias alternativas possíveis, mas dentro de certos limites. Será que alguém tentaria harmonizar uma truta grelhada, leve, com pouquíssima gordura, com um vinho potente, complexo, tânico e com boa estrutura? Tenho certeza que todos aqui concordam que o vinho simplesmente “passaria por cima” do peixe, e exatamente isto acontece com a música. Na minha opinião não seria possível lançar um CD do tipo “Músicas para escutar bebendo um vinho”. Uma música que harmonizou, por exemplo, com o rosé que falo neste artigo, com certeza não harmonizaria com um potente Malbecl!

O vinho, assim como a música, age diretamente em nossos sentidos. Quando degustamos, nos desligamos de tudo, focando nosso olfato, paladar e memória para desvendar os segredos, camadas e nuances do vinho a nossa frente. Se uma música é capaz de levar monges a elevados níveis de concentração espiritual, imagine o que não pode fazer no momento de nossa degustação, ou simplesmente em nosso momento de descontração enquanto bebericamos este rosé!

A harmonização de música com vinhos pode parecer uma surpresa para nós mas, acreditem se quiser, já existem sites especializados no assunto. Um deles, e bem interessante, é o “Wine and Music” que vai bem a fundo no assunto.

E o nosso vinho? O Lagarde Blanc de Noir? Primeiro uma curiosidade. Apesar de ser um “Blanc de Noir”, na verdade, como citei anteriormente, é um vinho rosé. Produzido através de um blend de 50% de Malbec e 50% de Pinot Noir. Um vinho delicado, refrescante, com muitas frutas vermelhas no nariz e um elegante toque floral, remetendo para rosas o que, em conjunto com sua coloração, deixa também este vinho mais elegante e romântico. Na boca é sedoso, com bom volume e, principalmente, muito refrescante, o que combina demais com o clima que estamos tendo no Brasil.

A refrescância do vinho, como comentei, me trouxe ao Brasil, seu clima romântico me remeteu a um clima que lembramos da pessoa amada mas sem tristeza, querendo ela do nosso lado, compartilhando daquele momento, do vinho e das sensações que o vinho e a música estão me proporcionando. É fácil explicar. Além da música ter ressaltado demais todas as características do Lagarde Blanc de Noir, eu fiquei 3 meses trabalhando em Fortaleza, vendo pouco minha família e, além de ser um cara romântico como meus amigos blogueiros comentaram durante o Wine Bar, eu também estava carente e querendo demais estar em casa ao lado do meu amor.

João Gilberto e sua interpretação fantástica para esta linda música Chega de Saudade, deixaram o vinho ainda mais romântico, ressaltando a sensação de frutas vermelhas, alongando seu final em boca, e, por outro lado, trazendo mais amor e sentimento aquele momento que se tornou único.

“Há menos peixinhos a nadar no mar, do que os beijinhos que eu darei na sua boca...”

Não poderia terminar este post de outra forma que não agradecendo a Wines of Argentina pela experiência fantástica.

A partir de agora, além de escolher o prato, entrou para a minha lista de prioridades criar uma playlist que harmonize com os vinhos e cardápio que serão servidos. Pensem nisto!!

In Vino Veritas!

GK

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