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domingo, 16 de novembro de 2014

Obra Prima Gran Reserva Familiar Maximus 2008

Sim, sou um fã dos vinhos de nossos Hermanos. A Argentina vem conseguindo fazer grandes vinhos, cada vez mais elegantes, delicados, sem perder sua tipicidade. Este vinho que, desculpem o trocadilho, é realmente uma Obra Prima, é um exemplo vivo disto.

O vinho é produzido pela Familia Cassone, bodega não muito conhecida aqui no Brasil. É recente, foi criada em 1998 por Eduardo Cassone, sua esposa Florencia Ferreira Funes e seus 3 filhos. A bodega fica em Mendoza, mais precisamente em Luján de Cuyo, rodeada pela cordilheira dos andes, a 18 Km ao sul de Mendoza. A região de Luján de Cuyo, como muitos já sabem, é considerada a principal região vitivinícola da Argentina, com um clima, altitude e amplitude térmica muito propícios para a produção da uva.

O Maximus é o vinho ícone da linha “Obra Prima” da Familia Cassone. Nesta linha eles possuem ainda o Rosado, um CS e um Malbec e o Coleccion, este último um vinho também muito bem produzido, mas com maior presença da Malbec (80%) e partes iguais de CS e Merlot. Já o Maximus traz também a Malbec como uva principal, só que com 66%. O assemblage é completado também com partes iguais de outras duas uvas, mas aqui a Syrah e a Cabernet Franc.

Vamos então ao que eu achei deste vinho:

Visual: A garrafa faz o estilo “pesadona”, muito comum no novo mundo. Rótulo bonito, elegante e austero, pena que o da garrafa que degustamos acabou sendo rasgado dentro da adega de um amigo. Na taça, mesmo com 6 anos de vida, não mostrou sinais de evolução. Continua brilhoso, uma mistura de rubi com muito violáceo.

Olfato: Elegância é a palavra chave! Complexo, mas muito, muito elegante, o que surpreende. Confesso que eu esperava um vinho mais direto, mais “porrada”, mas fui surpreendido positivamente. No nariz já despertou também ser um vinho gastronômico. Predominância para frutas vermelhas como framboesa e amora. A madeira, francesa de primeiro uso, aonde o vinho calmamente amadurece por 18 meses, está muito bem integrada. No nariz traz também especiarias (noz moscada e pimenta) e um toque de mentolado.

Paladar: Ataque inicial também elegante e mostrando um corpo médio. Preenche bem a boca, trazendo boa acidez, taninos também muito elegantes e um final longo. O vinho está redondo, pronto para ser bebido. É claro que com certeza sobrevive mais alguns anos, mas não acredito que vá melhorar. É um vinho surpreendente que você precisa experimentar!

O que a Familia Cassone fala sobre seu vinho:

Variedad: 66% Malbec, 17% Cabernet Franc, 17% Syrah.

Viñedos: Luján de Cuyo, Mendoza, Argentina.

Cosecha: Manual en cajas plásticas de 18 kgs.

Elaboración: Tradicional con maceración fría en tanque de acero inoxidable.

Crianza: 18 meses en barricas nuevas de roble francés.

Alcohol: 14%.

Temperatura a servir: 18º C

Enologo: Mauricio Lorca / Federico Cassone

Notas de Cata: Obra Prima Maximus es nuestra mayor obra, nuestro más alto vino. Creado sobre la base de un corte de Malbec, Cabernet Franc y Syrah y habiendo sido añejado en barricas nuevas por 18 meses, dio como resultado este vino de muy buen cuerpo y estructura redonda. Presenta un color rojo rubí con suaves tonalidades violáceas; de aromas frutados a moras, grosellas y menta y final aterciopelado con dejos de eucaliptos y pimienta, con muy fino aporte de complejidad aportada por el roble.

O que a Wine Advocate, de Robert Parker, fala sobre o vinho:

Pontos: 90

Degustador: Jay S Miller

Maturidade: Beber até 2013

Review:

The 2008 Obra Prima Maximus is a blend of 66% Malbec, 17% Cabernet Franc, and 17% Syrah also aged in new French oak for 18 months. Its personality resembles the Malbec Collecion both aromatically and on the palate, but the wine is a bit leaner, without as much complexity. Nevertheless, this flavorful effort is an outstanding wine that will benefit from another 2-3 years of cellaring. 


Se você ainda acredita que a Argentina não produz vinhos elegantes, acredita que a Malbec em nossos vizinhos só produz vinhos pesados, você precisa provar este vinho. Realmente muito bem produzido. Um vinho caro por aqui, mas que com certeza fará sucesso.

In Vino Veritas!


Gustavo Kauffman (GK)

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Marco Luigi Brut 10 anos - #CBE


Ano novo, vida nova e, pq não, vinho idoso? Rssss. Hoje orgulhosamente volto a escrever para a CBE, a Confraria Brasileira dos Enoblogs. Já foram muitos vinhos degustados para esta confraria e nada melhor do que começar o ano com um post para a mesma. Todos os meses um Enoblogueiro é o responsável pela escolha do tema. A escolha deste mês coube a Ale Esteves Macedo do blog Dama doVinho e segue abaixo:

o próximo post para 1/1/2014 poderia ser sobre champagne, cava, Prosecco, Franciacorta, qualquer espumante para brindar o novo ano. Mas, de preferência, que esse espumante seja fotografado em algum lugar especial onde você passará o ano novo. O meu já vai ser no novo país!

Minha escolha foi de um sensacional espumante Brasileiro. Um verdadeiro Tesouro com apenas 1.500 garrafas elaboradas. A Marco Luigi é uma charmosa vinícola de Bento Gonçalves. Recomendo fortemente a visita. No post “Desvendandoas Serras Gaúchas – Marco Luigi Vinhos Finos” você conhecerá um pouco mais sobre ela.

Escolhi este espumante pq é raro encontrar um exemplar que permaneceu 10 anos, isso mesmo, 10 ANOS em contato com as leveduras. A Marco Luigi produziu um Nature (zero à 3 gramas de açúcar por litro) e o vinho que escrevo, um Brut (6,1 a 15 gramas de açúcar por litro).

Vamos então ao que achei do vinho:

Visual: A garrafa traz um certo ar de história mas, particularmente, não gostei muito do rótulo. A rolha é de cortiça e personalizada para a Marco Luigi. Ao servir na taça começamos a ser brindados por deliciosas impressões. A evolução dos quase 12 anos é claramente percebida pela sua tonalidade amarelo quase ouro. Mesmo após os 12 aninhos forma uma belíssima coroa, mantendo uma perlage muito fina, constante e por toda a taça.

Olfato: Bem expressivo e complexo. 10 anos em contato com as leveduras realmente não é para qualquer um e traz camadas e mais camadas. A primeira impressão é que tudo está muito bem integrado, frutas e a evolução devido ao contato com as leveduras se integram. Até as frutas aqui são mais complexas, destaque para damasco. Sigo identificando frutas secas como nozes, brioche, fermento e um toque de amanteigado.

Paladar: A boca repete sua complexidade, com uma diversidade de sabores, assim como no olfato. Acidez correta. Perlage também explode no palato. Estrutura e corpo bem presentes. Retrogosto de frutas secas. Final longo, sem nenhum amargor, e muito saboroso, que me remeteu até a figo. Extremamente gastronômico.

O que a Marco Luigi fala sobre o seu espumante:

Este espumante foi elaborado através do metodo Champenoise (fermentação na garrafa) com uvas Chardonnay, Pinot Noir provenientes de um vinhedo minuciosamente planejado na encosta Norte de um terreno com ótima inclinação, pedregoso e de média idade, com raízes profundas que absorvem somente os melhores nutrientes para as uvas. O espumante foi cuidadosamente guardado em contato com as leveduras por um período de 10 anos nas caves de terra da vinícola, este período de repouso resultou em um espumante de perlage extremamente fina, numerosa, persistente e de aromas inigualáveis.

Região do Vinhedo: Vale dos Vinhedos

Variedade: Chardonnay, Pinot Noir.

Colheita: A colheita é feita de forma manual. As uvas são acondicionadas em caixas de 20kg e imediatamente transportadas até a vinícola, onde é feito o desengace. A colheita foi realizada no final de janeiro, onde a uva apresentou estágio avançado de maturação e melhor concentração de açúcar.

Desengace: As uvas são desengaçadas em prensa especial onde acontece a liberação do suco sem a trituração da casca.

Decantação: Após a retirada da casca o mosto é decantado a frio.

Primeira Fermentação (vinho base): O mosto é fermentado com controle rigoroso de temperatura em tanques de aço inox por aproximadamente 50 dias.

Decantação do Vinho Base: Após a fermentação alcoólica, o vinho base é submetido a um tratamento de frio a -3ºC para a decantação completa de sais tartáricos.

Engarrafamento: Depois de decantado, o vinho base é engarrafado com uma pequena quantidade de açúcar, que irão fermentar para proporcionar a espuma e a pressão.
Fermentação na Garrafa (2ª fermentação): A fermentação foi realizada em caves subterrâneas de terra natural com a terra por 10 anos.

Remauge (pupitres): Para decantar os resíduos da fermentação, as garrafas são colocadas em pupitres na forma de pirâmide, onde são girados manualmente ¼ de volta todos os dias, por um período de aproximadamente 3 meses, para que os resíduos cheguem até o gargalo.

Degorgement: Após a decantação nos pupitres, o gargalo é congelado em máquina especial (manualmente). É retirada a tampa da garrafa e saem os resíduos decorrentes da fermentação. Imediatamente é colocado o Licor de expedição (6 gramas por litro) a rolha de cortiça natural e a gaiola. Após 6 meses de estabilização, as garrafas são liberadas.

Produção: foram elaboradas 1.500 garrafas safradas

Graduação Alcoólica: 12% vol.

Com tempo em taça o espumante mostra outras camadas. Demonstra mais presença. Não é um espumante barato mas, ao mesmo tempo, por tudo que proporciona, é um belíssimo custo x benefício! Gostaria de vê-lo degustado às cegas com alguns milésimes franceses.

Aproveito o primeiro post do ano para desejar um Excelente 2014 para todos. 

In Vino Veritas!

GK

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Susana Balbo Brioso 2006

Quem acompanha o Enoleigos sabe que o Susana Balbo Brioso foi um dos participantes da degustação que chamei de Copa América. Nesta degustação alcançou o honroso terceiro lugar entre os 21 rótulos que foram analisados as cegas, um resultado e tanto!

Nas próximas quatro semanas irei comentar, em detalhes, os cinco primeiros colocados. A escolha foi por sorteio e o primeiro sorteado foi o Brioso.

A vinícola da Susana Balbo se chama Dominio del Plata. Equipado com a tecnologia mais recente, Dominio del Plata é caracterizada pelo seu design único e simples, projetada para produzir vinhos de alta qualidade. A ISO 22000 recentemente certificado reflete a forte vontade de Dominio del Plata para atender os mais altos padrões de qualidade internacional. Hoje a filosofia da vinícola é fundamentada em três pilares: um forte compromisso com a natureza através da implementação de práticas sustentáveis ​​com os nossos clientes através da certificação de normas de qualidade internacionais e da comunidade em torno de nós.

Desde a sua criação, a vinícola trabalhou para desenvolver práticas sustentáveis:

x Na vinha sem o uso de produtos químicos, limitando o uso de máquinas, irrigação através de controle de irrigação por gotejamento, protegendo a nossa fertilidade do solo através do uso de resíduos de jardim para nutrir;

x Na reciclagem de madeira água segurar, e papelão;

x Embalagens para reduzir o peso das garrafas e, desta forma, contribuir com a redução da geração de carbono.

Vamos então ao que achei do Susana Balbo Brioso:

Visual: Garrafa muito elegante, mais pesada mas não tanto, um meio termo entre aquelas garrafas de quase 5kg e as garrafas mais tradicionais do velho mundo. Rolha de cortiça e personalizada para a vinícola Susana Balbo. Ao servir mostrou uma coloração ameixa muito escuro já apresentando algum pequeno grau de evolução no halo. Gotas pequenas, por toda a taça, muito lentas e tingindo levemente as bordas da taça.

Olfato: Traz boa dose de frutas vermelhas se apresentando bem maduras que se mesclam com uma interessante mineralidade e, de forma menos intensa, um leve floral que acredito ser da Petit Verdot. Mais ao fundo uma pequena lembrança de animal. A madeira está muito bem integrada e aparece muito sutilmente. Um vinho complexo e muito elegante.

Paladar: A elegância e complexidade se repetem também no palato. O ataque inicial é intenso e  invade toda a boca sendo totalmente fidedigna aos aromas descritos na análise olfativa. A textura também é um diferencial, chega a ser aveludado. Excelente acidez. Taninos finos e delicados. A mineralidade aparece no retrogosto. Final de excelente persistência.

O que a Dominio del Plata fala sobre seu vinho:

Cosecha:  2006

Varietal: Cabernet Sauvignon 75%,  Malbec 10%, Merlot 5%, Cabernet Franc 5%,
Petit Verdot 5%.

Viñedos: Cabernet Sauvignon: Agrelo (Luján de Cuyo), Los Arboles (Tunuyan), Malbec: Anchoris (Luján de Cuyo), Altamira (San Carlos), Merlot: Altamira (San Carlos), Cabernet Franc: Agrelo (Luján de Cuyo), Petit Verdot: Agrelo (Luján de Cuyo).

Fermentacion: Cosecha manual , doble proceso de selección, descobajado y suave prensado. Remontaje y delestage tres veces al día. Max. Temp. 31°C. Maceración extendida de 35/40 días.

Alcohol: 14,5% v/v.

Acididez: 5,25 g/l

Crianza:  14 meses en 100% de roble Francés nuevo.

Tiempo de guarda:  10 a 15 años.

O que diz a Wine Spectator sobre o vinho:

Pontos: 90

Review:

Lush and forward, with velvety texture and inviting notes of warm figs, crushed plums, dark cocoa and melted licorice. Very rounded on the finish, but with good drive and length thanks to an underlying briary edge. Cabernet Sauvignon, Malbec, Cabernet Franc, Petit Verdot and Merlot. Drink now through 2009. 600 cases made. –JM

O que diz a Wine Advocate, de Robert Parker:

Pontos: 92
Degustador: Jay Miller
Maturidade: Beber entre 2012 e 2026

Review:

The limited production (600 6-packs) 2006 Brioso is composed of 77% Cabernet Sauvignon, 10% Malbec, 8% Merlot, and 5% Petit Verdot. It was sourced from ungrafted vines with an average age of 27 years and aged for 14 months in 100% new French oak. Purple-colored, it has a fragrant nose of pain grille, mineral, earth notes, black currant, and blackberry liqueur. Surprisingly elegant for its size, on the palate it reveals notes of chocolate, tobacco, and leather in addition to layers of rich black fruits. It should evolve effortlessly for several years and be at its best from 2012 to 2026.

Susana Balbo is one of Argentina’s most respected as well as renowned winemakers.

Realmente um vinhaço onde percebemos o cuidado com que foi produzido. Interessante citar que os 14.5º de álcool passam completamente despercebidos. Gostei e recomendo! (4.5)

In Vino Veritas!

Gustavo Kauffman (GK)

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Miguel Escorihuela Gascon Cabernet Sauvignon Pequeñas Producciones 2004

A história e o espírito inovador da Escorihuela se iniciam em 1880, quando don Miguel Escorihuela Gascón chegou à Argentina, com apenas 19 anos. Em 1884, fundou a Bodegas Escorihuela Gascón. Durante o século XX, a Escorihuela se transformou em uma das mais reconhecidas vinícolas argentinas. Na década de 40, elaborou o primeiro vinho 100% Malbec.

Em 1993, Nicolas Catena e um grupo de investidores adquirem a Escorihuela. Depois da tradição do aventureiro don Miguel Escorihuela Gascón, Nicolas e seus sócios transformaram a Escorihuela em uma Meca da experimentação com comida e vinho. A Escorihuela é o refúgio do 1884 Restaurante, um dos melhores da Argentina, criado pelo famoso chef Francis Mallmann para enaltecer a gastronomia local. Recentemente um incêndio destruiu parcialmente a vinícola.


Vamos então ao que eu achei deste belo exemplar Argentino:

Visual: Garrafa imponente, mantendo a linha que peso e tamanho demonstram qualidade. Rolha de cortiça e personalizada para a bodega. Não traz nenhuma informação no contra rótulo. Coloração vermelho intenso, puxando pro roxo. Lágrimas rápidas por toda a taça.

Olfato: Elegância e potência magicamente combinadas. Um argentino moderno e muito bem produzido. Nas notas trouxe frutas negras mais adocicadas, baunilha, café torrado e recém moído e um delicioso toque de chocolate amargo. Impressionou pela complexidade e potência dos aromas.

Paladar: Mais uma surpresa pois demonstrou uma elegância e uma maciez que eu não imaginava. É um vinho intenso, de corpo intenso, mas macio e gostoso de beber. Os taninos estão bem presentes só que já um pouco amaciados. Acidez também marcando presença. O retrogosto traz as notas adocicadas, na forma de frutas em compota com chocolate meio amargo, uma delícia. Importante citar que o vinho respirou por uma hora e meia!

O que a Escorihuela fala do seu vinho:

Não encontrei a ficha técnica de 2004. Estou inserindo aqui a da safra de 2000.

Variedad: 90% Cabernet Sauvignon, 10% Malbec.

Viñedos: Finca Escorihuela Gascón, Agrelo, 950 msnm.
Fecha de Cosecha: Cabernet Sauvignon segunda semana de abril, Malbec primera semana de abril.

Rendimientos: 90 qq/ha.

Azúcares en la Cosecha: 24.5 Brix.

Fermentación: 100% Acero inoxidable. 100% Maloláctica.

Añejamiento: 12 meses en barril.

Barricas: 80% roble francés y 20% roble americano

Alcohol Final: 13,8 en volumen.

Acidez Total: 6 g/l en tartárico.

Ph: 3.63

Um vinho com personalidade que me agradou e muito. Nota-se facilmente como que foi produzido com cuidado, zelo e amor. O nome “Pequenas Producciones” não é por acaso. Um vinho que com certeza fará sucesso em seu evento. No Brasil é vendido pela Grand Cru.

In Vino Veritas!

Gustavo Kauffman

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Veuve Clicquot Ponsardin Brut #CBE

O Natal está chegando, época de festas, de grandes celebrações e, cá entre nós, nada melhor para celebrar um grande momento do que abrir uma garrafa de Champagne! Nosso Confrade Silvestre, do blog Vivendo a Vida, teve a felicidade de escolher o tema especial do mês de Dezembro, “Um Espumante de até R$200,00”, deixando um leque de possibilidades imenso! Minha escolha foi a velha viúva, conhecida e renomada internacionalmente.

Se o frei Dom Pérignon criou o champanhe, a viúva Clicquot o reinventou, transformando a bebida borbulhante em um ícone do consumo de luxo. A marca VEUVE CLICQUOT, um mito entre os amantes da bebida de Baco, se transformou em uma instituição francesa. Um produto para os paladares mais endinheirados do mundo. Sempre procurou assegurar, mais que preço, um compromisso com a qualidade e o buquê inconfundível, isto é, aquele aroma e sabor borbulhante que fizeram desse um precioso líquido, apreciado por reis, rainhas e até seus súditos, quando o dinheiro abunda na carteira e na conta bancária.

A história da vinícola começou em 1772 quando Philippe Clicquot-Muiron fundou um comércio de vinhos com o nome Clicquot na região de Reims na França. Três anos mais tarde seria a primeira a introduzir o champanhe rosé. Um fato que mudaria os rumos da empresa e tornaria a marca uma das mais luxuosas do mundo ocorreu em 1798 quando seu filho, François, casou-se com Nicole Barbe Ponsardin. Em 1805, Madame Clicquot ficou viúva aos 27 anos de idade e assumiu o controle dos negócios. A Casa Clicquot passou então a denominar-se Veuve Clicquot-Ponsardin. Surgia assim a marca VEUVE CLICQUOT. Dedicada e exigente, ela se tornou uma das primeiras mulheres de negócios dos tempos modernos. A viúva apresentou seu champanhe em todas as cortes da Europa, primando sempre pela alta qualidade da bebida. Nesta época, representantes da produtora de champanhe foram enviados para Rússia, resultando na importação de 25 mil garrafas do produto. Uma década depois, o champanhe VEUVE CLICQUOT conquistava a Rússia com grande sucesso. A corte russa dos czares foi uma das principais compradoras, bem como o imperador Frederico-Guilherme IV da Prússia. Em 1816, ela desenvolveu, com a ajuda de Antoine de Müller, o “remuage”, processo pelo qual retira-se o sedimento do champanhe, tornando-o mais cristalino. Com o tempo outros produtores acabaram introduzindo a criação de Madame Clicquot em seus processos. Neste mesmo ano as primeiras garrafas do champanhe chegaram ao Brasil para atender uma encomenda feita por carta escrita de próprio punho pelo imperador D. Pedro II.

A Madame Clicquot morreu em 1866 aos 89 anos, deixando um legado no segmento de champanhe. Em 1970 uma remessa de reserva especial do champanhe foi mandada para Inglaterra em comemoração ao jubileu da Rainha. No ano de 1972, para comemorar o bicentenário da empresa, é lançado o champanhe La Grande Dame, uma homenagem a Madame Clicquot. Seu rosto também passou a figurar na tampa de metal das garrafas, uma segurança para os compradores de que se tratava do legítimo produto da Maison Clicquot-Ponsardin. Em 1987, a empresa foi adquirida pelo grupo LVMH. E, assim, conquistou novos mercados e ganhou campanhas de marketing ainda mais agressivas, que as de relacionamento que a viúva comandou quando viva. A segunda versão do champanhe La Grande Dame seria lançada em 1995, feita com 62.5% de uvas Pinot Noir e 37.5% com uvas Chardonnay. Neste mesmo ano foi pioneira ao introduzir a Rich Reserve, primeiro champanhe para ser servido exclusivamente com comida. O champanhe VEUVE CLICQUOT pode ser encontrado nas seguintes versões: Demi Sec, La Grande Dame, La Grande Dame 1995, La Grande Dame Rose 1990, Yellow Label Brut, Vintage Reserve, Rose Reserve 1995 e 1996. A VEUVE CLICQUOT é reconhecida por sua cor amarela-palha, com espuma abundante e fina, além de sua tradicional embalagem e rótulo laranja.

Hoje em dia a Veuve Clicquot Ponsardin faz parte do grupo francês LVMH junto a outras marcas como Krug, Moet & Chandon, Don Perignon e Mercier. Possui 500 hectares que cobrem apenas 25% da quantidade de uvas necessárias, tendo que comprar os outros 75% de fornecedores da região. Seus champagnes se caracterizam pela predominância da cepa pinot noir, variando a sua porcentagem conforme o tipo de champagne. Quanto mais refinado for o champagne, maior a proporção dessa cepa. O brut mais comum normalmente tem um corte com 50% de pinot noir, 30% de chardonnay e 20% de pinot meunier, apresentando variações de vez em quando. Já o excelente champagne La Grande Dame não leva pinot meunier. Está presente em mais de 150 países, possuindo subsidiárias na Alemanha, Estados Unidos, Japão, Inglaterra, Bélgica e Suíça, exportando 85% de sua produção e ocupando a segunda posição no mundo em seu segmento.

Existe uma frase da Madame Lily Bollinger que, particularmente, eu acho sensacional:

“Eu bebo champagne quando estou contente e quando estou triste; às vezes, bebo quando estou sozinha, mas quando estou acompanhada considero uma obrigação; beberico, quando estou sem fome, e bebo de verdade quando estou com fome. Fora isso, nunca bebo champagne... a não ser quando estou com sede.”

A Champagne está longe de ser uma bebida barata. Mesmo na França, é difícil encontrar um exemplar mais barato que EUR 30,00! O barbudo na foto aí de baixo é meu amado pai. Se clicarem na foto poderão ver o preço de alguns champagnes. A foto foi tirada há pouco menos de 1 mês em Paris.



Depois de tanta história, vamos falar um pouco do que achei desta verdadeira lenda!

Visual: Aqui a lenda fala mais alto. A garrafa é linda, com cuidados requintados. A cápsula vem com uma foto da viúva que fiz questão de mostrar por aqui. Ao servir mostra sua típica coloração amarelo palha claro e uma perlage típica dos Champagnes, fina e muito persistente, fazendo uma linda espuma.

Olfato: Delicado e poderoso. No início traz um aroma bastante frutado, evolui para baunilha e fecha com um toque de brioche! Passa refrescância, sensualidade e complexidade, tudo no ponto certo.

Paladar: Uma explosão de sabores frutados, preenchendo cada pedacinho da boca. A refrescância, mais uma vez, se faz evidente. Um vinho fino, de excelente estrutura, com final longo e persistente.

O a Veuve Clicquot fala sobre seu Champagne:

Por incrível que pareça não consegui encontrar notas técnicas no site da Veuve Clicquot. Falam sobre o processo de produção, a idade do blend, mas não existem notas técnicas como estamos mais acostumados. Colarei aqui as notas de um revendedor aqui do Brasil:

ORIGEM: Champagne - França

PERSONALIDADE: Esse champagne sem safra reflete o gosto e o estilo da casa Veuve Clicquot Ponsardin.

ELABORAÇÃO: Redondo, com laivos de Pinot Meunier, deve sua estrutura sólida à predominância do Pinot Noir e sua elegância e finura a quase 1/3 de uvas Chardonnay; um equilíbrio perfeito. A mistura inclui cerca de cinqüenta ´crus´ classificados na maioria, como ´Grand e Premiers Crus´. Entre 25 e 35% de vinhos de reserva lhe asseguram uma qualidade constante. O envelhecimento, em barris de carvalho, dura no mínimo 30 meses.

DEGUSTAÇÃO: Seu aroma, intenso e agradável, tem notas fruitadas e de brioche. Sua harmonia, seu frescor e sua notável estrutura fruitadas atingem plenamente o paladar.

POSICIONAMENTO: Esse é o champagne de todos os momentos! Um estilo de vinho de altíssima qualidade. Fino e presente em toda extensão da língua, é um aperitivo perfeito. Graças a seus sabores complexos e delicados esse Champagne acompanha perfeitamente peixes delicados de água doce ou salgada.

SERVIÇO /CONSERVAÇÃO: Servir a 10-12ºC. Conservar em local sem umidade e com pouca luz.

O que a Wine Spectator fala sobre a Veuve Clicquot:

Pontos: 91

Review:

You can't lose with this classy wine. The refined apple, grapefruit and dough aromas follow through on the palate. Creamy and lively on the finish. –

O que a Wine Advocate, de Robert Parker, fala sobre a velha viúva:

Pontos: 87

Degustador: Antonio Galloni

Review:

The NV Brut offers up attractive notes of smoke, tar, rich ripe pears and flowers in a medium to full-bodied style. There is a good measure of persistence, although the wine could use a little more polish on the finish. This is Lot 14009913, disgorged between December, 2007 and January, 2008. Anticipated maturity: 2008-2010.

Veuve Cliquot Ponsardin is one of Champagne’s best known brands thanks to the success of its “yellow label” non-vintage wine and the tete de cuvee La Grande Dame.

É minha gente. Leiam o post dos outros Confrades e escolham seu Espumante para as festas de final de ano. Falar sobre a grande Viúva é uma responsabilidade e tanto! Não provou ainda? Não sabe o que está perdendo! Não tem motivo para comemorar? Só o fato de abrir esta garrafa já irá lhe proporcionar uma situação especial! Experimente abrir uma no Natal ou, melhor, na virada do ano!

Ainda teremos outros posts até o ano de 2011, mas vou aproveitar este aqui para desejar a todos vocês, leitores amigos, um Natal Maravilhoso e um ano novo repleto de paz, saúde, felicidade, harmonia e, claro, bons vinhos!!!

In Vino Veritas!

Gustavo Kauffman (GK)

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Zuccardi Q Cabernet Sauvignon 2006

Nossa Série está quase chegando ao seu final. Chegamos ao penúltimo vinho que será comentado, o, já adiantando, delicioso Zuccardi Q Cabernet Sauvignon. Como foi gostoso ter a oportunidade de degustar estas preciosidades produzidas com zelo em Mendoza. Você pode ler todos os posts dos Vinhos que estiveram na “Série Zuccardi” aqui no Enoleigos.

Vale uma errata. No último post, quando falamos do Zuccardi Q Chardonnay, cometi um equívoco! Falei lá que seria o penúltimo Post por total engano. Na verdade este, do Q Cabernet Sauvignon, é o penúltimo post desta série.

Este é o último rótulo da Série Q, com origem na palavra Qualidade. Aqui são utilizados os lotes mais antigos e uniformes de cada vinhedo, trabalhando para se alcançar variedades de qualidade excepcional.

A Cabernet Sauvignon provavelmente é a uva mais conhecida entre os Brasileiros. Se quiser ler mais sobre esta uva, acesse o post “Série Uvas – A Tinta Cabernet Sauvignon”.

Quem viaja a Mendoza, na Argentina, não pode deixar de visitar as bodegas da Família Zuccardi. O irrequieto e competente José Zuccardi, recebe a todos com um sorriso único, que é a sua maior marca. Gentil, culto e louco apaixonado por sua profissão de vinhateiro, este cinqüentenário senhor é entusiasmo puro.

Sempre buscando saber o que o mercado quer beber, José vai a cada ano criando novos vinhos e apostando em uma enorme coleção de castas nunca testadas na Argentina. A todo instante surge um vinho melhor que o outro, e seus investimentos em tecnologia são sempre renovados. Mesmo sabendo da crise econômica que a Argentina passa no momento, os Zuccardis passam ao largo disso tudo, correndo o mundo e vendendo seus produtos.

Tive a oportunidade de conhecer José Zuccardi em uma degustação aqui em SP e, em breve, irei visita-lo também em Mendoza.

Vamos então ao que achei deste delicioso Cabernet Sauvignon:

Visual: Garrafa super elegante, sem trazer aquele peso todo que é muito comum aos vinhos mais tops da América do Sul. A rolha, 100% de cortiça, é muito bonita e personalizada para a Família Zuccardi. Na taça mostrou coloração rubi escuro, ainda com muito reflexo violáceo nas bordas. Gotas finas, rápidas e coloridas.

Olfato: Elegante, mostrando complexidade e equilíbrio. No nariz, em uma degustação as cegas, com certeza passaria por um vinho do velho mundo pela sutileza dos seus detalhes. Frutas negras quase que adocicadas em um primeiro plano, seguido de uma mistura entre café e chá. Curioso porque eu ainda não havia sentido notas de chá antes, mas aqui fica no meio termo entre café e chá, mas um chá mais encorpado. No meio das frutas e do café (misturado com chá), surgem notas sutis de especiarias que, confesso, não consegui distinguir quais eram. Uma verdadeira delícia!

Paladar: Antes de qualquer análise apenas dois adjetivos: Sensacional e delicioso. Um vinho de entrada elegante, confirmando a análise olfativa e mostrando um corpo médio, mas muito bem equilibrado e balanceado. Na boca forte presença frutas, com retrogosto suave e praticamente adocidado. Os taninos se mostram bem presentes e totalmente integrados ao vinho, fazendo do mesmo, como bom CS, um vinho gourmet ou, o que não é tão comum, um vinho que bebe-se facilmente sozinho, apreciando cada gota! O único detalhe e, creiam, apenas um pequeno detalhe, é que a acidez poderia estar um pouco mais presente, apenas um pouco. Mas, como sempre gosto de deixar claro, isto é apenas o meu paladar.

O que a Zuccardi diz sobre seu Vinho:

Composición Varietal: 100% Cabernet Sauvignon

Origen: La Consulta y Tupungato. Provincia de Mendoza.

Suelo: Textura franco arenosa de origen aluvional con estratos superficiales de origen eólico.

Alcohol: 14.00 %

Acidez Total: 6.30 g/l.

Azúcar Residual: 2.50 g/l.

Cosecha: Manual

Fermentación: Selección de racimos y granos, descobajado y gentil molienda, fermentación en tanques de acero inoxidable con pigeage y delestage, con control de temperatura entre 25-27oC.

Crianza: 12 meses en barricas de roble francés tostado medio de primer uso.

Crianza en Botella: Por 12 meses antes de lanziamiento.

Embotellado: Diciembre de 2007.

Color: Rojo rubí intenso con visos purpura.

Aroma: Aroma intenso de frutas rojas, negras, toque de especias y notas de crianza como chocolate, tabaco y cuero. Se destacan matices de cerezas negras, moras, pimienta negra y algo de eucalipto.

Sabor: Cuerpo intenso, buen desarrollo con taninos firmes, complejo y largo final.

O que diz a Wine Advocate, de Rober Parker, sobre este vinho:

Pontos: 90
Degustador: Jay Miller
Maturidade: Beber entre 2011 e 2018

Review:

The 2006 Cabernet Sauvignon Q spent 12 months in new French oak. Purple-colored, it exhibits an excellent perfume of damp earth, mineral, tobacco, spice box, and black currant. Medium-bodied, it has layered flavors, plenty of succulence, good balance, and a lengthy finish. Give it 2-3 years of additional bottle age and drink it from 2011 to 2018.

Até o momento dest post a Wine Spectator não havia comentado este vinho na mesma safra.

Mais um vinho que recomendo a todos! Um vinhaço, elegante e super saboroso. Vai levar um 4.5!

In Vino Veritas!

Gustavo Kauffman (GK)

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