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sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Pizzato Rosé Brut 2013

A Pizzato vem investindo forte em uma nova roupagem não só em seus rótulos, como também em todo o processo, sempre focando no aumento da qualidade dos seus vinhos. Isto vem sendo notado não só informalmente, como também formalmente em diversas degustações de renomadas revistas.

Hoje vou falar do Pizzato Rosé Brut 2013, sim, é um espumante safrado de uma vinícola Brasileira. Muito importante aqui falar um pouco sobre a história da Pizzato. Ainda na itália, a família cultivava vinhas e elaborava vinho em pequenas quantidades. Após a chegada ao Brasil, na década de 1880, após o estabelecimento e a subsistência, o amor e dedicação em trabalhar com uvas e vinhos falou mais alto. Assim, o cultivo de parreirais em maior extensão foi levado adiante. As atividades do imigrante Antonio foram continuadas por um de seus filhos - Giovanni - que, além da ocupação principal relacionada aos vinhedos, continuou produzindo vinho, mas apenas para consumo da família. A maior parte da produção de uvas passou a ser comercializada para vinícolas da região da serra gaúcha.
Seguindo o caminho do ‘Nono Giovanni’, o patriarca da família proprietária da Pizzato Vinhas e Vinhos, o Sr. Plínio Pizzato, sempre um apaixonado pela vitivinicultura, vem produzindo uvas desde a adolescência. Inicialmente a produção se dava em conjunto com o pai, na propriedade localizada em Monte Belo do Sul. A partir do final da década de 1960, passou a ser produzido na atual propriedade, localizada no Vale dos Vinhedos. Também manteve a tradição iniciada pelo Sr. Giovanni de produzir, com uma pequena parcela das uvas, vinhos para consumo próprio, vendendo a maior parte da produção de uvas para vinícolas da região. Em 1998, o antigo sonho do sr. Plínio e família – o de produzir vinhos finos para a comercialização – torna-se realidade a partir de um projeto conjunto com os filhos Flavio, Flávia, Jane e Ivo (in memoriam). Naquele ano, a Pizzato vinhas e vinhos é constituída juridicamente e materialmente, a partir de investimentos familiares. 

São 16 anos de vida, e os vinhos já possuem uma qualidade muito boa neste curto período de vida.

Vamos ao que achei deste espumante:

Visual: A garrafa está LINDA! Ficou realmente sensacional. A rolha não é personalizada para a vinícola e não traz nada escrito. Na taça mostra sensualidade. Coloração rosa claro bem atraente. Formou discreta coroa, com perlage bem fina, constante e por toda a taça.

Olfato: Aqui frescor é a palavra chave. Possui sinais sutis de fermento e brioche, provenientes do período de contato com as leveduras, mas as frutas sobressaem. A cor remete a frutas vermelhas, mas no nariz as amarelas são muito mais presentes, em especial damasco. Mais ao fundo um toque de cereja.

Paladar: Na boca também é bem refrescante. Ataque inicial com boa acidez, preenchendo toda a boca. Corpo médio. No palato as frutas vermelhas são mais presentes. É um espumante “guloso”, uso esta expressão para falar de vinhos que a vontade, depois de um gole, é dar outro, e outro, e outro ainda mais em Fortaleza, de frente pro mar, que é aonde estou neste exato momento. Harmonizei com Sushi e ficou muito bacana, mas é um espumante que tranquilamente pode ser bebido na beira da piscina ou praia mesmo sem nenhum alimento.

O que a Pizzato fala sobre seu espumante:

O espumante rosado da Pizzato vem sendo elaborado desde 2007, sempre pelo método tradicional e com colheita designada. Sempre seguiu as regras da indicação de procedência vale dos vinhedos e a partir da colheita 2013 as regras da denominação de origem vale dos vinhedos (DOVV). Elaborado a partir de uvas próprias cultivadas no vinhedo santa lúcia, no vale dos vinhedos. 

PROPOSTA DO PRODUTO: Método Tradicional (champenoise). Pelo menos 9 meses de contato com as borras (sur lies). Dosagem moderada. 1 mês de descanso pós-degorgement (pelo menos). Vinhedos próprios conduzidos em espaldeiras. Das melhores parcelas da propriedade no Vale dos Vinhedos.

NOTAS DE DEGUSTAÇÃO: De cor rosada, com perlage fina . Aromas de morangos, cerejas, frutas cristalizadas e leve tosta de pão. Frutado na boca, acidez e álcool equilibrados, de bom corpo, seco, refrescante e cremoso. * notas geralmente observadas.

HARMONIZAÇÃO COM PRATOS: Entradas, peixes e frutos do mar, carnes brancas e róseas, sobremesas com pouca doçura.

SERVIÇO: Para melhor apreciar os pontos fortes deste espumante, sugere-se que a temperatura da bebida esteja entre 4 e 7 ºC
.
DADOS DA COLHEITA: Garrafas: 5.000 garrafas, numeradas pela Pizzato e DOVV. Corte do Vinho Base: 85% Pinot Noir / 15% Chardonnay Dados Técnicos Álcool (% vol.): 12 Açúcar final (g/l) : 11 Acidez total (g/l ác.tartárico): 7,2 pH: 3,3 Tempo de borras (meses): 10 e aumentando por conta de degorgement em vários lotes.

VINHEDO: Nome: Santa Lúcia, Vale dos Vinhedos Região: Vale dos Vinhedos, Denominação de Origem Localização: 29°10’17.91”S, 51°36’05.59”O, 495 m.a.n.m. Arquitetura: Espaldeiras com orientação norte-sul. Guyot. Solo: De origem basáltica, franco, com pedregulhos e argiloso Colheita: Totalmente manual, em Janeiro de 2013

ELABORAÇÃO: As uvas foram submetidas a prensagem direta (os cachos foram prensados inteiros, sem desengace ou moagem). A clarificação foi a frio, posterior trasfega, com separação das borras do mosto a fermentar. A fermentação ocorreu em tanques de aço inoxidável por 17 dias, com temperatura controlada e uso de leveduras selecionadas. Posterior estabilização e filtração.

FORMAÇÃO DE ESPUMA: Em março de 2013 foi feito o assemblage/corte dos vinhos base; adição de leveduras para a 2ª fermentação na garrafa, permanecendo em contato com as borras até o momento do dégorgement.

DÉGORGEMENT: A partir de fevereiro de 2014, com tempos variáveis de contato com as leveduras/borras (sur lies) dependentes do lote de dégorgement.

Fica aqui mais uma sugestão para as festas de final de ano, como também para o verão! E se você encontrar não perca a oportunidade de comprar, lembre que são produzidas somente 5.000 garrafas!


In Vino Veritas!
Gustavo Kauffman (GK)

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Don Giovanni Nature – Mais um belo espumante nacional!!

Com o verão e as festas de final de ano chegando, nada melhor do que um belo espumante. Como sabemos o Brasil vem, ano a ano, evoluindo com estes vinhos.

Hoje falaremos da Don Giovanni e de seu espumante Nature. Qual o motivo de se chamar “Nature”? Muitos sabem, outros não, sempre é bom recordar. Isto na verdade é uma classificação diretamente relacionada ao teor residual de açúcar no espumante. Falei em detalhes sobre isto neste post. O Nature permite de Zero a 3 gramas de açúcar residual por litro de espumante. Veremos adiante que o da Don Giovanni pozzui zero.

Distante 12 km do centro de Bento Gonçalves, no distrito de Pinto Bandeira, em altitude de 720m, a “granja” Don Giovanni, como é chamada pelos seus proprietários, tem uma história de elaboração de vinhos de mais de 40 anos. Antes de ser adquirida pelo casal Ayrton Giovannini e Beatriz Dreher Giovannini, a propriedade pertencia à Dreher S.A., indústria de bebidas estabelecida na região em meados do Século XX, e que pertencia aos avós paternos de Beatriz. A Dreher deixou fortes influências na história econômica e social do município de Bento Gonçalves.

Hoje a quarta geração da Família se dedica a produção de bebidas de alta qualidade. Prova que, por trás da marca Don Giovanni, existe tradição e conhecimento na elaboração de vinhos.

Atualmente, o “terror” da região de vinhos de montanha de Pinto Bandeira está certificado com a Indicação de Procedência de Pinto Bandeira. Para tal, estudos foram realizados pela Embrapa Uva e Vinho e a Universidade de Caxias do Sul (RS) afim de revelar as especificidades técnicas de solo, geologia, clima e relevo. Todas as vinícolas estão localizadas em meio a uma paisagem de topo de montanha, com mata nativa, parreirais se uvas viníferas e edificações construídas na época da Colonização Italiana.

Vamos ao que achei deste espumante:

Visual: Garrafa tradicional com elegante e moderno rótulo já indicando que o espumante permaneceu 24 meses em contato com as leveduras, o que lhe atribui mais complexidade. A Don Giovanni ainda possui um espumante que permanece 36 meses (Série Ouro Brut) e outro com 48 meses (Dona Bita Brut). Na taça o vinho estava jovem, limpo, uma coloração palha bem claro. O espumante não é safrado, mas pela coloração é de uma safra ou safras mais recentes. O perlage é bem fino e intenso, com boa formação de espuma.

Olfato: Primeira impressão é complexidade e jovialidade. Um vinho que mostra potencial gastronômico, sem perder uma cara jovial e refrescante como, por exemplo, beira de piscina. Frutas brancas (abacaxi, melão), um toque de lima da pérsia, agregados com aquele delicioso toque de brioche levemente amanteigado.

Paladar: Mesma primeira impressão do exame olfativo. Refrescante, bom volume, cremoso, boa acidez e estrutura, se mostrando um espumante versátil. Vai muito bem com entradas mas com certeza também encara um salmão mais gorduroso. O seu final mostra mais o lado cítrico e alguma mineralidade.

O que a vinícola fala sobre seu espumante:

Graduação alcoólica: 13% Vol.

Uvas: As uvas que compõem o vinho base são Chardonnay (60%) e Pinot Noir (40%), ambas cultivadas em vinhedos próprios na localidade de Pinto Bandeira pelo sistema de condução em Espaldeira com uma produção média de 2, 8 kg /planta. Os Vinhedos estão situados a altitude superior a 620 m, originando uvas de pronunciada frescura e acidez, condição excelente para elaboração de "vinho base". As uvas foram colhidas nas primeiras horas do dia, evitando as horas quentes, preservando assim os aromas típicos de cada variedade.

Vinificação: Ambas as variedades foram vinificadas separadamente mediante a adição de leveduras e sob rigoroso controle de temperatura. O Pinot Noir que é uma cepa tinta foi vinificado sem contato com as partes sólidas, originando dessa forma um vinho branco que após foi mesclado junto ao vinho chardonnay compondo assim o assemblage que denominamos de vinho base. Para esse espumante especial foi usado somente o mosto flor extraído de cada variedade em separado. Esse espumante é elaborado pelo processo champenoise onde são adicionadas leveduras selecionadas e a champanhização que leva em média 3 meses, foi realizado em câmaras com temperatura de 12ºC conferindo dessa forma excelente perlage. O envelhecimento onde acontece a autólise se deu em caves climatizadas a 16ºC. O diferencial desse produto é que não adicionamos licor de e expedição no processo de degourge sendo assim classificado como Nature, seja, um espumante obtido pelo processo champenoise onde não foi adicionado nem um tipo de Liqueur de Dosage, foi completado com o próprio espumante apresentando assim menos de uma grama/litro de açúcar.

Notas de degustação: De coloração amarelo palha com nuances douradas e excelente brilho. No olfato é complexo, expressando aromas de envelhecimento como torrefação, mel e toques de frutado com notas de frutas cítricas como abacaxi, maçã, melão e traços de pão tostado, mel, abacaxi maduro e bombom. No paladar apresenta grande volume de boca, refrescante, acidez marcante, realce dos gostos cítricos que se apresentam harmonizados com as notas de envelhecimento. Apresenta um final de boca muito agradável e grande cremosidade que aliado ao frescor torna-o muito elegante e atraente.

O vinho eu comprei na loja Sommelier Vinhos em Porto Alegre que, por sinal, recomendo a visita. Na ocasião paguei R$45,00 em uma promoção. O preço do vinho hoje está em R$55,00 e, acredite, ele vale mais!

In Vino Veritas!


Gustavo Kauffman (GK)

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Rubizzo Chianti Colli Senesi 2013 - #CBE

E é chegado o dia de mais um post para a Confraria Brasileira dos Enoblogs! Depois de algum tempo eu consigo postar no dia correto! J.

O tema deste mês foi Chianti, escolhido pelo Confrade Jorge Alonso, do blog Contando Vinhos: "Um Chianti, valendo Classico, Riserva e qualquer sub região e sem limite de preço". Eu optei por um Chianti mais para o dia a dia, mesmo não tendo ocorrido um limite de preço e explico! Acho os Chianti mais “básicos”, sem passagem por madeira, um vinho realmente ideal para acompanhar nosso dia a dia, além de tipicamente serem mais refrescantes, delicados, harmozinando como ninguém com uma massa ou uma pizza mais leve.

Antes de seguirmos falando de nosso vinho, é importante falar um pouco sobre o Chianti. Afinal de contas, o que é este vinho, com qual uva é produzido, em qual região, etc? A região é o mais fácil, afinal com este nome só poderia ser da Itália! É produzido na região da Toscana, predominantemente com a uva Sangiovese e alguns deles são DOCG (Denominazione d'Origine Controlatta e Garantita, como nosso vinho deste post, porém isto não quer dizer lá muita coisa em relação a qualidade, somente a origem do vinho.

O Chianti ainda pode ser “Riserva”, indicando que passou por um período de envelhecimento de no mínimo de 2 anos, antes de ser comercializado, e “Superiore”, com uma graduação alcoólica maior que a versão normal. O vinho que eu escolhi é um Chianti Clássico DOCG e sem nenhuma passagem por madeira.

Como tudo no “Velho Mundo”, existem também lendas e várias histórias sobre este delicioso vinho. Este vinho é uma excelente opção para começar a conhecer um pouco sobre o velho mundo. Um pouco mais pesado no bolso, é verdade, mas vale a experiência e também o prazer.

Vamos então ao que eu achei do vinho:

Visual: Garrafa típica da região, sem aquele peso todo, citando o que para eles é mais importante: É um Chianti, DOCG e, claro, o nome da vinícola. A rolha é de compensado de cortiça. Na taça mostra uma coloração de um vinho bastante jovem, bem violáceo e translúcido.

Olfato: Ressalta sua jovialidade e refrescância. Muita frusca fresca, remetendo a frutas vermelhas do bosque, frutas vermelhas em compota e groselha. Um vinho fresco, franco, direto e sem muita complexidade.

Paladar: Aqui também a refrescância e a  jovialidade é palavra chave. Muita fruta também no palato. Corpo médio, boa acidez com taninos macios. Final com persistência média e gostoso retrogosto. Um vinho que agrada no conjunto.

O que diz a vinícola sobre seu vinho:

Curiosamente no site da vinícola o Rubizzo não aparece como um Chianti DOCG, vejam: http://www.roccadellemacie.com/vini-rossi.php?ids=5. Ele aparece sim como um Toscano IGT.

Acredito que o produto não seja vendido na Itália e seja apenas exportado para o Brasil. O que a vinícola fala sobre o “Rubizzo” vai de encontro as minhas percepções durante a degustação, vejamos:

At the end of the 1970s, Rubizzo was something of a revolution for Chianti drinkers, who were used to wines that based their vigor on a mostly acidic structure, were not suited to aging and were rather pale in color.

Italo wanted a wine with greater aromatic complexity, more smoothness and more coloring substances, but at the same time also an enjoyable drinkability that would make it suitable for any palate and situation.

In a certain sense, Rubizzo was a precursor for a taste that subsequently became very common amongst wineries and wine consumers. It is the wine that has accompanied Rocca delle Macìe throughout its history, changing and evolving in step with the winery. 

Os vinhos da Rocca delle Macìe são importados pela Decanter: http://www.decanter.com.br/rocca-delle-macie-rubizzo-2013-750ml/p00111113

Não existem críticas da Wine Advocate para este vinho.

Um vinho para quebrar paradigmas. Tenho certeza absoluta que se você harmonizar este vinho com uma massa ou pizza mais leve você irá se surpreender positivamente. Ainda temos uma cultura muito ligada a vinhos mais “porrada”, que também tem seu espaço, mas lembre que na gastronomia muitas vezes “menos é mais”, e é isto que destaco principalmente neste vinho.

In Vino Veritas!


Gustavo Kauffman (GK)

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Ciclos Icono 2010

Hoje falaremos novamente de outro vinho de nossos Hermanos. Este da região de Calchaquies, em Cafayate, Salta, mais ao norte da Argentina. Esta região ganhou sua notoriedade com a produção de excelentes vinhos brancos com a uva Torrontés, mas vem ganhando muito espaço também com excelentes vinhos tintos.

Salta é também um dos Estados argentinos com maior tradição vitivinícola: lá a videira foi introduzida pelos Jesuítas no século XVIII e várias das bodegas datam de princípios do século XIX. Na terra de todas as paisagens, popularmente conhecida como “a linda”, a região vitivinícola localiza-se nas alturas, em um lugar de enorme riqueza natural, histórica e cultural: os Vales Calchaquíes, local da origem das uvas do vinho de hoje. Lá, os vinhedos se estendem por mais de 3.200 hectares entre os departamentos de Cafayate, San Carlos, Angastaco, Molinos e Cachi. Em Cafayate é possível encontrar os mais grossos e antigos troncos arbóreos de videiras, e em Colomé e Payogasta vinhedos jovens imersos em uma paisagem montanhosa de grande altitude.

Além da Torrontés, hoje se destacam também as tintas como Cabernet Sauvignon, Malbec, Tannat, Bonarda, Syrah, Barbera e Tempranillo.

É uma região que vem se especializando, a cada dia, para receber o enoturismo. Com uma oferta de alojamento e gastronomia regional de alta qualidade, permitindo desfrutar do enoturismo em um entorno perfeito!

Nosso vinho é produzido pela Bodega El Esteco, que teve os irmãos David e Salvador Michel, de origem francesa, como fundadores. Em 1892, eles plantaram as primeiras vinhas e construíram a vinícola, que produz vinhos premium, sem participar nos segmentos de vinhos de entrada, lojas de vinho e varejistas de alto nível. Também cultivam uvas orgânicas que são elaboradas na El Transito e, recentemente, lançou a linha CUMA, somente de variedades orgânicas. Dentro da vinícola o Hotel & Spa Patios de Cafayate oferece 32 suítes para quem quer se esbaldar de vinho e sossego.

A garrafa que degustei foi adquirida no Duty Free de Buenos Aires, não me recordo bem o preço, mas foi barato. Aqui no Brasil custa na faixa dos R$80,00.

Vamos então ao que achei do Ciclos Icono:

Visual: A garrafa, como podemos ver nas imagens, é bonita, sem ser do estilo pesadona, e a lua e a estrela em alto relevo chamam a atenção. O Sol procura remeter a região de Salta, super ensolarada, e com excelente amplitude térmica. Na taça o vinho estava jovem, com coloração repleta de reflexos violáceos, escuro e sem deixar transparecer luminosidade.

Olfato: Sedutor, um vinho realmente sedutor e atraente. Harmônico, com destaques para frutas negras (cerejas escuras, toques de cassis), notas de especiarias como pimenta, completando com toques herbáceos e florais. Um vinho complexo e que, pelo nariz, mostra seu potencial para envelhecer. Madeira muito bem integrada ao conjunto.

Paladar: Muito legal ver como que a Malbec, mesmo em um assemblage com a Merlot, possui características distintas ao compararmos a região de Salta com a região de Mendoza. Um vinho elegante, de corpo médio, taninos já bem suaves e arredondados, acidez correta com final refinado e volumoso. Muita fruta em boca. Um vinho muito gostoso.

O que a vinícola fala do seu vinho:

VARIEDAD: 50% Malbec ; 50% Merlot

ORIGEN: Valles Calchaquíes, Argentina

TERRUÑO: Suelos pobres y pedregosos de alta montaña andina, gran amplitud térmica entre el día (cálido) y la noche (fresca). Alta exposición solar con 300 días al año. Clima seco y ventoso con 120mm de lluvia al año y un promedio de 15° C de humedad.

COSECHA: Malbec - última semana de marzo; Merlot - segunda semana de marzo.

DATOS ANALÍTICOS: Alcohol: 14 % Azúcares reductores: 2,94 grs / lt. Acidez Total: 5,95 grs. /lt. PH: 3.60

ELABORACIÓN: Los vinos Ciclos Varietales están orientados a tener una alta fineza y gran complejidad. Este objetivo se prepara desde los viñedos buscando uvas de gran concentración, granos pequeños, plantas equilibradas. La elección del día de cosecha es analizada cuidadosamente y una vez logrado su punto óptimo de madurez, cuidando todos los detalles se recolectan los frutos y comienzan los procesos de elaboración. Utilización de frío desde la llegada de la uva a la Bodega, (intercambiador de vendimia). Fermentaciones pre-fermentativas a 5ºC – Trabajos suaves durante la fermentación alcohólica - utilización de levaduras seleccionadas – temperaturas de fermentación entre 24ºC y 26ºC El 80% del vino es descubado a barricas nuevas y de segundo uso de roble Francés y Americano, donde realiza la fermentación maloláctica, finalizada esta y luego de un trasiego, retorna a las mismas barricas donde reposará y madurará durante 15 meses. El 20% restante se conserva en tanques de acero inoxidable.

Notas de Cata:

Rojo rubí, con tonos violáceos, profundo y fondo negro. Con muy buena intensidade

Aromas intensos y complejos. Se destaca la presencia de aromas a confituras de ciruelas y
leves notas especiadas y cassis. Aparecen la vainilla y el chocolate otorgados por su crianza en barricas de roble. Este aporte es fundamental para acomplejar los finos aromas que se logran durante la maduración del vino en botella. 

Los sabores son muy placenteros. Resaltan los sabores frutados de la uva Malbec conjugados con los especiados del Merlot, pasas de uvas, licor de chocolate. Entrada suave con taninos redondos y aterciopelados. Equilibrado, con una sensación final larga, agradable y untuosa.

O que a Wine Advocate, de Robert Parker, fala sobre este vinho:

Curiosamente a safra de 2010 não foi analisada. Destaco então as notas notas obtidas por este vinno. As safras de 2006 a 2008 foram analisadas por Jay Miller, a de 2009 por Neal Martin e a de 2011 por Luis Guitierrez.




Mais um vinho muito gostoso que, por sua faixa de preço, se mostrou até mesmo um belo Custo x Benefício.  O Altimvs, vinho top da vinícola, é excepcional e também recomendo. Não consegui escrever sobre ele ainda, mas com certeza estará entre os próximos posts.

In Vino Veritas!


Gustavo Kauffman (GK)

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Pizzato Legno Chardonnay 2013 - #CBE

Meu último post para a CBE (Confraria Brasileira dos Enoblogs) foi no início deste ano, com o Espumante Marco Luigi Brut 10 anos, relembre. Na ocasião também foi uma tentativa de retorno ao Blog, mas acabei me enrolando e não consegui seguir escrevendo.

Agora o retorno será definitivo. Como diz a música “Eu voltei e agora é pra ficar, pq aqui é que é o meu lugar”!. Escrever sobre vinhos é uma coisa que amo fazer. Não só pelo momento da degustação em si, mas é um momento de reflexão, estudo, aprendizado e magia!

Com este post estou seguindo a risca o ditado “Antes tarde do que nunca”. A escolha para o vinho do mês de Novembro coube a Ju Gonçalves do blog Vou de Vinho. A Ju escolheu o tema “Um vinho branco e brasileiro, sem exigências”. Veja aqui o post da Ju.

Também gosto de vinhos brancos. Veja uma degustação que promovi entre Brancos Brasileiros em 2012, na ocasião confrontamos 23 rótulos Brasucas.

Pelo que vi nos posts dos Confrades, o Legno não foi escolhido por ninguém. A Pizzato com certeza está entre as vinícolas mais conhecidas, e com maior qualidade, quando falamos de Brasil. Toda sua produção conta com vinhedos próprios totalizando 42 hectares distribuídos entre o Vale dos Vinhedos, em Bento Gonçalves e em Fausto de Castro, munício de Dois Lajeados, na região serrana.

Ah, o vinho faz parte da Denominação de Origem do Vale dos Vinhedos, uma iniciativa muito bacana. Se quiser saber mais sobre esta DO leia este post.

Vamos então ao que achei do Legno Chardonnay:

Visual: A garrafa é do estilo mais pesadona, imponente. A arte do rótulo é muito bonita. No lugar da cápula, o vinho é fechado com uma cera mais dura. É bonito e estiloso, mas confesso que dá trabalho na hora de abrir. Rs. A rolha, como é tradição na Pizzato, é de cortiça e contém o nome do vinho e a safra. Na taça a coloração é palha com reflexos dourados.

Olfato: Boa complexidade, destaque inicial para mel, um toque de amêndoa e baunilha. As notas de fruta remetem para abacaxi e pera. Um vinho de respeito já em sua análise olfativa.

Paladar: Pela análise olfativa eu esperava um vinho mais encorpado, mas ele é mais elegante, com corpo médio e boa acidez. A boca vai crescendo, com muita fruta e toques de especiarias. Um vinho elegante que, mesmo com passagem de 11 meses por madeira, está totalmente equilibrado. É também um vinho gastronômico, iria bem com carnes brancas, queijos mais suaves e até mesmo uma bela salsicha alemã que eu gosto tanto.

O que a Pizzato fala do seu vinho:

OS CHARDONNAY DO VALE DOS VINHEDOS PREZAM PELA DELICADEZA, FRANQUEZA E NITIDEZ DE AROMAS E SABORES. A PASSAGEM POR BARRIS DE CARVALHO (FERMENTAÇÃO ALCOOÓLICA, MALOLÁTICA E AMADURECIMENTO) ESPECIAIS, E DE MANEIRA PARCIMONIOSA, ENRIQUECE O CONJUNTO SEM SOBREPORSE À EXPRESSÃO DO LOCAL DE ORIGEM; ASSIM NASCE O PIZZATO LEGNO CHARDONNAY.

OS BARRIS UTILIZADOS, DENOMINADOS PERLE BLANCHE, SÃO FEITOS COM OS MELHORES CARVALHOS E PASSAM POR UM PROCESSO DE TOSTAGEM LONGO E SUTIL (COM REGULAÇÃO POR AR E UMIDADE).

O VINHO RESULTANTE APRESENTA TODA A RIQUEZA E PREDICADOS RELACIONADOS À DELICADEZA DOS CHARDONNAY DO VALE DOS VINHEDOS, ENRIQUECIDO PELOS TRAÇOS DE AMADURECIMENTO EM BARRIS DE CARVALHO QUE RESPEITAM A ORIGEM DO VINHO.

PROPOSTA DO PRODUTO: Pureza, frescor, nitidez, franqueza, corpo e complexidade Vinhedos próprios, conduzidos em espaldeiras. Das melhores parcelas da propr. de Sta Lúcia, Vale dos Vinhedos. Lotes limitados, com numeração das garrafas. Complexidade e riqueza, mas respeitando o frescor e a origem. DOVV : Denominação de Origem Vale dos Vinhedos (2011-atual).

NOTAS DE DEGUSTAÇÃO: Límpido e brilhante, de coloração amarelo palha dourado. No olfato apresenta aromas intensos de frutas tropicais maduras, abacaxi, manteiga, baunilha, especiarias doces e mel. Na boca, coplexo, equilibrado, com bom frescor, elegante e de boa persistência.

HARMONIZAÇÃO COM PRATOS: Carnes brancas, pescados, mariscos, queijos curados suaves, saladas e vegetais temperados.

SERVIÇO: Para melhor apreciar os pontos fortes deste vinho, sugere-se que a temperatura da bebida esteja entre 9 e 12 ºC.

DADOS DA COLHEITA: 2.800 garrafas de 750 ml, numeradas. Dados Técnicos Álcool (% vol.) : 13 Açúcar residual (g/l) : 1,8 Acidez total (g/l ác.tartárico): 5,7 pH: 3,4 Tempo de barril (meses): 11 meses, 1º, 2º e 3º usos

VINHEDO: Nome: Santa Lúcia, Vale dos Vinhedos Região: Vale dos Vinhedos, Denominação de Origem Localização: 29°10’17.91”S, 51°36’05.59”O, 495 m.a.n.m Arquitetura: Espaldeiras com orientação norte-sul. Guyot Solo: De origem basáltica, franco, com pedregulhos e argiloso Colheita: Totalmente manual, em Janeiro de 2013

ELABORAÇÃO: Desengace, moagem e prensagem em prensa pneumática com leve maceração. Fermentação em barris de carvalho Perle Blanche em baixas temperaturas, com adição de leveduras selecionadas. Fermentação malolática e amadurecimento sobre as borras finas em barris até o engarrafamento.

Não existem análises da Wine Advocate para este vinho. Um dia nossos vinhos chegam até lá! 

É mais um vinho de respeito sendo produzido em nosso país! Pena que sua produção seja tão reduzida, apenas 2.800 garrafas. A que degustei foi a 0985.

Normalmente não sabemos do tema do mês seguinte quando realizamos o post da CBE. Como estou MUITO atrasado, já fiquei sabendo que o tema será Chianti! Vamos entrar nesta viagem para Itália??

In Vino Veritas!


Gustavo Kauffman (GK)

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Fruto Noble Crianza 2006

Hoje vamos falar de um vinho espanhol da denominação de origem de Alicante (http://www.vinosalicantedop.org/). Sim, você tem razão, não é uma DO muito conhecida assim como a região também não o é. Não são todos os vinhos de Alicante que pertencem a DO, somente as garrafas que possuem o logotipo da DO e possuem uma numeração exclusiva para a mesma é que são garantidos.

O site da DO diz que as uvas tintas amparadas são: Monastrell, Garnacha Tintorera o Alicante Bouschet, Garnacha tinta ( o Gironet), Bobal, Cabernet Sauvignon, Merlot, Pinot Noir, Petit Verdot, Syrah, Tempranillo. Citei isto pq, como veremos mais adiante, nosso vinho também leva a Cabarnet Franc em seu corte. Fui então ler o que está no regulamento da DO e descobri que é permitido a utilização de outras variedades desde que aprovadas pelo Conselho Regulador que, para tal, deverá verificar a qualidade do mosto. Curiosamente não existem regras como, por exemplo: Rendimento máximo por hectare, tempo de permanência em barrica, etc.

Outro fato curioso, já falado por aqui anteriormente, é em relação aos nomes dos vinhos espanhóis. Lá, para ser chamado de Crianza, um tinto precisa passar por um período mínimo de 24 meses antes de ser comercializado, sendo no mínimo 12 meses em barrica. O Fruto Noble passou 12 meses em barricas e 18 na garrafa antes de ser comercializado. Para confirmar que ele passou por este processo, a denominação é regulada pela ordem pública, através de autoridades legislativas que prezam a saúde pública e regulamentação econômica – inclusive do vinho. 

A Bodega também não é muito famosa por aqui. Além de vinhos, produz também azeites.

Vamos então ao que achei deste vinho:

Visual: O rótulo é bonito, mas se torna mais interessante pela foto da bodega em sua parte superior. A rolha é de cortiça, safrada e personalizada para a bodega. Na taça mostra ainda certo brilho, mas já apresenta cor alaranjada em seu halo demonstrando evolução. Cor escura e intensa. Lágrimas múltiplas e lentas.

Olfato: No nariz também são evidentes os sinais de evolução, mas percebe-se também que o vinho está inteiraço. Frutas vermelhas secas. Uvas passificadas, couro e especiarias (pimenta e noz moscada). O elevado álcool (14.5) não é perceptível. Sedutor!

Paladar: Corpo médio e vai abrindo na boca, trazendo refrescância e imediatamente pedindo um segundo gole. Acidez moderada. Taninos presentes, secantes, mas bem integrados ao conjunto. O final é longo e o retrogosto remete as frutas secas.

O que a Bodega Francisco Gomez diz sobre o seu vinho:

CRIANZA: 12 meses en barrica de roble francés y 18 meses en botella

VARIEDADES: Cabernet Franc, Monastrell y Syrah

CATA: Vino tinto. De intenso color rojo cereza brillante y limpio. En nariz nos recuerda a fruta roja madura y especies. En boca es de paso elegante, con una leve acidez de entrada pero sabroso, redondo y con un tanino amable muy pulido hasta su complejo y elegante final, pleno de matices.    

SERVICIO: Alrededor de 16º


Não existem críticas da Wine Advocate sobre este vinho.

Sempre que posso procuro dar dicas sobre como ter novas experiências prazerosas no mundo do vinho. Este rótulo é um bom exemplo. Comprei na Vinhos do Mundo em Porto Alegre por um excelente preço. Uma jóia. No mercado, sem promoção, custa na faixa dos R$70,00 que são muito bem pagos. O vinho é bem distinto, fora do padrão e delicioso. Isto sem falar que está em seu apogeu, com sinais de evolução, o que não é fácil de encontrar nesta faixa de preço.

Fica a sugestão: Se encontrar ele por aí não deixe de provar e depois me conta o que achou.

In Vino Veritas!
Gustavo Kauffman (GK)

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Ricominciare Cabernet Franc / Cabernet Sauvignon 2006

Que bom poder voltar a escrever minhas mal traçadas linhas. É realmente um prazer imenso parar um pouco, degustar um belo vinho, escrever minhas impressões sobre ele e ainda poder compartilhar com todos! Tenho trabalhado intensamente, o que é muito bom, mas isto acabou me distanciando um pouco do Enoleigos. É claro que o excesso de trabalho não me afastou do vinho, muito pelo contrário, continuo um eterno apaixonado por esta bebida divina. Quando não escrevo, falo um pouco de minhas impressões no Instagram do ENOLEIGOS.

Hoje vou falar um pouco deste vinho que há tempos me encanta. Ainda tenho algumas garrafas dele em casa, e acompanho a evolução deste vinho na faixa dos R$100,00 que faz frente a muitos vinhos com custo superior. Não falei dele ainda no Blog, somente no Instagram.

Este vinho é produzido pela Bodega de mesmo nome, a Ricominciare, fundada por Jorge Catena irmão mais novo de Nicolás Catena e bisneto de Nicola Catena. Olha, já perdi a conta de quantas vinícolas oriundas da Catena existem na Argentina. Curiosamente todas não usam só o nome mas também produzem belos vinhos, como é o caso deste blend de Cabernet Franc com Cabernet Sauvignon.

A Ricominciare elegeu o Vale do Uco para o cultivo de seus vinhedos, destacando suas virtudes, como altitude, amplitude térmica, composição do solo e pureza de suas águas que contribuem para a personalidade do vinho. Em La Consulta, no Vale do Uco, se encontra a Finca San Vicente, que dá origem aos seus vinhos. 

Me interessei por este vinho pela Cabernet Franc, que contribui com 60% deste caldo. Ocupa aproximadamente 157 000 hectares de plantação no mundo todo, dentre os quais 211,13 ficam na França. O cabernet franc é mais leve que o cabernet sauvignon, possui taninos honestos ou sinceros conferindo firmeza e um corpo violão ao vinho, cor profunda e aromas de frutas tropicais e especiarias. É bastante utilizada para complementar outras uvas em cortes com cabernet sauvignon, tempranillo, sangiovese e ugni blanc. É uma das seis uvas permitidas nos cortes de Bordeaux, ao lado de cabernet sauvignon, merlot, malbec, carmenère e petit verdot. Também é relevante seu cultivo em regiões de clima tropical, como a Tanzânia e a Indonésia. Existem pequenas áreas de cultivo em países de menor importância enológica, como Paquistão e Turquia e, claro, na Argentina daonde saiu nosso vinho.

Vamos então ao que eu achei deste vinho:

Visual: Bonito rótulo, com uma sutil marca d´água. Daqueles que é bonito e, ao mesmo tempo, simples. A rolha cita a safra porém não traz nenhum dado da Bodega. Por ser um vinho já com 8 anos de vida, já apresenta reflexos em sua coloração que mostra nitidamente seu halo mais com cor de tijolo e com menos brilho. Um vinho não tão denso, deixando passar raios luminosos. Lágrimas finas, lentas e tingindo levemente a taça.

Olfato: Um vinho complexo e ainda muito vivo e expressivo. Percebe-se também leve evolução no nariz. Figo, ameixa seca, uva passa, nítidas notas de especiarias como pimenta, um sutil toque de tabaco e, ao fundo, uma mistura de balsâmico com mentolado. Logo após ser aberto mostrou um pouco de álcool em excesso, que com pouco tempo em taça desaparece. No nariz mostra estar inteiraço.

Paladar:  Um vinho com bom corpo, ataque inicial potente, excelente acidez, taninos ainda bastante presentes, mas já maduros. Sua potência se prolonga, se mostrando um vinho gastronômico e seguramente com ainda 2 a 3 anos de vida pela frente. O retrogosto traz especiarias e novamente o cacau.

O que a vinícola fala do seu vinho:

Origem dos Vinhedos: Propriedade San Vicente, La Consulta, Vale do Uco, Mendoza

Altitude: 900 mts.

Rendimento por hectare: Cabernet Franc 9.000 kg/ha; Cabernet Sauvignon 8.000 kg/há

Vindima: Manual, em caixas de 18 kg. Cabernet Franc (60%) 7 de abril de 2006. Cabernet Sauvignon (40%) 12 de abril de 2006. Cabernet Franc 7 de abril de 2006. Cabernet Sauvignon 12 de abril de 2006.

Fermentação Alcoólica: 26 dias em tanques de aço inoxidável a 28º C Maceração pré-fermentativa durante 72h a 12º C favorecendo a extração de precursores aromáticos.

Fermentação Maloláctica: 100%. Este vinho foi gentilmente filtrado preservando seu notável caráter e personalidade.

Álcool: 14º 

Acidez total: 5,13

Envasado: na vinícola em 21 de outubro de 2007.

Produção: 7.140 garrafas

Para poder apreciar plenamente as características deste vinho, recomendamos servi-lo a 16º C.  Buscamos vinhos com história e tradição.

O que a Wine Advocate, de Robert Parker, fala sobre o vinho:

Pontos: 88

Degustador: Jay S Miller

Maturidade: 2009 - 2015

Review:

The 2006 Cabernet Franc & Cabernet Sauvignon is a bit lighter in color, less dense on the palate, but a bit more elegant. It offers up attractive spice box and black fruit aromas and flavors, plenty of juicy fruit, good balance, and a fruit-filled finish. It, too, can be enjoyed over the next 6 years. 


É isto aí meus amigos. Um vinhaço que continua me encantando. Me restam 3 garrafas por aqui, daqui há 12 meses abro outra. Quem tiver pode abrir sem susto, o vinho está pronto, em seu apogeu e realmente delicioso. Sugestão é deixar respirar por 30 minutos. O meu permaneceu por este período na taça enquanto eu escrevia o post e abriu bastante.

Volto em breve!!

In Vino Veritas!


Gustavo Kauffman (GK)

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Marichal Tannat Reserve Collection 2009 - #CBE



A correria anda grande meus amigos! E, como tudo na vida, sempre temos o lado bom e o lado não tão bom. O não tão bom é não conseguir escrever com a periodicidade que gostaria. Mas, mesmo atrasado, aqui estou com o primeiro post do mês de março, o da esperada Confraria Brasileira dos Enoblogs (CBE). Neste  mês a escolha coube ao querido Gil, o fundador da CBE, do excelente blog Vinho para Todos:

“Vinho tindo do uruguai, com preço até R$100,00”.

Definitivamente o uruguai tem vinhos deliciosos.

Minha escolha, como podem ter no título deste post, coube a um Tannat que surpreendeu a todos na degustação que organizei e foi intitulada de “Copa América”. Na ocasião tivemos apenas dois representadas uruguaios, e este em especial me surpreendeu. Dos 21 vinhos degustados, o Marichal Reserve ficou na nona posição, surpreendendo por sua qualidade. Vejam mais detalhes da Copa América neste link .

Em 1910 Isabelino Marichal, um descendente de imigrantes das Ilhas Canárias (Espanha), se estabeleceu na região de Etcheverría, iniciando o cultivo das primeiras vinhas da variedade Tannat, que naquela época, era chamada de Harriague.

Em 1938 construiu uma pequena bodega composta de tanques subterrâneos em uma caverna, de modo a possibilitar as melhores condições para amadurecimento dos vinhos.

Por mais de 70 anos a Bodega Marichal une tradição a modernas técnicas de vinificação, produzindo vinhos uruguaios premium em uma localização privilegiada, a 25 km de distância do Atlântico, onde seus vinhedos são contemplados pela brisa marítima.

Hoje na quarta geração, Juan Andrés e Alejandro administram, juntamente com seus pais, essa vinícola que tem o desafio de projetar ao mundo o produto de sua terra e sua filosofia. Juan Andrés Marichal gosta sempre de salientar que para se fazer um grande vinho é preciso ter uvas de elevada qualidade. O processo de vinificação começa no vinhedo com pleno acompanhamento na bodega. Uma pequena jóia no Uruguai com 50 hectares de vinhedos próprios ao sul do país onde se destaca o cultivo das variedades: Tannat, Merlot, Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Pinot Noir, Chardonnay, Semillón e Sauvignon Blanc.

Vamos ao que eu achei deste vinho:

Visual: Garrafa sem muitos chamarizes mas elegante. Discreto mas bem feito e com bom gosto. Ao servir vemos a jovialidade do vinho. Coloração vermelho mais escuro, ainda com muitos reflexos violáceos.

Olfato: O vinho começou um pouco fechado. Fica a dica de deixá-lo respirar por pelo menos 30 minutos antes de seguir com a degustação. Após este período ele abriu bastante, dando especial destaque aos aromas frutados, muita fruta vermelha com gostosas notas adocicadas. Continuando com a análise percebo também notas de chocolate mais amargo e um toque de especiarias (pimenta seca).

Paladar: Preenche bem a boca, refletindo os aromas percebidos na análise olfativa. Os taninos, para minha surpresa, estão bem domados e macios. Um vinho de estrutura média. Final de boa persistência.

O que a vinícola fala sobre seu vinho:

Variedad: 100% Tannat

Características de la variedad: Tannat es una variedad originaria del sudoeste Francés, Madiran, que en Uruguay encontró excelentes condiciones de terruño para producir vinos de altísima expresión, con taninos a la vez que intensos, de textura amable.

Ubicación de los viñedos: Etchevarría, Canelones, Uruguay, a sólo 25 km del mar.

Suelo: Ondulaciones  franco arcillosas con zonas de calcáreos

Fecha de cosecha: Primera quincena de Marzo.

Tipo de cosecha: Recolección manual, en cajones de 18 kg.

Fermentación Maloláctica: Si.

Proporción de vino flor y prensa: 100% vino gota.

Crianza: 70 % 12 meses en roble francés y americano.

Potencial de guarda: 12 años desde el año de cosecha.

Color: rojo profundo, con reflejos violáceo  típicos del Tannat.

Nariz: Presenta notas de frutas rojas maduras,  con mermelada de ciruelas. Los aromas terciarios de tostado chocolate están perfectamente integrados.

Paladar: La entrada en boca es amable,  se desarrolla con un buen volumen en boca en donde  aparece nuevamente la fruta roja madura con una leve nota mineral que lo equilibra perfectamente. Los taninos están bien presentes pero son redondos y carnosos.

Temperatura de Servicio: 17-19ºC


Ainda não existem análises da Wine Spectator nem da Wine Advocate sobre este vinho.

Um vinhaço uruguaio para sua faixa de preço. Realmente uma bela surpresa que entra também pra lista de custo x benefício.

In Vino Veritas!

Gustavo Kauffman (GK)
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