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segunda-feira, 12 de março de 2012

Casa Leoni Moscatel Demi-Sec #CBE




Amigos e amigas, na verdade este deveria ter sido meu post do dia 01/03. O corre corre do dia a dia não me permitiu, infelizmente, colocar meu post na data correta.

O tema este mês coube ao confrade Cláudio Werneck, do excelente blog Le Vin au Blog, e foi muito interessante, veja:

"Quanto mais diferente, incomum, curioso e pitoresco melhor."Quanto mais diferente, incomum, curioso e pitoresco melhor.Quando mais diferente, incomum, curioso e pitoresco melhor!”.

Sensacional o tema, não?

Alguns dias antes da sugestão do tema, eu tive a oportunidade de provar um espumante Moscatel que é produzido pelo método tradicional, o chamado “champenoise”. Os espumantes Moscatel são, em sua grande maioria, produzidos pelo método Asti. O método Asti é o usado para a produção de espumantes doces, na Itália. O nome vem de uma região demarcada (DOC) na Itália, onde é produzido com uva Moscato. Consiste de uma única fermentação em grandes recipientes, que é interrompida quando se atinge de 7% a 10% de álcool, deixando açúcares residuais da ordem de 80 gramas por litro (10 vezes mais que um espumante Brut). Confesso que eu nunca encontrei um espumante Moscatel produzido pelo método tradicional. Você pode estar se perguntando no que consiste este tal método tradicional. Diferente do ASTI, o método tradicional possui duas fermentações. O método tradicional consiste na realização da segunda fermentação do espumante na própria garrafa.Na primeira fermentação (alcoólica) o processo ocorre como em um vinho normal,  em tanques, resultando em um vinho de alta acidez e baixo teor alcoólico. Em seguida o vinho é engarrafado com o licor de tiragem, uma mistura do vinho-base com leveduras selecionadas e açúcar para servir de alimento para estas leveduras, que darão início à segunda fermentação. O vinho então passa pela segunda fermentação na garrafa que gera um aumento no teor alcoólico e a formação de CO2.

Em teoria, um espumante moscatel produzido pelo método tradicional, deveria ter um teor alcóolico maior e um teor de açúcar menor, que foi exatamente o que encontrei neste espumante produzido em Jundiaí pela Casa Leoni.

Vamos então ao que achei deste espumante “curioso”:

Visual: A garrafa é em simples, com um rótulo que deixa, e muito, a desejar. O trabalho visual não é nada bom. Ao tirar a cápsula percebo que não possui rolha de cortiça, e sim aquelas rolhas de plástico. As surpresas começam ao colocar na taça. A perlage é surpreendemente persistente, de tamanho pequeno a médio e formando uma bonita coroa mesmo em baixas temperaturas. Coloração amarelho palha.

Olfato: Aroma típico da moscatel mas sem trazer tanto doce, o que me agradou. Um pouco de floral e mel completam a análise.

Paladar: A mesma perlage que surpreendeu no visual surpreende também ao explodir na boca.

Foi uma experiência interessante. A moscato é uma uva muito aromática e refrescante e o fato deste espumante não ter um teor de açúcar tão alto me agradou bastante.

É minha gente, o mundo do vinho é um aprendizado constante!

In Vino Veritas!

Gustavo Kauffman


terça-feira, 21 de dezembro de 2010

La Baume Chardonnay 2009 – O vinho de garrafa PET!!!

Lembram do vinho da garrafa PET que meu pai me deu em Agosto? Pois é, há umas semanas atrás eu finalmente abri o dito cujo.

O vinho é servido na Air France, classe econômica. Vem em uma garrafa PET (isso mesmo!) de 187ml. O vinho pertence a um grande, e recente, grupo francês, o Les Grands Chais de France ou Grupo CFG.

O grupo foi fundado em 1979, e rapidamente se tornou um dos principais comerciantes mundiais de vinhos franceses.

O grupo GCF está presente e ativo nos vinhedos franceses, com principal respeito pela tradição e know-how regional. Hoje, o grupo tornou-se o produtor privado líder na França.

Localizado no Petersbach, no coração do parque natural Vosges du Nord, a sede do grupo desfruta de uma posição logística privilegiada no centro da Europa.

O grupo GCF emprega mais de 1.400 pessoas em 16 empresas.

O volume de negócios anual em 2007 foi de € 680.000.000, dos quais 70% vieram de exportações.

A La Baume é apenas uma das empresa do grupo CFG e está localizada próximo a Béziers, no Sul da França, ao lado do Mediterrâneo, na região do Languedoc-Roussillon. É uma casa bi-secular, estabelecida pela Família Prat, e que pertence ao grupo Les Grands Chais de France (LGCF), este último, detentor de 17% de toda a produção de vinhos franceses, comercializando fenômenos de venda como os exemplares das marcas J.P.Chenet e Baron D’Arignac, entre outros.

Este La Baume Chardonnay, assim como outros vinhos da Herdade, é extraído dos cerca de 30 hectares de vinhas plantadas pela La Baume em terras próprias (50% da propriedade) e de outros 350 hectares de outros produtores da região.

É no Languedoc-Roussillon que se concentra também, atualmente, a maior área de vinhedos do mundo, com o cultivo de 300 mil hectares.

Três enólogos conduzem os vinhedos da La Baume, contanto, na época das vindimas, com apoio de uma equipe internacional. O modelo de produção prioriza o frescor dos vinhos, com vinificação e descanso em tanques de inox com temperatura controlada.

São elaboradas anualmente cerca de 60 mil garrafas deste La Baume Chardonnay, de acordo com gerente de exportação da vinícola, Walter Cramer. O vinho está pronto para consumo, devendo ser bebido, no máximo, em três anos.

Vamos então ao que achei deste Chardonnay:

Visual: A primeira coisa que chama, e muito a atenção, é o vinho vir em uma garrafa PET! Ao servir mostrou na taça uma coloração palha bem claro, gotas finas, lentas e abundantes. A garrafa é um charme!

Olfato: Frutado e refrescante. Álcool totalmente imperceptível mesmo a 13,5%. As frutas aqui são amarelas e maduras, com um leve toque de limão siciliano. Melão e nêspera se destacam. Não mostra muita complexidade mas é muito agradável.

Paladar: Gostoso, fácil de beber, mas não diz ao que veio! As frutas aparecem, mas bem mais sutilmente do que no exame olfativo. O final é curto e traz uma leve ponta de amargor.

O que a vinícola diz sobre seu vinho:

Não encontrei as notas técnicas no site da vinícola. Vou transcrever alguns comentários do importador para o Brasil, a La Pastina:

Para melhor entender a proposta de um vinho, é preciso antes compreender quais foram as intenções do enólogo responsável pela obra no momento da elaboração, avisa o sommelier da importadora La Pastina, Maurício Leme. “E a proposta do La Baume Chardonnay é o frescor”, resume.

Assim, ele destaca o frescor “extremamente agradável” do olfato e paladar deste exemplar. “É um Chardonnay dotado do frescor e da delicadeza da Sauvignon Blanc”, comenta.

No exame olfativo, destacou a presença de aromas cítricos, sobressaindo limão siciliano e um pouco de abacaxi não maduro. “Também tem o interessantíssimo cheiro de pedra branca molhada, de fundo de rio”, aponta.

Reforçou, logo depois, o caráter refrescante no exame gustativo, com a confirmação de sabores frutados e seu equilíbrio com acidez e álcool. “É um vinho bastante ácido, embora não pareça, exatamente por estar integrado com o frescor e álcool”, ressalta.

A untuosidade é de média para baixa, segundo o especialista, compondo adequadamente ao conjunto do exemplar. “Tem também a persistência média no retrogosto, com um leve toque doce, muito interessante”, analisa, ao recomendar o serviço em temperatura de 8ºC a 10ºC para a preservação das características jovens do exemplar. “A harmonização com queijo de cabra é muito feliz”, acrescenta.

Até o momento deste post não haviam análises pela Wine Advocate nem pela Wine Spectator.

Em linhas gerais, como eu imaginava, é um vinho simples, que beberia novamente, mas que não compraria. O charme aqui é a garrafa e não o vinho. Ah, importante dizer que o vinho não tinha gosto de plástico!

In Vino Veritas!

Gustavo Kauffman (GK)


sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Il Segreto Roble Malbec 2006

Mais um Malbec aqui no Enoleigos. Desta vez um Malbec mais barato, que eu volta e meia via em supermercados. O que me chamou a atenção aqui foi a garrafa.

Depois de muito procurar na Internet consegui descobrir a vinícola que o produz, a Fincas Andinas.

A Fincas Andinas tem aprox. 120 ha. Em vinhedos, todos em San Rafael, distribuídos da seguinte forma: 80 ha. Finca Don Pedro, 30 ha em Chácara Dona Irene (cidade vizinha) e o restante em pequenas parcelas nas redondezas. Usa dois sistemas de condução: caramanchão ou latada. Eles usam malhas de granizo que cobrem parcialmente as videiras. A irrigação é feita por água subterrânea em alguns casos, ou água de rios através da rede de irrigação local.

Não tinha ouvido falar anteriormente desta Bodega e o site deles está com vários links que não funcionam.

Vamos então ao que eu achei deste Malbec:

Visual: Garrafa chama a atenção mostrando belo trabalho de marketing. Rolha de plástico com coloração imitando cortiça. Cor de ameixa e opaca, com visual que não podemos chamar de atraente. Gotas bem lentas que se sobrepõem na taça.

Olfato: Álcool um pouco mais forte do que deveria atrapalhando um pouco a análise olfativa. Deixei o vinho decantando por meia hora, sugiro aumentar este tempo para minimizar o álcool. Vinho frutado, com destaque para ameixas secas e um fundo de especiarias, com maior presença de pimenta natural.

Paladar: Confirma o nariz, trazendo um forte e gostoso sabor de ameixa. Taninos muito suaves. Acidez integrada e no ponto. Um vinho direto, simples e mediano. O final é médio e o retrogosto não está presente.

O que a Fincas Andinas diz sobre seu Malbec:

Caracteristicas: Vino de color rojo rubí muy vivaz, de aroma muy intenso que nos recuerda a frutos rojos pasados de maduro; como frutillas, frambuesas y ciruelas; que se amalgaman con la vainilla del roble que lo albergó.

En boca es frutal, posee el típico ataque dulzón de los malbec con taninos dulces y una acidez muy equilibrada que lo hacen muy agradable y fácil de tomar a pesar de su compleja estructura donde se destacan interesantes notas que provienen del roble de la barrica, en la que reposa seis meses antes de su embotellado.

El viñedo se encuentra en la Finca Doña Irene de la zona de Cuadro Bombal y es conducido en espaldero con producción controlada.


Producto: MALBEC ROBLE

Marca: IL SEGRETO

Origen: FINCA DON PEDRO CUADRO BOMBAL

Conducción del viñedo: ESPALDERO

Fecha cosecha: ABRIL

Alcohol: 13,0 % (v/v)

Acidez total (en ácido tartárico): 5,32 (g/L)

PH: 3,65

A Wine Advocate, de Robert Parker, e a Wine Spectator ainda não degustaram este vinho.
 
Como podem perceber, não foi um vinho que me atraiu muito. Se for servido em alguma recepção eu beberei novamente, mas não compro mais e, por isto, leva um 3!

In Vino Veritas!

Gustavo Kauffman (GK)




sábado, 27 de novembro de 2010

Santa Helena Malbec Premium Varietal 2007

A Santa Helena é velha conhecida de todo Enófilo Brasileiro. Uma gigante chilena que produz vinhos excelentes como o DON ou o Notas de Guarda. Muitos de seus vinhos já estão aqui no Enoleigos como, por exemplo, os Selección del Diretório Carmenére 2007, Merlot 2007, Chardonnay 2007, Sauvignon Blanc 2008 e, ainda, o Vernus Blend 2007. A linha Selección del Diretório me agrada muito!

O que mais me chamou a atenção nesta garrafa foi ser um Malbec Chileno! Com certeza o primeiro Malbec Chileno que aparece aqui no Enoleigos.

A Malbec, como muitos já sabem, é uma uva Francesa que se adaptou muito, mas muito bem aos terroirs Argentinos e que, há pouco tempo, vem também começando a ser plantada em solo chileno.

A Santa Helena vem ganhando muitos prêmios Internacionais. O Santa Helena Seleção do Directorio Cabernet Sauvignon 2009 foi escolhido com a melhor relação preço qualidade "best buy", pela prestigiosa revista americana Wine Enthusiast. Este reconhecimento será divulgado no guia de compras "Buying Guide", que será publicado no próximo dia 31 de dezembro.

Já o Seleção Directorio Cabernet Sauvignon tem sido muito bem avaliado, tanto na colheita 2009 como em colheitas anteriores; quanto a este aspecto não podemos deixar de mencionar os 89 pontos outorgados à colheita 2008 pelo famosa Wine Advocate, de Robert Parker, guia de vinhos independente, orientado aos consumidores, em sua recente edição do mês de outubro.

Não podemos deixar de falar também do Sauvignon Blanc Seleção do Directorio 2009, em sua primeira colheita proveniente do setor litorâneo de Paredones no vale de Colchágua, também foi qualificado com 89 pontos pela Wine Advocate.

Além da excelente pontuação recebida por Seleção de Directorio, outro vinho que vem sendo premiado é o Vernus Cabernet Sauvignon 2008 que foi avaliado com 90 pontos pela Wine Advocate em sua última publicação de outubro passado; ratificando sua excelente qualidade e a medalha de ouro obtida por esta mesma colheita na edição 2010 do Concurso Mundial de Bruxelas em maio.

Sou fã assumido da Malbec, gosto muito dos vinhos da Santa Helena, ou seja, tinha que experimentar esta garrafa!

Vamos então ao que achei deste Malbec Chileno:

Visual: Garrafa simples, mas elegante. Rolha artificial, sem ser personalizada para a vinícola. Coloração vinho escuro com reflexos violáceos nas bordas. Gotas finas, rápidas e sem coloração.

Olfato: Frutado, direto, sem complexidade. Álcool um pouco mais pronunciado do que deveria. Um decantação pode auxiliar neste ponto. Frutas vermelhas em compotas, passando uma sensação bastante adocicada que chegam a lembrar um pouco uvas passas.

Paladar: Gostoso, aqui também direto e muito fácil de beber. Agradou bastante na boca, claro que para a faixa de preço que está incluído. Os taninos são sutis e suaves. Acidez comportada. Corpo mediano e muita fruta na boca. O retrogosto é bastante adocicado. Final de curto para médio.

Infelizmente o vinho não existe no site da Santa Helena, o que me impossibilitou trazer sua ficha técnica. O site da Interfood está sendo reformulado e também não consegui encontrar por lá estas informações.

Também não trarei as resenhas da Wine Spectator nem da Wine Advocate pois as duas ainda não avaliaram este vinho.

Um vinho que com certeza agradará, mesmo sem mostrar tanta complexidade. Custo R$19,00 em promoção mas seu preço de mercado gira em torno dos R$30,00.

Apesar de ser um vinho gostoso, fácil de beber, não seria um vinho que eu compraria novamente. Existem vinhos de 25 a 30 reais que são muito superiores a este. Por este motivo vai levar uma nota 3!

In Vino Veritas!

Gustavo Kauffman (GK)

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Calamares Vinho Verde Doc Branco

O Calamares é um daqueles vinhos que traz uma lembrança da infância. Sua garrafa típica é inconfundível! Lembro dos meus pais comprando este vinho em caixas, variando entre o Rosé e o Branco. Hoje é engarrafado pela Portuguesa Enoport, um grupo criado a pouco tempo.

O Grupo Enoport nasceu em 2005 a partir da ligação de empresas de reconhecido capital histórico no panorama vitivinícola nacional, como sejam as Caves Velhas, Caves Dom Teodósio, Adegas Camilo Alves, Cavipor, Caves Acácio e Caves Moura Bastos.

Mais do que uma holding detentora de participações sociais, o Grupo Enoport representa uma idéia, um conceito, uma estratégia orientada para o futuro. Das antigas sociedades, criaram-se novas empresas, vocacionadas para a forma como o negócio se faz hoje e especializando-se naquilo que é sua essência e principal objetivo: a exploração agrícola e enoturismo, a produção e distribuição que formam assim diferentes núcleos de atividade, o seu todo construindo o Grupo Enoport.

O Calamares, na verdade, é o vinho verde “Lagosta”, bastante difundido em Portugal e vendido com outra roupagem para o Brasil.

Vinho verde é um vinho produzido exclusivamente na Região Demarcada dos Vinhos Verdes, localizada no Noroeste de Portugal. Constitui uma denominação de origem controlada cuja demarcação remonta a 1908, para vinhos jovens no Noroeste de Portugal , entre o Rio Minho e o Rio Douro. O vinho verde detém a segunda maior quota do mercado português e é o único que apresenta no último quinquénio crescimentos sustentados. Apesar do nome, sua coloração não é verde. Na verdade, o verde refere-se à Região demarcada, designada por Região do Vinho Verde, por se situar no Minho, a região mais "verde"de Portugal, graças à sua vegetação e humidade.

Existem vinhos verdes, brancos e tintos, rosés e espumantes. Existem também vinagres de vinho verde, aguardentes de vinho verde e reconhecidas bagaceiras. A designação de Verde nada tem a ver com o estado de maturação das uvas, que são sempre colhidas maduras ou com a cor do vinho.

As principais castas são, para os brancos, o Loureiro, o Alvarinho, o Arinto (conhecido localmente por Pedernã) e a Trajadura. Para os tintos são o Vinhão e para rosados o Espadeiro. Tambem existem por toda a região demarcada de vinhos verdes a tinta nacional, asal tinto, tinturão.

Vamos então ao que achei deste vinho:

Visual: Garrafa típica do vinho, chegando a trazer lembranças para muitos. Rolha de cortiça. Na taça mostrou colocaração palha claro.

Olfato: Frutado, puxando pro cítrico. Notas de maçã verde, com melão também bem presente. Passa uma sensação bastante refrescante.

Paladar: É realmente refrescante, mas o paladar foge um pouco ao olfato. Acidez um pouco fora do que deveria. Pouca persistência com final muito curto.

O que a Enoport diz sobre o vinho:

Classificação: Vinho verde DOC.

Região: Vinhos Verdes.

Castas: Arinto (20%), Trajadura (30%), Loureiro (30%) e Azal (20%).

Enólogo: Osvaldo Amado.

Aspecto: Cristalino.

Cor: Citrina com laivos esverdeados.

Aroma: Frutado, intenso em citrinos e frutos de polpa branca.

Sabor: Frutado, fresco, harmonioso e ligeiramente frizante.

Sugestões de Consumo: É ideal para acompanhar pratos de peixe e marisco. Consumir à temperatura de 6-8ºC.

Vinificação: Desengace total, prensagem pneumática e fermentação alcoólica à temperatura de 15º C.

Até o dia deste post não existem análises da Wine Spectator nem da Wine Advocate.

Pode ter sido um problema no lote, não sei, mas o vinho não agradou. Gostosinho, mas MUITO simples, sem mostrar praticamente nada na boca.

Vou dar 3 por ser um vinho que tomaria novamente em alguma recepção,m as não compro de novo!

In Vino Veritas!

Gustavo Kauffman (GK)


domingo, 1 de agosto de 2010

Casa Valduga Premium Cabernet Franc 2006 #cbe

Comentei no mês passado, mas este post realmente é especial. Postamos aqui o comentário para ovinho do mês da Confraria Brasileira dos Enoblogs. A troca de experiências, mesmo que de forma virtual, entre todos os blogueiros que participam desta deliciosa Confraria, é super enriquecedora para todos nós.

Neste mês, segundo o rodízio democrático, a escolha coube ao nosso Confrade Jurandir Bezerra, do blog Eu e o Vinho. A escolha foi um Cabernet Franc do Brasil e já é o 45º vinho da Confraria!!!

Assim que soube da escolha de nosso Confrade fiquei um tanto preocupado. Achar um Cabernet Franc Brasileiro para comprar não é das tarefas mais fáceis. Depois de procurar por várias lojas, o único vinho com CF que consegui encontrar foi o ARTE da Casa Valduga. O Arte é um corte de Cabernet Sauvigon, Cabernet Franc e Merlot. Depois, continuando minha saga, acabei conseguindo encontrar uma única garrafa deste Cabernet Franc que iremos comentar.

Aqui fica um ponto de interrogação: Porque é tão difícil encontrar os vinhos Brasileiros na maior cidade de nosso país que é São Paulo?? Fico imaginando como deve ser complicado encontrar nossos vinhos, por exemplo, em Goiânia!

A Casa Valduga é das vinícolas mais conhecidas e reconhecidas do Brasil. A vinícola dedica especial atenção à elaboração dos espumantes e foi uma das primeiras vinícolas brasileiras a dominar e desenvolver o método champenoise de vinificação. Hoje possui a maior adega de espumantes da América Latina e investe em produtos com padrão de excelência já reconhecidos internacionalmente. Os tintos de guarda amadurecem em barris de carvalho franceses e americanos e no final do período passam para a cave apropriada, adquirindo um fino bouquet. Já os brancos repousam em tanques de aço inox durante curto período, para que mantenham os seus aromas primários e possam ser consumidos ainda jovens. A Casa Valduga também construiu o primeiro Complexo Enoturístico do Brasil e hoje é uma das maiores atrações do Vale dos Vinhedos, no município de Bento Gonçalves, a 120 quilômetros de Porto Alegre. Ao lado da Vinícola, instalou restaurantes e aconchegantes pousadas, com vista para os parreirais. Um lugar cercado de montanhas, a 671 metros de altitude e que guarda o encanto da cultura do vinho.

No final do século 19, a família Valduga chega ao Brasil, vinda da cidade de Rovereto, na Itália, em 1875, e logo cultivaram os primeiros parreirais em meio ao Vale dos Vinhedos, no Rio Grande do Sul.

Três gerações depois, os investimentos em qualidade e tecnologia cresceram e os prêmios multiplicaram-se pelo mundo. A marca que leva o nome da família transformou-se em símbolo de padrão de excelência.

Hoje, a vinícola é comandada pelos irmãos Erielso, Juarez e João Valduga, que continuam a transmitir a paixão pelo vinho a seus descendentes.

Vamos então ao que eu achei deste vinho:

Visual: Garrafa cheia de estilo, com indicação de procedência do Vale dos Vinhedos, número de lote e tudo mais. A aparência é show de bola, fazendo o vinho se destacar. Na taça é bem escuro, quase preto. A cor é um roxo bem escuro, gotas rápidas e finas.

Aroma: Frutado com leves toques florais. As frutas são vermelhas com especial destaque para cereja. Álcool um pouco mais pronunciado do que deveria. Talvez um tempo no decanter resolva isto, o que não fiz. Ao fundo trouxe também notas de café.

Paladar: Como sempre, gosto de falar a primeira impressão que tenho. Aqui foi: “O Olfato é muito superior a boca!”. Um vinho delicado, sem muita complexidade. Traz alguma fruta na boca, mas bem discreta. Taninos também delicados e acidez super discreta. Ah, muito seco também! Final de curto para médio.

O que a vinícola diz:

Origem: Vale dos Vinhedos – Bento Gonçalves/RS - Brasil

Processo de vinificação: Colheita manual, seleção e desengace das uvas, adição de leveduras selecionadas, fermentação alcoólica, controle de temperatura, descuba, fermentação malolática, amadurecimento em barricas de carvalho, engarrafamento, envelhecimento em cave climatizada e rotulagem.

Visão: Cor rubi intensa, brilhante.

Olfato: Possui bouquet frutado, lembrando framboesas silvestres, licor de cassis com traços florais harmoniosamente mesclados aos aportes de madeira.

Paladar: bom corpo, taninos maduros, macio, acidez agradável equilibrado. Harmonioso.

Harmonização: cordeiro, perus, patos, ovos com queijos e presuntos, canapés finos, massas al pesto e com molhos de carne, pizza, bacalhau, salmão e peixes.

O que fiz a Wine Spectator de Robert Parker:

Até o dia de hoje não existe uma avaliação deste vinho por eles.

De modo geral não foi um vinho que tenha me agradado. Beberia novamente sem o menor problemas, mas apenas como convidado. Não é um vinho que eu volte a comprar e por isto leva um 3.

In Vino Veritas.

(GK)

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Espumante Brazilian Soul Brut

Pouco tempo atrás, passeando em algum mercado que não me recordo qual foi, me deparei com esta garrafa. Achei a apresentação muito bonita e, como o preço estava atrativo (cerca de R$15,00), resolvi comprar uma para experimentar mais um rótulo de espumante nacional. Já que estamos falando de Brasil, nada melhor do que contar um pouco de noss história vitivinícola.

A história da indústria vitivinícola brasileira começou em 1875, quando os imigrantes italianos assentaram-se no estado do Rio Grande do Sul, no sul do Brasil. Herdeiros de uma longa tradição no cultivo da uva e fabricação de vinho, ela logo se tornou uma atividade de grande importância econômica na área – até 1884, mais de 8 milhões de litros haviam sido produzidos na região.

A cadeia de produção de uvas e vinho cresceu e impulsionou o desenvolvimento da área que os imigrantes haviam colonizado. De 1964 em diante, houve um salto significante na qualidade da indústria com o estabelecimento de empresas multinacionais nesta região do Brasil. Na década de 70, a indústria vitivinícola começou a se expandir na região perto da fronteira com o Uruguai e no nordeste semi-árido, mais especificamente no Vale do Rio São Francisco, entre os estados de Pernambuco e Bahia.

Na metade da década de 80, pequenos produtores de uva começaram a investir na melhoria da qualidade da produção de seu próprio vinho. Para isto, entre outras ações, eles enviaram seus filhos para fazer cursos de enologia. Quando eles retornaram, estavam aptos a fazer um produto de qualidade

No final da década de 90, os horizontes se expandiram com o surgimento de outras regiões como opções para a ampliação do cultivo da uva e fabricação de vinho. Em 1998, foi criado o Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin), reunindo as principais entidades da cadeira produtiva de uva e vinho, e se tornando o fórum para discussões relacionadas à indústria.

O Instituto Brasileiro do Vinho é uma associação sem fins lucrativos, o foro onde dialogam, em busca do desenvolvimento harmônico da cadeia produtiva, representantes dos produtores de uva, indústria vinícola, cooperativas e governo do Estado, com a participação, também, das diversas entidades de ensino e pesquisa e associações de profissionais ligados ao setor.

Este rótulo é um dos vinhos produzidos pelo IBRAVIN com o objetivo de atingir o mercado americano. Se quiserem mais notícias e informações acessem o site Wines from Brazil.

Abri esta garrafa em um sábado lindo, fazia um sol espetacular! A garrafa foi aberta enquanto eu preparava uma moqueca de peixe à Bahiana que, logo logo, também estará disponível aqui no Enoleigos. Vamos então ao que achei:

Visual: Como comentei no início deste post, a garrafa me chamou bastante a atenção, assim como o fato da Aurora estar melhorando muito na produção dos seus espumantes, ganhando sucessivos prêmios. A rolha, de cortiça, não continha nenhuma inscrição, era cortiça e só! Na taça mostrou cor palha claro, perlage fina, constante mas não tão abundante.

Aroma: Frutado puxando para o cítrico. Me lembrou bastante abacaxi, com um pouco de frutas cítricas (limão e laranja) ao final. Simples, mas agradável e refrescante.

Paladar: Preenche bem a boca, trazendo uma espuma gostosa, levemente sedoso. Os aromas do olfato crescem bastante no paladar, agradando mais no palato do que no olfato. Seco, como bom brut, mas no retrogosto traz um leve toque doce. No final senti um certo amargor que me lembrou amêndoas. Final médio, agradável e refrescante.

Por mais que tenha procurado não consegui encontrar, em nenhum local, as notas técnicas da Aurora sobre este espumante, bem como as uvas que são utilizadas. O método de produção é o Charmat. Como não achei quais uvas são, vai ser classificado como um Blend.

É claro que não traz complexidade, é um vinho simples, refrescante e direto, mas achei uma boa opção para a faixa de preço que se encontra. Encontramos muitos “Lambruscos”, na minha opinião inferiores a este espumante, por R$11,00. Vale a pena pagar pouca coisa a mais e comprar este da Aurora!

Voltarei a bebê-lo com certeza e, por isto, leva uma nota 3!

(GK)

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Palacio del Conde Gran Reserva 2002

É meus amigos, finalmente um vinho espanhol tinto aqui nos Enoleigos. Já havíamos falado da famosa Cava, no caso a Codorníu Raventós, mas vinho tinto é o primeiro. Outra curiosidade é que, mesmo não sendo uma safra tão antiga, é o vinho mais antigo que já provei! Após intensa pesquisa consegui descobrir que é feito com a uva Tempranillo.

Quando comprei este vinho fiquei intrigado. Pesquisei na Internet e ele custa em torno de R$40,00 o que, para um vinho Gran Reserva Espanhol, é um valor baixo. O que me dizem então de ter pago R$20,00 em uma promoção no Sams Club?

Na Espanha, a expressão Gran Reserva, no rótulo de um vinho, indica o tempo mínimo de 18 meses que ele permaneceu em barricas de carvalho antes do engarrafamento, num total de 60 meses entre barrica e cave, antes que as garrafas sejam colocadas no mercado. Ou seja, é um vinho que chega às mãos do consumidor com algum grau de evolução, o que não significa que não possa evoluir ainda mais se armazenado em condições adequadas. Os dezoito meses (ou mais) de barrica podem conferir aroma de madeira acentuado em alguns exemplares. Em outros, como é o caso do Palacio Del Conde, a madeira está presente, mas bem equilibrada com a fruta.

O Palacio del Conde Gran Reserva é produzido pela “Vinos de La Viña” A bodega se encontra na Fonte da Figuera, no limite de três províncias: Valencia, Alicante e Albacete. A bodega foi fundada como uma Cooperativa no ano de 1944 e iniciou com 38 sócios, que possuíam 47 hectares e produziam 250.000Kg de uva. Hoje o número de sócios aumentou para 372, as propriedades são de 2.000 Hectares e a produção de uva de 10.600 toneladas. É a primeira bodega da comunidade valenciana a obter o certificado ISO9000.

Antes de começar a degustação decantei o vinho por 1 hora. Vamos às minhas impressões:

Visual: Garrafa simples, com uma espécie de arame envolvendo, típico dos espanhóis. Rolha de cortiça, mas chamou a atenção por não ter absolutamente nada escrito. A garrafa, como outros vinhos espanhóis, traz o número do lote, o número da garrafa e o órgão que qualifica o vinho como um Gran Reserva. Na taça trouxe coloração vermelho não tão escuro, gotas gordas e rápidas.

Aroma: Agradou bastante. Frutado, em especial frutas vermelhas, com destaque para groselha e framboesa. Álcool perceptível, mas não incomoda. No final trouxe algumas notas de especiarias, com um toque de pimenta.

Paladar: A primeira impressão que tive foi que a Tempranillo é uma uva que preciso provar mais. Bem diferente da uvas mais plantadas aqui na América do Sul e muito gostosa. Não chega a ser um vinho doce, mas sua secura é bem delicada. Taninos presentes e delicados. Trouxe morangos maduros, um toque de baunilha levemente picante e tostada com um final de comprimento médio e persistente.

No site da Vinícola Espanhola o Gran Reserva não possui comentários disponíveis. O Palacio del Conde, mesmo como Gran Reserva, é considerado um vinho standard da Vinha. Consegui obter os comentários do Reserva e os transcrevo abaixo:

Limpio y transparente, capa media, color rojo rubi y ribete evolucionado a teja. Aroma intenso, limpio, destacando las vainillas y tostados de la barrica, sobre um fondo de frutas maduras del bosque y sotobosque mediterrâneo. Paso de boca agradable, tanino muy suave e conjunto final persistente.

Em linhas gerais o vinho agradou!! Não é um vinho sensacional, mas é uma alternativa muito interessante que recomendo! Para o dia a dia caiu super bem, claro que deixando claro a faixa de preço que paguei e não o preço de mercado deste vinho. Quem ainda não teve a oportunidade de provar um vinho espanhol, esta é uma boa opção para iniciar.

Harmonizei com um bifet de chorizo acompanhado de uma berinjela em conserva que fiz. Uma belíssima combinação, mas o vinho vai muito bem também como aperitivo. Vai levar uma nota 3 o que faz dele um bom custo benefício!

(GK)

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Terranova Blanc des Blancs Brut

Antes de começarmos nosso post vale uma curiosidade... Parece que foi ontem que começamos a escrever estas mal traçadas linhas aqui no Enoleigos e, pelo menos para mim foi uma surpresa, acabamos de passar os 50 posts! Como este é o 51o, achei uma boa idéia começar o post falando disto! hehe. Outro dia estava pensando no blog. O que mais me fascina é a troca de informações e o constante aprendizado que este mundo virtual nos proporciona. A você que nos acompanha, nosso obrigado! A você que nos acompanha em silêncio, procure interagir mais e verá como isto pode ser bacana para todos nós.

Sexta-feira de calor em São Paulo, peixinho deixado pronto pela minha secretária, cheguei do trabalho cansado e resolvi trocar a tradicional cervejinha das sextas por um espumante. Como era um dia mais informal, sem uma produção gastronômica mais elaborada, decidi abrir este espumante da Miolo que havia comprado há pouco, por módulos R$16,00, em uma ida ao Rio de Janeiro.

Este espumante é produzido pela Miolo na Fazenda Ouro Verde, Vale do São Francisco. O assemblage Blanc de Blancs, produzido pelo método charmat, consiste em utilizar apenas variedades de uvas brancas, nesse caso a Chenin Blanc, a Sauvignon Blanc e a Verdejo, corte pouco utilizado nos espumantes nacionais.

A Vinícola Ouro Verde, propriedade do Grupo Miolo, está localizada no município de Casa Nova na Bahia. O projeto prevê a implantação de 400 hectares até 2012. Em virtude do clima tropical semiárido com grande incidência de insolação e baixa precipitação de chuvas, os vinhedos são irrigados pelo sistema de gotejamento, similar ao utilizado em outras regiões do mundo. Na Vinícola Ouro Verde, já existia uma vinícola, com mais de 20 anos, a qual foi totalmente reformada e ampliada para atender a atual demanda. Para 2012, prevê capacidade operacional de 4 milhões de litro/ano.

O Terranova Blanc des Blancs Brut é um espumante leve, fresco, ideal para ser bebido jovem. E, sem nenhuma grande expectativa, coloquei a garrafa para gelar no balde com gelo para então poder degustá-lo. Ah, vale citar que a Miolo recomenda que o mesmo seja servido a 3oC! Vamos ao que achei:

Visual: Bela garrafa!! Na taça mostrou cor amarelo claro com nuances dourados e esverdeados. Perlage bonita, fina e bastante persistente. Começou bem!

Olfato: Aroma bem frutado, com destaque para notas de frutas brancas, em especial maçã. No fundo percebi um leve toque de damasco, que enriqueceu a análise olfativa. Aqui percebemos que iremos beber um espumante realmente refrescante!

Paladar: Álcool praticamente imperceptível ao palato. Na boca o primeiro ataque foi também muito frutado com retrogosto mais amargo e final médio. Frutas permanecem mesmo após o retrogosto amargo. Um espumante leve e, como pensávamos, bastante refrescante.

O que diz a vinícola:

Variedade de uva: Chenin Blanc/ Sauvignon Blanc e Verdejo

Análise Visual: Este espumante apresenta leve intensidade de cor, tonalidade amarelo-esverdeada e perlage fina e persistente.

Análise Olfativa: Seu aroma ressalta o caráter frutado (frutas tropicais) e floral (rosas e margaridas).

Análise Gustativa: Bom frescor, equilíbrio e retrogosto agradável.

Serviço: A temperatura de serviço do Terranova Blanc de Blancs Brut, é de 3ºC pois possui uma estruta média e exala melhor suas características a essa temperatura.

Harmonização: Assim como todos os outros espumantes Brut, o Terranova Blanc de Blancs pode acompanhar todos os pratos em geral, sendo um "coringa" da harmonização. Em especial, o casamento desse espumante com queijos de textura leve e paladar suave e carnes brancas com ervas e especiarias acontece perfeitamente. Frutas tropicais, folhados de damasco, e pratos com certa gordurosidade podem acompanhar muito bem esse espumante. A acidez e a gordurosidade se contrapõem e se equilibram

O peixe que comi foi um filet empanado com molho tártaro, acompanhado de uma salada verde. O vinho casou com a comida!

Este foi mais uma bela surpresa que tive com os espumantes nacionais. Não é um vinho sensacional, mas, posso dizer que é um excelente custo benefício. Vou dar uma nota 3.

(GK)
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